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Destaques do mês dezembro 2018 e janeiro 2019

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DEZEMBRO

A Igreja que na sua essência é missionária, teve no século XV e XVI um grande impulso do Espírito Santo para evangelizar a América e o Oriente. No Oriente, São Francisco Xavier destacou-se com uma santidade que o levou a ousadia de fundar várias missões, a ponto de ser conhecido como “São Paulo do Oriente”. Francisco nasceu no castelo de Xavier, na Espanha, a 7 de abril de 1506, sofreu com a guerra, onde aprendeu a nobreza e a valentia; com dezoito anos foi para Paris estudar, tornando-se doutor e professor.

Vaidoso e ambicioso, buscava a glória de si até conhecer Inácio de Loyola, com quem fez amizade; e que sempre repetia ao novo amigo: “Francisco, que adianta o homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?” Com o tempo, e intercessão de Inácio, o coração de Francisco foi cedendo ao amor de Jesus, até que entrou no verdadeiro processo de conversão; o resultado se vê no fato de ter se tornado cofundador da Companhia de Jesus.

Já como Padre, e empenhado no caminho da santidade, São Francisco Xavier foi designado por Inácio a ir em missão para o Oriente. Na Índia, fez frutuoso trabalho de evangelização que abrangeu todas as classes e idades, ao avançar para o Japão, submeteu-se em aprender a língua e os seus costumes, a fim de anunciar um Cristo encarnado. Ambicionando a China para Cristo, pôs-se a caminho, mas em uma ilha frente a sua nova missão, veio a falecer por causa da forte febre e cansaço.

Esse grande santo missionário entrou no Céu com quarenta e seis anos, e percorreu grandes distâncias para anunciar o Evangelho, tanto assim que se colocássemos em uma linha suas viagens, daríamos três vezes a volta na Terra. São Francisco Xavier, com dez anos de apostolado, tornou-se merecidamente o Patrono Universal das Missões ao lado de Santa Teresinha do Menino Jesus.

São Francisco Xavier, rogai por nós!

Via Canção Nova

Esta verdade, reconhecida pela Igreja de Cristo, é muito antiga. Muitos padres e doutores da Igreja oriental, ao exaltarem a grandeza de Maria, Mãe de Deus, usavam expressões como: cheia de graça, lírio da inocência, mais pura que os anjos.

A Igreja ocidental, que sempre muito amou a Santíssima Virgem, tinha uma certa dificuldade para a aceitação do mistério da Imaculada Conceição. Em 1304, o Papa Bento XI reuniu na Universidade de Paris uma assembleia dos doutores mais eminentes em Teologia, para terminar as questões de escola sobre a Imaculada Conceição da Virgem. Foi o franciscano João Duns Escoto quem solucionou a dificuldade ao mostrar que era sumamente conveniente que Deus preservasse Maria do pecado original, pois a Santíssima Virgem era destinada a ser mãe do seu Filho. Isso é possível para a Onipotência de Deus, portanto, o Senhor, de fato, a preservou, antecipando-lhe os frutos da redenção de Cristo.

Rapidamente a doutrina da Imaculada Conceição de Maria, no seio de sua mãe Sant’Ana, foi introduzido no calendário romano. A própria Virgem Maria apareceu em 1830 a Santa Catarina Labouré pedindo que se cunhasse uma medalha com a oração: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.

No dia 8 de dezembro de 1854, através da bula Ineffabilis Deus do Papa Pio IX, a Igreja oficialmente reconheceu e declarou solenemente como dogma: “Maria isenta do pecado original”.

A própria Virgem Maria, na sua aparição em Lourdes, em 1858, confirmou a definição dogmática e a fé do povo dizendo para Santa Bernadette e para todos nós: “Eu Sou a Imaculada Conceição”.

Nossa Senhora da Imaculada Conceição, rogai por nós!

Via Canção Nova

Num sábado, no ano de 1531, a Virgem Santíssima apareceu a um indígena que, de seu lugarejo, caminhava para a cidade do México a fim de participar da catequese e da Santa Missa enquanto estava na colina de Tepeyac, perto da capital. Este índio convertido chamava-se Juan Diego (canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002).

Nossa Senhora disse então a Juan Diego que fosse até o bispo e lhe pedisse que naquele lugar fosse construído um santuário para a honra e glória de Deus.

O bispo local, usando de prudência, pediu um sinal da Virgem ao indígena que, somente na terceira aparição, foi concedido. Isso ocorreu quando Juan Diego buscava um sacerdote para o tio doente: “Escute, meu filho, não há nada que temer, não fique preocupado nem assustado; não tema esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a seu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa. Acaso não o escolhi para mim e o tomei aos meus cuidados? Que deseja mais do que isto? Não permita que nada o aflija e o perturbe. Quanto à doença do seu tio, ela não é mortal. Eu lhe peço, acredite agora mesmo, porque ele já está curado. Filho querido, essas rosas são o sinal que você vai levar ao Bispo. Diga-lhe em meu nome que, nessas rosas, ele verá minha vontade e a cumprirá. Você é meu embaixador e merece a minha confiança. Quando chegar diante dele, desdobre a sua “tilma” (manto) e mostre-lhe o que carrega, porém, só em sua presença. Diga-lhe tudo o que viu e ouviu, nada omita…”

O prelado viu não somente as rosas, mas o milagre da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, pintada prodigiosamente no manto do humilde indígena. Ele levou o manto com a imagem da Santíssima Virgem para a capela, e ali, em meio às lágrimas, pediu perdão a Nossa Senhora. Era o dia 12 de dezembro de 1531.

Uma linda confirmação deu-se quando Juan Diego fora visitar o seu tio, que sadio narrou: “Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou a mim. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac e que sua imagem seria chamada de ‘Santa Maria de Guadalupe’, embora não tenha explicado o porquê”. Diante de tudo isso muitos se converteram e o santuário foi construído.

O grande milagre de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já existe há mais de quatro séculos e meio. Durante 16 anos, a tela esteve totalmente desprotegida, sendo que a imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos em pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção.

No ano de 1971, alguns peritos inadvertidamente deixaram cair ácido nítrico sobre toda a pintura. E nem a força de um ácido tão corrosivo estragou ou manchou a imagem. Com a invenção e ampliação da fotografia descobriu-se que, assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, da mesma forma a figura de Juan Diego, do referido bispo e do intérprete se refletiu e ficou gravada nos olhos do quadro de Nossa Senhora. Cientistas americanos chegaram à conclusão de que estas três figuras estampadas nos olhos de Nossa Senhora não são pintura, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva.

Declarou o Papa Bento XIV, em 1754: “Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros… uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja… Deus não agiu assim com nenhuma outra nação”.

Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada “Padroeira de toda a América” pelo Papa Pio XII no dia 12 de outubro de 1945.

No dia 27 de janeiro de 1979, durante sua viagem apostólica ao México, o Papa João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e consagrou a Mãe Santíssima toda a América Latina, da qual a Virgem de Guadalupe é Padroeira.

Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!

Via Canção Nova

Lúcia, virgem de Siracusa, de origem nobre, ouvindo falar por toda a Sicília da celebridade de Santa Ágata, foi até o túmulo dela com a mãe, Eutícia, que havia quatro anos sofria de hemorragias sem esperanças de cura. Naquele dia lia-se na missa a passagem do Evangelho na qual se conta que o Senhor curou uma mulher que padecia da mesma doença. Lúcia disse então à mãe: “Se você acredita no que foi dito, deve acreditar que Ágata está na presença Daquele por quem sofreu. Portanto, tocando seu túmulo com fé, logo você estará totalmente curada”. Lúcia se referia ao Evangelho de Mateus referente ao encontro da mulher que sofria de hemorragia e foi curada ao tocar o manto de Jesus.

Ágata foi vítima, no ano 251, das perseguições de todos os cristãos ordenadas pelo imperador Décio. Muitas pessoas iam ao sepulcro para obter as graças porque a fama da Santa se espalhou por todo lugar por causa dos milagres que fazia. e no seu coração, Luzia era certa que teria feito bem também à sua querida mãe.

Enquanto Eutícia tocava o sepulcro, Luzia viu Santa Ágata, que lhe disse “Luzia, minha irmã, porque pedes a mim aquilo que tu mesma podes obter para a tua mãe? Eis, tua mãe já foi curada pela tua fé”. Luzia disse à mãe: “Pela intercessão de Santa Ágata, Jesus te curou”. E imediatamente Eutícia sentiu retornar as forças e compreendeu que tinha sido curada. Luzia compreendeu que aquele era o momento justo para revelar a sua mãe a intenção de consagrar-se a Jesus e doar sua riqueza. Eutícia, que tinha o coração repleto de agradecimento pela graça recebida, aceitou.

