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Destaques do mês julho e agosto 2019

Destaques do mês  julho e agosto 2019

JULHO

Tomé significa “abismo” ou “duplicado’” em grego dídimo; ou vem de thomos, que quer dizer “divisão”, “partilha”. Significa “abismo”, porque mereceu sondar as profundezas da Divindade, quando à sua pergunta Cristo respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.’ Significa “duplicado”, por ter conhecido de duas maneiras a Ressurreição de Cristo, pois enquanto os outros apóstolos conheceram-na vendo-O, ele O viu e tocou. Significa “divisão”, seja porque afastou sua mente do amor às coisas do mundo, seja porque se separou dos outros na forma de crer na Ressurreição. Poder-se-ia dizer ainda que o nome Tomé vem de totus means, por ter-se deixado inundar inteiramente pelo amor a Deus. Tomé possuiu as três qualidades que distinguem os que têm esse amor e que PRÓSPERO formula no Livro da vida contemplativa: desejar com toda sua alma ver Deus, odiar o pecado, desprezar o mundo. O nome Tomé também pode vir de Theos, “Deus”, e meus, “meu”, isto é, “Deus meu”, o que corresponde ao que disse quando reconheceu sua fé: “Senhor meu e Deus meu”.’

1. O apóstolo Tomé estava em Cesaréia quando o Senhor lhe apareceu e disse: “O rei da Índia, Gondoforo, enviou seu ministro Abanes em busca de um arquiteto hábil. Venha e o enviarei a ele”. Tomé respondeu: “Senhor, envie-me aonde quiser, menos à Índia”. Deus lhe disse: “Vá sem nenhuma apreensão, porque serei seu guardião. Quando você tiver convertido os indianos, virá a mim com a palma do martírio”. Replicou-lhe Tomé: “Você é meu Senhor e eu seu escravo; seja feita a sua vontade”.

O intendente do rei passeava pela praça e o Senhor indagou: “De que necessita, rapaz?”. Este disse: “Meu amo enviou-me para conseguir escravos hábeis em arquitetura, que lhe construam um palácio à moda romana”. Então o Senhor ofereceu Tomé como homem muito capaz nessa arte. Eles embarcaram e chegaram à cidade na qual o rei celebrava o casamento da filha. Ele mandara anunciar que todos deviam participar das bodas, sob pena de incorrer em sua cólera. Abanes e o apóstolo foram à festa. Ali, uma moça judia que empunhava uma flauta dirigia palavras lisonjeiras a cada um dos presentes. Quando ela viu o apóstolo, reconheceu que era judeu porque não comia e mantinha os olhos voltados para o Céu. Ela se pôs então a cantar em hebraico diante dele: “Foi o Deus dos hebreus que sozinho criou o universo e cavou os mares”, e o apóstolo procurava repetir essas palavras.

Mas ele não comia nem bebia e mantinha os olhos constantemente voltados para o Céu, o que desagradou um serviçal da corte, que esbofeteou o apóstolo de Deus. Este então disse: “É melhor para você ser punido na terra com um castigo passageiro e ser futuramente perdoado. Eu não me levantarei enquanto a mão que me bateu não for trazida até aqui por cães”. Ora, quando aquele serviçal foi buscar água na fonte, um leão estrangulou-o e bebeu seu sangue. Cães dilaceraram seu cadáver e um deles, preto, levou a mão direita até o local do banquete.

Vendo aquilo a multidão ficou impressionada, e lembrando-se das palavras que ele dissera a donzela jogou fora a flauta e veio se prosternar aos pés do apóstolo.

Agostinho em seu livro Contra Fausto afirma que tal episódio foi interpolado na legenda por um falsário, pois o apóstolo não teria agido por vingança. A autenticidade do fato é com efeito duvidosa, mas se admitirmos que aconteceu, ele não deve ser interpretado como vingança, mas como predição. Ademais, examinando com cuidado as palavras de Agostinho, ele não nega completamente a ocorrência do episódio, apenas sugere que ele pode ter sido inventado.

Eis o que ele diz naquele livro:

Lemos às vezes relatos apócrifos que compiladores de fábulas atribuíram aos apóstolos, levando mesmo alguns santos doutores dos primeiros tempos da Igreja a reconheceram-nos como autênticos. Os maniqueus também aceitam histórias desse tipo: o apóstolo Tomé estava incógnito, como peregrino, numa festa de casamento e foi agredido por um criado contra o qual teria exprimido imediatamente o desejo de uma cruel vingança. Tendo esse homem saído para buscar água para os convidados numa fonte, teria sido morto por um leão que o atacou, e a mão que havia esbofeteado levemente o rosto do apóstolo foi arrancada do corpo segundo seu voto e suas imprecações, e levada por um cão à mesa do apóstolo. Poderia haver coisa mais cruel? Ora, se não me engano, o mesmo relato diz que o apóstolo pediu que o criado recebesse perdão para a vida futura. Ou seja, a aparente crueldade do gesto escondia benefícios maiores, pois o apóstolo, querido e honrado por Deus, através do medo que despertara tornou-se respeitado por aqueles que não o conheciam, e os presentes ao banquete puderam entender que por detrás de fatos terrenos pode-se encontrar a vida eterna.

Pouco me importa se este relato é verdadeiro ou não. O que é certo é que graças a ele os maniqueus, que aceitam como verdadeira e sincera essa narrativa que a Igreja rejeita, são forçados a reconhecer que a virtude da paciência, ensinada pelo Senhor ao dizer: “Se alguém bate na sua face direita, oferece-lhe a esquerda”, pode realmente existir no fundo do coração, ainda que não seja demonstrada por gestos e palavras, já que em vez de oferecer ao criado a outra face, o apóstolo esbofeteado pediu ao Senhor que não deixasse aquela falta impune nesta vida terrena, mas que poupasse o insolente na vida futura. Externamente ele pediu uma correção que servisse de exemplo, mas internamente havia o amor da caridade. Sem pretender elucidar se o episódio é verdadeiro ou apenas uma fábula, por que não elogiar no apóstolo o que se aprova em outro escravo de Deus, Moisés, que degolou os artífices e adoradores de ídolos? Se compararmos os castigos, ser morto pelo gládio ou ser dilacerado pelos dentes de um animal feroz são coisas semelhantes, pois seguindo as leis os juízes condenam os grandes culpados a perecer indiferentemente pelos dentes das feras ou pela espada.

É o que diz Agostinho. Então o apóstolo, a pedido do rei, abençoou o esposo e a esposa dizendo: “Dê, Senhor, a bênção de sua mão direita a estes jovens e semeie no fundo de seus corações os germes fecundos da vida”. Quando o, apóstolo se retirou, surgiu nas mãos do esposo um galho carregado de tamaras. Depois de comerem esses frutos, os recém-casados adormeceram e tiveram o mesmo sonho. Sonharam que um rei coberto de pedras preciosas beijava-os dizendo: “Meu apóstolo abençoou-os para que participem da vida eterna”. Ao despertar, eles estavam contando um ao outro seus sonhos quando o apóstolo apareceu dizendo:

Meu rei acaba de manifestar-se a vocês, e introduziu-me aqui, apesar das portas fechadas, para que minha bênção lhes fosse proveitosa. Guardem a pureza do corpo, rainha de todas as virtudes, e seu fruto, a salvação eterna. A virgindade é irmã dos anjos, é o maior dos bens, vence as paixões nefastas, é o troféu da fé, a fuga dos demônios e a garantia dos júbilos eternos. A luxúria engendra a corrupção, da corrupção nasce a mácula, da mácula vem a culpa, e a culpa produz a confusão.

Enquanto expunha essas máximas, apareceram dois anjos: “Fomos enviados para ser seus anjos da guarda. Se puserem em prática com fidelidade os conselhos do apóstolo, apresentaremos todos seus desejos a Deus”. Então Tomé batizou-os e ensinou a eles todas as verdades da fé. A esposa, chamada Pelágia, tomou o véu sagrado e foi mais tarde martirizada, enquanto o esposo, que se chamava Dioniso, foi ordenado4 bispo daquela cidade.

2. Depois disso, Tomé e Abanes foram encontrar o rei da Índia. O apóstolo desenhou a planta de um magnífico palácio e o rei recompensou-o com consideráveis tesouros que o apóstolo distribuiu aos pobres. O rei partiu para outra província e ficou dois anos ausente, tempo que Tomé aproveitou para se consagrar com ardor à pregação e converter um número incontável de pessoas. Ao voltar, informado do que Tomé fizera, o rei mandou colocar ele e Abanes no fundo de uma masmorra para depois serem esfolados vivos e jogados na fogueira. Nesse meio tempo morreu Gad, irmão do rei. Faziam-se os preparativos para lhe erigir um magnífico túmulo, quando no quarto dia o morto ressuscitou, e todos fugiram apavorados ao vê-lo passar. Ele foi até o rei e disse:

Meu irmão, esse homem que você mandou esfolar e jogar na fogueira é amigo de Deus e todos os anjos obedecem-no. Os que me levavam ao Paraíso mostraram-me um palácio esplêndido, todo de ouro, prata e pedras preciosas, e enquanto eu admirava sua beleza, disseram-me: “É o palácio que Tomé construiu para seu irmão”. Tendo eu respondido: “Gostaria de ser seu porteiro!”, eles acrescentaram: “Seu irmão tornou-se indigno dele, portanto se quiser morar ali, pediremos ao Senhor para ressuscitá-lo a fim de que possa comprá-lo de seu irmão”.

