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Destaques do mês agosto e setembro 2018

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AGOSTO

Celebramos a memória de um santo Bispo e Doutor da Igreja que se tornou pelo seu testemunho “Patrono dos confessores e teólogos de doutrina moral”. Afonso Maria de Ligório nasceu em Nápoles, na Itália, em 1696, numa nobre família que, ao saber das qualidades do menino prodígio, proporcionaram-lhe o caminho dos estudos a fim de levá-lo à fama.

Com 16 anos doutorou-se em direito civil e eclesiástico e já se destacava em sua posição social quando se deparou, involuntariamente, sustentando uma falsidade, isto levou Afonso a profundas reflexões, a ponto de passar três dias seguidos em frente ao crucifixo. Escolhendo a renúncia profissional, a herança e títulos de nobreza, Santo Afonso acolheu sua via vocacional, já que o Senhor o queria advogando as causas do Cristo.

Santo Afonso Maria de Ligório colocou todos os seus dons a serviço do Reino dos Céus, por isso, como sacerdote, desenvolveu várias missões entre os mendigos da periferia de Nápoles e camponeses; isto até contagiar vários e fundar a Congregação do Santíssimo Redentor, ou Redentoristas. Depois de percorrer várias cidades e vilas do sul da Itália convertendo pecadores, reformando costumes e santificando as famílias, Santo Afonso de Ligório, com 60 anos, foi eleito Bispo e assim pastoreou com prudência e santidade o povo de Deus, mesmo com a realidade de ter perdido a amizade do Papa e sido expulso de sua fundação.

Entrou no Céu com 91 anos, depois de deixar vários escritos sobre a Doutrina Moral, sobre a devoção ao Santíssimo Sacramento e a respeito da Mãe de Deus, sendo o mais conhecido: “As Glórias de Maria”.

Santo Afonso Maria de Ligório, rogai por nós!

O Papa Bento 16 escreveu sobre Cura D’Ars. “Nascido a 8 de Maio de 1786 de uma família pobre de bens materiais, mas rica de fé, chegou à ordenação presbiteral após muitas vicissitudes e incompreensões, graças à ajuda de sacerdotes sapientes que não se detiveram a considerar apenas os seus limites humanos, mas souberam olhar mais longe, intuindo o horizonte de santidade que se perfilava naquele jovem verdadeiramente singular, que sempre manifestou uma elevadíssima consideração pelo dom recebido.

No serviço pastoral, tão simples como também extraordinariamente fecundo, este anônimo pároco de uma longínqua aldeia do sul da França conseguiu de tal modo identificar-se com o seu ministério que se tornou, mesmo de uma maneira visivelmente reconhecível, imagem do Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas.

A sua existência foi uma catequese viva que adquiria uma eficácia particularíssima quando as pessoas o viam celebrar a Missa, deter-se em adoração diante do Tabernáculo ou passar muitas horas no confessionário. Ele reconhecia na dedicação ao sacramento da Penitência o cumprimento natural do apostolado sacerdotal – sublinhou o Papa, que prosseguiu observando que os métodos pastorais de S. João Maria Vianney poderiam parecer pouco adaptados às atuais condições sociais e culturais.

Como as poderia de fato imitar um padre hoje em dia, num mundo tão mudado? Se é verdade que mudam os tempos e muitos carismas são típicos da pessoa, que não se repetem, há contudo um estilo de vida e uma aspiração de fundo que todos somos chamados a cultivar. Bem vistas as coisas, o que fez do Cura de Ars um santo, foi o ser enamorado de Cristo – observou Bento XVI .

“O verdadeiro segredo do seu sucesso pastoral foi o amor que nutria pelo mistério eucarístico – anunciado, celebrado e vivido – que se tornou em amor pelas ovelhas de Cristo, dos cristãos e das pessoas que procuram a Deus”.

Há que não reduzir a figura de São João Maria Vianney a um exemplo, ainda que admirável, da espiritualidade devocionista do século XIX – advertiu o Papa:

“É preciso, pelo contrário, captar a força profética que caracterizava a sua personalidade humana e sacerdotal e que é de altíssima atualidade. A 150 anos da morte, o testemunho do Santo Cura de Ars continua a ser um válido ensinamento para os padres e para todos nós”.

Bento XVI finaliza: Imitando-o, os padres devem cultivar e fazer crescer, dia após dia, uma íntima união pessoal com Cristo e devem ensinar a todos esta união, esta amizade íntima com Cristo. “Só os enamorados de Cristo podem tocar o coração das pessoas e abri-las ao amor misericordioso do Senhor”.

Vencendo obstáculos

João Maria Batista Vianney, sem dúvida alguma, se tornou o melhor exemplo das palavras profetizadas pelo apóstolo Paulo: “Deus escolheu os insignificantes para confundir os grandes”. Ele nasceu em 8 de maio de 1786, no povoado de Dardilly, ao norte de Lyon, França. Seus pais, Mateus e Maria, tiveram sete filhos, ele foi o quarto. Gostava de frequentar a igreja e desde a infância dizia que desejava ser um sacerdote.

Vianney só foi para a escola na adolescência, quando abriram uma na sua aldeia, escola que frequentou por dois anos apenas, porque tinha de trabalhar no campo. Foi quando se alfabetizou e aprendeu a ler e falar francês, pois em sua casa se falava um dialeto regional.

Para seguir a vida religiosa, teve de enfrentar muita oposição de seu pai. Mas com a ajuda do pároco, aos vinte anos de idade ele foi para o Seminário de Écully, onde os obstáculos existiam por causa de sua falta de instrução.

Foram poucos os que vislumbraram a sua capacidade de raciocínio. Para os professores e superiores, era considerado um rude camponês, que não tinha inteligência suficiente para acompanhar os companheiros nos estudos, especialmente de filosofia e teologia. Entretanto era um verdadeiro exemplo de obediência, caridade, piedade e perseverança na fé em Cristo.

Em 1815, João Maria Batista Vianney foi ordenado sacerdote. Mas com um impedimento: não poderia ser confessor. Não era considerado capaz de guiar consciências. Porém para Deus ele era um homem extraordinário e foi por meio desse apostolado que o dom do Espírito Santo manifestou-se sobre ele. Transformou-se num dos mais famosos e competentes confessores que a Igreja já teve.

Durante o seu aprendizado em Écully, o abade Malley havia percebido que ele era um homem especial e dotado de carismas de santidade. Assim, três anos depois, conseguiu a liberação para que pudesse exercer o apostolado plenamente. Foi então designado vigário geral na cidade de Ars-sur-Formans. Isso porque nenhum sacerdote aceitava aquela paróquia do norte de Lyon, que possuía apenas duzentos e trinta habitantes, todos não-praticantes e afamados pela violência. Por isso a igreja ficava vazia e as tabernas lotadas.

Ele chegou em fevereiro de 1818, numa carroça, transportando alguns pertences e o que mais precisava, seus livros. Conta a tradição que na estrada ele se dirigiu a um menino pastor dizendo: “Tu me mostraste o caminho de Ars: eu te mostrarei o caminho do céu”. Hoje, um monumento na entrada da cidade lembra esse encontro.

Treze anos depois, com seu exemplo e postura caridosa, mas também severa, conseguiu mudar aquela triste realidade, invertendo a situação. O povo não ia mais para as tabernas, em vez disso lotava a igreja. Todos agora queriam confessar-se, para obter a reconciliação e os conselhos daquele homem que eles consideravam um santo.

Na paróquia, fazia de tudo, inclusive os serviços da casa e suas refeições. Sempre em oração, comia muito pouco e dormia no máximo três horas por dia, fazendo tudo o que podia para os seus pobres. O dinheiro herdado com a morte do pai gastou com eles.

A fama de seus dons e de sua santidade correu entre os fiéis de todas as partes da Europa. Muitos acorriam para paróquia de Ars com um só objetivo: ver o cura e, acima de tudo, confessar-se com ele. Mesmo que para isto tivessem que esperar horas ou dias inteiros. Assim, o local tornou-se um centro de peregrinações.

O Cura de Ars, como era chamado, nunca pôde parar para descansar. Morreu serenamente, consumido pela fadiga, na noite de 4 de agosto de 1859, aos setenta e três anos de idade. Muito antes de ser canonizado pelo papa Pio XI, em 1925, já era venerado como santo. O seu corpo, incorrupto, encontra-se na igreja da paróquia de Ars, que se tornou um grande santuário de peregrinação. São João Maria Batista Vianney foi proclamado pela Igreja Padroeiro dos Sacerdotes e o dia de sua festa, 4 de agosto, escolhido para celebrar o Dia do Padre.

Via Franciscanos. org

“Hoje, no Tabor, transformou Cristo a escura natureza de Adão: revestindo-a de seu esplendor, divinizou-a ” [1]

Dentre as teofanias narradas nas sagradas escrituras, a Transfiguração é a que traduz profundamente a teologia da divinização do homem. No Tabor Cristo transforma a natureza humana, escurecida em Adão, revestindo-a com o seu esplendor. De forma concreta se percebe que Cristo não se despe de sua divindade, mas, reveste a humanidade de sua glória.

Segundo a tradição o evento da transfiguração ocorreu 40 dias antes da crucificção, ela é a ponte que introduz no calvário e por fim na ressurreição, situada antes do anuncio da paixão e da morte, prepara-os para a compreensão deste mistério. Quase que na mesma dinâmica a Igreja celebra a festa 40 dias antes da Exaltação da Santa Cruz, ou seja a seis de agosto. Desde o seculo V a Igreja faz memoria daquele dia em que o Pai dá testemunho do Filho diante de Pedro, João e Tiago.

De forma quase idêntica a transfiguração é narrada pelos evangelhos sinóticos, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão (Cf Mt 17,1). São João Crisóstomo afirma que estes foram escolhidos pois “Pedro amava a Jesus mais do que os outros, João porque era amado por Jesus mais do que os outros, e Tiago porque se unira na resposta do irmão: ‘Sim, podemos beber do teu cálice’ (cf. Mt 20,22).”

Há na transfiguração uma nova manifestação trinitária, após a ocorrida no batismo a voz do Pai dá testemunho, o Espírito ilumina e o Filho recebe e manifesta a palavra e a luz. Para mergulharmos no sentido profundíssimo desta festa recorreremos a iconografia cristã, que traz para nós o Ícone da transfiguração do Senhor, também chamado de Ícone da Luz, pois é exatamente disso que fala.

A cena mostra Cristo que sobe com os três apóstolos ao monte Tabor e lá se transfigura diante deles. “Seu rosto resplandeceu como o sol, suas vestes tornaram-se brancas como a luz, tão brancas que nenhuma lavadeira do mundo poderia alvejá-las.” (cf.Mt.17,2.Mc.9,3). Aparecem então Moisés e Elias, que conversavam com Jesus. Os apóstolos caem com a face em terra diante de tamanha glória. Pedro ousa elevar o olhar e diz: “Rabbi, é bom estarmos aqui; vamos erguer três tendas: uma para ti, uma para Moisés, outra para Elias”. Eis que apareceu uma nuvem que os encobriu e dela veio uma voz que dizia: “este é meu Filho bem-amado, ouvi-o!”. Logo após, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, só, em sua simplicidade humana, com eles.

O monte

A montanha é nas sagradas escrituras o Lugar da revelação de Deus, é precisamente no Horeb que Deus dá-se a conhecer a Moisés, essa manifestação é como a transfiguração, expressa o desejo de Deus de dialogar com o homem, de tornar-se parte de sua vida. Dialogo é sinonimo de oração, amizade com Deus, conhecimento de Deus; é no alto do monte que Deus se revela, foi assim com Moisés, com Elias e agora com os discípulos aos quais Cristo deseja levar aos cumes do Seu conhecimento.