Voltando para casa, passaram todo o dia a vender uma parte dos bens, distribuindo o dinheiro aos pobres. A notícia da partilha do patrimônio chegou aos ouvidos do noivo, e ele perguntou a razão daquilo à mãe de Lúcia. Esta respondeu que sua filha havia encontrado um investimento mais rentável e mais seguro, daí estar vendendo seus bens. O insensato, crendo tratar-se de um comércio plenamente humano, passou a colaborar na venda daqueles bens, buscando os melhores negócios. Quando soube que tudo que fora vendido tinha sido dado aos pobres, o noivo levou-a à justiça, diante do cônsul Pascásio, acusando-a de ser cristã e de violar as leis imperiais.

Pascásio convidou-a a sacrificar aos ídolos, mas ela respondeu: “O sacrifício que agrada a Deus é visitar os pobres e prover às suas necessidades, mas como não tenho mais nada a dar, ofereço a Ele a mim mesma”.

Como dava extrema importância à virgindade, o governante mandou que a carregassem à força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Conta a tradição que, embora Luzia não movesse um dedo, nem dez homens juntos conseguiram levantá-la do chão. Foi, então, condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva. Somente um golpe de espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida. Era o ano 304.

Santa Luzia, antes da execução, preanunciou a morte de Dioclesiano, que aconteceu poucos anos depois e o final das perseguições terminadas no ano 313 D.C com publicação de Constantino.

Luzia foi morta no dia 13 de Dezembro de 304 e teve sepultura no mesmo lugar onde no ano 313 foi construído um santuário a ela dedicado.

Para proteger as relíquias de santa Luzia dos invasores árabes muçulmanos, em 1039, um general bizantino as enviou para Constantinopla, atual território da Turquia. Elas voltaram ao Ocidente por obra de um rico veneziano, seu devoto, que pagou aos soldados da cruzada de 1204 para trazerem sua urna funerária. Santa Luzia é celebrada no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de Siracusa, que a venera no mês de maio também.

Santa Luzia salvou tantas vezes Siracusa nos seus momentos mais dramáticos, como carestias, terremotos, guerras e interviu também em outras cidades como Brescia que, graças à sua intercessão, foi liberada da uma grave carestia.

Mas a devoção à santa, cujo próprio nome está ligado à visão (“Luzia” deriva de “lux” = luz), já era exaltada desde o século V. Além disso, o papa Gregório Magno, passado mais um século, a incluiu com todo respeito para ser citada no cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira. Por esse motivo, Dante Alighieri, na Divina Comédia, atribui a Santa Lúcia ou Luzia a função de graça iluminadora.

Diz a antiga tradição oral que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade cristã através da pintura e da literatura. Assim, essa tradição se espalhou através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo até hoje

Via Franciscanos

A vida religiosa e a vocação Carmelita foram evidentes no final da formação de João – no civil Juan de Yepes Álvarez – filho de um casal muito pobre da antiga Castela, perto de Ávila.

Em 1563, com 18 anos, saiu do Colégio dos Jesuítas de Medina do Campo, onde havia estudado ciências humanas, retórica e línguas clássicas. Logo a seguir, o encontro com Teresa de Ávila mudou suas vidas. João a conheceu, quando era sacerdote, e ficou imediatamente envolvido e fascinado pelo plano de Reforma de Teresa, também no ramo masculino da Ordem. Trabalharam juntos, partilhando ideais e propostas e, em 1568, inauguraram a primeira Casa para os Carmelitas Descalços, em Duruelo, província de Ávila. Naquela ocasião, ao criar com outros a primeira comunidade masculina reformada, João acrescentou ao seu nome “da Cruz”, com o qual ficou universalmente conhecido.

Em fins de 1572, a pedido de Santa Teresa, João da Cruz tornou-se confessor e vigário do Mosteiro da Encarnação, em Ávila, onde a santa era priora. Mas, nem tudo foi um mar de rosas: a adesão à reforma comportou para João diversos meses de prisão por acusações injustas. Conseguiu fugir, correndo risco, com a ajuda de Santa Teresa. Ao retomar as forças, começou um caminho de grandes incumbências, até à morte, em consequência de uma longa doença e enormes sofrimentos.

São João da Cruz despediu-se de seus coirmãos, que recitavam as Laudas matutinas, em um Convento, próximo a Jaén, entre os dias 13 e 14 de dezembro de 1951. Suas últimas palavras foram: “Hoje, vou recitar o Ofício divino no céu!”. Seus restos mortais foram transladados para Segóvia.

São João da Cruz foi beatificado, em 1675, pelo Papa Clemente X e canonizado, em 1726, pelo Papa Bento XIII.

Via Vatican News

Neste dia especial, em que toda a Igreja celebra o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, acompanhemos o testemunho da Palavra de Deus a respeito deste acontecimento que transformou a história da humanidade:

“…José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida. Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: ‘Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor’.” (Lc 2,4-11)

Por isso hoje celebramos a eterna solidariedade do Pai das Misericórdias que, no seu plano de amor, quis o nascimento de Jesus, que é o verdadeiro Sol, a Luz do mundo. Este não é um dia de medo e nem de desespero, é dia de confiança e de esperança, pois Deus veio habitar no meio de nós, e assim encher-nos da certeza de que é possível um mundo novo. Solidário conosco, Ele nos quer solidários neste dia de Glória que refulge ao redor de cada um de nós!

Sendo assim, tudo neste dia só tem sentido se apontar para o grande aniversariante deste dia: o Menino Deus! Presépios, árvores, enfeites, banquetes e os presentes natalícios representam os presentes que os Reis Magos levaram até Jesus, mas não são estes símbolos a essência do Natal. O importante, o essencial, é que Cristo realmente nasça em nossos corações de uma maneira nova, renovadora, e que a partir daí, possamos sempre caminhar na sua luz solidária deste Deus Único e Verdadeiro, que nos quer também solidários uns com os outros!

Vivamos com muita alegria este dia solidário, que o Senhor fez para nós!

Via Prof. Felipe Aquino

O Natal, sob muitos aspectos, é uma festa doméstica. Ela reúne a família, os irmãos distantes e, sobretudo, encanta as crianças com seus pais ao perceberem como estes valorizam, nesta ocasião, a variedade de símbolos. O clima de amor e confraternização pervage a Solenidade do Nascimento do Senhor. Liturgicamente, a Igreja se detém no fato do Filho de Deus ter tido necessidade também de uma família que o acolhesse. Como homem, frágil e pequeno, precisou ser amado por um coração de mãe.

Ele experimentou a dependência na submissão a seus pais. Ele vivenciou a contingência de crescer e aprender no interior de um lar e de uma cultura determinada. Eis o símbolo de Nazaré onde Jesus viveu e cresceu (Lc 2,39-40). O mistério inaudito da Encarnação se entrelaça, desta maneira, com a realidade da família, escola de amor e de fé, de inculturação e de sociabilidade.

Maria, a Virgem Mãe, acolhe na fé o mistério, fruto do seu ventre. São José também acolhe na Fé o mistério, adotando o Menino e recebendo a Mãe. Deste modo, assume a paternidade legal de Jesus, cumprindo com fidelidade sua altíssima e insubstituível missão: José, filho de Daví, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados (Mt 1,20-21).

A oportunidade da festa da Sagrada Família, como decorrência do mistério do Natal que celebramos, nos proporciona apresentá-la como protótipo, exemplo e modelo para todas as famílias cristãs (cf.Familiaris Consortio, Conclusão; Redemptoris Custos, III, 21). Embora constituindo-se também um mistério especial pela natureza do amor e do matrimônio que uniam José e Maria, a presença inestimável do Filho de Deus, e a natureza das relações materno-paternais de Maria e de José para com Ele, esta Família é modelo nas virtudes teologais, a serem cultivadas por todas as famílias cristãs.

