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Como falar da morte com crianças?

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A simples pergunta já nos deixa preocupados, pela dificuldade que sentimos de abordar tal assunto com as crianças.

Nos desenhos animados, mesmo quando as personagens são eletrocutadas, amassadas, trituradas, elas reaparecem vivas, isto é, a morte pode ser revertida.

Mas na vida real não é assim. A criança tem que aprender que a morte é para sempre. A experiência de perder o pai, a mãe, os avós, irmãos ou irmãs, amigos, é muito triste e, a princípio, incompreensível.

O fato de nunca mais ver a pessoa, estar com ela, conversar, é uma experiência dolorosa e fora da compreensão das crianças. Muitos adultos pensam que é melhor nunca encarar o assunto com a criança, a fim de não preocupá-la. Esconde-se a situação, mente-se; inventando-se histórias de viagens, da vovó estar dormindo ou ir “para o céu”, criam mais confusão, porque a criança pode desenvolver medo de viajar ou dormir e nunca mais acordar, inclusive ela própria. Como a criança leva tudo “ao pé da letra”, pode esperar que a “vovó” acorde ou volte da longa viagem.

Todos os especialistas, no assunto, afirmaram que, independentemente, da idade e da situação – se morreu um bicho de estimação, um parente ou amigo – não se deve esconder o fato das crianças.

É difícil afirmar com qual idade a criança tem compreensão sobre a morte, pois o desenvolvimento emocional é pessoal e depende das experiências de vida de cada um e da família.

Mas, se sabe que já aos dois anos, as crianças percebem com clareza mudanças no clima da casa, como tristeza dos pais, preocupações ou se algo da rotina foi alterado. Mentir ou omitir pode levar à perda de confiança nos adultos, inclusive nos pais, se algo é percebido ou ouvido posteriormente.

As crianças já ouviram falar em morte. Ela aparece nos livros infantis, nos filmes.

Até por volta dos 6 anos, a criança não compreende plenamente que a morte é irreversível. Como não distingue a fantasia da realidade, acredita que, como nos desenhos animados, a personagem se levanta depois de sofrer algo fatal. Ela até pode “brincar de morto”, porque a morte parece uma simples e provisória brincadeira.

Após os sete anos, a morte é sempre percebida como algo de muito ruim. A esta altura, os adultos devem explicar que a morte faz parte do ciclo natural da vida. Mas é só a partir dos 12 anos que o processo de morte pode ser assimilado pela criança.

Quando a criança convive com idosos, pode-se explicar o processo de envelhecimento, preparando para a compreensão do tema.

Perguntas das crianças são sempre positivas e nas conversas deve-se deixar que expressem o que sentem

Participar de funerais, ver a pessoa no caixão deve ser uma decisão da criança e precisa ser respeitada. Explica-se primeiro o que a criança irá encontrar, como parentes tristes e chorando, flores e despedidas, mas a decisão final a criança deve tomar.

No correr dos dias de luto, observe o comportamento de seu filho ou filha, leve-o a brincar ao ar livre (se for muito ativo), fique mais tempo com ele ou ela, mantendo a rotina da casa.

Pode-se construir, juntos, nesse tempo uma “Caixa de memórias” ou um “Álbum de Memórias”, guardando fotos e lembranças da pessoa falecida.

É difícil conversar com as crianças sobre a morte, porque também não sabemos bem o que ela é.

O que acontece com as pessoas que morrem, para onde vão, desconhecemos. Se temos nossas crenças, se acreditamos na vida depois da morte, é mais fácil, não somente para nós mesmos enfrentamos a morte suas também explicá-la a nossos filhos. Não como certezas absolutas, mas como aquilo em que acreditamos.

Vale lembrar que é inadequado dizer à criança “não chore”, “tudo vai acabar bem”, mas deixar que ela expresse seus sentimentos, a falta que sente do ente querido, que morreu. Você também pode chorar e explicar a razão de suas lágrimas. Um autor muito importante, Eugene O’Kelly, escreveu um livro com o seguinte da sub-título: como a certeza da morte mudou a minha vida (um último relato).

Ele chama de “Um presente”, a notícia de sua morte próxima. Escreve: “Fui abençoado. Disseram que eu tinha três meses de vida”. […] “fui forçado a pensar sobre a minha própria morte e, como consequência, passei a refletir melhor do que nunca sobre a minha vida” (p. 13).

Certamente, os adultos de sua família souberam conversar com ele, quando criança, sobre o mistério da morte e nele plantaram a certeza de que a morte é um enigma, mas a vida está em nossas mãos.

Por: Raquel de Godoy Retz
Via: Devotos Mirins

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