Para alcançar topo é necessário um caminho árduo, a subida do monte faz perceber que no meio do caminho existem pedras, espinhos, que a posse dos bens tanto materiais como espirituais pesa muito e pode impedir o homem de atravessar para chegar, ou melhor, para retornar a Deus. O cenário do ícone é rochoso para expressar justamente essa realidade.

Os apóstolos

Na parte inferior do ícone encontramos os apóstolos, que apontam aquilo que é terreno, eles caem com o rosto por terra (cf Mt 17,6) por não suportarem o esplendor da gloria de Deus, assim como Elias e Moisés era preciso esconder o rosto, pois este Deus é “Terrível”. Lucas fala de um sono (cf.Lc.9,32) os discípulos mergulham na escuridão e ao acordar deparam-se com Cristo envolto em sua glória.

Apesar de não entender o que está acontecendo vivem este momento de forma intensa, um misto de alegria celeste e de temor toma conta deles e os leva a sentir o desejo ardente de permanecer ali, é Pedro quem o expressa quando diz: “é bom estarmos aqui!” . No alto do Tabor, Cristo transfigura a existência dos apóstolos, infundindo neles a vocação à santidade. Cristo insere os discípulos no coração da Trindade, infunde no coração deles o desejo de buscar o alto.

Mas os discípulos se assustam, como pode? Há uma belíssima cena Cristo glorioso, aquela que contemplarão mais uma vez no dia da ressurreição, o desejo do céu, a beleza de Cristo não os impede de sentirem-se atemorizados diante da majestade divina, é a experiência do Tudo e do nada, da grandeza e da pequenez que provoca o medo, mas um medo saudável, que recorda ao homem quem é Deus e o desperta sempre mais no caminho da santidade. Sobre isso São Francisco nos ensina muito quando inumeras vezes repetia diante do Crucifixo de São Damião “Quem sois vós, Senhor, e quem sou eu?” e respondia ele mesmo a pergunta: “Vós, o altíssimo Senhor do céu e da terra; e eu um miserável vermezinho, vosso ínfimo servo” É uma experiência de Tabor reconhecer-se pequeno e contemplar a grandeza de Deus.

Moisés e Elias

Os discípulos veem dois personagens ao lado de Jesus, Moisés e Elias: a lei e os profetas que se inclinam em adoração a Cristo, centro, personificação e o cumprimento da Lei e de toda Profecia. Eles podem contemplar aquilo que tantos profetas profetizaram e esperaram, Cristo (cf Lc.10,23). A primeira aliança aponta para a ultima. “Moisés e Elias tiveram de receber a revelação no monte de Deus; eles estão agora conversando com aquele que é em pessoa a revelação de Deus”[2]

Moisés, à direita, trás consigo um volume da Lei, que parece oferecer ao Cristo que já prefigurado pela pessoa de Moisés no Antigo Testamento tem nas mãos o Evangelho, que de forma perfeita contém toda a lei e o cumprimento da profecia.

Orígenes diz que o erro de Pedro ao expressar o desejo de construir três tendas parte do princípio de que “para a Lei, os Profetas e o Evangelho não existem três tendas mas uma só, que é a Igreja de Deus”[3] Elias à esquerda aponta para o Cristo, identificando-o como o centro de toda profecia, ele que tivera uma experiência com o Todo-Poderoso no Horeb agora não precisa mais cobrir o rosto, vê a Deus face a face e fala-lhe como a um amigo.

Há um dialogo entre os três, Lucas sublinha “que apareceram envoltos em glória, e falavam da morte dele, que se havia de cumprir em Jerusalém” (Cf Lc 9,31). “O tema do seu diálogo é a cruz, mas entendida de um modo envolvente como o êxodo de Jesus, cujo lugar devia ser Jerusalém. A cruz de Jesus é êxodo: partida desta vida ,passagem através do “mar vermelho” da paixão e ida para a glória, na qual permanecem os sinais das chagas”[4] Um hino da liturgia bizantina recita, “Conversando com Cristo, Moisés e Elias revelam que ele é o Senhor dos vivos e dos mortos, o Deus que tinha falado na lei e nos profetas; e a voz do Pai, que sai da nuvem luminosa, “dá-lhe testemunho”.

O Cristo

No centro do ícone, assim como no texto do evangelho, está o Cristo, isso retrata, como já citamos que ele é o centro de tudo, “por Ele todas as coisas foram feitas”[5], é dele que emana a luz que ilumina a cena, Ele é a “Luz da Luz”[6] uma luz incriada que dissipa as trevas, põe fim ao torpor e anuncia uma beatitude que não passará. “As vestes brancas de luz de Jesus falam também na transfiguração a respeito do nosso futuro. No Apocalipse, as vestes brancas são expressão do ser celeste — as vestes dos anjos e dos eleitos. Assim, o Apocalipse de S. João fala das vestes brancas que os que foram redimidos podem trazer (cf.especialmente Ap7,9.13;19,14). Porém ele nos permite saber agora algo de novo: as vestes dos eleitos são brancas, porque foram lavadas no sangue do cordeiro (Ap 7,14), isto é, porque pelo batismo foram ligadas com a paixão de Jesus, e a sua paixão é a purificação que restitui a veste original, que perdemos pelo pecado (cf. Lc 15,22). Por meio do batismo somos revestidos com Jesus na luz e tornamo-nos nós mesmos luz”[7]

Da luz de Cristo partem três raios que incidem diretamente sobre os apóstolos, que como abemos caem por terra, pois nenhum homem pode ver a face de Deus e continuar vivo (cf.Ex.33,20). Os círculos ao redor da figura de Jesus representam os céus. Percebe-se que Ele ultrapassa os seus limites, pois nem mesmo os céus são capazes de conter tamanha grandeza.

A nuvem sagrada a Shekhina sinaliza a presença do próprio Deus. Na Tradição veterotestamentária a nuvem sobre a tenda da revelação mostrava presença de Deus. Jesus é a tenda sobre a qual está a nuvem e é a partir daí que todos são envolvidos por sua sombra. Vemos ainda uma cena um tanto familiar, da nuvem ressoa clara a voz que diz: “Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o!” (cf Lc 9,35). A proclamação da filiação acrescenta-se um imperativo: “ouvi-o!” podemos lembrar da subida de Moisés ao monte, onde recebeu a lei, agora sobre um monte é dito de Cristo “A Ele deveis escutar!”, a aparição termina e os discípulos descem com esta ordem intima, “escutai-o!” e estas palavras guardarão, aprenderão e ensinarão para sempre.

Na Comunidade Católica Shalom existe um canto que expressa um desejo, “Jesus queremos te ver, o teu rosto brilhará em nós! Queremos te ver, transfigura-nos em Ti Jesus” Os discípulos contemplam a glória de Deus, segundo a sua capacidade humana. Pensemos em nós hoje, Cristo continua se transfigurando e o faz em nós. É na Palavra que Cristo revela sua identidade. Em nós pela evangelização, o Pai fala forte: “eis o meu Filho”. Na Igreja a tenda de Deus meio meio dos homens, a gloria de Cristo se manifesta na sagrada liturgia, que traz na Eucaristia o Ressuscitado que passou pela cruz, anunciando a sua morte e proclamando a sua ressurreição.

Por Vinícius C. Ribeiro – Missionário da Comunidade Católica Shalom

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[1] Hino da festa da Transfiguração do Senhor, Tradição Bizantina.
[2] Bento XVI, Jesus de Nazaré, capitulo 09.
[3] Orígenes. In Lev., Hom.VI, 2.
[4] Idem (2).
[5] Simbolo Niceno Constantinopolitano.
[6] Idem (4).
[7] Bento XVI, Jesus de Nazaré, capitulo 09.

Santa Clara de Assis, (Chiara D’Offreducci), nasceu no ano de 1194, em Assis, Itália. De família rica, seu pai, Favarone Scifi, era conde. Sua mãe se chamava Hortolana Fiuni. Clara era neta e filha de fidalgos (pessoas da classe nobre). Sua família vivia em um palácio na cidade, tinha muitas propriedades e até um castelo.

Clara tinha dois irmãos e duas irmãs. Suas irmãs Catarina e Beatriz, mais tarde, iriam entrar para o convento junto com sua mãe, após esta ficar viúva. Quando Clara tinha por volta de doze anos, sua família vai morar em Corozano e depois vão para Perugia, refugiando-se de uma revolução.

Vida de Santa Clara
Clara desde jovem já tinha a fama de muito religiosa e recolhida. Aos 18 anos ela fugiu com uma amiga, Felipa de Guelfuccio, para encontrar São Francisco de Assis, na Porciúncula, (capelinha de Santa Maria dos Anjos, onde nasceu a ordem dos Franciscanos e a ordem de Santa Clara). Lá ela era esperada para fazer os primeiros votos e entrar no convento dos franciscanos.

Santa Clara de Assis, uma discípula de São Francisco de Assis.
O próprio São Francisco cortou os cabelos de Clara, sinal do voto de pobreza e exigência para que ela pudesse ser uma religiosa. Depois da cerimônia ela foi levada para o Mosteiro das Beneditinas. Santa Clara de Assis vendeu tudo, inclusive seu dote para o casamento e distribui aos pobres. Era uma exigência de São Francisco para poder entrar para a vida religiosa.

A família de Santa Clara de Assis tentou buscá-la, mas ela se recusou a voltar, mostrando para o seu tio Monaldo os cabelos cortados. Ele, então, desistiu de levá-la. Nisso, sua irmã Catarina, também foge para o convento aos 15 anos de idade. A família envia novamente o Tio Monaldo para busca-la à força. Monaldo amarra a moça e prepara-se para arrastá-la de volta para casa.

Clara não suporta ver o sofrimento da irmã e pede ao Pai Celeste que intervenha. Então a menina amarrada ficou tão pesada que ninguém conseguia movê-la. Monaldo, então, desistiu. Catarina entrou para o convento e recebeu o nome de Inês. Depois de ter passado pelo convento de Santo Ângelo de Panço, São Francisco leva Clara e suas seguidoras para o Santuário de São Damião, onde foram morar em definitivo.

Milagre de Santa Clara de Assis
Por causa da invasão muçulmana, a região de Assis passou necessidades. Tanto que, certa vez, as irmãs, que já eram mais de 50, não tinham o que comer. Então a irmã cozinheira chega desesperada e diz a Santa Clara de Assis que havia somente um pão na cozinha.

Santa Clara diz a ela: confie em Deus e divida o pão em 50 pedaços. A irmã cozinheira, mesmo sem entender, obedece. Então, de repente, dezenas de pães aparecem na cozinha e as irmãs conseguem se sustentar por vários dias.

Imagem de Santa Clara de Assis
Pela intercessão de Santa Clara muitos milagres se realizaram quando ela ainda era viva e também depois de seu falecimento. Um dos mais expressivos foi quando os sarracenos (muçulmanos) invadiram Assis e tentaram entrar no convento das Clarissas.

Santa Clara pegou o ostensório com o Santíssimo Sacramento e disse aos invasores que Cristo era mais forte que todos eles. Então, inexplicavelmente, todos, tomados de grande medo, fugiram sem saquear o convento. Por isso, Santa Clara é representada com suas vestes marrons segurando o ostensório.

A padroeira da Televisão
Um ano antes de Santa Clara de Assis falecer, em 11 de agosto de 1253, ela queria muito ir a uma missa na Igreja de São Francisco (já falecido). Não tendo condições de ir por estar doente, ela entrou em oração e conseguiu assistir toda a celebração de sua cama em seu quarto no convento.