O sentido de Deus, do sagrado e do mistério, norteava e unia a Família de Nazaré. Por isso, mesmo tendo vivido uma situação especial e única de um lar construído na castidade perfeita, a serviço da Encarnação, ela é a expressão mais nítida da vivência das virtudes familiares e teologais. Serve, então, de estímulo e de intercessão para todas as famílias que queiram vivenciar os valores evangélicos. A propósito, nos lembra o Papa:

Por misterioso desígnio de Deus, nela viveu o Filho de Deus
escondido por muitos anos: é, pois, protótipo e exemplo de todas
as famílias cristãs. E aquela Família, única no mundo, que passou
uma existência anônima e silenciosa numa pequena localidade da
Palestina;que foi provada pela pobreza, pela perseguição, pelo exílio;
que glorificou a Deus de modo incomparavelmente alto e puro,
não deixará de ajudar as famílias cristãs, ou melhor, todas as famílias
do mundo,na fidelidade aos deveres quotidianos, no suportar as
ânsias e as tribulações da vida, na generosa abertura às
necessidades dos outros, no feliz cumprimento do plano de Deus a
seu respeito (Familiaris Consortio, Conclusão).

Hoje, na medida em que avança a secularização do pensamento e do comportamento, mesmo a família cristã se priva, muitas vezes, da sua dimensão sagrada. Mal se dá conta que o amor de Deus em Cristo a uniu, mediante o Sacramento do Matrimônio, para ser sinal visível e terno de sua presença em todas as expressões da vida conjugal e familiar. Quanto mais difícil se torna a proposta cristã para família contemporânea, mais imperioso se faz anunciá-la como boa e alegre notícia de salvação.

Há um evangelho para a família. Evangelho que supõe uma espiritualidade conjugal e familiar e uma ética própria, baseada na abertura da família aos apelos de Deus, do meio social e cultural e das necessidades de seus membros. O critério supremo da vida conjugal e familiar é o amor ou a caridade como veículo da perfeição (Cl 3,16).

Neste sentido, a família cristã se instaura no mundo e na Igreja como escola de amor a Deus e ao próximo, mediante o respeito aos mandamentos do Senhor, a oração e o diálogo entre as diferenças.

JANEIRO

A contemplação do mistério do nascimento do Salvador tem levado o povo cristão não só a dirigir-se a Virgem Santa como a Mãe de Jesus, como também a reconhecê-la como Mãe de Deus. Essa verdade foi aprofundada e compreendida como pertencente ao patrimônio da fé da Igreja, já desde os primeiros séculos da era cristã, até ser solenemente proclamada pelo Concílio de Éfeso no ano 431.

Na primeira comunidade cristã, enquanto cresce entre os discípulos a consciência de que Jesus é o Filho de Deus, resulta bem mais claro que Maria é a Theotókos, a Mãe de Deus. Trata-se de um título que não aparece explicitamente nos textos evangélicos, embora eles recordem “a Mãe de Jesus” e afirmem que Ele é Deus (Jo 20,28; cf. 5,18; 10,30.33). Em todo o caso, Maria é apresentada como Mãe do Emanuel, que significa Deus conosco (cf. Mt 1,22-23).

Theotókos não tem nada a ver com mitologia

Já no século III, como se deduz de um antigo testemunho escrito, os cristãos do Egito dirigiam-se a Maria com esta oração: “Sob a vossa proteção procuramos refúgio, Santa Mãe de Deus! Não desprezeis as súplicas de nós, que estamos na prova, e livrai-nos de todo perigo, ó Virgem gloriosa e bendita” (Da Liturgia das Horas). Neste antigo testemunho, a expressão Theotókos, “Mãe de Deus”, aparece pela primeira vez de forma explícita.

Na mitologia pagã, acontecia com frequência que alguma deusa fosse apresentada como mãe de um deus. Zeus, por exemplo, deus supremo, tinha por mãe a deusa Reia. Esse contexto facilitou talvez, entre os cristãos, o uso do título Theotókos, “Mãe de Deus”, para a mãe de Jesus. Contudo, é preciso notar que esse título não existia, mas foi criado pelos cristãos, para exprimir uma fé que não tinha nada a ver com a mitologia pagã, a fé na concepção virginal, no seio de Maria, daquele que, desde sempre, era o Verbo Eterno de Deus.

O Concílio de Éfeso proclamou Maria Mãe de Deus

No século IV, o termo Theotókos é já de uso frequente no Oriente e no Ocidente. A piedade e a teologia fazem referência, de modo cada vez mais frequente, a esse termo, já encontrado no patrimônio de fé da Igreja.

Compreende-se, por isso, o grande movimento de protesto, que se manifestou no século V, quando Nestório pôs em dúvida a legitimidade do título “Mãe de Deus”. Ele, de fato, propenso a considerar Maria somente como Mãe do homem Jesus, afirmava que só era doutrinalmente correta a expressão “Mãe de Cristo”. Nestório era induzido a esse erro pela sua dificuldade de admitir a unidade da pessoa de Cristo, e pela interpretação errônea da distinção entre as duas naturezas – divina e humana – presentes nele.

O Concílio de Éfeso, no ano 431, condenou as suas teses e, afirmando a subsistência da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Filho, proclamou Maria Mãe de Deus.

As dificuldades e as objeções apresentadas por Nestório oferecem-nos agora a ocasião para algumas reflexões úteis, a fim de compreendermos e interpretarmos de modo correto esse título.

O que quer dizer Theotókos

A expressão Theotókos, que literalmente significa “aquela que gerou Deus”, à primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com efeito, a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus. A resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só a geração humana do Filho de Deus e não, ao contrário, à sua geração divina. O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e é Lhe consubstancial. Nessa geração eterna, Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi então concebido e dado à luz por Maria.

Proclamando Maria “Mãe de Deus”, a Igreja quer, portanto, afirmar que ela é a “Mãe do Verbo encarnado, que é Deus”. Por isso, a sua maternidade não se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda Pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana.

A maternidade é relação entre pessoa e pessoa: uma mãe não é mãe apenas do corpo ou da criatura física saída do seu seio, mas da pessoa que ela gera. Maria, portanto, tendo gerado segundo a natureza humana a pessoa de Jesus, que é a pessoa divina, é Mãe de Deus.

Ao proclamar Maria “Mãe de Deus”, a Igreja professa com uma única expressão a sua fé acerca do Filho e da Mãe. Essa união emerge já no Concílio de Éfeso. Com a definição da maternidade divina de Maria, os padres queriam evidenciar a sua fé à divindade de Cristo. Não obstante as objeções, antigas e recentes, acerca da oportunidade de atribuir esse título a Maria, os cristãos de todos os tempos, interpretando corretamente o significado dessa maternidade, tornaram-no uma expressão privilegiada da sua fé na divindade de Cristo e do seu amor para com a Virgem.

Theotókos, garantia da realidade da Encarnação

Na Theotókos, a Igreja, por um lado, reconhece a garantia da realidade da Encarnação, porque – como afirma Santo Agostinho – “se a Mãe fosse fictícia, seria fictícia também a carne… fictícia seriam as cicatrizes da ressurreição” (Tract. In Ev. loannis, 8,6-7). Por outro lado, ela contempla com admiração e celebra com veneração a imensa grandeza conferida a Maria por Aquele que quis ser seu Filho. A expressão “Mãe de Deus” remete ao Verbo de Deus que, na Encarnação, assumiu a humildade da condição humana, para elevar o homem à filiação divina. Mas esse título, à luz da dignidade sublime conferida à Virgem de Nazaré, proclama também a nobreza da mulher e sua altíssima vocação. Com efeito, Deus trata Maria como pessoa livre e responsável, e não realiza a Encarnação de seu Filho senão depois de ter obtido o seu consentimento.

Seguindo o exemplo dos antigos cristãos do Egito, os fiéis entregam-se àquela que, sendo Mãe de Deus, pôde obter do divino Filho as graças da libertação dos perigos e da salvação eterna.

Extraído do livro “A virgem Maria” de São João Paulo II

Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o Nome que está acima de todos os nomes, para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor” (Fil 2, 9-11).

Depois da Oitava de Natal, a Igreja celebra a importante festa do Santíssimo Nome de Jesus, no dia 2 de janeiro. É uma festa muito importante, mas que às vezes passa despercebida.

Sabemos que segundo a Lei de Moisés, todo menino era circuncidado no oitavo dia e era o pai quem lhe dava o nome. São José teve a honra de ser encarregado por Deus para dar o nome ao divino Menino. O arcanjo Gabriel disse à Virgem Maria: “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus” (Lc 1, 30-31).

E depois o mesmo Arcanjo o confirma em sonho a José: “Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1, 20-21). “Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o Nome de Jesus” (Lc 2, 21).

Assim, o Santíssimo Nome de Jesus foi dado pelo céu; por isso tem poder. Santa Joana D´Arc morria na fogueira repetindo o nome de Jesus. O nome Jesus representa a Pessoa divina do Verbo encarnado.