Dito isso, Gad correu à prisão do apóstolo, pediu-lhe que perdoasse o irmão, livrou-o dos grilhões e rogou-lhe que aceitasse uma preciosa vestimenta. “Por acaso você ignora”, perguntou o apóstolo, “que nada carnal, nada terrestre, tem valor para os que desejam os bens celestes?” No momento em que ele saía da prisão, chegou o rei que ia lhe pedir perdão. O apóstolo então lhe disse: “Deus concedeu a você um grande favor ao revelar seus segredos. Creia em Cristo e receba o batismo para participar do reino eterno”. O irmão do rei disse: “Vi o palácio que você construiu para meu irmão e gostaria de comprá-lo”. O apóstolo retrucou: “Isto depende do seu irmão”. E o rei falou: “Vou ficar com ele. Que o apóstolo construa outro para você, ou, se ele não puder, nós o possuiremos em comum”. O apóstolo respondeu: “São incontáveis no Céu os palácios que desde o começo do mundo estão preparados para os eleitos, palácios comprados apenas pelas preces, pela fé e pelas esmolas. As riquezas materiais não podem segui-los até o Céu”.

3 Um mês depois, o apóstolo mandou reunir todos os pobres da região, separou os doentes e os enfermos e orou por eles. Ao terminar a prece, os que já tinham aceito a fé responderam “Amém”, e então brilhou no céu um relâmpago que por meia hora ofuscou tanto o apóstolo como os presentes, a tal ponto que todos se imaginaram mortos. Mas Tomé ergueu-se e disse: “Levantem-se, porque meu Senhor veio em forma de raio e curou a todos vocês”. Todos se levantaram curados e renderam glória a Deus e a seu apóstolo.

Tomé tratou de instruí-los e demonstrou-lhes os doze graus das virtudes. O primeiro é acreditar em Deus, que é uno em essência e trino em pessoas. Para provar que três pessoas podem ter uma só essência, ele deu três exemplos. Tudo o que o homem sabe forma um conjunto chamado sabedoria, constituído de três partes, o gênio, graças ao qual se descobre o que não foi aprendido; a memória, graças à qual se retém o que foi aprendido; a inteligência, graças à qual se compreende o que pode ser demonstrado e ensinado. Numa videira há três partes, a madeira, as folhas e o fruto, e essas três juntas formam uma só e mesma videira. A cabeça humana é una e única, mas possui quatro sentidos, visão, paladar, audição e olfato. O segundo grau de virtude é receber o batismo. O terceiro é abster-se de fornicação. O quarto é renegar a avareza. O quinto, preservar-se da gula. O sexto, viver na penitência. O sétimo, perseverar nas boas obras. O oitavo, praticar a hospitalidade. O nono, procurar fazer em tudo a vontade de Deus. O décimo, evitar o que a vontade de Deus proíbe. O décimo primeiro, praticar a caridade tanto com os amigos quanto com os inimigos. O décimo segundo, zelar vigilantemente para respeitar esses graus. Quando terminou sua pregação foram batizados 9 mil homens, sem contar crianças e mulheres.

De lá Tomé foi para a Índia superior, onde se tornou célebre por um grande número de milagres. O apóstolo levou a luz da fé a Sintícia, amiga de Migdomia, esposa de Carísio, cunhado do rei. Certo dia Migdomia perguntou a Sintícia: “Você acha que posso ir vê-lo”. Aconselhada por Sintícia, Migdomia mudou de roupa e foi se juntar às mulheres pobres no lugar em que pregava o apóstolo. Este deplorava a miséria da vida, dizendo entre outras coisas que esta vida é miserável, fugidia e sujeita às desgraças, e que quando pensamos tê-la nas mãos, ela escapa e se desconjunta. E começou a exortar a se ouvir favoravelmente a palavra de Deus por quatro razões que comparou a quatro tipos de coisas: a um colírio, porque limpa o olho da nossa inteligência; a uma poção, porque purga e purifica nossa afeição de qualquer amor carnal; a um emplastro, porque cura os ferimentos de nossos pecados; ao alimento, porque nos fortifica no amor às coisas celestiais. Ora, acrescentou, do mesmo modo que aquelas coisas só fazem bem a um doente se este ingeri-las, a palavra de Deus também só é proveitosa a uma alma sofredora se ela escutá-la com devoção.

Enquanto o apóstolo pregava, Migdomia passou a crer e a sentir horror em compartilhar o leito com seu marido. Por isso Carísio pediu ao rei que o apóstolo fosse encarcerado. Migdomia foi ter com ele na prisão e pediu-lhe que a perdoasse por ter sido preso por sua causa. Ele a consolou com bondade e garantiu que sofria de bom grado. Carísio pediu ao rei que mandasse a rainha, irmã de sua mulher, tentar fazê-la voltar para casa. A rainha foi enviada e convertida por aquela que queria perverter, e depois de ter visto muitos prodígios realizados pelo apóstolo, disse: “São malditos de Deus os que não crêem em tão grandes milagres e em semelhantes obras”. Então o apóstolo instruiu brevemente todos os ouvintes sobre três pontos: amar a Igreja, honrar os sacerdotes e reunir-se assiduamente para ouvir a palavra de Deus.

Quando a rainha voltou para casa, o rei perguntou: “Por que demorou tanto?”. Ela respondeu: “Achei que Migdomia estivesse louca, mas ela é bem sensata; levando-me ao apóstolo de Deus, ela me fez conhecer o caminho da verdade, e insensatos são os que não crêem em Cristo”. Daí em diante a rainha recusou-se a copular com o rei. Estupefato, ele disse a seu cunhado: “Querendo reaver sua mulher, perdi a minha, que se comporta comigo pior do que a sua com você”. O rei mandou então amarrar as mãos do apóstolo e trazê-lo à sua presença, e ordenou que ele fizesse as mulheres voltarem para seus maridos. Mas através de três exemplos – o exemplo do rei, o exemplo da torre e o exemplo da fonte – o apóstolo demonstrou que elas não deviam retornar enquanto eles persistissem no erro.

Não é verdade que você, que é rei, não quer serviçais sujos e exige limpeza de seus escravos e escravas? Com mais razão, Deus exige dos que lhe servem que sejam castíssimos e limpíssimos. Por que você alega ser crime eu pregar aos escravos de Deus que o amem, quando deseja o mesmo de seus próprios escravos? Eu erigi uma torre altíssima e você me diz, a mim que a construí, para demoli–la. Cavei profundamente a terra e fiz jorrar uma fonte do abismo, e você me diz que devo tapá-la?

Furioso, o rei mandou espalhar pelo solo lâminas incandescentes de ferro colocar o apóstolo descalço sobre elas. Mas imediatamente, por ordem de Deus, surgiram ali diversas fontes que esfriaram as lâminas. O rei, seguindo o conselho de seu cunhado, mandou jogar Tomé numa fornalha ardente, que se apagou, de maneira que no dia seguinte ele saiu de lá são e salvo. Carísio disse ao rei: “Faça com que ele ofereça um sacrifício ao sol, para que suscite a cólera de seu Deus, que o protege”.

Quando instavam o apóstolo a fazê-lo, ele disse ao rei: “Você vale mais do que essa imagem que mandou fazer. Carísio disse que Deus se irritará contra mim se eu adorar seu deus, mas saiba você, idólatra que despreza o verdadeiro Deus, que Ele ficará muito mais irritado com seu ídolo, e o quebrará. E se adorando seu deus o meu não o derrubar, sacrificarei a seu ídolo, mas se acontecer como eu disse você passará a acreditar em meu Deus”. Irritado, o rei disse: “Você me fala de igual para igual”. O apóstolo ordenou em língua hebraica ao demônio existente dentro do ídolo que assim que se ajoelhasse diante deste, ele o quebrasse.

Ao dobrar o joelho, o apóstolo falou: “Adoro, mas não ao ídolo; adoro, mas não ao metal; adoro, mas não a um simulacro, porque Aquele que adoro é meu Senhor Jesus Cristo, em nome do qual ordeno, demônio escondido nesta imagem, que a quebre”. E a imagem desapareceu imediatamente, como cera que se derrete. Todos os sacerdotes gritaram e o pontífice do templo tomou de um gládio com o qual trespassou o apóstolo, dizendo: “Eu é que vingarei a afronta feita a meu deus”. Quanto ao rei e a Carísio, fugiram ao ver o povo preparando-se para vingar o apóstolo e queimar vivo o pontífice. Os cristãos levaram o corpo do santo e sepultaram-no com a devida honra.