Segundo seus relatos, a Missa aparecia para ela como que projetada na parede de seu humilde quarto. Santa Clara conseguiu ver e ouvir toda a celebração sem sair de sua cama. O fato foi confirmado quando Santa clara de Assis contou fatos acontecidos na missa, detalhando palavras do sermão do celebrante. Mais tarde, várias pessoas que estiveram na missa confirmaram que o que Santa Clara narrou, de fato aconteceram.

Assim, pelo fato de Santa clara ter assistido a uma celebração à distância, em 14 de fevereiro de 1958, o Papa Pio XII proclamou oficialmente Santa Clara de Assis como a padroeira da televisão.

O legado de Santa Clara de Assis
Santa Clara de Assis é a fundadora das Clarissas, (antes chamadas de senhoras pobres), com conventos espalhados por vários lugares da Europa e uma espiritualidade voltada para a pobreza, a oração e a ajuda aos mais necessitados.

Ela escreveu a Regra para as mulheres religiosas, (forma de vida), a regra de viver o mistério de Jesus Cristo de acordo com as propostas de São Francisco de Assis. Regra depois aprovada pela Papa. Ela foi o lado feminino dos franciscanos e as irmãs Clarissas permanecem até hoje.

Falecimento
Santa Clarade Assis morreu em Assis no dia 11 de agosto de 1253, aos 60 anos de idade. Um dia antes de sua morte ela recebeu a visita do Papa Inocencio lV, que lhe entregou a Regra escrita por ela aprovada e aplicada a todas as monjas.

Na hora de sua morte ela disse: Vá segura, minha alma, porque você tem uma boa escolha para o caminho. Vá, porque Aquele que a criou também a santificou. E, guardando-a sempre como uma mãe guarda o filho, amou-a com eterno amor. E Bendito sejais Vós, Senhor que me criastes.

O Papa mandou enterrá-la na Igreja de São Jorge, onde São Francisco estava enterrado. Em 1260 depois de construída a Basílica de Santa Clara, ao lado da Igreja de São Jorge seu corpo foi transladado com todas as honras para lá.

Canonização de Santa Clara de Assis
Sua canonização foi oficializada pelo Papa Alexandre lV, no ano de 1255, dois anos após sua morte. Santa Clara de Assis é representada com uma roupa marrom e touca branca, com uma custódia com o Santíssimo sacramento.

Oração a Santa Clara de Assis

Ó maravilhosa clareza e abençoada Clara.
Em vida, ela brilhou para alguns, após a morte, ela brilha para todo mundo.
Na terra ela era uma luz clara. Agora está no céu como sol brilhante.
Ó quão grande a veemência do brilho dessa clareza.
Na terra a luz era realmente mantida dentro das paredes da clausura, ainda derramado de seus raios brilhantes. Amém.

No Brasil, ela é comemorada no segundo domingo de agosto, mas já foi comemorada fixamente no dia 16 desse mesmo mês. Nos Estados Unidos e em várias outras nações, a data é comemorada no terceiro domingo de junho; em Portugal e Espanha, em 19 de março; na Rússia, no dia 23 de fevereiro. Mas qual é a razão dessas diferenças?

O dia dos pais passou a ter repercussão mundial a partir do início do século XX, quando a data foi institucionalizada nos Estados Unidos da América. Os Estados Unidos comemoraram pela primeira vez o dia dos pais em 19 de junho de 1910. Tal data foi escolhida a partir da sugestão de uma moça chamada Sonora Louis Dodd, que quis homenagear seu pai, William Jackson Smart.

Smart era um veterano da Guerra Civil Americana que, após a morte da esposa, teve que criar sozinho Sonora e os outros filhos. A homenagem de Sonora começou em 1909, em sua cidade, Spokane, no estado de Washington. O dia em questão, 19 de junho, era a data de nascimento de seu pai. O gesto simples da moça acabou por mobilizar muitas pessoas da mesma cidade a fazer o mesmo tipo de homenagem. De Spokane, a prática alastrou-se para outros estados dos EUA.

Entretanto, em 1966, houve uma alteração na comemoração da data em decorrência de outros fatores. Do dia 19 de junho, a comemoração passou para o terceiro domingo de junho. Em 1972, o presidente Richard Nixon declarou o terceiro domingo de junho como o dia oficial da comemoração do dia dos pais. Essa data foi adotada como modelo por vários países ocidentais.

Origem da comemoração no Brasil

No Brasil, o dia dos pais só foi comemorado pela primeira vez em 1953, no dia 16 de agosto. Ao contrário do que ocorreu nos EUA, essa data não foi pensada como forma de homenagem local e simples, que se alastrou depois, sem planejamento. Na verdade, ela foi pensada por um publicitário chamado Sylvio Bhering, à época diretor do jornal O Globo e da rádio homônima.

O objetivo de Bhering era tanto social quanto comercial. A tentativa inicial foi associar a data ao dia de São Joaquim, pai de Maria, mãe de Jesus Cristo, que é comemorado em 16 de agosto, no calendário litúrgico da Igreja Católica, já que a população brasileira era predominantemente constituída de católicos. No entanto, nos anos seguintes, a data também foi deslocada para um domingo, o segundo domingo do mês de agosto – e assim permanece até hoje.

O principal objetivo desta data é focar na educação e conscientização dos jovens sobre a responsabilidade que assumem como representantes do futuro do planeta.

O Dia Internacional da Juventude foi criado, originalmente, através da resolução 54/120, por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1999, como consequência da Conferência Mundial dos Ministros Responsáveis pelos Jovens, em Lisboa, Portugal.

A Assembleia Geral da ONU decretou o ano de 2010 como “Ano Internacional da Juventude”, período em que foram debatidos diversos assuntos relacionados com o tema “Diálogo e Compreensão Mútua”.

Atualmente, por meio do Programa Mundial de Ação para a Juventude, a ONU incentiva ações políticas e diretrizes que ajudam a apoiar a melhoria na qualidade de vida dos jovens de todo o mundo.

Dia Nacional da Juventude
De acordo com o Decreto de Lei nº 10.515, de 11 de julho de 2002, o Dia Nacional da Juventude também é comemorado em 12 de agosto.

No Brasil, de acordo com a PEC da Juventude, ficou estipulado que todo indivíduo entre os 15 e 29 anos é considerado jovem.

O Dogma da Assunção de Nossa Senhora foi proclamado, solenemente, pelo Papa Pio XII

A Sagrada Tradição da Igreja ensina que Nossa Senhora foi elevada ao céu de corpo e alma após sua morte. No entanto, as particularidades da “morte” da Virgem Maria não são conhecidas. Santo Epifânio, bispo de Salamina de Chipre, compôs, nos anos de 374-377, o livro sobre as heresias, no qual escreve: “Ou a Santa Virgem morreu e foi sepultada e seguiu-se depois sua Assunção na glória, ou, sem fim, verificou-se em plena e ilibada pureza, adornando a coroa de sua virgindade” (MS, p. 267).

O Dogma da Assunção da Virgem Santíssima foi proclamado, solenemente, pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950, e sua festa é celebrada no dia 15 de agosto. Grande júbilo e alegria pairou sobre todo o mundo católico naquela data, especialmente para os filhos de Maria. Quando o Papa o decretou, por meio da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, foi uma verdadeira apoteose, tanto na Praça de São Pedro, em Roma, como nas outras cidades do mundo católico.

Nesse documento, disse o Papa: “Cristo, com Sua morte, venceu o pecado e a morte e sobre esta e sobre aquele alcançará também vitória pelos merecimentos de Cristo quem for regenerado sobrenaturalmente pelo batismo. Mas por lei natural Deus não quer conceder aos justos o completo efeito dessa vitória sobre a morte, senão quando chegar o fim dos tempos. Por isso, os corpos dos justos se dissolvem depois da morte, e somente no último dia tornarão a unir-se, cada um com sua própria alma gloriosa. Mas desta lei geral Deus quis excetuar a Bem-Aventurada Virgem Maria. Ela, por um privilégio todo singular, venceu o pecado; por sua Imaculada Conceição, não estando por isso sujeita à lei natural de ficar na corrupção do sepulcro, não foi preciso que esperasse até o fim do mundo para obter a ressurreição do corpo”.

Conheça os motivos pelos quais a Igreja proclamou a Assunção de Nossa Senhora

Assim, na Praça de São Pedro, em Roma, diante do pórtico de São Pedro, circundado por 36 Cardeais, 555 Patriarcas, Arcebispos e Bispos e sacerdotes, e perante cerca de um milhão de fiéis, o Papa proclamava solenemente: depois de haver mais uma vez elevado a Deus nossas súplicas e invocado as luzes do Espírito Santo, a glória de Deus Onipotente, que derramou sobre a Virgem Maria Sua especial benevolência, em honra de Seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte, para maior glória de Sua augusta Mãe e para a alegria e exultação de toda a santa Igreja, e pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma de fé revelado por Deus que: a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada à glória celeste em corpo e alma (MS, p. 282).

Solenidade

Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Marialis Cultus, resume a importância desse dogma numa expressão cheia de densidade: “A solenidade de 15 de agosto celebra a gloriosa Assunção de Maria ao Céu, festa de seu destino de plenitude e de bem-aventurança, glorificação de sua alma imaculada e de seu corpo virginal, de sua perfeita configuração com Cristo ressuscitado” (MC n.6).

Assim, Maria participa da ressurreição e glorificação de Cristo. É preciso lembrar, aqui, que somente Jesus e Maria subiram ao Céu de corpo e alma. Os santos estão lá apenas com suas almas, pois os corpos estão na terra, aguardando a ressurreição do último dia. Maria, ao contrário, foi elevada ao céu também com seu corpo já ressuscitado. É uma grande glória dela.

A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, em uma Instrução de 17-05-1979, deixou bem claro: a Igreja, ao expor a sorte do homem após a morte, exclui qualquer explicação que tire o sentido à Assunção de Nossa Senhora naquilo que ela tem de único, ou seja, o fato de ser a glorificação corporal da Virgem Santíssima uma antecipação da glorificação que está destinada a todos os outros eleitos (n. 6).

Quais os motivos da Assunção de Nossa Senhora?

1 – Como Maria não esteve sujeita ao poder do pecado para poder ser a Mãe de Deus, também não podia ficar sob o império da morte; pois, como disse São Paulo, “o salário do pecado é a morte” (Rm 6,23). Assim, Maria não experimentou a corrupção da carne, mas foi glorificada em sua alma e seu corpo.

2 – A carne de Jesus e a de Maria são a mesma carne. Portanto, a carne de Maria devia ter a mesma glória que teve a de seu Filho.

São João de Damasco, no ano 749, escreve: “Era necessário que aquela que, no parto, havia conservado ilesa sua virgindade, conservasse também sem corrupção alguma seu corpo depois da morte. Era preciso que aquela que havia trazido no seio o Criador feito menino habitasse nos tabernáculos divinos. Era necessário que aquela que tinha visto o Filho sobre a cruz, recebendo no coração aquela espada das dores das quais fora imune ao dá-Lo à luz, O contemplasse sentado à direita do Pai. Era necessário que a Mãe de Deus possuísse aquilo que pertence ao Filho e fosse honrada por todas as criaturas como Mãe de Deus”.

E assim também se exprime São Germano, patriarca de Constantinopla, falecido em 735, e outros santos (MS, pp. 272 e 273).

