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“A alegria do amor” em vários filmes

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«A alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja. Apesar dos numerosos sinais de crise no matrimônio – como foi observado pelos Padres sinodais – “o desejo de família permanece vivo, especialmente entre os jovens, e isto incentiva a Igreja”. Como resposta a este anseio, «o anúncio cristão sobre a família é verdadeiramente uma boa notícia». Estas palavras foram ditas pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica Pós -Sinodal “A alegria do amor” em 2016.

À luz deste documento, confira um conjunto de filmes com o tema da família na sua diversidade, com as suas luzes, com as suas alegrias e desafios. São películas de diferentes gêneros, épocas e nacionalidades. Algumas podem ser vistas com crianças (classificação A), outras são para adolescentes e adultos (classificação B). Convido a vê-las com abertura e com um olhar que quer reconhecer o humano que existe em cada história.

Os Croods

De Chris Sanders, Kirk DeMicco

EUA, 2013, 98 min.; classificação: A

Pré-História. Após a destruição do seu lar por um grande terramoto, Grug vê-se obrigado a emigrar com a sua família. Enquanto avançam por um mundo desconhecido e aterrador, encontram-se com um nómada de mente aberta que a todos deixa fascinados, sobretudo a filha de Grug.

No número 232 de “A alegria do amor” o papa aborda o tema das crises na família e escreve: «A história duma família está marcada por crises de todo o género […]. Cada crise implica uma aprendizagem, que permite incrementar a intensidade da vida comum […]. Cada crise esconde uma boa notícia, que é preciso saber escutar, afinando os ouvidos do coração».

Com um magnífico desenho dos personagens, com boas doses de humor e aventura, esta história ajuda a dirigir o olhar para a própria família, com as suas crises e terramotos, com os seus medos e esperanças.

Os incríveis

De Brad Bird

EUA, 2001, 115 min.; classificação: A

O filme conta a história de uma família de super-heróis composta por cinco membros: pai, mãe, filha adolescente, o filho do meio e um bebé. Pouco tempo depois de se conhecer os personagens, surge o conflito: a mãe obriga os filhos e o marido a manter em segredo os seus poderes, com o objetivo de se integrarem na sociedade e aparentar ser uma família normal. O pai, pelo contrário, desejo reviver os seus dias de glória e diz que nada deve fazer com que se envergonhem dos seus poderes. No meio de uma forte discussão, ouvimos a pretensão da filha adolescente: «Quero ser uma família normal… e não parecer uma família normal».

Com sequências de ação muito bem conseguidas, com claras referências a super-heróis conhecidos, este filme ajuda a refletir sobre a identidade e missão da família na sociedade.

Estamos todos bem

De Giuseppe Tornatore

Itália-França, 1990, 126 min.; classificação: B

Matteo Scuro (Marcello Mastrioanni), um funcionário rural já aposentado, decide percorrer a Itália para visitar os seus cinco filhos, que moram em diferentes cidades.

Com uma belíssima banda sonora de Ennio Morricone e a boa mão de Tornatore para tocar fibras íntimas, somos introduzidos na alma dos personagens com tudo o que há de amor e de entrega, de solidão e dor, de ilusão e desencanto.

Tenhamos presente as palavras do papa no último capítulo da exortação: «A presença do Senhor habita na família real e concreta, com todos os seus sofrimentos, lutas, alegrias e propósitos diários. Quando se vive em família, é difícil fingir e mentir, não podemos mostrar uma máscara» (n. 315).

Além das boas críticas, este filme obteve o prémio do Júri Ecuménico em Cannes, no ano de 1990.

A festa de Babette

De Gabriel Axel

Dinamarca, 1987, 102 min.; classificação: A

Um dos filmes favorito do papa Francisco. Deixemos que ele mesmo no-la recomende: «A alegria desse amor contemplativo tem de ser cultivada. Dado que estamos feitos para amar, sabemos que não há maior alegria do que um bem partilhado: “Dá e recebe, desfruta dele” (Ben Sirá 14, 16). As alegrias mais intensas da vida brotam quando se pode provocar a felicidade dos outros, numa antecipação do céu. Recordo a feliz cena do filme “A festa de Babette” em que a generosa cozinheira recebe um abraço agradecido e um elogio: “Como deleitarás os anjos!”. É doce e reconfortante a alegria de provocar deleite nos outros, de os ver desfrutar. Esse gozo, efeito do amor fraterno, não é o da vaidade de quem se olha a si mesmo, mas do amante que se compraz no bem do ser amado, que se derrama no outro e se torna fecundo nele».