Muito tempo depois, isto é, por volta do ano 230, atendendo ao pedido dos sírios, o imperador Alexandre autorizou que o corpo do apóstolo fosse transportado para a cidade de Edessa, que outrora se chamava Rages dos Medas. Desde que Abgar, rei dessa cidade, teve a honra de receber uma carta escrita pelo próprio punho do Salvador, ali nenhum herético, nenhum judeu, nenhum pagão podia viver, nenhum tirano podia praticar o mal. Quando algum inimigo tenta atacar essa cidade, à sua porta uma criança batizada lê aquela carta e no mesmo dia, tanto pelo escrito do Salvador como pelos méritos do apóstolo Tomé, os inimigos fogem e deixam a cidade em paz.

Eis o que ISIDORO diz desse apóstolo em seu livro sobre a vida e a morte dos santos:5 “Tomé, discípulo e imitador de Cristo, foi incrédulo ao ouvir e fiel ao ver. Pregou o Evangelho aos partas, aos medas, aos persas, aos hircanos e aos báctrios: entrando no Oriente e penetrando no interior da região, pregou até a hora de seu martírio. Foi trespassado por lanças”.

Assim fala Isidoro. E Crisóstomo acrescenta, por sua vez, que quando Tomé chegou ao país dos magos, que tinham ido adorar Cristo, batizou-os e depois disso eles tornaram-se seus colaboradores na difusão da fé cristã.

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1. J0 14,6.

2. J0 20,28.

3. Mateus 5.39; Lucas 6,29.

4. Ordenação (ordinatio) é a cerimônia que confere o sacramento da ordem (ardo), isto é, pela qual por intermédio da imposição das mãos de um indivíduo já sacralizado, o Espírito Santo é transmitido a outro (bispo,padre, diácono), segundo o modelo do que Cristo fizera com os apóstolos e estes com seus próprios discípulos (João 20,21 -22; Mateus 3,16; Atos dos apóstolos 6,6; 13,2-3; 1 Timóteo 4,14; 2 Timóteo 1,6).

5. Esta obra de prestígio na Idade Média (mas citada apenas três vezes na Legenda áurea) foi recentemente objeto de nova edição e tradução: De ortu etobítu Patrum, ed.-trad. C. Chaparro Gómez, Paris, Belles Lettres. 1985. A passagem referida por Jacopo de Varazze é o capítulo 73, pp. 208-211.

Fonte: DE VARAZZE, JACOPO. Legenda Áurea: vidas de santos. Tradução do latim, apresentação, notas e seleção iconográfica: Hilário Franco Júnior. São Paulo: Companhia das Letras,2003. P.81-88.

Via Prof. Felipe Aquino

A Igreja, neste dia, celebra a virgem e mártir que encantou e continua enriquecendo os cristãos com seu testemunho de “sim” a Deus e “não” ao pecado. Nascida em Corinaldo, centro da Itália, era de família pobre, numerosa e camponesa, mas muito temente a Deus.

Com a morte do pai, Maria Goretti, com os seus, foram morar num local perto de Roma, sob o mesmo teto de uma família composta por um pai viúvo e dois filhos, sendo um deles Alexandre. Aconteceu que este jovem por várias vezes tentou seduzir Goretti, que ficava em casa para cuidar dos irmãozinhos. E por ser uma menina temente a Deus, sua resposta era cheia de maturidade: “Não, não, Deus não quer; é pecado!”

Santa Maria Goretti, certa vez, estava em casa e em oração, por isso quando o jovem, que era de maior estatura e idade, tentou novamente seduzi-la, Goretti resistiu com mais um grande não. A resposta de Alexandre foram 14 facadas, enquanto da parte de Goretti, percebemos a santidade, na confidência à sua mãe: “Sim, o perdoo… Lá no céu, rogarei para que ele se arrependa… Quero que ele esteja junto comigo na glória eterna”.

O martírio desta adolescente, de apenas 12 anos, foi a causa da conversão do jovem assassino, que depois de sair da cadeia esteve com as 400 mil pessoas, na Praça de São Pedro, na ocasião da canonização dessa santa, e ao lado da mãe dela, que o perdoou também.

Santa Maria Goretti manteve-se pura e santa por causa do seu amor a Deus, por isso na glória reina com Cristo.

Santa Maria Goretti, rogai por nós!

Via Canção Nova

Abade vem de “Abbá”, que significa pai, e isto o santo de hoje bem soube ser do monaquismo ocidental. São Bento nasceu em Núrcia, próximo de Roma, em 480, numa nobre família que o enviou para estudar na Cidade Eterna, no período de decadência do Império.

Diante da decadência – também moral e espiritual – o jovem Bento abandonou todos os projetos humanos para se retirar nas montanhas da Úmbria, onde dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade. Depois de três anos numa retirada gruta, passou a atrair outros que se tornaram discípulos de Cristo pelos passos traçados por ele, que buscou nas Regras de São Pacômio e de São Basílio uma maneira ocidental e romana de vida monástica. Foi assim que nasceu o famoso mosteiro de Monte Cassino.

A Regra Beneditina, devido a sua eficácia de inspiração que formava cristãos santos por meio do seguimento dos ensinamentos de Jesus e da prática dos Mandamentos e conselhos evangélicos, logo encantou e dominou a Europa, principalmente com a máxima “Ora et labora”. Para São Bento a vida comunitária facilitaria a vivência da Regra, pois dela depende o total equilíbrio psicológico; desta maneira os inúmeros mosteiros, que enriqueceram o Cristianismo no Ocidente, tornaram-se faróis de evangelização, ciência, escolas de agricultura, entre outras, isso até mesmo depois de São Bento ter entrado no céu com 67 anos.

São Bento, rogai por nós!

Via Canção Nova

Escrever sobre a presença de Maria em nossas vidas, em especial Nossa Senhora do Carmo, enaltecendo suas virtudes e mostrando suas graças, me faz questionar: será que os devotos da Virgem do Carmo realmente conhecem sua história, suas promessas e sua verdadeira devoção?

Por exemplo: Você sabe como surgiu essa devoção? Sabe quem teve a visão de Maria? Por que Maria entregou o Escapulário? Qual é o verdadeiro sentido em usar o Escapulário?

É, portanto, a partir destes questionamentos e constatações que proponho esta reflexão, a fim de resgatar a verdadeira história e devoção da Virgem do Carmo. Porém, mais do que o valor histórico da visão que São Simão Stock teve, é importante ressaltar a aceitação da Igreja e a aprovação da devoção do Escapulário, como um incentivo para uma vida cristã autêntica, onde sua essência continua sendo o seguimento do Mestre Jesus Cristo.

Aqui, creio eu, vale um pensamento de Leonardo da Vinci que nos alerta: “Quanto mais conhecemos, mais amamos”. Portanto, é isto que quero e pretendo estimular de modo especial: conhecer e compreender melhor a história da Virgem do Carmo para melhor amá-la e melhor venerá-la.

A devoção e história de Nossa Senhora do Carmo remonta inevitavelmente ao Monte Carmelo, onde o grande Profeta Elias viveu na solidão, como ermitão, em torno do ano de 850 a.C. Mas era um homem de Deus, pois deixava que o Senhor fizesse parte de sua vida. Desta forma, ele se colocava atento aos apelos de Deus. Era no Deus Único e Verdadeiro que o Profeta tirava forças e coragem para defender o seu povo.

No seu tempo, Elias enfrenta o rei Acab, anunciando a praga da seca e caminha para o deserto. Ali é alimentado por Deus com pão e carne (1Rs 17,4-6). Desta forma, Elias refaz a caminhada do povo, revivendo a história do passado e despertando na origem da fé o caminho do reencontro com Javé. O Profeta Elias foi um grande testemunho da presença de Deus naquele tempo (1Rs 17,1;18,15). Diante do povo, ele era um homem de Deus, que falava em nome de Javé (1Rs 17,24). Sempre se retirava na solidão (1Rs 17,3;19,3-8), seu alimento era o que a natureza oferecia (1Rs 17,4) e partilhava com os pobres destes alimentos (1Rs 17,15).

Vale a pena vivenciar a devoção à Virgem do Carmo e ao seu Santo Escapulário, pois na hora que mais precisar ela estará presente com seu poderoso e precioso manto.

