Autoconceito, motivação e aprendizagem na catequese

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Seção: Pedagógica Catequética Autor: Comentários: 0

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shutterstock_40889473Pe. Eduardo Calandro

Pe. Jordélio Siles Ledo, css

De modo simplificado podemos dizer que motivação é tudo aquilo que está por trás de nossos comportamentos; corresponde às razões de cada um de nossos atos. Então, pensemos bem: se achamos que somos capazes de fazer uma coisa bem feita, certamente teremos confiança em nosso desempenho e conseguiremos realizá-la melhor.

Se achamos que somos inteligentes e capazes, temos vontade de fazer as coisas para mostrar aos outros e a nós mesmos que temos valor. Por tudo isso podemos dizer que nosso autoconceito, isto é, a maneira pela qual nos vemos, influi na motivação.

E, no caso do ser humano e do processo de aprendizagem, como será que atuam a motivação e o autoconceito? Desde o início do desenvolvimento esses fatores demonstram sua importância. À medida que a pessoa cresce, seu autoconceito e o conhecimento que ela tem de si mesma vão se estabelecendo. A maneira pela qual a pessoa se vê, o jeito pelo qual ela se sente, irá influir muito em tudo que ela faz e, basicamente, em sua capacidade de aprendizagem. Se a pessoa não tiver confiança em si mesma, julgar-se inferior aos outros, não terá motivação para aprender. Não conseguirá interessar-se por nada, achando de antemão que irá fracassar. Com medo do fracasso, a pessoa nem tenta um novo comportamento; ou, então, toma atitudes inadequadas, num esforço de mostrar aos outros que é alguém.

Embora o processo possa ser assim como acabamos de descrever, é muito fácil influenciar a pessoa para que ela realize uma atividade que irá contribuir para sua autoestima. Toda pessoa deseja fazer coisas que a tornem mais adequada, mais capaz, admirada e aceita pelos outros. Toda vez que uma pessoa perceber que sua imagem está em jogo, irá esforçar-se ao máximo para sair-se bem, mobilizando todos seus recursos. Esse esforço, esse empenho, nada mais é que a motivação.

Também as aspirações e sonhos são influenciados pela motivação.

Quanto mais a pessoa espera de si mesma e quanto mais acha que os outros esperam dela, maiores serão seus motivos para atingir um objetivo. Sabendo isso podemos entender melhor por que um autoconceito positivo é tão importante para que a pessoa melhore sua capacidade de aprendizagem.

Autoconceito positivo nos encontro de catequese

Nesse quadro todo, o papel do catequista é fundamental. Sua atitude para com os catequizandos pode influenciar de maneira decisiva a construção da autoimagem deles, de sua maneira de ver a si mesmos e a presença de Deus em suas vidas. O catequista pode promover ou estimular o crescimento emocional de seus catequizandos todos os dias, de mil e uma formas. Você já deve ter percebido quanto sua figura é significativa para seus catequizandos. E isso tem consequências bem sérias. Nem que fizesse um grande esforço para apenas transmitir novos conhecimentos aos catequizandos, um catequista não conseguiria. Seu método de transmitir a mensagem, suas atitudes, o jeito de se relacionar com cada catequizando e até mesmo a frequência com que ele fala com cada um, o interesse e o carinho que demonstra até sem querer, estariam influenciando todo o desenvolvimento afetivo dos catequizandos. Em consequência, ele estaria influindo na formação do autoconceito, na motivação e na capacidade de aprendizagem dos catequizandos e na ideia de Deus que transmitirá.

O desenvolvimento do autoconceito positivo dos catequizandos deve ser uma preocupação central do catequista. Só se tiver uma autoimagem positiva o catequizando terá a necessária motivação para receber a mensagem do Evangelho e poderá adquirir um comportamento independente. Essa é a melhor forma de preparar o catequizando para sair-se bem nas situações novas com que se defronta.

10 Princípios que ajudam o catequista

1 Motivação é um fator de grande importância para a aprendizagem.

2. O catequizando tem mais motivação para aprender quando as coisas têm um significado para ele.

3. A história pessoal do catequizando precisa ser levada em conta.

4. O catequizando aprende melhor quando participa ativamente do processo catequético.

5. Elogios ajudam mais a motivar o catequizando do que críticas e punições.

6. Para algumas aprendizagens a repetição é indispensável, mas precisa ser feita de forma interessante.

7. O catequizando aprende melhor uma coisa nova quando já domina as aprendi­zagens anteriores.

8. Toda pessoa aprende melhor quando fica sabendo que foi bem-sucedida.

9. As experiências de aprendizagem devem caminhar do simples para o complexo.

10. As experiências de aprendizagem devem caminhar do concreto para o abstrato.

Pe. Eduardo Calandro, mestrando em psicologia clínica e da saúde pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, assessor da comissão pastoral para animação bíblico-catequética da CNBB regional Centro-Oeste, membro do GREBICAT — CNBB; especialista em psicologia, parapsicologia, pedagogia catequética, é professor do curso de pedagogia catequética na Pontifícia Universidade Católica de Goiás e de catequética e aconselhamento pastoral no Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás, IESMA em São Luís do Maranhão, membro do Centro de Formação Permanente — CEFOPE, assessor de catequese em várias regiões do Brasil. Atualmente é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Guia, em Santa Fé de Goiás.

Autor da Coleção Psicopedagogia Catequética — Catequese conforme as idades, vol. Criança, vol. II Adolescentes e Jovens, vol. III Adultos, vol. IV Pessoas Idosas, pela Paulus Editora. O saber e o saber fazer a catequese, pela Editora Vozes.

Contato: educalandro@ig.com.br

Pe. Jordélio Siles Ledo é estigmatino, mestrando em teologia pastoral pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, especialista em pedagogia catequética e psicodrama, professor do curso de pedagogia catequética na Pontifícia Universidade Católica de Goiás e UNISAL, IESMA em São Luís do Maranhão, membro do Centro de Formação Permanente — CEFOPE, membro da Academia de Letras do Grande ABC e é assessor de catequese em várias regiões do Brasil. Atualmente é pároco da Paróquia Sagrada Família, em São Caetano do Sul.

Autor da Coleção Psicopedagogia Catequética — Catequese conforme as idades, vol. Criança, vol. II Adolescentes e Jovens, vol. III Adultos, vol. IV Pessoas Idosas, pela Paulus Editora. O saber e o saber fazer a catequese, pela Editora Vozes.

Contato: jordelioledo@yahoo.com.br

Redação

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