Note que São Gabriel deixou claro a José a razão deste nome: “porque ele salvará o seu povo de seus pecados”. A palavra Jesus em Hebraico quer dizer “Deus Salva” ou Salvador. Então, pronunciar o nome de Jesus com fé, é toma-lo como divino salvador.

É no Nome de Jesus que os pecados são perdoados. “O Filho do Homem tem poder de perdoar pecados na terra” (Mc 2, 10). Ele pode dizer ao pecador: “Teus pecados estão perdoados” (Mc 2,5). E ele transmite esse poder aos homens – os Apóstolos – (Jo 20, 21-23) para que o exerçam em seu Nome.

A Igreja põe à nossa disposição a Ladainha do Santíssimo Nome de Jesus, incentivando-os a rezá-la com frequência (anexo).

A Ressurreição de Jesus glorifica o nome do Deus Salvador, pois a partir de agora é o nome de Jesus que manifesta em plenitude o poder supremo do “nome acima de todo nome”. Os espíritos maus temem Seu nome, e é em nome d’Ele que os discípulos de Jesus operam milagres, pois tudo o que pedem ao Pai em seu Nome o Pai lhes concede. É no Nome de Jesus que os enfermos são curados, é em seu nome que os mortos ressuscitam, os coxos andam, os surdos ouvem, os leprosos ficam curados… Esse nome bendito tem poder!

Depois que o pecado atingiu a humanidade, somente o Nome do Deus Redentor pode salvar o homem. E este Nome é Jesus. É pelo Nome de Jesus que os Apóstolos operaram maravilhas. “Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu Nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados” (Mc 16,17-18). Portanto, o Nome Santo de Jesus tem poder e deve ser invocado com respeito, veneração e fé.

“O nome de Jesus significa que o próprio nome de Deus está presente na Pessoa de seu Filho feito homem para a redenção universal e definitiva dos pecados. E o único nome divino que traz a salvação e a partir de agora pode ser invocado por todos, pois se uniu a todos os homens pela Encarnação, de sorte que “não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4,12). (n.432)

Os fariseus e doutores da lei quiseram impedir os Apóstolos de pregar em Nome de Jesus: “Chamaram-nos e ordenaram-lhes que absolutamente não falassem nem ensinassem em nome de Jesus” (At 4, 17-18). Mas eles se negam a deixar de pronunciar este santo Nome, porque sabem que não há salvação em nenhum outro.

O Nome de Jesus está no cerne da oração cristã. Todas as orações litúrgicas são concluídas pela fórmula “por Nosso Senhor Jesus Cristo…”. A “Ave-Maria” culmina no “bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”. O nome de Jesus está no centro da oração mariana; o Rosário é centrado no Nome de Jesus, por isso tem poder.

Aquele ceguinho de Jericó clamou com fé o nome de Jesus e ficou curado: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!” É o que cada um de nós precisa fazer em todas as dificuldades da vida.

LADAINHA DO SANTÍSSIMO NOME DE JESUS

SENHOR, tende piedade de nós.
JESUS CRISTO, tende piedade de nós.
SENHOR, tende piedade de nós.
JESUS CRISTO, ouvi-nos.
JESUS CRISTO, atendei-nos.
PAI CELESTE, que sois DEUS, tende piedade de nós.
FILHO, Redentor do mundo, que sois DEUS, tende…
SANTÍSSIMA TRINDADE, que Sois um só DEUS,
JESUS, filho de DEUS vivo,
JESUS, pureza da luz eterna,
JESUS, rei da glória,
JESUS, sol de justiça,
JESUS, filho da Virgem Maria,
JESUS amável,
JESUS, admirável,
JESUS, DEUS forte,
JESUS, pai do futuro século,
JESUS, anjo do grande conselho,
JESUS, poderosíssimo,
JESUS, pacientíssimo,
JESUS, obedientíssimo,
JESUS, manso e humilde de coração,
JESUS, amante da castidade,
JESUS, amador nosso,
JESUS, DEUS da Paz,
JESUS, autor da vida,
JESUS, exemplar das virtudes,
JESUS, zelador das almas,
JESUS, nosso refúgio,
JESUS, pai dos pobres,
JESUS, tesouro dos fiéis,
JESUS, boníssimo pastor,
JESUS, luz verdadeira,
JESUS, sabedoria eterna,
JESUS, bondade infinita,
JESUS, nosso caminho e nossa vida,
JESUS, alegria dos anjos,
JESUS, rei dos patriarcas,
JESUS, mestre dos apóstolos,
JESUS, doutor dos evangelistas,
JESUS, fortaleza dos mártires,
JESUS, luz dos confessores,
JESUS, pureza das virgens,
JESUS, coroa de todos os santos.
Sede-nos propício, perdoai-nos, JESUS.
Sede-nos propício, ouvi-nos JESUS.

De todo o mal, livrai-nos JESUS.
De todo o pecado, livrai-nos JESUS.
De Vossa ira,
Das ciladas do demônio,
Do espírito da impureza,
Da morte eterna,
Do desprezo das Vossas inspirações,
Pelo mistério da Vossa Santa Encarnação,
Pela Vossa natividade,
Pela Vossa infância,
Pela Vossa santíssima vida,
Pelos Vossos trabalhos,
Pela Vossa agonia e paixão,
Pela Vossa cruz e desamparo,
Pelas Vossas angústias,
Pela Vossa morte e sepultura,
Pela Vossa ressurreição,
Pela Vossa ascensão,
Pela Vossa instituição da Santíssima Eucaristia,
Pelas Vossas alegrias,
Pela Vossa glória,

Cordeiro de DEUS, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, JESUS.

Cordeiro de DEUS, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos,JESUS.

Cordeiro de DEUS, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, JESUS.

JESUS, ouvi-nos JESUS atendei-nos.

OREMOS: Senhor JESUS CRISTO, que dissestes: pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á, nós Vos suplicamos que concedais a nós, que vo-Lo pedimos, os sentimentos afetivos de Vosso divino amor, a fim de que nós Vos amemos de todo o coração e que esse amor transcenda por nossas ações. Permiti que tenhamos sempre, Senhor, um igual temor e amor pelo Vosso Santo Nome, pois não deixais de governar aqueles que estabeleceis na firmeza do Vosso amor. Vós que viveis e renais para todo o sempre. Amém.

Por Prof. Felipe Aquino, via Canção Nova

O Evangelista Mateus (2,1-12) legou-nos um relato importantíssimo da vida de Jesus ao narrar, com riqueza de detalhes, sua manifestação a todos os povos da terra. As indicações iniciais de tempo e lugar estão intimamente conexas com o que a seguir foi registrado.

O Salvador nasceu durante o reinado de Herodes, o Grande, em Belém da Judéia a nove quilômetros de Jerusalém. Foi em Belém que Davi fora ungido rei (1 Sam 16,13; 17,23). Cristo, como anunciara o anjo, herdaria o trono daquele monarca (Lc 1,34).

Os magos constituíam uma classe sacerdotal da Média, composta de adivinhos que conservaram sua influência depois da conquista dos persas. Podemos considerá-los como sábios, especialistas em astronomia, uma vez que Mateus não dá ao termo magos sentido pejorativo. Vinham do oriente e, com probabilidade, segundo os mais antigos exegetas, da região situada do outro lado do Jordão e do mar Morto, isto é, da Arábia, que naquele tempo se estendia até o norte de Damasco. Naquela região judeus e árabes falavam os mesmos dialetos e formavam uma população mista. Os presentes que os magos trouxeram confirmam sua origem árabe. A Arábia era famosa por seu ouro (1 Sam 9,28), seu incenso (Jer 6,20) e sua mirra, conforme atesta Plínio na sua História Natural. Esta visita teve lugar após a purificação (Lc 2,33-38), cumprida quarenta dias depois do nascimento de Jesus e levando-se em conta que José não agiria temerariamente indo à capital depois do aviso do anjo (Mt 2,13).

A visita dos magos deve ter ocorrido no decorrer de um ano do nascimento do Menino Deus. Há a aparição de uma estrela que os conduz até Jerusalém. Os magos tinham conhecimento da enorme expectativa dos judeus pela chegada do Messias, tanto mais que falsos messias haviam aparecido, mormente naquele contexto histórico. Embora Mateus não diga isto, podemos também supor que aqueles sábios tivessem recebido uma revelação especial. Para muitos hermeneutas a estrela surgiu de modo extraordinário e, ainda que os astrônomos se esforcem por encontrar uma explicação científica, todas carecem de um fundamento mais confiável. Trata-se de um fenômeno maravilhoso, não obstante possa ter sido natural. O certo é que Herodes e povo judeu foi tomado de ansiedade.