Após algum tempo, seguindo as ordens do Senhor, Elias se apresenta ao rei Acab e enfrenta a Rainha Jezabel, esposa do rei, que tinha interesses em desviar o povo de um Deus, único e verdadeiro, para adorar um falso deus chamado Baal. Ela mesma havia criado um grupo de falsos profetas que deveriam divulgar esta devoção ao deus Baal. Profeta Elias, diante de tal situação, revoltou-se e colocou-se para um grande desafio. Pediu que todo o povo de Israel fosse avisado e que se reunisse no Monte Carmelo. Ele estava sozinho diante de quatrocentos e cinquenta profetas de Baal; e assim, Elias enfrentou estes profetas sem medo algum e, diante do povo, provou que o Deus verdadeiro estava ao seu lado. Inspirados na coragem e no testemunho do profeta, o povo se rebelou contra os profetas e seu falso deus. A partir de então, foram crescendo grupos de profetas que viviam em comunidades. (1Rs 19,19-21), (2Rs 2,1-15)

Tempos depois, também inspirados pelos testemunhos de Elias e em seu modo de viver através da oração e do silêncio, um grupo de homens, vindo de várias partes da Europa, chegou ao Monte Carmelo procurando entregar suas vidas a Nosso Senhor Jesus Cristo. Entre 1206 e 1214, Santo Alberto redigiu uma regra para estes eremitas. A Regra da Ordem do Carmo foi aprovada definitivamente pelo Papa Inocêncio IV, em 1247.

Segundo a História, quando esta Ordem atravessou uma forte crise, seus discípulos foram expulsos, tendo então que se adaptar à realidade da Europa, e foi lá que ocorreu o grande milagre e a maravilhosa intervenção da Nossa Senhora, depois chamada Nossa Senhora do Carmo. Na Europa, os Carmelitas sofreram muito a ponto de se extinguir e foi neste momento que Nossa Senhora apareceu ao Superior Geral dos Carmelitas, chamado Simão Stock, na noite de 16 de julho de 1251, prometendo ajudar a Ordem e dando a ele o Escapulário, como sinal de aliança e proteção

Existem outros elementos importantes desta aparição, porém, meditemos sobre isto: Maria ou como também podemos chamá-la “Senhora do Escapulário”, apareceu num momento de extrema provação, dificuldade e porque não dizer num momento de “vida ou morte”.

Observe que você pode, sem medo, ter confiança e certeza nesta devoção, amor e fervor pela Virgem do Escapulário, pois desde o início ela se mostrou solidária e compassiva aos momentos extremados de dificuldade, sofrimento e provação.

Portanto, a partir deste fato histórico que muitas vezes passa despercebido, você pode tirar uma grande lição e uma inabalável certeza: Vale a pena vivenciar a devoção à Virgem do Carmo e ao seu Santo Escapulário, pois na hora que mais precisar, como aconteceu aos carmelitas, ela estará lá presente com seu poderoso e precioso manto.

Vários Papas promoveram o uso do Escapulário e Pio XII chegou a escrever: “Devemos colocar em primeiro lugar a devoção do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo – e ainda – Escapulário não é ‘carta-branca’ para pecar; é uma ‘lembrança’ para viver de maneira cristã, e assim, alcançar a graça duma boa morte”.

Escapulário é a expressão de um manto que cai sobre os ombros, pois a palavra Escapulário vem do latim “scapulae” que tem como significado “ombros”. Ele pode ser confeccionado com materiais diferentes, mas o princípio é sempre o mesmo: um cordão longo ligando duas imagens: uma do Sagrado Coração de Jesus e outra de Nossa Senhora do Carmo, ou Virgem do Carmelo, como também é conhecida, com o Menino Jesus no colo.

Porém, para os cristãos, não deve importar o material do qual esse sacramental é feito, mas sim, o significado que tem ao se colocar sobre os ombros. Ele é a aceitação de um compromisso, um pacto velado que você assumiu: você cuida de sua fé e devoção e a Santa o cuida e protege.

Autor: Pe. Luiz Alberto Kleina

Reitor do Santuário Nossa Senhora do Carmo – Curitiba/PR

Via A12

Padroeira dos pecadores arrependidos, dos convertidos, das mulheres, das pessoas ridicularizadas por sua piedade, dos boticários, dos cabeleireiros, dos curtumeiros, dos fabricantes de perfumes, dos farmacêuticos, dos fabricantes de luvas, da vida contemplativa e contra a tentação sexual .

Origens

“Madalena”, na verdade, é um apelido e significa “aquela que veio de Magdala”, cidade que ficava às margens do Lago de Genesaré, perto de Cafarnaum, na Terra Santa. Por este apelido sabemos que esta Maria veio de Magdala. No tempo de Jesus, Magdala era uma cidade importante. Para se ter uma ideia, tintureiros e pescadores tinham bairros específicos na cidade. Ali havia indústrias de barcos e de peixes em conserva. Além disso, sabe-se que um excelente tipo de lã era vendida ali em mais de oitenta lojas. A palavra “Magdala” significa “torre”. Achados recentes indicam, de fato, uma torre nas ruínas de Magdala. Os arqueólogos acreditam que se tratava de um farol.

Santa Maria Madalena – mulher de posses

Sabemos que Maria Madalena foi uma pecadora convertida. Além disso, sabemos que ela era uma mulher de posses, contada entre as mulheres que ajudavam o grupo de Jesus e os doze com suas posses, ao lado da mulher de um procurador de Herodes entre outras. (Lucas 8, 2-3). Além disso, antes da ressurreição do Senhor, “Maria Madalena e outras duas mulheres compraram aromas para ungir Jesus”. (Marcos 16,1). Estes aromas usados na preparação dos defuntos eram artigos caros e poucos tinham dinheiro para comprá-los.

Dinheiro a serviço do Reino dos Céus

Se Maria Madalena foi, de fato, uma prostituta, deve ter sido famosa e muito bonita, porque poucas mulheres em Israel tinham posses como ela. O admirável nisso tudo é que, após conhecer Jesus e ter sido salva por Ele, Santa Maria Madalena colocou suas posses, conseguidas, talvez, com o dinheiro da prostituição, a serviço do Reino de Deus, mostrando que a conversão chegou a todas as áreas da vida desta grande santa.

Fiel até o fim

Outra característica marcante de Santa Maria Madalena foi a fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo. Três versículos do Evangelho de São Mateus que, por vezes, passam despercebidos, revelam-nos esta fidelidade. Primeiro, aos pés da cruz de Jesus, quando todos os discípulos (menos João) tinham fugido, ela estava lá junto com Maria, Mãe de Jesus:

“Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu” ( Mt 27,56). Depois, quando Jesus tinha sido sepultado, “Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas defronte do túmulo” (Mt 27,61). E, por fim, “Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo” (Mt 28,1). Tudo isso revela o amor e a fidelidade de Santa Maria Madalena. Não é à toa que seu nome figura entre os primeiros da Ladainha de Todos os Santos.

A primeira a ver Jesus ressuscitado

Outro dado marcante sobre Santa Maria Madalena é o fato de ela ter sido a primeira testemunha ocular de Jesus ressuscitado. Sim, segundo os Evangelhos, ela foi a primeira a ver e a falar com Jesus na madrugada do domingo, logo após a ressurreição do Mestre, como vemos no Evangelho de São João 20, 1-18.

A primeira anunciadora da ressurreição de Jesus

Além de ter sido a primeira testemunha de Jesus ressuscitado, ela foi também a primeira a anunciar o milagre da ressurreição de Jesus. Este primeiro anúncio, chamado “Kerigma”, tão prezado pelos Apóstolos, foi, antes de tudo, feito por uma mulher, em contraponto à mentalidade machista da época. O fato evidencia que Nosso Senhor Jesus Cristo preza a fidelidade e o amor, antes das convenções sociais. A Tradição Cristã também atesta que Santa Maria Madalena foi uma grande anunciadora do Evangelho depois de Pentecostes. Seu exemplo é maravilhoso. Ela foi discípula de Jesus e, depois, evangelizadora. Por tudo isso, Santa Maria Madalena é grande e seu exemplo deve ser seguido por todos nós.

Oração a Santa Maria Madalena

“Santa Maria Madalena, o Deus Todo Poderoso, cujo Filho vos purificou de corpo e alma, fostes chamada para ser testemunha da Sua ressurreição.

Misericordiosamente vos foi concedida a graça de serdes purificada de todas as enfermidades físicas e morais. Fazei com que também eu, pobre pecador, conheça o poder da vida infinita. Trazei até mim a bênção do Espírito Santo que vive e reina, o poder do Deus único e de Seu Filho Jesus Cristo. Agora, e para sempre. Amem.”

Via Cruz Terra Santa

Com alegria celebramos hoje a memória dos pais de Nossa Senhora: São Joaquim e Sant’Ana. Em hebraico, Ana exprime “graça” e Joaquim equivale a “Javé prepara ou fortalece”.

Alguns escritos apócrifos narram a respeito da vida destes que foram os primeiros educadores da Virgem Santíssima. Também os Santos Padres e a Tradição testemunham que São Joaquim e Sant’Ana correspondem aos pais de Nossa Senhora. Sant’Ana teria nascido em Belém. São Joaquim na Galileia. Ambos eram estéreis. Mas, apesar de enfrentarem esta dificuldade, viviam uma vida de fé e de temor a Deus.