Kramer contra Kramer

De Robert Benton

EUA, 1979, 105 min.; classificação: B

O pai e esposo Ted Kramer (Dustin Hoffman) ama a sua família e o seu trabalho, onde passa a maior parte do tempo. Uma noite, ao regressar a casa, a esposa, Joanna (Meryl Streep) comunica-lhe a decisão de o abandonar, forçando-o a encarregar-se do filho de seis anos.

“Kramer contra Kramer” é um drama sem precedentes sobre a dor causada pelo divórcio e a luta para manter o equilíbrio entre o trabalho e a família.

Recordemos o que diz “A alegria do amor”: «Tem-se de acolher e valorizar sobretudo a angústia daqueles que sofreram injustamente a separação, o divórcio ou o abandono, ou então foram obrigados, pelos maus-tratos do cônjuge, a romper a convivência. Não é fácil o perdão pela injustiça sofrida, mas constitui um caminho que a graça torna possível. Daí a necessidade duma pastoral da reconciliação e da mediação, inclusive através de centros de escuta especializados que se devem estabelecer nas dioceses» (n. 242).

A família Bélier

De Éric Lartigau

França, 2014, 105 min.; classificação: B

Todos os membros da família Bélier são surdos-mudos, exceto Paula, de 16 anos. Ela faz de intérprete para os seus pais, especialmente no que respeita ao funcionamento da quinta familiar. O conflito ocorre quando Paula, incentivada pelo seu professor de música, que descobriu o seu talento para o canto, pensa sair de casa para estudar.

Com uma boa mistura de comédia e drama, com música e letras realmente comovedoras, o filme realça muitos valores familiares, como o amor, a ternura, a comunicação e a ajuda mútua.

Podemos evocar aqui as palavras do papa na sua exortação: «As pessoas com deficiência são, para a família, um dom e uma oportunidade para crescer no amor, na ajuda recíproca e na unidade. (…) A família que aceita, com os olhos da fé, a presença de pessoas com deficiência poderá reconhecer e garantir a qualidade e o valor de cada vida, com as suas necessidades, os seus direitos e as suas oportunidades» (n. 47).

Terra de sonhos

De Jim Sheridan

EUA-Irlanda-Grã-Bretanha, 2003, 105 min.; classificação: B

O realizador conta a história de uma família de imigrantes irlandeses que viajam para os EUA em busca de melhores oportunidades de vida. Desde a fronteira percebemos a dor que atravessa esta família: o pai sem trabalho e com muito pouco dinheiro; a mãe com depressão; a filha adolescente que não diz palavra; e uma simpática criança de cinco anos. Todavia, é uma família a caminho, que sonha e se esforça por seguir em frente.

No n. 46 de “A alegria do amor” podemos ler: «As migrações «constituem outro sinal dos tempos, que deve ser enfrentado e compreendido com todo o seu peso de consequências sobre a vida familiar. […] A Igreja desempenhou, neste campo, papel de primária grandeza. A necessidade de manter e desenvolver este testemunho evangélico (cf. Mt 25, 35) aparece hoje mais urgente do que nunca.».

Caminho para casa

De Lee Jeong Hyang

Coreia do Sul, 2002, 85 min.; classificação: A

Sang-Woo, uma criança de sete anos, viveu na cidade desde que nasceu. Mas agora tem de ir para o campo e ficar com a avó, uma mulher surda-muda que guarda belos segredos no coração. Filme dedicado a todas as avós, que fala do amor incondicional, da ternura e da sabedoria dos idosos.

«Os idosos ajudam a perceber “a continuidade das gerações”, com «o carisma de lançar uma ponte entre elas. Muitas vezes são os avós que asseguram a transmissão dos grandes valores aos seus netos, e «muitas pessoas podem constatar que devem a sua iniciação na vida cristã precisamente aos avós. As suas palavras, as suas carícias ou a simples presença ajudam as crianças a reconhecer que a história não começa com elas, que são herdeiras dum longo caminho e que é necessário respeitar o fundamento que as precede», escreve o papa Francisco no n. 192 de “A alegria do amor”.

Por Sergio Guzmán – In “Signis” (Via Catequese Hoje)

Tradução: Rui Jorge Martins

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