O Sinédrio, supremo conselho entre os judeus, que contava com setenta e um membros, estava composto de três grupos com força igual: os príncipes dos sacerdotes, os escribas ou doutores da lei e os anciãos, escolhidos entre os notáveis do povo. Como estes últimos não são mencionados por Mateus, se conclui que não houve uma reunião plena daquele Conselho judaico para tratar do assunto proposto pelos magos.

Temeroso de perder o poder, Herodes foi quem mais ficou perturbado. Pelas Escrituras, conforme foi mostrado a Herodes, o local do nascimento seria Belém. O rei, entretanto, procurou evitar mais turbulência e, tendo chamado os Magos, os despistou com relação a seus receios, dizendo-lhes, ardilosamente, que iria adorar o recém-nascido tão logo tudo ficasse confirmado. A estrela reaparece, dado que o destino dos magos não era Jerusalém, pois aquele corpo luminoso na atmosfera inferior tinha por missão divina apontar Belém àqueles sábios. Encontram a habitação onde estava Jesus e Mateus que não fala na presença de José, quer, visivelmente, salientar a importância dos laços que prendiam o Filho à sua genitora. Nunca se destaca demais o que está na Bíblia: ?Encontraram o Menino com Maria, sua mãe: (Mt 12,11) Vieram os magos adorar, isto é, prestar honras divinas àquela criança. Belíssimo o significado dos presentes: ouro, porque Jesus é Rei; incenso, por ser Ele Deus; mirra dado que havia assumido um corpo mortal.

Advertidos em sonho, os magos retornaram por outro caminho para sua terra, isto é, pelo caminho de Hebron passando pelo sul do mar Morto. Tudo isto se presta a valiosas reflexões e a leitura do texto, assim esclarecido, oferece aos fiéis inúmeras conclusões vivenciais. Diante das lutas sangrentas entre judeus e palestinos, como é bom recordar que, um dia, árabes vieram de longe para adorar uma criança judia.

Via Canção Nova

Capítulo indispensável da vida dos santos, tema onipresente na história da arte, praticamente não existe quem desconheça ou não tenha ouvido falar das tentações de Santo Antão, aqui narradas por Santo Atanásio. Foi o próprio Senhor quem prometeu a Antão, afinal, que seus combates se tornariam célebres em todo o mundo: “Porque aguentaste sem te renderes, serei sempre teu auxílio e te tornarei famoso em toda parte”.

As lutas do santo abade contra os demônios constituem, sem sombra de dúvida, uma das maiores razões para a popularidade dessa história. Sendo esses inimigos de Deus espíritos puros, como poderiam eles realmente agredir algumas pessoas, provocando nelas fortes dores físicas e deixando marcas visíveis em seus corpos?

Por causa da complexidade do assunto, muitos homens de ciência preferiram relegar histórias como as que vão abaixo ao mundo das fantasias, das lendas e do “fundamentalismo” religioso. Até a nossa época ser providencialmente agraciada com o fenômeno do Padre Pio de Pietrelcina, o qual, tendo passado por todas essas experiências em pleno século XX, no auge do desenvolvimento científico e tecnológico da humanidade, sem que a ciência pudesse sondar-lhes a causa, terminou levantando uma relevante questão: se fatos tão extraordinários se passaram com um homem de nossa época, sem explicação natural, por que não poderiam ter acontecido, também, com os santos antigos e medievais?

Evidentemente, essa não é a principal lição que devemos extrair desse relato. O que Deus quer nos ensinar com essa história tão bela, no fim das contas, é que Ele está sempre conosco, inclusive quando somos tentados, para combater ao nosso lado e afastar para longe de nós, no momento oportuno, o inimigo de nossas almas. “Assim, todos os que combatem seriamente podem dizer: ‘Não eu, mas a graça de Deus comigo’.”

O inimigo, que pensara ser como Deus, fez-se louco ante a resistência de um homem.

Antão foi egípcio de nascimento. Os seus pais eram de boa linhagem e abastados. Como eram cristãos, também o menino cresceu como cristão. Depois da morte dos seus pais ficou só com a sua única irmã, muito mais jovem. Tinha então uns dezoito a vinte anos, e tomou cuidado da casa e de sua irmã. Menos de seis meses depois da morte de seus pais, ia, como de costume, a caminho da igreja. Enquanto caminhava, ia meditando e refletia como os apóstolos deixaram tudo, e seguiram o Salvador (cf. Mt 4, 20; 19, 27); como, segundo se refere nos Atos (4, 35-37), os fiéis vendiam o que tinham e o punham aos pés dos Apóstolos para distribuição entre os necessitados, e quão grande é a esperança prometida nos céus para os que assim fazem (cf. Ef 1, 18; Col 1, 5).

Pensando estas coisas, entrou na igreja. Aconteceu que nesse momento se estava lendo o evangelho, e ouviu a passagem em que o Senhor disse ao jovem rico: “Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres, depois vem, segue-me e terás um tesouro no céu” (Mt 19, 21). Como se Deus lhe houvera proposto a lembrança dos santos, e como se a leitura houvesse sido dirigida especialmente a ele, Antão saiu imediatamente da igreja e deu a propriedade que tinha de seus antepassados: trezentas “aruras”, terra muito fértil e formosa.

Não quis que nem ele nem sua irmã tivessem algo que ver com ela. Vendeu tudo o mais, os bens móveis que possuía, e entregou aos pobres a considerável soma recebida, deixando só um pouco para sua irmã. De novo, porém, entrando na igreja, ouviu aquela palavra do Senhor no evangelho: “Não se preocupem do amanhã” (Mt 6, 34). Não pôde suportar maior espera, mas foi e distribuiu aos pobres também este pouco. Colocou sua irmã entre virgens conhecidas e de confiança, entregando-a para que a educassem.

Então dedicou todo o seu tempo à vida ascética, atento a si mesmo e vivendo de renúncia a si mesmo, perto de sua própria casa. Ainda não existiam tantas celas monásticas no Egito, e nenhum monge conhecia sequer o longínquo deserto. Todo o que desejava enfrentar-se consigo mesmo, servindo a Cristo, praticava sozinho a vida ascética, não longe de sua aldeia. Naquele tempo havia na aldeia vizinha um ancião que desde sua juventude levava na solidão a vida ascética. Quando Antão o viu, “teve zelo pelo bem” (Gl 4, 18), e se estabeleceu imediatamente na vizinhança da cidade.

Desde então, quando ouvia que em alguma parte havia uma alma esforçada, ia, como sábia abelha, buscá-la e não voltava sem havê-la visto; só depois de haver recebido, por assim dizer, provisões para sua jornada de virtude, regressava. Aí, pois, passou o tempo de sua iniciação, se afirmou sua determinação de não voltar à casa de seus pais nem de pensar em seus parentes, mas a dedicar todas as suas inclinações e energias à prática contínua da via ascética. Fazia trabalho manual pois tinha ouvido que “o que não quer trabalhar não tem direito de comer” (2Ts 3, 10). Do que recebia guardava algo para sua manutenção e o resto dava-o aos pobres. Orava constantemente, tendo aprendido que devemos orar em privado (cf. Mt 6, 6) sem cessar (cf. Lc 18, 1; 21, 36; 1Ts 5, 17). Além disso, estava tão atento à leitura da Sagrada Escritura, que nada se lhe escapava: retinha tudo, e assim a sua memória lhe servia de livro.

Mas o demônio, que odeia e inveja o bem, não podia ver tal resolução num jovem, e pôs-se a empregar suas velhas táticas também contra ele. Primeiro tratou de fazê-lo desertar da vida ascética recordando-lhe sua propriedade, o cuidado da sua irmã, os apegos da parentela, o amor do dinheiro, o amor à glória, os inumeráveis prazeres da mesa e todas as demais coisas agradáveis da vida. Finalmente apresentou-lhe a austeridade e tudo o que se segue a essa virtude, sugerindo-lhe que o corpo é fraco e o tempo é longo.

Em resumo, despertou em sua mente toda uma nuvem de argumentos, procurando fazê-lo abandonar seu firme propósito. O inimigo viu, no entanto, que era impotente em face da determinação de Antão, e que antes era ele que estava sendo vencido pela firmeza do homem, derrotado por sua sólida fé e sua constante oração. Pôs então toda a sua confiança nas armas que estão “nos músculos de seu ventre” (Jó 40, 16). Jactando-se delas, pois são sua preferida artimanha contra os jovens, atacou o jovem molestando-o de noite e instigando-o de dia, de tal modo que até os que viam Antão podiam aperceber-se da luta que se travava entre os dois.