O Senhor então os abençoou com o nascimento da Virgem Maria e, também segundo uma antiga tradição, São Joaquim e Sant’Ana já eram de idade avançada quando receberam esta graça. A menina Maria foi levada mais tarde pelos pais Joaquim e Ana para o Templo, onde foi educada, ficando aí até ao tempo do noivado com São José.

A data do nascimento e morte de ambos não possuímos, mas sabemos que vivem no coração da Igreja e nesta são cultuados desde o século VI.

São Joaquim e Sant’Ana, rogai por nós!

Via Canção Nova

Hoje lembramos a vida de Santa Marta, que tem seu testemunho gravado nas Sagradas Escrituras. Padres e teólogos encontram em Marta e sua irmã Maria, a figura da vida ativa (Marta) e contemplativa (Maria). O nome Marta vem do hebraico e significa “senhora”.

No Evangelho, Santa Marta apresenta-se como modelo ativo de quem acolhe: “… Jesus entrou em uma aldeia e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa” (Lc 10,38).

Esta não foi a única vez, já que é comprovada a grande amizade do Senhor para com Marta e seus irmãos, a ponto de Jesus chorar e reviver o irmão Lázaro.

A tradição nos diz que diante da perseguição dos judeus, Santa Marta, Maria e Lázaro, saíram de Bethânia e tiveram de ir para França, onde se dedicaram à evangelização. Santa Marta é considerada em particular como patrona das cozinheiras e sua devoção teve início na época das Cruzadas.

Santa Marta, rogai por nós

Via Canção Nova

AGOSTO

Bispo e Doutor da Igreja se tornou pelo seu testemunho “Patrono dos confessores e teólogos de doutrina moral”. Afonso Maria de Ligório nasceu em Nápoles, na Itália, em 1696, numa nobre família que, ao saber das qualidades do menino prodígio, proporcionaram-lhe o caminho dos estudos a fim de levá-lo à fama.

Com 16 anos doutorou-se em direito civil e eclesiástico e já se destacava em sua posição social quando se deparou, involuntariamente, sustentando uma falsidade, isto levou Afonso a profundas reflexões, a ponto de passar três dias seguidos em frente ao crucifixo. Escolhendo a renúncia profissional, a herança e títulos de nobreza, Santo Afonso acolheu sua via vocacional, já que o Senhor o queria advogando as causas do Cristo.

Santo Afonso Maria de Ligório colocou todos os seus dons a serviço do Reino dos Céus, por isso, como sacerdote, desenvolveu várias missões entre os mendigos da periferia de Nápoles e camponeses; isto até contagiar vários e fundar a Congregação do Santíssimo Redentor, ou Redentoristas. Depois de percorrer várias cidades e vilas do sul da Itália convertendo pecadores, reformando costumes e santificando as famílias, Santo Afonso de Ligório, com 60 anos, foi eleito Bispo e assim pastoreou com prudência e santidade o povo de Deus, mesmo com a realidade de ter perdido a amizade do Papa e sido expulso de sua fundação.

Entrou no Céu com 91 anos, depois de deixar vários escritos sobre a Doutrina Moral, sobre a devoção ao Santíssimo Sacramento e a respeito da Mãe de Deus, sendo o mais conhecido: “As Glórias de Maria”.

Santo Afonso Maria de Ligório, rogai por nós!

Via Canção Nova

O jovem pároco João Maria Batista Vianney não prometia sucessos retumbantes, mas ao ser nomeado para o vilarejo perdido de Ars, o seu imenso amor a Deus transformou a fundo não apenas os seus paroquianos, mas milhões de peregrinos da França inteira.

Era ao entardecer de 9 de fevereiro de 1818, uma terça-feira. Um pastorinho de dezesseis anos, Antoine Givre, que guardava as ovelhas na lande das Dombes, teve um encontro estranho, que havia de recordar durante toda a vida. Ia cair a noite. Já as luzes se acendiam nas janelas das casas, agrupadas a algumas centenas de metros, para além de um valado. Do lado da estrada de Lyon, o rapaz ouviu um barulho e olhou: era um padre que avançava a grandes passadas de camponês; a seu lado, uma velha de touca na cabeça; atrás deles, uma carriola vacilante, carregada de fardos e de uma misturada de coisas, no meio das quais se via uma cama de madeira. O padre saudou o pequeno e perguntou-lhe se ainda estava longe de uma aldeia chamada Ars. Antoine indicou com a mão o humílimo povoado que já se ocultava no crepúsculo. “Como é pequeno!”, murmurou o padre. E ajoelhou-se. Em silêncio, durante muito tempo, rezou, de olhos postos nas casas. Rezou com um fervor e uma atenção extraordinários. Dir-se-ia que via coisas de que os outros não faziam a menor ideia. Ao levantar-se, olhou para o rapaz e, com voz muito simples, disse: “Tu mostraste-me o caminho de Ars… Um dia hei de mostrar-te o caminho do Céu”. Antoine Givre morreu algumas semanas depois do Cura d´Ars. Em seguida, retomou a marcha. A capelania de Ars-en-Dombes – que não tinha mais de duzentas almas e estava subordinada à paróquia de Misérieux, da diocese de Lyon – recebia o seu novo encarregado. Chamava-se Jean-Marie Vianney.

Como o novo Cura de Ars conseguiu transformar toda uma comunidade?

Quando Jean-Marie chegou, Ars não passava da mais morna das comunidades cristãs. “Lá, não gostavam muito de Deus”. Mas, logo que viram como vivia o novo cura, os paroquianos compreenderam que alguma coisa tinha mudado. Começou por mandar restituir ao castelo os móveis confortáveis que a piedosa Mme. des Garets tinha emprestado ao presbitério. Depois, pôs-se a restaurar a igreja, que estava caindo aos pedaços, fazendo por suas próprias mãos “o trabalho doméstico de Deus”. A seguir, só se falava na aldeia de que o novo encarregado da capelania de Ars tinha um modo singularíssimo de alimentar-se: umas tantas côdeas de pão seco, uma panela de batatas, que mandava coser cada três semanas e que ia comendo frias. Por último, as boas mulheres que, de tempos a tempos, conseguiam penetrar na casa paroquial para cuidar dos trabalhos domésticos, contavam que encontravam roupa ensanguentada, manchas vermelhas nas paredes… E compreendeu-se então para que serviam as correntes que o padre mandara forjar na oficina do ferreiro. Esses jejuns, essas penitências – que o Cura d´Ars conservará durante toda a vida – fizeram tanto maior impressão quanto a verdade é que essa terrível ascese não impedia M. Vianney de ser de uma delicadeza, de uma mansidão perfeitas, sem querer impor a ninguém os golpes de disciplina que a si mesmo infligia – e que nem uma só vez deixou transparecer. Quando, porém, este ou aquele se permitia aludir aos rigores que ele aplicava ao seu corpo, respondia com o melhor dos sorrisos que era coisa muito apropriada para “o velho Adão” ou “o cadáver”…

Poder do exemplo: foi, indubitavelmente, por aí que Jean-Marie Vianney se impôs: primeiro, às suas ovelhas; depois, a outras. Pouco a pouco, a paróquia transformou-se. Homens, mulheres, crianças foram agrupados em confrarias ou obras. Abriu-se uma escola gratuita, a “Casa da Providência”, aonde afluíram as meninas, incluindo as órfãs, as abandonadas, as desafortunadas. Os maus hábitos, como o do baile e da taberna, contra os quais o padre era severo, foram desaparecendo da paróquia. Para não o desgostarem, os moços e as moças menos recatados refreavam o seu comportamento. “O respeito humano voltou-se do avesso”, e passou a ser tão vergonhoso apanhar uma bebedeira como o era, na véspera, não beber com os outros. A igreja, ainda ontem meio vazia, encheu-se e, como a gente dos arredores ganhou o costume de a frequentar, passou a ser pequena. Quem havia de prever semelhante mudança, quando, meia dúzia de anos antes, o arcebispo encarara seriamente a hipótese de suprimir a paróquia?

Um Santo Confessor

No confessionário viveu intensamente seu apostolado, todo entregue às almas, devorado pela missão, integralmente fiel à vocação. Do confessionário seu nome emergiu e transbordou dos estreitos limites Ars-em-Dombes para aldeias e cidades vizinhas. Os peregrinos que desejavam confessar-se com ele começaram a chegar. Nos últimos tempos de vida eram mais de 200 por dia, mais de 80.000 por ano. Esses são alguns de muitos relatos de suas experiências no confessionário:

1. Havia um homem pecador que relutou muito em confessar-se com São João Vianney, porque tinha medo da penitência que ele lhe imporia. Mas um dia tomou coragem e foi se confessar com o santo. E eis que este lhe deu uma penitência suave. Então, o penitente estranhou e pergunto ao santo: “só isso?” Ao que São João lhe respondeu: eu queria lhe dar uma penitência pesada, mas pode ser que você não a cumpra, então deixa que eu a cumprirei para você.