Festa do trânsito de Maria

A festa do Trânsito de Maria, que honrava sua morte, passou gradualmente a comemorar sua Assunção corporal ao céu. No sacramentário enviado pelo Papa Adriano I ao Imperador Carlos Magno (768-814), que introduziu o Cristianismo em todo o vasto império franco, está escrito: digna de honra é para nós, Senhor, a festividade deste dia em que a Beata Virgem Maria, a Santa Mãe de Deus, sofreu a morte temporal, mas não pôde ser retida pelos inexoráveis laços, porque ela deu à luz Seu Filho, nosso Senhor, que tomou sua carne (MS, p. 273). No Sínodo de Mainz, no ano 813, Carlos Magno introduziu a festa da Assunção de Maria ao Céu, depois de haver obtido autorização de Roma.

Foi São Gregório de Tours, falecido em 596, o primeiro a proclamar a Assunção corpórea de Maria ao Céu. Um século mais tarde, Santo Ildefonso de Toledo afirmou: “Não devemos esquecer que muitos consideram que ela [Maria] foi, neste dia, levada corporalmente ao céu por Nosso Senhor Jesus Cristo” (MS, p. 274).

Muitos santos perguntavam se o melhor dos filhos poderia recusar à melhor das Mães a participação em sua ressurreição e o glorioso domínio à direita do Pai? Para eles, sua dignidade de Mãe de Deus exige a Assunção.

Para Santo Irineu, do século II, como a nova Eva, Maria participou da sorte do novo Adão, Jesus Cristo, ressuscitou depois da morte, e seu corpo não experimentou a corrupção (MS, p. 277).

Como Maria não teve na alma a mancha do pecado original, ficou isenta da dura sentença dada aos demais: “Es pó e em pó hás de tornar” (Gn 3,19). A nós que herdamos o pecado original, é preciso voltar ao pó da terra de onde saímos, para que, na ressurreição do último dia, o Senhor nos refaça sem as sequelas do mal.

Glória da Assunção de Nossa Senhora

A rica Tradição da Igreja reconheceu, desde os primeiros séculos, a gloriosa Assunção de Nossa Senhora. Dela dão testemunho S. João Damasceno, São João Crisóstomo, S. Tomás de Aquino, S. Boaventura, S. Anselmo, São Bernardo e outros luminares e teólogos famosos. Além disso, a Sagrada Liturgia sempre confirmou a verdade desse dogma, tanto nos antigos missais como nos sacramentários, hinos e saudações à subida da Rainha ao Céu. Além disso, nunca, em Igreja nenhuma da Terra, venerou-se uma relíquia do corpo de Maria Santíssima, mostrando com isso uma convicção certa e inabalável de que Ela está no céu.

Contudo, a razão mais forte da Assunção de Nossa Senhora está no fato de ela ser a Mãe do Senhor. Como disse o frei Francisco de Monte Alverne: “consentiria o meigo Jesus de Nazaré que sua morada puríssima, o céu esplêndido onde por nove meses repousaria, a estátua viva esculpida pelo próprio Criador, ficasse nessa terra de exílio? Porventura o Rei dos Exércitos esperaria o fim dos tempos para que a corte celeste prestasse homenagens reais à sua Mãe. Não, pois era mister que a humanidade reconhecesse quanto era considerada uma mãe tão extremosa” (nota 22 e Tm p. 314).

A glória da Assunção de Nossa Senhora ao Céu é, para nós que ainda vivemos neste vale de lágrimas, a certeza de que o céu existe e é nosso destino.

Por Prof. Felipe Aquino (via Canção Nova)

Em meio ao júbilo de toda a corte celeste, o Pai Eterno A coroou, comunicando-Lhe a onipotência da súplica, o Filho, a sabedoria;e o Espírito Santo o amor.

O glorioso título de Rainha

Essa augusta prerrogativa de Nossa Senhora nos é apresentada com maior profundidade pelo santo Fundador dos Redentoristas, ao iniciar ele seus belos e piedosos comentários sobre a Salve Rainha:

“Tendo sido a Santíssima Virgem elevada à dignidade de Mãe de Deus, com justa razão a Santa Igreja A honra, e quer que de todos seja honrada com o título glorioso de Rainha. Se o Filho é Rei, diz Pseudo-Atanásio, justamente a Mãe deve considerar-se e chamar-se Rainha. Desde o momento em que Maria aceitou ser Mãe do Verbo Eterno, diz São Bernardino de Siena, mereceu tornar-se Rainha do mundo e de todas as criaturas. Se a carne de Maria, conclui Arnoldo abade, não foi diversa da de Jesus, como, pois, da monarquia do Filho pode ser separada a Mãe?

Por isso deve julgar-se que a glória do reino não só é comum entre a Mãe e o Filho, mas também que é a mesma para ambos.

“Se Jesus é Rei do universo, do universo também é Maria Rainha, escreve Roberto abade. De modo que, na frase de São Bernardino de Siena, quantas são as criaturas que servem a Deus, tantas também devem servir a Maria. Por conseguinte, estão sujeitos aos domínio de Maria os Anjos, os homens e todas as coisas do Céu e da Terra, porque tudo está também sujeito ao império de Deus. Eis por que Guerrico abade Lhe dirige estas palavras: “Continuai, pois, a dominar com toda a confiança; disponde a vosso arbítrio dos bens de vosso Filho; pois, sendo Mãe, e Esposa do Rei dos reis, pertence-Vos como Rainha o reino e o domínio sobre todas as criaturas.”

À luz dos precedentes ensinamentos, ouçamos o Prof. Plinio Corrrea de Oliveira tecendo alguns comentários sobre a realeza da Santíssima Virgem:

Nossa Senhora Rainha é um título que exprime o seguinte fato. Sendo Ela Mãe da segunda Pessoa da Santíssima Trindade e Esposa da Terceira Pessoa, Deus, para honrá-La, deu-Lhe o império sobre o universo: todos os Anjos, todos os Santos, todos os homens vivos, todas as almas do Purgatório, todos os réprobos do Inferno e todos os demônios obedecem à Santíssima Virgem. De sorte que há uma mediação de poder, e não apenas de graça, pela qual Deus executa todas as suas obras e realiza todas as suas vontades por intermédio de sua Mãe.

Maria não é apenas o canal por onde o império de Deus passa, mas é também a Rainha que decide por uma vontade própria, consoante os desígnios do Rei. Nossa Senhora é uma obra-prima do que poderíamos chamar a habilidade de Deus para ter misericórdia em relação aos homens…

Rainha dos corações

Continua o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: São Luís Grignion de Montfort faz referência a essa linda invocação que é Nossa Senhora Rainha dos Corações. Como coração entende-se, na linguagem das Sagradas Escrituras, a mentalidade do homem, sobretudo sua vontade e seus desígnios.

Nossa Senhora é Rainha dos corações enquanto tendo um poder sobre a mente e a vontade dos homens. Este império, Maria o exerce, não por uma imposição tirânica, mas pela ação da graça, em virtude da qual Ela pode liberar os homens de seus defeitos e atraí-los, com soberano agrado e particular doçura, para o bem que Ela lhes deseja.

Esse poder de Nossa Senhora sobre as almas nos revela quão admirável é a sua onipotência suplicante, que tudo obtém da misericórdia divina. Tão augusto é este domínio sobre todos os corações, que ele representa incomparavelmente mais do que ser Soberana de todos os mares, de todas as vias terrestres, de todos os astros do céu, tal é o valor de uma alma, ainda que seja a do último dos homens!

Cumpre notar, porém, que a vontade (isto é, o coração) do homem moderno, com louváveis exceções, é dominada pela revolução. Aqueles, portanto, que querem escapar desse jugo, devem unir ao Coração por excelência contra-revolucionário, ao Coração de mera criatura no qual, abaixo do Sagrado Coração de Jesus, reside a Contra-Revolução: ao Sapiencial e Imaculado Coração de Maria.

Façamos, então, a Nossa Senhora este pedido: “Minha Mãe, sois Rainha de todas as almas, mesmo das mais duras e empedernidas que queiram abrir-se a Vós. Suplico-Vos, pois: sede Soberana de minha alma; quebrai os rochedos interiores de meu espírito e as resistências abjetas do fundo de meu coração. Dissolvei, por um ato de vosso império, minhas paixões desordenadas, minhas volições péssimas, e o resíduo dos meus pecados passados que em mim possam ter ficado. Limpai-me, ó minha Mãe, a fim de que eu seja inteiramente vosso.”

Rainha posta para a salvação do mundo

Ainda sobre o título de Nossa Senhora Rainha, não menos eloquentes são estas palavras do Papa Pio XII: ”A realeza de Maria é uma realidade ultraterrena, que ao mesmo tempo, porém, penetra até no mais íntimo dos corações e os toca na sua essência profunda, no que eles tem de espiritual e imortal.

A origem das glórias de Maria, o momento solene que ilumina toda a sua pessoa e missão, é aquele em que, cheia de graça, dirigiu ao Arcanjo Gabriel o Fiat, que exprimia o seu assentimento à disposição divina. Ela se tornava assim, Mãe de Deus e Rainha, e recebia o ofício real de velar sobre a unidade e paz do gênero humano. Por meio dEla temos a firme esperança de que a humanidade se há de encaminhar pouco a pouco nesta senda da salvação.

Que poderiam, portanto, fazer os cristãos na hora atual, em que a unidade e a paz do mundo, e até as próprias fontes da vida, estão em perigo, se não volverem o olhar para Aquela que se lhes apresenta revestida do poder real? Assim como Ela envolveu já no seu manto o Divino Menino, primogênito de todas as criaturas e de toda a criação (Col. I, 15), assim também digne-se agora envolver todos os hoomens e todos os povos com a sua vigilante ternura; digne-se, como Sede da Sabedoria, fazer brilhar a verdade das palavras inspiradas, que a Igreja Lhe aplica: “Por meu intermédio reinam os reis, e os magistrados administram a justiça; por meio de Mim mandam os príncipes e os soberanos governam com retidão”. (Prov. VIII, 15-16)

Se o mundo hoje combate sem tréguas para conquistar sua unidade e para assegurar a paz, a invocação do reino de Maria é, para além de todos os meios terrenos e de todos os desígnios humanos de qualquer maneira sempre defeituosos, o clamor da fé e da esperança cristã, firmes e fortes nas promessas divinas e nos auxílios inesgotáveis, que este império de Maria difundiu para a salvação da humanidade.

Rainha que vencerá a Revolução

Como fecho desses comentários ao louvor em epígrafe, vem a propósito outro pensamento do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, particularmente oportuno nesta atual fase histórica, convulsionada pelo caos em quase todas as atividades humanas:

A realeza de Nossa Senhora, fato incontestável em todas as épocas da Igreja, veio sendo explicitada cada vez mais a partir de São Luís Grignion de Montfort, até aquele 13 de julho de 1917, quando Maria anunciou em Fátima: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”É uma vitória conquistada pela Virgem, é o seu calcanhar que outra vez esmagará a cabeça da serpente, quebrará o domínio do demônio e Ela, como triunfadora, implantará seu Reino.

Portanto, devemos confiar em que Maria já determinou atender as súplicas de seus filhos contra-revolucionários, e que Ela, Soberana do universo, pode fazer a Contra-Revolução conquistar, num relance, incontável número de almas. Nossa Senhora Rainha poderá expulsar desta Terra revolucionários impenitentes, que não querem atender ao seu apelo, de maneira que um dia Ela possa dizer: por fim – segundo a promessa de Fátima – o meu Coração Imaculado triunfou!

