Crítica de cinema: Universidade Monstros

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“Esqueçam os seus sonhos, crianças”: acredite ou não, esta é uma das principais mensagens que a Pixar quer transmitir aos seus filhos em seu filme mais recente, Universidade Monstros. E, analisando isso em seu contexto apropriado, eu não vejo nenhum problema – mas suponho que eu deveria explicar por quê.

A última vez que vimos Mike e Sully, no final de Monstros S.A., a dupla conseguiu resolver a crise de energia de seu mundo por meio da descoberta de que o riso das crianças gera mais energia do que seus gritos de terror.

E pelo que sabemos, Sully e Mike ainda estão felizes trabalhando na Monstros S.A., fazendo com que as crianças rachem de rir todas as noites. Isso porque Universidade Monstros não é sobre o que Mike e Sully fazem depois, mas sobre o que fizeram na faculdade antes de se tornar os amigos que nós conhecemos e amamos hoje.

O filme começa com um breve prólogo em que o jovem Mike visita a Monstros S.A. como parte de uma viagem de campo do ensino fundamental e fica encantado com a ideia de se tornar um “assustador”, um dos poucos monstros da elite com talento para assustar adequadamente as crianças.

Para ajudar a alcançar esse sonho, assim que ele completa a idade necessária, Mike se matricula na Universidade Monstros, a melhor instituição de formação para monstros na arte do susto.

Para frustração de Mike, no entanto, ele descobre que há duas coisas que estão no caminho do seu sucesso na faculdade. Uma delas é que não importa o quanto ele se destaque em seus estudos, pois será constantemente ofuscado por um tal de Sully. A outra é o simples fato de que, embora ele mesmo não perceba, Mike não é assustador de jeito nenhum. Nem mesmo um pouquinho.

É durante uma acalorada discussão sobre este último detalhe que Mike e Sully conseguem atrair a ira do reitor da escola, que elimina ambos do programa de assustadores. Mike faz um acordo com o reitor segundo o qual, se ele ganhar a competição anual de susto da escola, permanecerá no programa. Mas, como a competição é realizada em grupos, Mike busca apoio em uma fraternidade, unindo-se à Oozma Kappa, a pior casa do campus (a única que poderia aceitá-lo, claro).

Essa fraternidade de monstros consiste de um grupo agradável de perdedores. Infelizmente, mesmo com todos os seus novos irmãos da fraternidade, Mike ainda é um monstro fraco, então ele aceita relutantemente Sully na equipe, a fim de se qualificar para competir. Nenhum dos dois está feliz com a ideia de ter de trabalhar juntos, mas ambos entendem que esta é sua única chance.

É neste ponto que Universidade Monstros entra em território muito familiar para quem cresceu assistindo aos clássicos da comédia dos anos 1980, como Animal house, Up the creek e A vingança dos nerds. Mas Universidade Monstro agradavelmente se desvia do padrão quando a competição termina, mas o filme, não.

É nesses múltiplos finais que o tema subjacente de Universidade Monstros chega à superfície e, como em muitas outras produções da Pixar, é surpreendentemente maduro para um filme comercializado para crianças. Enquanto outros filmes sugeririam preguiçosamente a mensagem “seja você mesmo” e, em seguida, tocariam uma música pop, Universidade Monstros mostra Mike descobrindo que seus desejos e sua verdadeira vocação podem não ser a mesma coisa.

Esta é uma luta familiar para muitos cristãos. Como acontece com muitos de nós, um dia você percebe que o que você imaginou que faria no resto de sua vida não vai acontecer, porque Deus tem outros planos.

E, como Mike, muitas vezes demoramos para aceitar essa realidade. Afinal de contas, são os nossos sonhos – e devemos saber o que é melhor para nós, certo? Mas, com um pouco de oração e paciência, e um pouco mais de oração e discernimento, e ainda mais oração e uma útil direção espiritual, e talvez apenas um pouco mais de oração (a oração é importante, caso eu tenha me esquecido de mencionar isso), nós finalmente compreendemos o que Deus quer que sejamos. Nós encontramos nossa verdadeira vocação.

Mike demora muito tempo para perceber isso – não apenas para perceber que ele nunca vai ser o assustador astro que imaginou, mas para entender que ele pode ser muito importante e necessário para os outros monstros em sua vida, de outra maneira.

E quando ele chega a esse ponto, começamos a ver a sua relação com Sully em Monstros S.A. sob uma luz diferente. Mike não é apenas o infeliz parasita que pode parecer à primeira vista. Realmente, isso é o que esperávamos de uma continuação (neste caso, uma prequela), que é divertida e que desenvolveu a história.

Universidade Monstros foi um sucesso nesse sentido.

Por David Ives

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