2. Um dia, ele saiu do confessionário e foi falar com um jovem que estava na fila da Confissão; e lhe disse: “Olha, eu estou vendo o demônio como uma abelha voando em volta de você, dizendo para você não confessar aquele pecado… Mas pode confessar, porque eu já sei o que é.

3. Certa vez, ele estava confessando as pessoas, e o sacristão veio lhe dizer que seu quarto estava pegando fogo. Ele calmamente disse ao homem: vá lá e apague o fogo, vou ficar aqui confessando. É o demônio; ele não pode pegar o pássaro, então está queimando a gaiola.

Quando chegou à cidadezinha ninguém veio recebê-lo, quando morreu a cidade tinha crescido enormemente e multidões de peregrinos o acompanharam à última morada. Eram cerca de 100 mil pessoas. A Igreja, que pela lógica humana receara fazê-lo sacerdote, curvou-se à sua santidade. João Maria Vianney foi proclamado Venerável pelo papa Pio IX em 1872, beatificado pelo papa São Pio X em 1905, canonizado pelo papa Pio XI em 1925 e pelo mesmo foi declarado padroeiro de todos os párocos do mundo, em 1929. Esse é o Santo Cura d’Ars, cuja memória, celebramos no dia 4 de agosto.

Fonte: HI-VIII – A Igreja das Revoluções (I). Quadrante. São Paulo: 2003. Págs. 750-758.

Via Cleofás

A belíssima Basílica de Santa Maria Maior, também conhecida como Basílica de Nossa Senhora das Neves, ou Basílica Liberiana, é uma das basílicas papais. Nas extremidades da rua Merulana é possível vislumbrar duas das basílicas papais, a saber: Santa Maria Maior e São João de Latrão.

Construída entre 432 e 440, durante o pontificado do Papa Sisto III, e dedicada ao culto da Santa Mãe de Deus, cujo dogma da Divina Maternidade fora declarado pelo Concílio de Éfeso (431).

Ao solicitar a construção desta igreja, o Papa solicitou que fosse grande e majestosa, e é pela grandiosidade desta igreja é que a ela deu-se o nome pelo qual é conhecida: Basílica de Santa Maria Maior.

Nesta igreja foi realizado o primeiro presépio sobre o qual se tem conhecimento, por isso ficou também conhecida como “Basílica de Santa Maria do Presépio”. Aqui encontram-se os primeiros e mais belos mosaicos alusivos à Virgem. É indizível a beleza desta basílica e é de fato, um dos maiores e mais belos santuários da cristandade.

A festa litúrgica da “Dedicação de Santa Maria Maior” que acontece no dia 5 de agosto passou a constar no calendário litúrgico a partir do ano de 1568.

Via A12

O episódio misterioso da Transfiguração de Jesus sobre um monte elevado, o Tabor, diante de três testemunhas escolhidas por ele: Pedro, Tiago e João, se situa no contexto a partir do dia em que Pedro confessou diante dos Apóstolos que Jesus é o Cristo, “o Filho de Deus vivo”.

Esta confissão cristã aparece também na exclamação do centurião diante de Jesus na cruz: “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39), pois somente no Mistério Pascal o cristão pode entender o pleno significado do título “Filho de Deus”.

A partir desta revelação de Pedro, inspirado pelo Pai, Jesus, diz S. Mateus, “começou a mostrar a seus discípulos que era necessário que fosse a Jerusalém e sofresse… que fosse morto e ressurgisse ao terceiro dia” (Mt 16,21). Pedro rechaça este anúncio, os demais também não o compreendem, mas Jesus mostra a eles que afastá-lo do cálice da Paixão, que ele deveria beber, era ser movido por Satanás.

O Evangelho segundo S. Lucas destaca a ação do Espírito Santo e o sentido da oração no ministério de Cristo. Jesus ora antes dos momentos decisivos de sua missão: antes de o Pai dar testemunho dele por ocasião do Batismo e também antes da Transfiguração, e antes de realizar por sua Paixão o plano de amor do Pai.

O rosto e as vestes de Jesus tornam-se fulgurantes de luz, Moisés e Elias aparecem, e é importante notar que o evangelista destaca sobre o que eles falavam: “de sua partida que iria se consumar em Jerusalém” (Lc 9,31). Uma nuvem os cobre e uma voz do céu diz: “Este é o meu Filho, o Eleito; ouvi-o” (Lc 9,35). A nuvem e a luz são dois símbolos inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Desde as manifestações de Deus (teofanias) do Antigo Testamento, a Nuvem, ora escura, ora luminosa, revela o Deus vivo e salvador, escondendo a transcendência de sua Glória: com Moisés sobre a montanha do Sinai, na Tenda de Reunião e durante a caminhada no deserto; com Salomão por ocasião da dedicação do Templo.

Na Transfiguração a Trindade inteira se manifesta: o Pai, na voz; o Filho, no homem; o Espírito, na nuvem clara. E Jesus mostra sua glória divina, confirmando, assim, a confissão de Pedro. Mostra também que, para “entrar em sua glória” (Lc 24,26), deve passar pela Cruz em Jerusalém. Moisés e Elias haviam visto a glória de Deus sobre a Montanha; a Lei e os profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias. Fica claro que a Paixão de Jesus é sem dúvida a vontade do Pai: o Filho age como servo de Deus.

A rica liturgia bizantina assim reza na festa da Transfiguração: “Vós vos transfigurastes na montanha e, porquanto eram capazes, vossos discípulos contemplaram vossa Glória, Cristo Deus, para que, quando vos vissem crucificado, compreendessem que vossa Paixão era voluntária e anunciassem ao mundo que vós sois verdadeiramente a irradiação do Pai”.

No limiar da vida pública de Jesus temos o seu Batismo; no limiar da Páscoa, temos a sua Transfiguração. Pelo Batismo de Jesus foi manifestado o mistério da primeira regeneração: o nosso Batismo; já a Transfiguração mostra a nossa própria ressurreição. Desde já participamos da Ressurreição do Senhor pelo Espírito Santo que age nos sacramentos da Igreja. A Transfiguração dá-nos um antegozo da vinda gloriosa do Cristo, como disse S. Paulo, “Ele vai transfigurar nosso corpo humilhado, conformando-o ao seu corpo glorioso” (Fl 3,21). Mas ela nos lembra também que com Jesus “é preciso passarmos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus” (At 14,22). Por isso, como Cristo, o cristão não deve temer o sofrimento.

Unidos a Cristo pelo Batismo, já participamos realmente na vida celeste de Cristo ressuscitado, mas esta vida permanece “escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,3). “Com ele nos ressuscitou e fez-nos sentar nos céus, em Cristo Jesus” (Ef 2,6). Nutridos com seu Corpo na Eucaristia, já pertencemos ao Corpo de Cristo. Quando ressuscitarmos, no último dia, nós também seremos “manifestados com Ele cheios de glória” (Cl 3,3).

Santo Agostinho nos ensina que: “Pedro ainda não tinha compreendido isso ao desejar viver com Cristo sobre a Montanha. Ele reservou-te isto, Pedro, para depois da morte. Mas agora Ele mesmo diz: Desce para sofrer na terra, para servir na terra, para ser desprezado, crucificado na terra. A Vida desce para fazer-se matar; o Pão desce para ter fome; o Caminho desce para cansar-se da caminhada; a Fonte desce para ter sede; e tu recusas sofrer?” (Sermão 78,6).

Assim, pela Transfiguração Jesus preparou os discípulos para não se escandalizarem com a sua Paixão e morte na Cruz, o que para eles foi um trauma e um grande desafio; mostrou-lhes a Sua glória e divindade; e deu-lhes conhecer um antegozo do Céu. Mas para isso, como Ele, temos que passar pelas provações deste mundo, sempre ajudados pelas consolações de Deus.

Por Prof. Felipe Aquino, via Cleofas

“Clara de nome, mais clara de vida e claríssima de virtudes!” Neste dia, celebramos a memória da jovem inteligente e bela que se tornou a ‘dama pobre’.

Santa Clara nasceu em Assis (Itália), no ano de 1193, e o interessante é que seu nome vem de uma inspiração dada a sua fervorosa mãe, a qual [inspiração] lhe revelou que a filha haveria de iluminar o mundo com sua santidade.

Pertencente a uma nobre família, destacou-se desde cedo pela sua caridade e respeito para com os pequenos, por isso, ao deparar com a pobreza evangélica vivida por Francisco de Assis apaixonou-se por esse estilo de vida.