À destra de Deus, a Rainha que intercede pelos homens

Comentando esse texto sagrado, diz o Pe. Jourdain:

Com razão o Rei-Profeta nos mostra a Bem-aventurada Virgem Maria – a Rainha, como ele A chama – sentada à direita de Deus no Céu: Adstitit regina a dextris tuis. Se o Rei Salomão quis que sua mãe, Betsabéia, tivesse um sólio preparado à direita de seu trono real, e que ela aí tomasse assento, poder-se-ia pensar que Jesus Cristo tivesse menos atenções para com sua divina Mãe? Dize-lo seria uma blasfêmia; longe de nós tais imaginações. Maria excede em dignidade, e num grau inimaginável, à mãe de Salomão e a todas as outras mulheres. (…)

Ela é, ao mesmo tempo, uma Rainha onipotente para nos ajudar, para nos procurar um refúgio contra nossos inimigos, para nos proteger e nos defender. (…) A verdadeira Ester, a esposa do grande Rei, aquela que salva seu povo, aquela junto à qual encontramos seguro asilo, é a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus. Ela é quem nos livra da morte eterna, que desvia de nós o terrível e fulminante golpe da suprema condenação.

Honrada com o lugar imediato junto ao Rei

De acordo com São Boaventura, uma das honras com que Jesus Cristo distinguiu sua Santíssima Mãe, nos Céus, foi a de Lhe reservar “o lugar imediato junto ao Rei. E isto por três razões.

Primeira, pela união amorosa de corações. Assim como nada se interpôs entre o coração de Deus e o da Virgem, tampouco se interpõe algo entre seus tronos. (…)

Segunda, pela frequente intercessão pelos pecadores. Porque, tendo Ela o ofício de medianeira e reconciliadora, deve sentar-se, não longe, mas perto e quase ao lado, como para falar ao ouvido do Rei, a fim de que Ele não pronuncie severa sentença contra os que a Ela recorrem, ou, caso a houvesse ditado, seja revogada. Tendes um exemplo no capítulo VII do livro de Ester: “Que petição é a tua, ó Ester?”

Imaculado Coração de Maria

E em seguida, ao eco de sua palavra, a cruel sentença fica anulada; enforcado, o inimigo; os êmulos, desbaratados e livre, o povo. Por isso se diz no capítulo VI dos Cânticos, que Maria, para socorrer ao mundo e combater os demônios, “é terrível como um exército em ordem de batalha”.

E terceira, pelo patriarcado, o qual, embora houvesse correspondido a Adão entre os homens, e a Eva entre as mulheres, sentando-se Ela à direita de Deus, ou seja, possuindo seus mais excelentes bens, transferiu-se (o dito patriarcado) a Cristo e a Maria, sua Mãe; pois assim como aqueles foram assassinos do gênero humano, estes foram seus salvadores. Ela, que reina com o Filho para sempre, nos alcance o perdão dos (nossos) pecados.

Rainha de todos os Santos, à direita do Altíssimo

Ainda acerca dessa augusta preeminência de Nossa Senhora, “sentada à direita do Rei em nosso abono”, consideremos esta expressiva página do Tesouro de Oratória Sagrada:

“No dia de sua Assunção, o esplendor de Maria superou ao dos astros no firmamento; (…) naquele glorioso dia sua beleza ofuscou, não apenas a do planeta que ilumina as trevas da noite, mas a daquele ante cujos raios desaparece toda outra luz. Ouviu-se, então, ressoar pelas altas regiões, a voz do real Salmista, quando, arrebatado por divina inspiração, admirava a Rainha com um vestido bordado de ouro, engalanada com vários adornos, e sentada no trono do proprio Rei.

Ah, sim! Tendo sido Maria superior aos Patriarcas na firmeza da fé; aos Profetas, na contemplação das coisas divinas; aos Apóstolos, no zelo da honra de Deus e do bem das almas; aos Mártires, na virtude da fortaleza; aos Santos Padres, na sabedoria; aos Confessores, na paciência e na mansidão; às Virgens, na pureza, e a todos, na santidade; e havendo correspondido em grau eminentíssimo à graça, e praticado todas as mais preciosas virtudes, por isso, no dia de sua Assunção, apareceu Ela com vestido bordado de ouro, engalanada com vários adornos, sentada à direita do Altíssimo, e coroada Rainha de todos os Santos.

Deus, que tanto exaltou a Maria no Céu, quis que sua glorificação também tivesse esplendor na Terra. Ele pôs em suas mãos o cetro da misericórdia, as chaves da beneficência. E a partir de então, todos os favores e todas as misericórdias chegaram aos homens por intermédio de Maria. Sim, por Ela alcançaram glória o Céu; paz a Terra; fé o povo; uma regra a vida, e disciplina os costumes. Por Ela se alegra o vale, floresce o deserto, cobrem-se os campos de novo verdor, e se convertem em sorriso de alegria as lágrimas dos desgraçados. (…) De maneira que, assim como não existe cidade, nem vila, ilha nem principado, onde não se veja um altar erigido à glória de Maria, tampouco há cidade ou vila, ilha ou principado, onde não se fale de graças imprevistas, singulares, extraordinárias e milagrosas, alcançadas por obra do benévolo patrocínio da Virgem (…) Exorto-vos, pois, a que coloqueis toda confiança e toda fé em Maria. Ricos e pobres, poderosos e miseráveis, príncipes e súditos, pais e filhos, grandes e pequenos, sábios e ignorantes: não olvideis que Maria é nossa Rainha e Mãe. (Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado; Monsenhor João Clá Dias, EP; Artpress – São Paulo, 1997, p. 43 a 46 e 283-284)

Via A12

Com satisfação lembramos a santidade de São João Batista que, pela sua vida e missão, foi consagrado por Jesus como o último e maior dos profetas: “Em verdade eu vos digo, dentre os que nasceram de mulher, não surgiu ninguém maior que João, o Batista…De fato , todos os profetas, bem como a lei, profetizaram até João. Se quiserdes compreender-me, ele é o Elias que deve voltar.” (Mt 11,11-14)

Filho de Zacarias e Isabel, João era primo de Jesus Cristo, a quem “precedeu” como um mensageiro de vida austera, segundo as regras dos nazarenos.

São João Batista, de altas virtudes e rigorosas penitências, anunciou o advento do Cristo e ao denunciar os vícios e injustiças deixou Deus conduzí-lo ao cumprimento da profecia do Anjo a seu respeito: “Pois ele será grande perante o Senhor; não beberá nem vinho, nem bebida fermentada, e será repleto do Espírito Santo desde o seio de sua mãe. Ele reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus: e ele mesmo caminhará à sua frente…” ( Lc 1, 15)

São João Batista desejava que todos estivessem prontos para acolher o Mais Forte por isso, impelido pela missão profética, denunciou o pecado do governador da Galileia: Herodes, que escandalosamente tinha raptado Herodíades – sua cunhada – e com ela vivia como esposo.

Preso por Herodes Antipas em Maqueronte, na margem oriental do Mar Morto, aconteceu que a filha de Herodíades (Salomé) encantou o rei e recebeu o direito de pedir o que desejasse, sendo assim, proporcionou o martírio do santo, pois realizou a vontade de sua vingativa mãe: “Quero que me dês imediatamente num prato, a cabeça de João, o Batista” (Mc 6,25)

Desta forma, através do martírio, o Santo Precursor deu sua vida e recebeu em recompensa a Vida Eterna reservada àqueles que vivem com amor e fidelidade os mandamentos de Deus.

São João Batista, rogai por nós!

SETEMBRO

Você conhece a história de São Gregório Magno?

Num tempo conturbado da Igreja foi eleito um dos papas mais importantes da história da Igreja, São Gregório I, Magno (590-604). Foi o segundo Papa a receber o título de Magno. Foi o primeiro monge (beneditino) a ser papa. Intitulou-se “Servus servorum Dei” – “Servo dos servos de Deus”. Ele levou avante a educação dos bárbaros, como que completando o trabalho de S. Leão Magno, alargando as fronteiras do Cristianismo.

Nasceu da família Aníscia, uma das mais importantes de Roma em 540. Muito jovem foi prefeito de Roma. Dois anos depois exonerou-se do cargo e transformou sua residência em um mosteiro beneditino. Destinou sua grande propriedade, que se estendia até a Sicília à fundação de mosteiros. Gregório soube administrar este “Patrimônio de São Pedro” cuja renda destinou aos moradores de Roma empobrecidos pelos saques dos bárbaros lombardos e outros. Administrou os bens públicos com firmeza, coibiu os abusos dos funcionários imperiais; cuidou dos aquedutos; favoreceu o progresso dos colonos eliminando todo o resíduo de escravidão da gleba.

No momento que a Cátedra de Pedro parecia mais ameaçada, a restabeleceu definitivamente. Gregório lia muito Santo Agostinho, e soube por em prática a “Cidade de Deus”: “trabalhar na cidade terrena de olhos postos na Cidade divina”; trabalhar a história para a hora da manifestação do Reino de Deus; esses foram os fundamentos da sua atividade. Com ele a Roma imperial morta foi substituída pela Roma dos Papas.

No ano de 603, o Senado decadente se reuniu pela última vez, e o Papa tornou-se na prática o herdeiro da autoridade imperial, não por ambição política, mas por necessidade.

Com São Gregório Magno, “O Consul de Deus” (seu epitáfio), a conversão dos bárbaros passou a ser obra de toda a Igreja; por isso a cultura cristã salvou e modelou o Ocidente; que hoje, ingratamente, vira as costas para a sua origem.

O Papa Pelágio II (579-590), o enviou como legado a Constantinopla, onde permaneceu por seis anos, até 585, vivendo na corte imperial com simplicidade monástica. Quando voltou para Roma tornou-se conselheiro do Papa.

Gregório tinha qualidades de homem de governo. O historiador protestante Harnack admira “a sua sabedoria, a justiça, a mansidão, a força de iniciativa, a tolerância”. Bossuet considera-o “modelo perfeito de como se governa a Igreja.”

A sua primeira série de “Homilias sobre o Evangelho” foi lida por seu secretário, pois ele não conseguia manter-se em pé por causa da fraca saúde.

Os primeiros bárbaros que São Gregório levou à conversão com doçura e amor foram os temíveis lombardos. Aricelfo, seu chefe, em 592, invadiu Roma, matando e decapitando as pessoas. Gregório organizou a defesa de Roma ameaçada pelos lombardos, que desde 568 ameaçavam Roma. Passou a ser amado pelos lombardos e romanos. Lentamente ele conquistou os lombardos, ajudado pela princesa católica Teodolinda, bondosa e popular entre os lombardos; e que construiu muitas igrejas. Por fim, no século VII o povo lombardo veio para a Igreja.

Em seu pontificado o rei visigodo Recaredo, da Espanha, converteu-se ao catolicismo em 589, o que gerou a conversão dos suevos em seguida. Assim S. Gregório trabalhou pela conversão desse mosaico de etnias, bárbaros, na Espanha, na Itália, na Gália, etc. A sua conquista mais importante foi a Inglaterra. Ernest Lavisse escreveu que: “A Roma de S. Pedro, começa as suas conquistas onde a Roma de Augusto acabou as suas: na Bretanha e na Germânia” [Daniel Rops, vol II, p. 237].

Para lá S. Gregório mandou os seus amigos monges em 596, chefiados por S. Agostinho de Cantuária (†604), que era o prior do mosteiro beneditino de S. André. Partiu de Roma com quarenta monges, em difícil missão entre os temíveis anglos da “Angland”, que já haviam martirizado muitos cristãos.