O inimigo queria sugerir-lhe pensamentos baixos, mas ele os dissipava com orações; procurava incitá-lo ao prazer, mas Antão, envergonhado, cingia seu corpo com sua fé, orações e jejuns. Atreveu-se então o perverso demônio a disfarçar-se em mulher e fazer-se passar por ela em todas as formas possíveis durante a noite, só para enganar a Antão. Mas ele encheu seus pensamentos de Cristo, refletiu sobre a nobreza da alma criada por Ele, e sua espiritualidade, e assim apagou o carvão ardente da tentação. E quando de novo o inimigo lhe sugeriu o encanto sedutor do prazer, Antão, enfadado com razão, e entristecido, manteve seus propósitos com a ameaça do fogo e dos vermes (cf. Jd 16, 21; Sir 7, 19; Is 66, 24; Mc 9, 48). Sustentando isto no alto, como escudo, passou por tudo sem se dobrar.

Toda essa experiência levou o inimigo a envergonhar-se. Em verdade, ele, que pensara ser como Deus, fez-se louco ante a resistência de um homem. Ele, que na sua presunção desdenhava carne e sangue, foi agora derrotado por um homem de carne em sua carne. Verdadeiramente o Senhor trabalhava com este homem, Ele que por nós tornou-se carne e deu ao seu corpo a vitória sobre o demônio. Assim, todos os que combatem seriamente podem dizer: “Não eu, mas a graça de Deus comigo” (1Cor 15, 10).

O demônio atacou o jovem Antão molestando-o de noite e instigando-o de dia, de tal modo que até os que o viam podiam aperceber-se da luta que se travava entre os dois.

Finalmente, quando o dragão não pôde conquistar Antão nem por estes últimos meios, mas viu-se arrojado de seu coração, rangendo os seus dentes, como diz a Escritura (cf. Mc 9, 17), mudou, por assim dizer, sua pessoa. Tal como é seu coração, assim lhe apareceu: como um moço preto; e como inclinando-se diante dele, já não o molestou com pensamentos — pois o impostor tinha sido lançado fora — mas usando voz humana disse-lhe: “A muitos enganei e venci; mas agora que te ataquei a ti e a teus esforços como o fiz com tantos outros, mostrei-me demasiadamente fraco”. “Quem és tu que me falas assim?”, perguntou-lhe Antão. Apressou-se o outro a replicar com a voz lastimosa:

Sou o amante da fornicação. A minha missão é espreitar a juventude e seduzi-la; chamam-me o espírito de fornicação. A quantos eu enganei, decididos que estavam a cuidar de seus sentidos! A quantas pessoas castas seduzi com minhas lisonjas! Eu sou aquele por cuja causa o profeta censura os decaídos: “Foram enganados pelos espírito da fornicação” (Os 4, 12). Sim, fui eu que os levei à queda. Fui eu que tanto te molestei e tão a miúde fui vencido por ti.

Antão deu, pois, graças ao Senhor e armando-se de coragem contra ele, disse: “És então inteiramente desprezível; és negro em tua alma e tão débil como um menino. Doravante já não me causas nenhuma preocupação, porque o Senhor está comigo e me auxilia: verei a derrota de meus adversários (cf. Sl 117, 7).” Ouvindo isto, o negro desapareceu imediatamente, inclinando-se a tais palavras e temendo acercar-se do homem.

Todos os que combatem seriamente podem dizer: “Não eu, mas a graça de Deus comigo”.

Assim dominou-se Antão a si mesmo. Decidiu então mudar-se para os sepulcros que se achavam a certa distância da aldeia. Pediu a um dos seus familiares que lhe levasse pão a longos intervalos. Entrou, pois, em uma das tumbas; o mencionado homem fechou a porta atrás dele, e assim ficou dentro sozinho. Isto era mais do que o inimigo podia suportar, pois em verdade temia que agora fosse encher também o deserto com a vida ascética. Assim chegou uma noite com um grande número de demônios e o açoitou tão implacavelmente que ficou lançado no chão, sem fala pela dor.

Afirmava que a dor era tão forte que os golpes não podiam ter sido infligidos por homem algum para causar semelhante tormento. Pela Providência de Deus — porque o Senhor não abandona os que nele esperam — seu parente chegou no dia seguinte trazendo-lhe pão. Quando abriu a porta e o viu atirado no chão como morto, levantou-o e o levou até a igreja da aldeia e o depositou sobre o solo. Muitos de seus parentes e da gente da aldeia sentaram-se em volta de Antão como para velar um cadáver. Mas pela meia-noite Antão recobrou o conhecimento e despertou. Quando viu que todos estavam dormindo e só seu amigo se achava desperto, fez-lhe sinais para que se aproximasse e pediu-lhe que o levantasse e levasse de novo para os sepulcros, sem despertar ninguém. O homem levou-o de volta, a porta foi trancada como antes e de novo ficou dentro, sozinho.

Pelos golpes recebidos estava demasiado fraco para manter-se de pé; orava então, estendido no solo. Terminada sua oração, gritou: “Aqui estou eu, Antão, que não me acovardei com teus golpes, e ainda que mais me dês, nada me separará do amor de Cristo (cf. Rm 8, 35).” E começou a cantar: “Se um exército se acampar contra mim, meu coração não temerá” (Sl 26, 3). Tais eram os pensamentos e palavras do asceta, mas o que odeia o bem, o inimigo assombrado de que depois de todos os golpes ainda tivesse valor para voltar, chamou seus cães e arrebatado de raiva disse: “Vêem vocês que não pudemos deter esse tipo nem com o espírito de fornicação nem com os golpes; ao contrário, chega até a desafiar-nos. Vamos proceder contra ele de outro modo”. A função de malfeitor não é difícil para o demônio.

Os demônios, depois de haver intentado muitas argúcias, rangeram os dentes contra Antão, porque eram eles próprios que estavam ficando loucos e não ele.

Essa noite, por isso, fizeram tal estrépito que o lugar parecia sacudido por um terremoto. Era como se os demônios abrissem passagens pelas quatro paredes do recinto, invadindo impetuosamente através delas em forma de bestas ferozes e répteis. De repente todo o lugar se encheu de imagens fantasmagóricas de leões, ursos, leopardos, touros, serpentes, víboras, escorpiões e lobos; cada qual se movia segundo o exemplar que havia assumido. O leão rugia, pronto a saltar sobre ele; o touro, quase a atravessá-lo com os chifres; a serpente retorcia-se sem o alcançar completamente; o lobo acometia-o de frente. E a gritaria armada simultaneamente por todas essas aparições era espantosa, e a fúria que mostravam, feroz.

Antão, atormentado e pungido por eles, sentia aumentar a dor em seu corpo; no entanto, permanecia sem medo e com o espírito vigilante. Gemia, é verdade, pela dor que atormentava seu corpo, mas a mente era senhora da situação e, como por debique, dizia-lhes: “Se tivessem poder sobre mim, teria bastado que viesse um só de vocês; mas o Senhor lhes tirou a força e por isso se esforçam em fazer-me perder o juízo com seu número; é sinal de fraqueza terem de imitar animais ferozes.” De novo teve a valentia de dizer-lhes: “Se é que podem, se é que receberam poder sobre mim, não se demorem, venham ao ataque! E se nada podem, para que esforçar-se tanto sem nenhum fim? Porque a fé em Nosso Senhor é selo para nós e muro de salvação.” Assim, depois de haver intentado muitas argúcias, rangeram os dentes contra ele, porque eram eles próprios que estavam ficando loucos e não ele.

Antão gemia pela dor que atormentava seu corpo, mas a sua mente era senhora da situação e ele ainda debochava dos demônios que o tentavam.

De novo o Senhor não se esqueceu de Antão na sua luta, mas veio ajudá-lo. Quando olhou para cima, viu como se o teto se abrisse e um raio de luz baixasse até ele. Foram-se os demônios de repente, cessou-lhe a dor do corpo, e o edifício estava restaurado como antes. Notando que a ajuda chegara, Antão respirou livremente e sentiu-se aliviado das suas dores. E perguntou à visão: “Onde estavas tu? Por que não aparecestes no começo para deter minhas dores?” E uma voz lhe falou: “Antão, eu estava aqui, mas esperava ver-te enquanto agias. E agora, porque aguentaste sem te renderes, serei sempre teu auxílio e te tornarei famoso em toda parte.” Ouvindo isto, levantou-se e orou: e ficou tão fortalecido que sentiu o seu corpo mais vigoroso que antes. Tinha por aquele tempo uns trinta e cinco anos de idade.