Em 1212, quando tinha apenas dezoito anos, a jovem abandonou o seu lar para seguir Jesus mais radicalmente. Para isso foi ao encontro de Francisco de Assis na Porciúncula e teve seus lindos cabelos cortados como sinal de entrega total ao Cristo pobre, casto e obediente. Ao se dirigir para a igreja de São Damião, Clara – juntamente com outras moças – deu início à Ordem, contemplativa e feminina, da Família Franciscana (Clarissas), da qual se tornou mãe e modelo, principalmente no longo tempo de enfermidade, período em que permaneceu em paz e totalmente resignada à vontade divina.

Nada podendo contra sua fé na Eucaristia, pôde ainda se levantar para expulsar – com o Santíssimo Sacramento – os mouros (homens violentos que desejavam invadir o Convento em Assis) e assistir, um ano antes de sua morte em 1253, a Celebração da Eucaristia, sem precisar sair de seu leito. Por essa razão é que a santa de hoje é aclamada como a “Patrona da Televisão”.

Santa Clara, rogai por nós!

Via Canção Nova

São Maximiliano Maria Kolbe, sacerdote membro da ordem dos frades menores conventuais é celebrado no dia 14 de agosto,  morreu mártir nos campos de concentração nazistas, ao oferecer a sua vida em troca pela de um pai de família condenado à morte.

A seguir, alguns dados curiosos da vida deste santo do século XX.

1. A Virgem Maria apareceu a ele quando era criança

Ainda criança, realizou uma travessura que sua mãe reprovou. Tempos depois, a mãe viu que Kolbe tinha mudado de atitude e que, frequentemente, rezava chorando diante de um pequeno altar.

O menino lhe disse: “Quando a senhora me perguntou, mamãe, o que iria ser de mim, rezei muito a Nossa Senhora para Ela me dizer o que seria de mim. Em seguida, indo à igreja, rezei novamente. Então Ela me apareceu, tendo nas mãos duas coroas, uma branca e outra vermelha”.

“A branca significava que perseveraria na prática da pureza; a vermelha, que eu seria mártir. Respondi que as queria. Então a Virgem me olhou docemente e desapareceu”.

2. Foi condenado a morrer de fome em uma cela e sobreviveu

Durante a Segunda Guerra Mundial, foi preso e enviado aos campos de concentração. No tempo em que esteve ali, condenaram a morrer de fome em uma cela 10 prisioneiros que tentaram escapar.

São Maximiliano trocou sua vida pela do sargento polonês Franciszek Gajowniczek, que tinha explicado: “Meu Deus, eu tenho esposa e filhos”.

Nessa cela, o sacerdote seguiu incentivando seus companheiros na fé, com orações e cantos. Após duas semanas, somente São Maximiliano continuava vivo. Necessitando da cela para outros réus, os nazistas decidiram acabar com sua vida injetando-lhe ácido carbônico na veia.

3. Foi muito devoto à Imaculada Conceição

Maximiliano sempre foi muito devoto à Imaculada Conceição. Em 1917, fundou um movimento chamado “A Milícia da Imaculada”, o qual se consagrou à Virgem para lutar com todos os meios pela construção do Reino de Deus em todo o mundo.

Também iniciou a publicação de uma revista mensal chamada “Cavaleiros da Imaculada”, orientada a promover o conhecimento, o amor e o serviço à Virgem Maria.

4. Papa Francisco visitou seu túmulo

Durante sua visita ao campo de concentração nazista de Auschwitz, no marco de sua viagem apostólica à Polônia pela Jornada Mundial da Juventude Cracóvia 2016, o Papa Francisco conheceu a “cela da fome”, onde São Maximiliano foi preso até o dia de sua morte, em 14 de agosto de 1941.

No recinto escuro, em cujas paredes há uma placa de recordação e estão gravadas as vítimas com três velas ao centro, o Santo Padre se sentou e rezou sozinho e em silêncio por cerca de seis minutos.

5. Na Polônia existem os frades bombeiros de São Maximiliano

Em 1927, o santo fundou a “Cidade da Imaculada” no convento franciscano de Niepokalanów, há 40 quilômetros de Varsóvia.

Há mais de 80 anos, aquele lugar conta com um Corpo de Bombeiros Frades de São Maximiliano Maria Kolbe.

Em 1928, Kolbe reuniu e disse aos frades: “Recebemos isso das pessoas, não é nosso, por isso, temos que nos assegurarmos de que não se destrua”. Logo colocaram mãos à obra e organizaram uma guarda contra incêndios.

Via ACI Digital

A Sagrada Tradição da Igreja ensina que Nossa Senhora foi elevada ao céu de corpo e alma após sua morte. No entanto, as particularidades da “morte” da Virgem Maria não são conhecidas. Santo Epifânio, bispo de Salamina de Chipre, compôs, nos anos de 374-377, o livro sobre as heresias, no qual escreve: “Ou a Santa Virgem morreu e foi sepultada e seguiu-se depois sua Assunção na glória, ou, sem fim, verificou-se em plena e ilibada pureza, adornando a coroa de sua virgindade” (MS, p. 267).

O Dogma da Assunção da Virgem Santíssima foi proclamado, solenemente, pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950, e sua festa é celebrada no dia 15 de agosto. Grande júbilo e alegria pairou sobre todo o mundo católico naquela data, especialmente para os filhos de Maria. Quando o Papa o decretou, por meio da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, foi uma verdadeira apoteose, tanto na Praça de São Pedro, em Roma, como nas outras cidades do mundo católico.

Nesse documento, disse o Papa: “Cristo, com Sua morte, venceu o pecado e a morte e sobre esta e sobre aquele alcançará também vitória pelos merecimentos de Cristo quem for regenerado sobrenaturalmente pelo batismo. Mas por lei natural Deus não quer conceder aos justos o completo efeito dessa vitória sobre a morte, senão quando chegar o fim dos tempos. Por isso, os corpos dos justos se dissolvem depois da morte, e somente no último dia tornarão a unir-se, cada um com sua própria alma gloriosa. Mas desta lei geral Deus quis excetuar a Bem-Aventurada Virgem Maria. Ela, por um privilégio todo singular, venceu o pecado; por sua Imaculada Conceição, não estando por isso sujeita à lei natural de ficar na corrupção do sepulcro, não foi preciso que esperasse até o fim do mundo para obter a ressurreição do corpo”.

Assim, na Praça de São Pedro, em Roma, diante do pórtico de São Pedro, circundado por 36 Cardeais, 555 Patriarcas, Arcebispos e Bispos e sacerdotes, e perante cerca de um milhão de fiéis, o Papa proclamava solenemente: depois de haver mais uma vez elevado a Deus nossas súplicas e invocado as luzes do Espírito Santo, a glória de Deus Onipotente, que derramou sobre a Virgem Maria Sua especial benevolência, em honra de Seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte, para maior glória de Sua augusta Mãe e para a alegria e exultação de toda a santa Igreja, e pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma de fé revelado por Deus que: a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada à glória celeste em corpo e alma (MS, p. 282).

Solenidade

Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Marialis Cultus, resume a importância desse dogma numa expressão cheia de densidade: “A solenidade de 15 de agosto celebra a gloriosa Assunção de Maria ao Céu, festa de seu destino de plenitude e de bem-aventurança, glorificação de sua alma imaculada e de seu corpo virginal, de sua perfeita configuração com Cristo ressuscitado” (MC n.6).

Assim, Maria participa da ressurreição e glorificação de Cristo. É preciso lembrar, aqui, que somente Jesus e Maria subiram ao Céu de corpo e alma. Os santos estão lá apenas com suas almas, pois os corpos estão na terra, aguardando a ressurreição do último dia. Maria, ao contrário, foi elevada ao céu também com seu corpo já ressuscitado. É uma grande glória dela.

A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, em uma Instrução de 17-05-1979, deixou bem claro: a Igreja, ao expor a sorte do homem após a morte, exclui qualquer explicação que tire o sentido à Assunção de Nossa Senhora naquilo que ela tem de único, ou seja, o fato de ser a glorificação corporal da Virgem Santíssima uma antecipação da glorificação que está destinada a todos os outros eleitos (n. 6).

Quais os motivos da Assunção de Nossa Senhora?

1 – Como Maria não esteve sujeita ao poder do pecado para poder ser a Mãe de Deus, também não podia ficar sob o império da morte; pois, como disse São Paulo, “o salário do pecado é a morte” (Rm 6,23). Assim, Maria não experimentou a corrupção da carne, mas foi glorificada em sua alma e seu corpo.

2 – A carne de Jesus e a de Maria são a mesma carne. Portanto, a carne de Maria devia ter a mesma glória que teve a de seu Filho.