Chegaram a nós 848 cartas de São Gregório Magno e muitas homilias ao povo. Em toda parte deixou sua marca, no campo litúrgico a promoção do canto gregoriano, o cantochão. Sua familiaridade com a Sagrada Escritura aparece nas “Homilias sobre Ezequiel” e 35 volumes de comentários sobre o “Evangelho de São João”, que tornou-se o manual básico de teologia moral da Idade Média, os “Moralia”, que atestam sua admiração por santo Agostinho. Profunda influência exerceu juntamente com a Vida de São Bento, o seu livro Regra pastoral. Reformou o clero, organizou a liturgia e reorganizou as possessões da Igreja. Não se esqueceu dos pobres.

São Gregório soube fazer valer o Primado do Papa sobre a Igreja. Antes dele, como vimos, o primado parecia ter-se transferido para o Patriarca de Constantinopla, dominado pelo imperador, o basileu. Quando o patriarca de Constantinopla adicionou-lhe o nome de “Patriarca Geral”, Gregório lembrou-lhe a promessa de Cristo a Pedro (Mt 16,18).

Eram interessantes as orientações de S. Gregório Magno para S. Agostinho de Cantuária:

Não se devem destruir os templos dos pagãos, mas batizá-los com água benta e neles erigir altares e colocar relíquias. Onde houver o costume de sacrificar aos ídolos, seja permitido celebrar na mesma data festividades cristãs sob outra forma. Assim, no dia da festa dos santos mártires, devem os fiéis erigir tendas de ramagens e organizar ágapes. Permitindo-lhes as alegrias exteriores, adquirirão mais facilmente as alegrias interiores. Desses corações terríveis não se pode eliminar de uma só vez todo o passado. Não se escala uma montanha aos saltos, mas a passos lentos!” [DR, vol II, p. 241].

Essa orientação é preciosa para a Igreja ainda hoje. O papa João Paulo II disse na encíclica «Slavorum Apostoli» (1985, nº 21), que a inculturação verdadeira é “a encarnação do Evangelho nas culturas para purificá-las – e, por sua vez, a introdução destas na vida da Igreja”.

Christopher Dawson afirma que “o advento da nova cultura anglo-saxônica é talvez o acontecimento mais importante entre a época de Justiniano (séc. VI) e a de Carlos Magno (séc. IX)” [1991].

Por Prof. Felipe Aquino

Viva Santa Mãe de Deus, Imaculada, sempre Virgem, Assunta ao Céu! Hoje tem festa de Aniversário Dela na Terra e no Céu!

A Igreja celebra com júbilo muitas festas e solenidades de Nossa Senhora por ser a Mãe de Deus humanado, por ter dado corpo ao Verbo divino, para que acontecesse a salvação da humanidade. A celebração do nascimento da Virgem Maria, como disse santo André de Creta (cf. Ofício das leituras), honra a natividade da Mãe de Deus.

O nascimento de Maria anunciou alegria e a aproximação da Salvação do mundo perdido; por isso esta festa se celebra na Igreja com grande louvor e ação de graças.

Com o seu SIM a Deus, Maria respondeu em nome de toda a humanidade a Deus e permitiu, então, que o Senhor da História entrasse na História dos homens, para salvá-los. Por isso, a Igreja presta à Virgem Santíssima o culto chamado “hiperdulia”, super veneração.

Maria nasceu para ser a Mãe do Salvador, daquele que é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1,29). Por isso, somente de Maria, como também de João Batista e Jesus Cristo, a Igreja celebra não só o nascimento para o céu, mas também o nascimento para este mundo.

Maria foi concebida no ventre de sua mãe Ana, sem o pecado original, para poder gerar o Criador em forma humana. Ela veio ao mundo de forma diferente de todos os demais humanos, não isenta da graça santificante e não sujeita ao pecado, mas, pura, bela, formosa e gloriosa, adornada das graças mais preciosas que convinha Àquela escolhida para ser a Mãe do Salvador. Ela é a Nova Eva, que veio para desatar o nó da desobediência de Eva, e esmagar a cabeça de Satanás (Gn 3,15).

Por isso, esta festa foi sempre celebrada com louvores por muitos Santos Padres, que tiraram suas conclusões da Bíblia. São Pedro Damião, (1007-1072), doutor da Igreja, no seu “Segundo Sermão sobre a Natividade de Nossa Senhora”, diz:

Deus onipotente, antes que o homem caísse, previu a sua queda e decidiu, antes dos séculos, a redenção humana. Decidiu portanto encarnar-se em Maria.”

Hoje é o dia em que Deus começa a pôr em prática o seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Casa linda, porque, se a Sabedoria constrói uma casa com sete colunas trabalhadas, este palácio de Maria está alicerçado nos sete dons do Espírito Santo. Salomão celebrou de modo soleníssimo a inauguração de um templo de pedra. Como celebraremos o nascimento de Maria, templo do Verbo encarnado? Naquele dia a glória de Deus desceu sobre o templo de Jerusalém sob forma de nuvem, que o obscureceu. O Senhor que faz brilhar o sol nos céus, para a sua morada entre nós escolheu a obscuridade (1Rs 8,10-12), disse Salomão na sua oração a Deus. Este mesmo templo estará repleto pelo próprio Deus, que vem para ser a luz dos povos.

Às trevas do paganismo e à falta de fé dos judeus, representadas pelo templo de Salomão, sucede o dia luminoso no templo de Maria. É justo, portanto, cantar este dia e Aquela que nele nasceu. Mas como poderíamos celebrá-la dignamente? Podemos narrar as façanhas heroicas de um mártir ou as virtudes de um santo, porque são humanas. Mas como poderá a palavra mortal, passageira e transitória exaltar Aquela que deu à luz a Palavra que fica? Como dizer que o Criador nasce da criatura?

Esta festa teve origem no Oriente. No Ocidente o Papa São Sérgio (687-701) ordenou que fosse celebrada em Roma. A tradição diz que a Virgem nasceu em Jerusalém, nas proximidades do tanque de Betesda, onde atualmente se venera uma cripta sob a igreja de Santa Ana, como sendo o local onde nasceu Nossa Senhora.

Por Prof. Felipe Aquino

Algumas pessoas não-cristãs podem se perguntar: por que ‘exaltar’ a cruz? Podemos responder que nós não exaltamos uma cruz qualquer ou todas as cruzes: exaltamos a Cruz de Jesus Cristo, porque é nela que foi revelado o máximo amor de Deus pela humanidade”, explicou o Pontífice.

Por que a cruz?

O Papa então questiona: “Por quê? Por que foi necessária a Cruz?” E explica que foi devido a “gravidade do mal que nos mantinha escravos”.

O Papa disse que a Cruz de Jesus exprime duas coisas: toda a força negativa do mal e toda a suave onipotência da misericórdia de Deus.

A Cruz parece decretar o fracasso de Jesus, mas, na realidade, marca a sua vitória. No Calvário, aqueles que o injuriavam, diziam: ‘Se és Filho de Deus, desce da cruz’. Mas a verdade era o oposto: justamente porque era o Filho de Deus, Jesus estava ali, na cruz, fiel até o final ao desígnio do amor do Pai. E exatamente por isso Deus ‘exaltou’ Jesus, dando-lhe uma realeza universal”, afirmou.

Sinal do amor de Deus

O Pontífice, então, explicou que, quando olhamos para a Cruz onde Jesus foi pregado, contemplamos o sinal do amor infinito de Deus por cada um de nós e a raiz da nossa salvação.

Daquela Cruz vem a misericórdia do Pai que abraça o mundo inteiro. Através da Cruz de Cristo, se venceu o mal, a morte foi derrotada, a vida nos foi doada e a esperança restituída. A Cruz de Jesus é nossa única e verdadeira esperança!”, destacou o Santo Padre.

É por isso que a Igreja ‘exalta’ a Santa Cruz, disse o Papa, e complementou: “é por isso que, nós, cristãos, nos abençoamos com o sinal da cruz”.

Entretanto, a cruz não é um sinal “mágico“, alertou Francisco. Acreditar na Cruz de Jesus significa O seguir no Seu caminho. Dessa maneira, inclusive os cristãos colaboram com a Sua obra de salvação, aceitando com Ele o sacrifício, o sofrimento, como também a morte pelo amor de Deus e dos irmãos.

Perseguidos pela fidelidade a Cristo

Neste dia, enquanto a Santa Cruz é contemplada e celebrada, o Papa convida os cristãos e lembrar de tantos irmãos e irmãs que são perseguidos e mortos por causa da sua fidelidade a Cristo.

Isso acontece, em particular, lá onde a liberdade religiosa ainda não é garantida ou plenamente realizada. Acontece, porém, mesmo nos países e ambientes em que, em princípio, protegem a liberdade e os direitos humanos, mas onde concretamente os fiéis e, especialmente, os cristãos, encontram limitações e discriminações. Por isso, hoje, recordamos e rezamos de modo todo especial por eles”.

Por Papa Francisco

Porque o povo brasileiro se identifica com tanta veemência a títulos da santa Mãe de Deus e de seu filho que estão relacionados a dor? Não é por acaso, é muito comum que essa gente sofrida se identifique com o Cristo sofredor e com Nossa Senhora das Dores.

Durante a semana maior (semana santa), Nossa Senhora é venerada e invocada com o título de Senhora das Dores. Este título é bastante invocado, acorrem para igrejas que tem Nossa Senhora com este título como padroeira de forma assustadora, positivamente falando, principalmente nas regiões mais sofridas e desprovidas de vida digna. Esta solenidade foi instituída pelo concílio Provincial de Edônia, em 1413. No ano de 1727 o Papa Bento XIII estendeu a solenidade a toda a Igreja e o Papa Pio VII autorizou-a para toda a Igreja.

Quando invocamos Nossa Senhora das Dores, pensamos em sua missão. A passagem que não passa despercebida é referente à profecia de Simeão. Aqui vislumbramos o primeiro aceno ao sofrimento de Maria, mostra que seu consentimento implicaria em lágrimas e dor, teria gosto de fel. O evangelista Lucas narra palavras que transbordam dos lábios do sábio Simeão: Este menino vai causar queda e a elevação de muitos em Israel; ele será um sinal de contradição; a ti própria, uma espada te transpassará a alma, para que se revelem os pensamentos de muitos corações” (Lc 2, 34b-35). A primeira dor de Maria é a profecia do velho Simeão, nesta, percebemos a profunda sintonia e união íntima de Maria com seu filho, ela se associa de forma profunda ao sofrimento e sacrifício redentor do Filho.

Outro acontecimento que traz dor ao coração da Virgem Maria é a fuga com sua família para o Egito. Nesta passagem, trazida pelo evangelho de Mateus, percebemos o quanto a Virgem está ligada ao plano do Senhor. Deus, mais uma vez envia seu mensageiro para dar seu recado, desta vez, José, o esposo fiel é o destinatário, uma vez que a ele, Deus confia suas duas preciosidades, a saber, seu filho Jesus e Maria que se torna a “tenda” que resguarda o menino-Deus. É solicitado que José tome o menino e a mãe e fuja para o Egito, e lá permaneça até ser avisado. Maria e sua família, tão cedo faz a experiência do exílio, o filho do Altíssimo se vê longe de sua terra natal, desprovido de um teto. Maria se mostra forte como quê, tenaz, que não foge aos perigos, aos sofrimentos, mostra-se mãe amorosa e protetora do fruto de seu ventre.