Referências
Primeira parte da “Vida de Santo Antão”, escrita por Santo Atanásio de Alexandria.

Via Padre Paulo Ricardo

Seu nome vem do grego, que significa pura. Ela pertenceu a uma família romana e, segundo os costumes do seu tempo, foi cuidada por uma aia (uma babá) que só a deixaria após o casamento.

Santa Inês tinha cerca de 12 anos quando um pretendente se aproximou dela; segundo a tradição, era filho do prefeito de Roma e estava encantado pela beleza física de Inês. Mas sua beleza principal é aquela que não passa: a comunhão com Deus. De maneira secreta, ela tinha feito uma descoberta vocacional, era chamada a ser uma das virgens consagradas do Senhor; e fez este compromisso. O jovem não sabia e, diante de tantas propostas, ela sempre dizia ‘não’. Até que ele denunciou Inês para as autoridades, porque sob o império de Diocleciano, era correr risco de vida. Quem renunciasse Jesus ficava com a própria vida; caso contrário, se tornava um mártir. Foi o que aconteceu com esta jovem de cerca de 12 ou 13 anos.

Tão conhecida e citada pelos santos padres, Santa Inês é modelo de uma pureza à prova de fogo, pois diante das autoridades e do imperador, ela se disse cristã. Eles começaram pelo diálogo, depois as diversas ameaças com fogo e tortura, mas em nada ela renunciava o seu Divino Esposo. Até que pegaram-na e a levaram para um lugar em Roma próprio da prostituição, mas ela deixou claro que Jesus Cristo, seu Divino Esposo, não abandona os seus. De fato, ela não foi manchada pelo pecado.

Auxiliada pelo Espírito Santo, com muita sabedoria, ela permaneceu fiel ao seu voto e ao seu compromisso; até que as autoridades, vendo que não podiam vencê-la pela ignorância, mandaram, então, degolar a jovem cristã. Ela perdeu a cabeça, mas não o coração, que ficou para sempre em Cristo.

Santa Inês tem uma basílica que foi consagrada a ela no lugar onde foi enterrada.

Santa Inês, rogai por nós!

Via Canção Nova

São Francisco nasceu em 1567, na época da Reforma Protestante, em uma família rica, filho mais velho do Barão de Boisy, no castelo de Sales, na Saboia, naquele tempo era parte da França, Itália e Suíça. Sua mãe, Francisca de Boisy, piedosa, ensinou-lhe desde a infância o amor a Jesus e Maria, e lhe ensinava o Catecismo, contando-lhe também sobre a vida dos santos. Isto fez nascer nele, desde menino, o desejo da santidade e das coisas de Deus.

Quando era bem pequeno, ouviu falar dos calvinistas que haviam dominado a Suíça e boa parte da França. Um dia, soube que um deles estava visitando o castelo de seus pais. Como não podia entrar na sala para protestar, pegou um pedaço de pau, entrou no galinheiro e foi gritando contra as galinhas: “Fora com os hereges! Não queremos hereges!” As galinhas fugiam gritando como podiam.

Aos 18 anos foi tentado terrivelmente por uma sensação de desespero e condenação ao inferno, o que só venceu com fervorosa oração aos pés de Nossa Senhora. Tinha 20 anos quando isso aconteceu. Conheceu a errada doutrina de Calvino sobre a predestinação, e não conseguia tirar da cabeça a ideia fixa de que seria condenado. Não conseguia comer e dormir. Dizia a Jesus que, se por sua infinita justiça o condenasse ao inferno, concedesse-lhe a graça de continuar amando-O mesmo no inferno. Sua libertação dessa tentação aconteceu quando entrou numa igreja em Paris e ajoelhando-se diante de uma imagem de Nossa Senhora, rezou a oração de São Bernardo:

“Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, e reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, de igual confiança, a Vós, Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro, de Vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que Vos rogo. Amém”.

Quando acabou a oração, não teve mais os pensamentos de tristeza e desespero e teve a certeza de que Deus o amava e que não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, “mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo. 3, 17).

No ambiente acadêmico que vivia não era fácil viver na graça de Deus, mas ele fugia das ocasiões perigosas e das más amizades. Um dia, na Universidade, alguns estudantes, para zombar de sua piedade o atacaram. Francisco era perito na arte da esgrima, tirou sua espada e derrotou a todos. Depois de vencê-los, tendo-os desarmados, retirou-se, dizendo: “E agradeçam a Deus em quem creio, pois é por isso que não lhes faço mal”.

Aos 24 anos doutorou-se em Direito, na Universidade de Pádua, Itália. De volta à casa dos pais, aos 24 anos, recusou um casamento brilhante e um posto no Senado do Reino.

Foi ordenado padre a 18 de dezembro de 1593. Em 1602 tornou-se bispo de Genebra, aos 32 anos. Escreveu várias obras. “Tratado do Amor de Deus”, onde escreveu: “A medida do amor é amar sem medida”. Sua obra mais famosa é a “Introdução à Vida Devota”, ou Filotéia (= a alma que ama a Deus). É um compêndio da vida devota. O livro oferece recomendações e exercícios para a boa condução da alma a Deus, à prática das virtudes e da oração. Traz também, avisos necessários contra as tentações mais comuns e o modo de como renovar e conservar a alma na devoção.

São Francisco de Sales era um homem de temperamento muito forte, mas com o auxílio da graça, conseguiu dominar-se a ponto de ficar conhecido e amado como o santo da doçura. Chegou a tal ponto à mansidão que o seu grande amigo, São Vicente de Paulo, disse: “Ó meu Deus, se Francisco de Sales é tão amável, como sereis Vós?”

Na verdade, ele soube viveu o que Jesus disse: “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para vossas almas” (Mt. 11, 29).

São João Bosco, fundador da Congregação Salesiana, tanto admirou São Francisco de Sales que escolheu-o para patrono da sua Congregação. E Santa Joana de Chantal dele dizia: “Era uma imagem viva do Filho de Deus, porque verdadeiramente a ordem e a economia dessa santa alma era toda sobrenatural e divina”. Foi diretor espiritual dela, desde 1604 em Dijon, com quem fundou a Ordem da Visitação em 1610.

Foi declarado Doutor da Igreja em 1877, e o Papa Pio XI o instituiu padroeiro dos jornalistas.

Esta frase dele: “A medida de amar a Deus consiste em amá-Lo sem medida”, resume a sua vida, um exemplo vivo de tudo o que ensinava. Estando ele ainda vivo, havia já pessoas devotas que guardavam como relíquias os objetos por ele usados.

Uma dura batalha ele travou para reconquistar Chablais, no sul do lago de Genebra. Esta região estava totalmente dominada pelos calvinistas, cujo exército não deixava os habitantes católicos viverem em paz. Em 14 de setembro de 1594, dia da exaltação da Santa Cruz, ele foi a pé para a grande missão, sendo muito provocado. Muitas vezes teve de dormir ao relento. Uma vez teve de ficar toda a noite em cima de uma árvore para não ser morto e devorado pelos lobos. Na manhã seguinte, foi salvo por um casal de camponeses calvinistas que adquiriram grande simpatia por ele e o ajudaram no seu trabalho, tendo se convertido ao catolicismo.

Nesta luta, toda noite, como padre, São Francisco e seus amigos católicos iam de casa em casa, jogando debaixo das portas folhetos escritos à mão, nos quais eram refutados os falsos argumentos da heresia calvinista. Por esse fato, ele recebeu da Igreja o título de “Patrono dos escritores e jornalistas católicos”. Esses escritos foram posteriormente reunidos e publicados sob o nome de “Controvérsias”.

Depois de alguns anos de duras lutas e perseguições, Chablais se converteu totalmente, e ele foi nomeado bispo de Genebra. Para ser sagrado bispo, teve de ir a Roma, onde o próprio Papa Clemente VIII (1592-1605) o interrogou sobre 35 pontos difíceis de Teologia, em presença do Colégio cardinalício. “Ninguém dos que examinamos mereceu nossa aprovação de maneira tão completa!”- exclamou o Papa ao abraçá-lo.

Peçamos neste dia, a intercessão desse grande santo da nossa Igreja, para que ele também nos ajude a ser mansos de coração e dóceis a vontade de Deus, como nos mostrou em sua vida muito bem.

São Francisco de Sales, rogai por nós!

Por Prof. Felipe Aquino, via Canção Nova

A festa deste grande santo e doutor da Igreja acontece no dia 28 de janeiro. São Tomás de Aquino é o padroeiro dos estudantes e das escolas católicas. Era filósofo e um dos teólogos mais brilhantes da história da Igreja Católica.

