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Alegria das festas juninas

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Junho é o mês das festas populares de inspiração religiosa: Santo Antônio, São João Batista e São Pedro. São festas que não deixam morrer costumes e tradições do passado: danças, músicas, trajes e comidas típicas.

Em junho se comemora o dia de Santo Antônio, a comemoração é mais religiosa, com missa, procissão, bênção dos pães e do bolo, procurado por tantos, sobretudo por aqueles que sonham com um bom casamento. É um misto de religiosidade, folclore e crendice, que expressam a alma simples do nosso povo que venera este grande santo.

Outro santo bastante festejado é São João. Novamente a religiosidade e o folclore se mesclam para manifestar a fé e a alegria do povo.

E temos ainda São Pedro, o primeiro papa, celebrado no final do mês. Carregando as chaves do reino dos céus, completa a tríade de santos merecedores de grande devoção popular.

O que caracteriza essas festas é que elas mantêm a pureza e a beleza iniciais, desafiando modismos ou inovações. Ainda hoje são celebradas com entusiasmo, com comidas e bebidas típicas, com trajes caipiras e danças, sobretudo da quadrilha.

Algumas festas populares do nosso calendário vão se degenerando na sua autenticidade como ocorre com o Carnaval, cada vez mais explorado comercialmente e industrializado para fins políticos e favorecimento à degradação moral. As festas juninas são genuinamente populares.

Não existem entidades que as organizam. São espontâneas. O poder público nelas não interfere. Surgem nas ruas, escolas, igrejas, nos centros comunitários e nos ambientes familiares. São festas sadiamente alegres. Uma alegria que nasce nos corações que amam a vida, o trabalho, o bem. Uma alegria cheia de esperanças. Uma alegria que é expressão de vida realizada no cumprimento da missão do dia-a-dia. Uma alegria que ninguém pode roubar, porque vem de dentro.

Esta alegria contrasta com a que parece ser mas não é verdadeira alegria. A manifestação de alegria de um alcoolizado mais se assemelha com os movimentos de alguém que está se afogando nas águas do rio, ele se afoga nas próprias frustrações.

A manifestação de alegria de uma pessoa que se diz vingada pelo mal que fez a seu desafeto nada mais é que a explosão de maus instintos, que logo vai se transformar em remorso. A alegria que se manifesta só no barulho e dele depende para expressar-se pode ter sentido de fuga, daquela fuga que abafa a voz da consciência.

A verdadeira alegria não tem nenhuma dessas conotações. Nem de fuga, nem de explosão de instintos, nem de afogamento das frustrações. Ela é expressão da realização pessoal mediante a experiência da amizade sincera.

As festas juninas são festas com amigos. Na família, na rua. na comunidade. Santo Antônio. São João e São Pedro estão presentes nelas como traço de união entre amigos na comunhão da nossa fé e na participação da mesma luta por uma convivência mais fraterna entre os homens.

A alegria, marca das festas populares, é também uma virtude cristã, pois Deus quer filhos felizes e alegres, mesmo em meio a tantas dificuldades pelas quais passa nosso povo. Por isso São Paulo insistia: “Alegrai-vos, mais uma vez exorto, alegrai-vos!” Que as nossas comunidades saibam valorizar as festas juninas como serviço á fraternidade e como manifestação autêntica da verdadeira alegria.

Por: Dom Eduardo Koaik
Bispo Emérito de Piracicaba

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