Outras dores tantas, estão relacionadas a “Via Crucis”. Junto à multidão que seguia Cristo, para pedir sua condenação ou para chorar sua dor, estava Maria. Penso que bem antes de Jesus subir para Jerusalém onde devia morrer, o coração de sua mãe já estava envolto pela penumbra da morte, como costumamos dizer: Coração de mãe não se engana, sente! Maria, cheia de dor, acompanha o sofrimento de seu Filho, dando-lhe apoio, afeto e compaixão. Neste momento, Maria já não tinha mais lágrimas para verter, seu olhar, ora perto, ora longe, passa uma mensagem de quem sofre junto do filho que já não tinha mais aparência humana.

Ao pé da cruz, Maria olha para aquele que ela conteve em seu ventre e em seu coração ser crucificado, permaneceu fiel à missão confiada por Deus até as últimas consequências. Do alto do privilegiado madeiro, Jesus constitui Maria a mãe da humanidade. Peçamos a Maria, mulher perseverante, que nos ensine a sermos perseverantes, a contemplar o Cristo crucificado, mas que não fiquemos presos à cruz, mas que aprendamos com Maria a contemplar o Cristo glorioso, ressuscitado!

Por A12

A tradição cristã nos diz que Mateus nasceu em Cafarnaum e exercia a profissão de cobrador de impostos quando Jesus o chamou. Ele foi constituído apóstolo e evangelista: “Depois disso, Jesus saiu e viu um publicano, sentado na coletoria de impostos. Disse-lhe: ‘Segue-me’. Deixando tudo, levantou-se e seguiu-o” (Lc 5,27).

Jesus chamou para segui-Lo “um pecador” segundo a visão da época. O Senhor não impôs condições para que Mateus, o cobrador de impostos, O seguisse. Um pouco mais adiante, a Palavra nos diz que “são os enfermos que precisam de médico”. O seguimento a Jesus é para todos: independe da cor, raça, condição social, situação… Jesus chama todos os homens para segui-Lo.

O exemplo desse apóstolo, e de tantos outros, demonstra que a história da Igreja está marcada pelas inúmeras intervenções do Espírito Santo que continua a chamar cada pessoa, conscientizando-a sobre a Boa Nova do Evangelho, sobretudo, a grande obra de evangelização e testemunho em todos os lugares como avanço da fé e generosidade da vida entregue a Deus. Muitos se dedicam à catequese, à educação, aos grupos de oração, ao serviço aos mais necessitados, ao ministério da comunicação. Caminham com os jovens e suas famílias, com os pobres, idosos, enfermos. Pessoas que, sentido-se chamadas, querem seguir Jesus sendo presentes de maneira silenciosa, mas também concreta e criativa, como uma continuação da presença d’Ele que passou a vida fazendo o bem a todos.

As palavras e os conselhos de Jesus são sempre atuais. Não foram palavras somente ditas no passado e aos doze apóstolos. Bons e maus haverá sempre. O Reino dos céus é para todos. A voz do Senhor ecoa ainda em nossos dias: “Segue-me”. Assim como chamou Mateus, Ele está chamando você: “Segue-me Não tenhas medo”. Nós somos os apóstolos do hoje, dos novos tempos, e devemos anunciar Cristo e sua mensagem libertadora ao mundo.

Certamente não faltam ao seguimento de Jesus provas e dificuldades. O caminho e o fundamento do seguimento ao Senhor estão centrados no relacionamento especial que Ele quer estabelecer conosco. Devemos ter sempre impressos na mente e no coração os testemunhos da chamada dos doze apóstolos. A iniciativa para esse relacionamento é de Jesus. Ali, Ele chamou para si aqueles que queria ao seu lado. Escolheu doze para estarem com Ele e para pregarem seus ensinamentos, cujo poder expulsava demônios.

Os Evangelhos nos apresentam a lista com o nome dos doze. Se pensamos um pouco no relacionamento que Jesus teve com eles, compreendemos logo que foi especial. Ele não exclui nenhum, nem mesmo os seus inimigos, quando estava na cruz. Tudo com os apóstolos tinha a intenção de estabelecer um relacionamento especial. Eles aparecem à parte. São distintos porque o Senhor os escolheu para compartilhar a sua vida e estar sempre com Ele. Por isso, Jesus os trata de forma particular, os chama de amigos e lhes dá a vida (João 15,12-17). Nós também somos chamados a viver este relacionamento com o Senhor. Ele quer ser íntimo do seu coração e ser seu amigo. Ele está próximo e chamando-o: “Segue-me. Não tenhas medo.

Por Vera Lúcia Reis – Comunidade Canção Nova

Vicente de Paulo nasceu em Pouy, perto da cidade de Dax, no sul da França, aos 24 de abril de 1581; foi batizado no mesmo dia de seu nascimento. Era o terceiro filho do casal João de Paulo (Jean de Paul) e Bertranda de Moras (Bertrande de Moras). Seus pais eram agricultores e muito religiosos. Todos os seis filhos receberam o ensino religioso de sua mãe.

Seus dois irmãos mais velhos ajudavam os pais na lavoura e Vicente cuidava de ovelhas e de porcos. Desde pequeno, demonstrava muita inteligência e grande religiosidade. Em frente à sua casa, em um pé de carvalho, havia um buraco; ele colocou lá uma pequena imagem da Santíssima Virgem, a quem diariamente ajoelhava e fazia uma oração. Diariamente conduzia os animais para melhores pastagens, onde ficava a vigiá-los. Aos domingos ia à aldeia, com seus pais, para assistir à missa e frequentar o catecismo.

O Sr. Vigário aconselhou a seu pai para colocar o garoto Vicente em uma escola; via nele um grande futuro, devido à sua inteligência. O pai, que era ambicioso, colocou-o em um colégio religioso, desejando que fosse padre e se tornasse o arrimo da família. Foi matriculado em um colégio de padres Franciscanos, na cidade de Dax, onde ele fez os estudos básicos.

Para seguir a carreira sacerdotal fez os estudos teológicos na Universidade de Toulouse. Foi ordenado sacerdote em 23 de setembro de 1600. Continuou os estudos por mais 4 anos, recebendo o título de Doutor em Teologia.

Uma viúva que gostava de ouvir as suas pregações, ciente de que ele era pobre, deixou-lhe sua herança, pequena propriedade e determinada importância em dinheiro, que estava com um comerciante em Marselha.

Ele foi atrás do devedor; encontrando-o recebeu grande parte do dinheiro; ia regressar de navio, por ser mais rápido e mais barato. Na viagem o barco foi aprisionado por barcos de piratas e levado para a Tunísia. Em Túnis foi vendido como escravo.

Vicente foi vendido para um pescador, depois para um químico; com a morte deste, ele passou pra um seu sobrinho, que vendeu-o para um fazendeiro (um renegado) que antes era católico, e que com medo da escravidão, adotara a religião muçulmana. Ele tinha três esposas; uma era muçulmana e, ouvindo os cânticos do escravo, sensibilizou-se, e quis saber o significado do que ele cantava. Ela, ciente da história, censurou o marido por ter abandonado uma religião tão bonita. O patrão de Vicente, arrependido, propôs ao escravo fugirem para a França. Esta fuga só foi realizada 10 meses depois.

Em um pequeno barco, atravessaram o Mar Mediterrâneo e foram dar na costa francesa, em Aigues-Mortes e de lá foram para Avinhão. Naquela cidade encontraram o Vice-Legado do Papa. Vicente voltou a exercer o ministério de padre e o renegado abjurou publicamente e voltou para a Igreja Católica.

Padre Vicente e o renegado ficaram residindo em casa do Vice-Legado. Tendo ele de viajar a Roma, levou os dois em sua companhia. Padre Vicente aproveitou a estadia naquela cidade e freqüentou a Universidade, formando-se em Direito Canônico. O renegado pediu para ser admitido em um mosteiro e tornou-se monge.

Tendo o Papa de mandar um documento sigiloso para o Rei da França, padre Vicente foi o escolhido. Pelos serviços prestados, o Rei indicou-o como Capelão da Rainha. Seu serviço era distribuir esmolas para os pobres que rodeavam o Palácio e visitar os doentes do Hospital da Caridade, em nome da Rainha.

Padre Vicente não gostava do ambiente do Palácio e passou a morar em uma pensão, no mesmo quarto com um juiz. Certo dia amanhecera doente; o empregado da farmácia que foi atendê-lo, precisando de um copo, foi apanhar em um armário, e viu lá um dinheiro, que era do juiz, e ficou com ele. Na volta, o juiz, não encontrando seu dinheiro, quis que padre Vicente desse conta dele; como ele não sabia do acontecido, o juiz colocou-o para fora do quarto e coluniou-o de ladrão.

sao vicente2 São Vicente de PauloPadre Vicente fica conhecendo o padre Bérulle, que mais tarde foi nomeado Cardeal e ele indicou-o para vigário de Clichy, subúrbio de Paris.

Na paróquia pobre, a maioria dos habitantes era de horticultores. Padre Vicente se deu bem com eles; as missas eram bem participadas e instituiu a comunhão geral nos primeiros domingos o mês. Criou a Confraria do Rosário, para todos os dias visitarem os doentes. Padre Vicente, atendendo ao seu diretor, padre Bérulle, deixou a paróquia e foi ser preceptor dos filhos do general das Galeras.

Foi residir no Palácio dos Gondi, família rica e da alta nobreza. Eles tinham grandes propriedades e padre Vicente, em companhia da senhora De Gondi, visitava uma das propriedades; foi chamado para atender um agonizante e ouvir sua confissão. O doente disse à senhora De Gondi, que, se não fosse a presença do sacerdote, iria morrer em grandes faltas e ia permanecer no fogo eterno.

Padre Vicente percebeu que o povo do campo estava abandonado e na missa dominical concitou o povo a fazer a confissão geral. Teve que arranjar outros padres para ajudá-lo nas confissões, tantos eram os que queriam confessar-se. Padre Vicente esteve morando com a família Gondi 5 anos. Depois de ir para outra paróquia, atendendo a um chamado do padre Bérulle, padre Vicente voltou para morar em casa dos Gondi, onde ficou mais 8 anos.

Com o auxílio da senhora de Gondi, fundou a Congregação da Missão em 1625 e a Confraria da Caridade em 1617. A primeira cuida da evangelização dos camponeses e a segunda dá assistência espiritual e corporal aos pobres. Em Follevile, fundou uma Confraria de Caridade para homens, em 1620.

A Congregação da Missão surgiu espontaneamente. Padre Vicente conseguiu alguns colegas para pregar aos camponeses; exigia deles a simplicidade nas pregações, para o povo entender, e rapidamente seu grupo foi aumentando. No princípio, alugaram uma casa para sua moradia. Com o aumento mudaram para um velho Colégio.

O número aumentava. Um cônego que dirigia um leprosário sem doentes ofereceu em doação os prédios do leprosário para residência dos padres.

A instituição demorou de 1625 até 12 de janeiro de 1633, quando recebeu a Bula do Papa Urbano VIII, reconhecendo a Congregação.
Padre Vicente sempre se preocupou com as crianças enjeitadas e abandonadas, com os velhos e os pobres e doentes. Durante sua vida criou grandes obras, que até hoje estão prestando serviços à humanidade.

A primeira irmã de caridade foi uma camponesa de nome Margarida Naseau. Com colaboração de Santa Luisa de Marilac, ele estabeleceu a Companhia das Irmãs da Caridade. Começaram 4 camponesas, hoje são milhares. Isto se deu em 29 de novembro de 1633.

Padre Vicente criou tantas obras, que em pouco tempo não é possível enumerar; a história de sua vida é uma beleza. A seu respeito existem biografias, que poderão serem estudadas por vocês. Padre Vicente tinha quase 80 anos quando faleceu, dia 27 de setembro de 1660.