Quiçá por sua reputação de peso pesado intelectual, talvez ele nos intimide um pouco. Como posso me identificar com um santo medieval que passou a vida imerso em livros e ensinamentos?

Mas o que poucos sabem é que Tomás foi um santo muito humano, um modelo para nós em vários aspectos. Ele era um gigante amável, conhecido por sua humildade e bondade com os outros.

Veja outras curiosidades sobre ele:

Nasceu e foi criado em um castelo

Tomás pertencia a uma família rica de Roccassecca, Itália. Tinha três irmãos e cinco irmãs.

Tinha medo de chuva

Quando ele tinha dois anos, sua irmã, que era bebezinha, morreu quando um raio caiu no quarto em que os dois dormiam. Depois disso, Tomás passou a levar consigo uma relíquia de Santa Inês e rezava por sua proteção quando chovia.

Estudou no famoso Mosteiro de Monte Cassino

Permaneceu lá até depois da adolescência e, provavelmente, se converteu em oblato beneditino. Lá, Tomás aprendeu com os escritos espirituais de São João Cassiano e os levou por toda a sua vida.

Fugiu de casa para seguir sua vocação

Sua família queria que Tomás permanecesse em Monte Cassino e que se tornasse abade, mas não aceitavam a vontade que ele tinha de ser dominicano. Para eles, a ordem era “inferior”, já que os dominicanos eram pregadores itinerantes e iam por toda a parte pedindo esmola. Os pais tentaram fazê-lo desistir, mas não funcionou.

Era um obstinado

Quando sua família descobriu que ele tinha se juntado aos dominicanos, um grupo de soldados liderado por seu irmão Rinaldo capturou Tomás e o levou de volta para casa. Ele ficou um ano em uma espécie de sequestro, enquanto sua família tentava convencê-lo a abandonar seu sonho. Mas ele não o fez.

Era chamado de “boi mudo”
Era conhecido dessa forma porque era muito quieto, quase não falava.

Tinha uma letra horrível

Sua caligrafia era tão feia que a apelidaram de littera inintelligibilis. Por isso, se alguém criticar a sua letra, seja forte; pois você é como Aquino!

Conseguia ditar a dois ou três assistentes ao mesmo tempo

Sua letra não importava tanto, pois normalmente ele ditava as coisas aos seus assistentes. Embora pareça incrível, está comprovado que Tomás conseguia ditar a vários deles ao mesmo tempo. Ele pensava muito mais rápido do que escrevia.

Nunca criticava as pessoas; somente as ideias

O mais perto que esteve de criticar alguém em seus escritos foi quando qualificou de stultissimus a opinião de um tal de David de Dinant. A expressão significa algo como “que ideia estúpida!”. Portanto, era a ideia que ele criticava, não o autor dela.

Era extremamente humilde e submeteu toda a sua obra para a valorização da Igreja

Pouco antes de morrer, disse: “ensinei e escrevi muito (…). Todos os ensinamentos que escrevi manifestam minha fé em Jesus Cristo e na Santa Igreja Católica, a cujo juízo os ofereço e submeto”.

Via Aleteia

Eu tive a grande alegria de ter sido aluno salesiano de Dom Bosco, do Colégio São Joaquim, em Lorena-SP. Os queridos padres salesianos (Pe. Hugo Grecco, Pe. Julio Comba, Pe. Perini, Pe. Gerotto, Pe. Fausto, Pe. João Modesti, Pe. Felipe Neri, e outros) marcaram a minha vida e a de meus oitos irmãos de maneira indelével. Que tempo bom! Que padres amigos! Que bela formação intelectual e religiosa! É uma pena que não seja mais assim…!

Entre os grandes santos da modernidade não podemos deixar de falar de São João Bosco; “Pai e Mestre da Juventude”.

Dom Bosco nasceu na Itália em 1815 e ficou órfão de pai aos dois anos de idade, mas foi muito bem educado por sua querida mãe Margarida que muito o ajudou, até mesmo nos seus Oratórios de meninos carentes.

Desde pequeno o “Joãozinho” já liderava o grupo de colegas e fazia malabarismos para atraí-los e poder falar-lhes de Deus; quando tocava o sino levava a turma à igreja. Foi ordenado sacerdote em 1841, em Turim.

ensinamentos_dos_santos2Dom Bosco entregou sua vida ao cuidado dos jovens; ele dizia: “basta que você seja jovem para que eu o ame”; e sabia educar todo tipo de jovem revoltado.

Seu primeiro Oratório teve o nome do grande santo e doutor da Igreja que muito admirava, São Francisco de Sales, que foi bispo de Genebra no século XVI e escreveu obras famosas como a “Vida Devota” e o “Tratado do Amor de Deus”.

Como todos os santos fundadores de Obras religiosas, Dom Bosco teve muitas dificuldades financeiras e opositores. Sua pedagogia, baseada na alegria e no amor, tornou-se universal. Era a prática do método preventivo (ao invés do repressivo), um método pedagógico simples e eficaz para educar os jovens.

Dom Bosco fundou duas Congregações religiosas: os padres salesianos e as irmãs filhas de Maria Auxiliadora. Foi um escritor fecundo. Fundou escolas tipográficas, revistas e editoras para difundir a boa imprensa católica. Exerceu ação de intermediário entre a Santa Sé e o governo italiano e muito ajudou o Papa Pio IX. A pedido do Papa construiu a igreja do Sagrado Coração de Jesus em Roma, perto do Termini.

Dom Bosco dizia que numa boa educação jamais poderia faltar a formação religiosa, porque sem o auxílio da graça de Deus, o jovem não consegue vencer as paixões desordenadas da alma humana, o pecado. Este é um grande desafio que Dom Bosco soube vencer. Muitos educadores do seu tempo queriam saber qual o “milagre” que Dom Bosco fazia para ganhar para Deus tantos jovens rebeldes. Entre outras coisas, Dom Bosco respondia: “Consigo de meus meninos tudo o que desejo, graças ao temor de Deus infundido em seus corações”.

Este grande mestre dizia que em primeiro lugar era necessário conquistar a confiança do jovem. Ele disse isso ao Cardeal Tosti, em Roma, em 1858: “Veja, Eminência, é impossível educar bem a juventude se não se lhe conquista a confiança”.

Ele levava os jovens a evitar o pecado. Para isso, Dom Bosco usava com eles de uma grande vigilância e muita atenção e carinho, de maneira paterna. Seu olhar estava atento aos jovens nos recreios, para de imediato fazer a correção, eliminar as brigas, os maus costumes, as iras, etc. Um dia lhe perguntaram se ele não tirava férias, respondeu: “Só vou tirar férias quando eu souber que o demônio vai tirar também; não vou deixar meus jovens à mercê dele”.

Também nunca dava castigos físicos, porque dizia que isso só revoltava os jovens. Ele usava uma palavra adequada, um olhar triste de decepção, enfim, mostrava seu desagrado e decepção. Um dia ele não conseguiu dar o “boa noite” aos meninos por causa da algazarra que faziam; então, ele os mandou dormir sem ouvir a sua palavra por causa do mau comportamento deles; nunca mais isso aconteceu.

Dom Bosco conquistava os jovens pela alegria. Ele dizia que os jovens são como abelhas, atraídas por uma colher de mel. No convívio amoroso com os jovens ele aproveitava para contar histórias edificantes, dar bons conselhos e, desafiá-los a repetir as boas ações dos santos. Dom Bosco tinha aprendido com seu santo inspirador, São Francisco de Sales, que um cristão triste é um triste cristão. Para isso, ele usava também a música e dizia que “uma casa sem música é como um corpo sem alma”.

Este amável santo sabia que o mais difícil com os jovens era a perseverança no bem; por isso, dizia-lhes que sem os Sacramentos e a devoção a Nossa Senhora era impossível permanecer no bem. Também por este motivo gastava tempo com eles nas Confissões, nas quais perdoava e moldava cada jovem diamante que Deus lhe confiou.

Penso que tudo isso que Dom Bosco viveu e ensinou seja necessário hoje, mais do que nunca neste tempo triste, em que a infância e a juventude são empurradas, até pelo governo, para o mau caminho da imoralidade e dos maus costumes.

Dom Bosco era sempre o mesmo entre os pobres ou entre reis e ministros. Era amigo dos protestantes e judeus, e escrevia: “Reprovemos os erros, mas respeitemos as pessoas.” Morreu no dia 31 de janeiro de 1888 e foi canonizado por Pio XI em 1934.

Por Prof. Felipe Aquino, via Canção Nova

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