Em 16 de junho de 1737, foi canonizado pelo papa Clemente XII, e, em 12 de maio de 1885, foi declarado patrono de todas as obras de caridade da Igreja Católica, por Leão XIII.

Seu corpo repousa na Capela da Casa-Mãe, São Lázaro, em Paris.

Voltemos nossa mente e nosso coração para São Vicente de Paulo, homem de ação e oração, de organização e de imaginação, de comando e de humildade, homem de ontem e de hoje. Que aquele camponês das Landes, convertido pela graça de Deus em gênio da caridade, nos ajude a todos a pôr mais uma vez as mãos no arado – sem olhar para trás – para o único trabalho que importa, o anúncio da Boa Nova aos pobres…” (João Paulo II)

Oração a São Vicente de Paulo

Ó glorioso São Vicente, patrono de toda caridade, pai daqueles que estão na miséria e que, enquanto na Terra, jamais deixou de amparar a todos que a Vós recorreram, considerai os males que estão nos oprimindo e vinde em nosso socorro. Obtende junto do Senhor ajuda para os pobres, alívio para os enfermos, consolo para os aflitos, proteção para os abandonados, espírito de generosidade para os ricos, a graça da conversão para os pecadores, entusiasmo para os padres, paz para a Igreja, tranqüilidade e ordem para as nações e salvação para todos. Permiti-nos comprovar os efeitos da vossa misericórdia intercessão e assim sermos ajudados nas misérias da vida. Possamos nós estar unidos com o Senhor no paraíso, onde não existe mais dor, choro ou tristeza, mas alegria, contentamento e duradoura felicidade.
Amém.

Por Santuario do Caraça

A cada 29 de setembro, a Igreja Católica celebra a festa de três Santos Arcanjos: São Miguel, São Gabriel e São Rafael.

Confira a seguir sete coisas que talvez não conhecia sobre eles:

1. São os mais próximos aos humanos

Desde Pseudo-Dionísio, Padre da Igreja do século VI, está acostumado a se enumerar três hierarquias de anjos. Na primeira estão os Serafins, Querubins e Tronos. Depois vêm as Dominações, Virtudes e Potestades. Enquanto que na terceira hierarquia estão os Principados, Arcanjos e Anjos. Estes últimos são os que estão mais próximos às necessidades dos seres humanos.

2. São mensageiros de anúncios importantes

A palavra Arcanjo provém das palavras gregas “Arc” que significa “principal” e “anjo” que é “mensageiro de Deus”. Vejamos o que diz São Gregório Magno:

Deveis saber que a palavra ‘Anjo’ designa uma função, não uma natureza. Na verdade, aqueles santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre se podem chamar Anjos. Só são Anjos quando exercem a função de mensageiros. Os que transmitem mensagens de menor importância chamam-se Anjos; os que transmitem mensagens de maior transcendência chamam-se Arcanjos“.

3. Existem sete Arcanjos segundo a Bíblia

No livro do Tobias (12,15), São Rafael se apresenta como “um dos sete anjos que estão diante da glória do Senhor e têm acesso a sua presença”. Enquanto que no livro do Apocalipse (8,2), São João descreve: “vi os sete Anjos que estavam diante de Deus, e eles receberam sete trombetas”. Por estas duas citações bíblicas, afirma-se que são sete Arcanjos.

4. Conhecemos somente três nomes

A Bíblia menciona somente o nome de três Arcanjos: Miguel, Rafael e Gabriel. Os outros nomes (Uriel, Barachiel ou Baraquiel, Jehudiel, Saeltiel) aparecem em livros apócrifos de Enoc, o quarto livro de Esdras e em literatura rabínica. Entretanto, a Igreja reconhece apenas os três nomes que estão nas Sagradas Escrituras. Os outros podem servir como referência, mas não são doutrina.

5. Gabriel significa “a força de Deus”

No Antigo Testamento, São Gabriel Arcanjo aparece no livro sagrado de Daniel explicando ao profeta uma visão do carneiro e do cabrito (Det 8), assim como instruindo-o nas coisas futuras (Det 9,21-27). Nos Evangelhos, São Lucas (1,11-20) o menciona anunciando a Zacarias o nascimento de São João Batista e a Maria (1,26-38) que conceberia e daria a luz Jesus.

São Gabriel Arcanjo é conhecido como o “anjo mensageiro”, representado com uma vara perfumada de açucena e é padroeiro das comunicações e dos comunicadores, pois através da Anunciação trouxe ao mundo a mais bela notícia.

6. Rafael em hebreu é “Deus cura”

O único livro sagrado que menciona a São Rafael Arcanjo é o de Tobias e figura em vários capítulos. Ali se lê que Deus envia este Arcanjo para que acompanhe Tobias em uma viagem, na qual se casou com Sara.

Da mesma maneira, São Rafael indicou a Tobias como devolver a visão ao seu pai. Por esta razão é invocado para afastar doenças e conseguir terminar bem as viagens.

7. Miguel significa “Quem como Deus”

O nome do Arcanjo Miguel vem do hebreu “Mija-El” que significa “Quem como Deus” e que, segundo a tradição, foi o grito de guerra em defesa dos direitos de Deus quando Lúcifer se opôs aos planos salvíficos e de amor do Criador.

A Igreja Católica teve sempre uma grande devoção ao Arcanjo São Miguel, especialmente a fim de pedir-lhe que nos liberte dos ataques do demônio e dos espíritos infernais. Costuma ser representado com a roupa de guerreiro ou soldado centurião pondo seu calcanhar sobre a cabeça do inimigo.

Por Acidigital

Osso duro de roer, esse homem de Deus não era nada fácil!

Ele é conhecido como um dos santos mais irritadiços de toda a história do cristianismo!

O próprio São Jerônimo admitia as suas intolerâncias. Falava o que pensava e não usava meios termos, como numa carta em que escreveu que “aquele que não ama os mandamentos de Cristo é mais que um inimigo de Cristo: é o anticristo“!

Foram muitas as vezes em que se viu às voltas com sérios problemas por causa dos seus modos, digamos, explosivos. Na verdade, ele era grosso mesmo.

Mas Jerônimo, coitado, era bem consciente das suas limitações e levou uma vida de penitência. A este propósito, conta-se de certo bispo que, ao ver uma pintura do santo batendo no peito com uma pedra, declarou:

Fazes muito bem em golpear-te com essa pedra. Do contrário, a Igreja nunca te teria canonizado” (cf. Vidas dos Santos, de Alban Butler).

Mas quem era essa figuraça arrepiante?

No ano 382, o padre Jerônimo foi chamado pelo Papa Dâmaso para ser seu secretário particular. Ele era tremendo, mas também muitíssimo culto e inteligente. Em Roma, o bombástico padre recebeu a incumbência de traduzir a Bíblia, do grego e do hebraico, para o latim. A esse trabalho descomunal ele dedicou praticamente o resto da existência. Ironias da vida: um dos mais nervosos de todos os santos recebeu uma das missões que mais paciência e delicadeza poderiam exigir!

O conjunto final da sua tradução da Bíblia foi chamado, em latim, de “Vulgata”, e se tornou o texto bíblico oficial da Igreja católica no Concílo de Trento.

Em 1947, o Dia da Bíblia passou a ser celebrado em 30 de setembro, a data de falecimento do santo. Nada mau para um rabugento de dimensões bíblicas!

Atenção, você que já estava botando as manguinhas de fora!

Se identificou, não é mesmo? E já estava esfregando as mãos e dizendo para os seus botões que agora tinha uma bela justificativa para a sua própria fúria! Pois pode ir tirando o cavalinho da chuva.

São Jerônimo tinha, sim, um temperamento que ninguém merece, mas espere aí: nada de usar isso como desculpa esfarrapada para sair gritando com as pessoas que caminham lerdamente pelas calçadas ou para explodir com a sua família quando algo não sai do jeito que sua excelência desejava!

Sua excelência até pode estar em boa companhia nessa fúria nervosa, mas não se esqueça de que a santidade de São Jerônimo (e de vários outros grandes ranzinzas dos altares) se deveu justamente ao enorme e sincero esforço que ele fez para controlar os seus instintos furibundos por amor a Deus e ao próximo.

Ele e todos os outros santos irados e furiosos lutaram com confiança e fé para superar os seus impulsos ferozes, sabendo que a alegria da misericórdia de Deus é muito maior do que os nossos pecados. Ou seja: trate de continuar na luta para se controlar, ok?

Diz a Bíblia
A Bíblia (aquela mesma que o próprio São Jerônimo ajudou a traduzir) nos afirma claramente:

Um homem sábio sabe conter a sua cólera e tem por honra passar por cima de uma ofensa” (Provérbios 19,11).

Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo” (Filipenses 2,14-15).

Além de buscar auxílio na Bíblia para dominar aquela fervura que faz sair fumaça das suas ventas, aproveite para pedir uma ajudinha de quem já lidou com esse desafio e venceu: “São Jerônimo, rogai por nós!

Calma que tem mais!
Não é justo dizer apenas que São Jerônimo tinha um gênio do cão e conseguiu lutar bravamente para se domesticar. Ele era muito mais do que isso. E pasme: embora tivesse tanta tendência a ser um troglodita, São Jerônimo era um homem à frente do seu tempo em vários aspectos. E é agora que você vai gostar dele mais ainda do que já estava gostando!

Instruindo mulheres
Para começar, São Jerônimo dava instrução de alto nível para mulheres. Além de ser diretor espiritual (e dos bem exigentes), ele também lhes dava aulas nada menos que de grego, hebraico, latim e teologia. Várias das mulheres a quem ele orientava foram declaradas santas. Que tal?

Sempre aparece neste momento o mente suja que vai achar que São Jerônimo se aproveitava dessas mulheres, mas outra coisa que o tornou famoso, inclusive entre as muitas pessoas que não queriam vê-lo nem pintado de ouro, era a sua grande honestidade. E, em especial no respeito à dignidade sexual dele mesmo e das outras pessoas, o santo irado exercia um grande autodomínio. Aliás, ele chegava a andar por aí com a tal pedra que, lá no alto deste artigo, já dissemos que um Papa achou coisa boa que ele usasse para bater no próprio peito quando as coisas queriam sair de controle. Informação adicional: quando a tentação batia forte, São Jerônimo tinha um truque tiro-e-queda para se distrair: começava a estudar hebraico (!)

Acolhendo peregrinos e refugiados

Além de cavalheiresco e respeitoso com a mulherada, São Jerônimo foi exemplarmente solidário com os necessitados – inclusive com os refugiados.

Em dado momento da vida, ele tinha se mudado para Belém, na Terra Santa, onde abriu uma escola e uma casa para os peregrinos. Segundo um depoimento de Santa Paula, uma das mulheres a quem ele orientava, aquela casa devia ser sempre regida com tamanho esmero que “se Maria e José visitassem Belém de novo, teriam lá um lugar digno para ficar“.

Quando Roma foi invadida e saqueada por hordas bárbaras, uma grande onda de refugiados da Europa se dirigiu à Terra Santa (ironia chocante para quem vê os noticiários de hoje em dia, confesse!). Nesse contexto, São Jerônimo declarou:

Interrompi o comentário que estou escrevendo sobre o livro de Ezequiel, bem como quase todos os meus estudos. Hoje devemos traduzir os mandamentos das Escrituras em fatos: em vez de dizer palavras sagradas, devemos colocá-las em prática”.

E se dedicou a ajudar e acolher os refugiados, conforme Cristo nos ordenou quando instituiu as obras de misericórdia.

É… Parece que não é só no controle da raiva que temos muita coisa para aprender de São Jerônimo!

Por Aleteia

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