São João de Damasco, no ano 749, escreve: “Era necessário que aquela que, no parto, havia conservado ilesa sua virgindade, conservasse também sem corrupção alguma seu corpo depois da morte. Era preciso que aquela que havia trazido no seio o Criador feito menino habitasse nos tabernáculos divinos. Era necessário que aquela que tinha visto o Filho sobre a cruz, recebendo no coração aquela espada das dores das quais fora imune ao dá-Lo à luz, O contemplasse sentado à direita do Pai. Era necessário que a Mãe de Deus possuísse aquilo que pertence ao Filho e fosse honrada por todas as criaturas como Mãe de Deus”.

E assim também se exprime São Germano, patriarca de Constantinopla, falecido em 735, e outros santos (MS, pp. 272 e 273).

Festa do trânsito de Maria

A festa do Trânsito de Maria, que honrava sua morte, passou gradualmente a comemorar sua Assunção corporal ao céu. No sacramentário enviado pelo Papa Adriano I ao Imperador Carlos Magno (768-814), que introduziu o Cristianismo em todo o vasto império franco, está escrito: digna de honra é para nós, Senhor, a festividade deste dia em que a Beata Virgem Maria, a Santa Mãe de Deus, sofreu a morte temporal, mas não pôde ser retida pelos inexoráveis laços, porque ela deu à luz Seu Filho, nosso Senhor, que tomou sua carne (MS, p. 273). No Sínodo de Mainz, no ano 813, Carlos Magno introduziu a festa da Assunção de Maria ao Céu, depois de haver obtido autorização de Roma.

Foi São Gregório de Tours, falecido em 596, o primeiro a proclamar a Assunção corpórea de Maria ao Céu. Um século mais tarde, Santo Ildefonso de Toledo afirmou: “Não devemos esquecer que muitos consideram que ela [Maria] foi, neste dia, levada corporalmente ao céu por Nosso Senhor Jesus Cristo” (MS, p. 274).

Muitos santos perguntavam se o melhor dos filhos poderia recusar à melhor das Mães a participação em sua ressurreição e o glorioso domínio à direita do Pai? Para eles, sua dignidade de Mãe de Deus exige a Assunção.

Para Santo Irineu, do século II, como a nova Eva, Maria participou da sorte do novo Adão, Jesus Cristo, ressuscitou depois da morte, e seu corpo não experimentou a corrupção (MS, p. 277).

Como Maria não teve na alma a mancha do pecado original, ficou isenta da dura sentença dada aos demais: “Es pó e em pó hás de tornar” (Gn 3,19). A nós que herdamos o pecado original, é preciso voltar ao pó da terra de onde saímos, para que, na ressurreição do último dia, o Senhor nos refaça sem as sequelas do mal.

Glória da Assunção de Nossa Senhora

A rica Tradição da Igreja reconheceu, desde os primeiros séculos, a gloriosa Assunção de Nossa Senhora. Dela dão testemunho S. João Damasceno, São João Crisóstomo, S. Tomás de Aquino, S. Boaventura, S. Anselmo, São Bernardo e outros luminares e teólogos famosos. Além disso, a Sagrada Liturgia sempre confirmou a verdade desse dogma, tanto nos antigos missais como nos sacramentários, hinos e saudações à subida da Rainha ao Céu. Além disso, nunca, em Igreja nenhuma da Terra, venerou-se uma relíquia do corpo de Maria Santíssima, mostrando com isso uma convicção certa e inabalável de que Ela está no céu.

Contudo, a razão mais forte da Assunção de Nossa Senhora está no fato de ela ser a Mãe do Senhor. Como disse o frei Francisco de Monte Alverne: “consentiria o meigo Jesus de Nazaré que sua morada puríssima, o céu esplêndido onde por nove meses repousaria, a estátua viva esculpida pelo próprio Criador, ficasse nessa terra de exílio? Porventura o Rei dos Exércitos esperaria o fim dos tempos para que a corte celeste prestasse homenagens reais à sua Mãe. Não, pois era mister que a humanidade reconhecesse quanto era considerada uma mãe tão extremosa” (nota 22 e Tm p. 314).

A glória da Assunção de Nossa Senhora ao Céu é, para nós que ainda vivemos neste vale de lágrimas, a certeza de que o céu existe e é nosso destino.

Por Felipe Aquino, via Canção Nova

Em meio ao júbilo de toda a corte celeste, o Pai Eterno A coroou, comunicando-Lhe a onipotência da súplica, o Filho, a sabedoria;e o Espírito Santo o amor.

O glorioso título de Rainha

Essa augusta prerrogativa de Nossa Senhora nos é apresentada com maior profundidade pelo santo Fundador dos Redentoristas, ao iniciar ele seus belos e piedosos comentários sobre a Salve Rainha:

“Tendo sido a Santíssima Virgem elevada à dignidade de Mãe de Deus, com justa razão a Santa Igreja A honra, e quer que de todos seja honrada com o título glorioso de Rainha. Se o Filho é Rei, diz Pseudo-Atanásio, justamente a Mãe deve considerar-se e chamar-se Rainha. Desde o momento em que Maria aceitou ser Mãe do Verbo Eterno, diz São Bernardino de Siena, mereceu tornar-se Rainha do mundo e de todas as criaturas. Se a carne de Maria, conclui Arnoldo abade, não foi diversa da de Jesus, como, pois, da monarquia do Filho pode ser separada a Mãe?

Por isso deve julgar-se que a glória do reino não só é comum entre a Mãe e o Filho, mas também que é a mesma para ambos.

“Se Jesus é Rei do universo, do universo também é Maria Rainha, escreve Roberto abade. De modo que, na frase de São Bernardino de Siena, quantas são as criaturas que servem a Deus, tantas também devem servir a Maria. Por conseguinte, estão sujeitos aos domínio de Maria os Anjos, os homens e todas as coisas do Céu e da Terra, porque tudo está também sujeito ao império de Deus. Eis por que Guerrico abade Lhe dirige estas palavras: “Continuai, pois, a dominar com toda a confiança; disponde a vosso arbítrio dos bens de vosso Filho; pois, sendo Mãe, e Esposa do Rei dos reis, pertence-Vos como Rainha o reino e o domínio sobre todas as criaturas.”

Maria Rainha: obra-prima da misericórdia de Deus

À luz dos precedentes ensinamentos, ouçamos o Prof. Plinio Corrrea de Oliveira tecendo alguns comentários sobre a realeza da Santíssima Virgem:

Nossa Senhora Rainha é um título que exprime o seguinte fato. Sendo Ela Mãe da segunda Pessoa da Santíssima Trindade e Esposa da Terceira Pessoa, Deus, para honrá-La, deu-Lhe o império sobre o universo: todos os Anjos, todos os Santos, todos os homens vivos, todas as almas do Purgatório, todos os réprobos do Inferno e todos os demônios obedecem à Santíssima Virgem. De sorte que há uma mediação de poder, e não apenas de graça, pela qual Deus executa todas as suas obras e realiza todas as suas vontades por intermédio de sua Mãe.

Maria não é apenas o canal por onde o império de Deus passa, mas é também a Rainha que decide por uma vontade própria, consoante os desígnios do Rei. Nossa Senhora é uma obra-prima do que poderíamos chamar a habilidade de Deus para ter misericórdia em relação aos homens…

Rainha dos corações

Continua o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: São Luís Grignion de Montfort faz referência a essa linda invocação que é Nossa Senhora Rainha dos Corações. Como coração entende-se, na linguagem das Sagradas Escrituras, a mentalidade do homem, sobretudo sua vontade e seus desígnios.

Nossa Senhora é Rainha dos corações enquanto tendo um poder sobre a mente e a vontade dos homens. Este império, Maria o exerce, não por uma imposição tirânica, mas pela ação da graça, em virtude da qual Ela pode liberar os homens de seus defeitos e atraí-los, com soberano agrado e particular doçura, para o bem que Ela lhes deseja.

Esse poder de Nossa Senhora sobre as almas nos revela quão admirável é a sua onipotência suplicante, que tudo obtém da misericórdia divina. Tão augusto é este domínio sobre todos os corações, que ele representa incomparavelmente mais do que ser Soberana de todos os mares, de todas as vias terrestres, de todos os astros do céu, tal é o valor de uma alma, ainda que seja a do último dos homens!

Cumpre notar, porém, que a vontade (isto é, o coração) do homem moderno, com louváveis exceções, é dominada pela revolução. Aqueles, portanto, que querem escapar desse jugo, devem unir ao Coração por excelência contra-revolucionário, ao Coração de mera criatura no qual, abaixo do Sagrado Coração de Jesus, reside a Contra-Revolução: ao Sapiencial e Imaculado Coração de Maria.

Façamos, então, a Nossa Senhora este pedido: “Minha Mãe, sois Rainha de todas as almas, mesmo das mais duras e empedernidas que queiram abrir-se a Vós. Suplico-Vos, pois: sede Soberana de minha alma; quebrai os rochedos interiores de meu espírito e as resistências abjetas do fundo de meu coração. Dissolvei, por um ato de vosso império, minhas paixões desordenadas, minhas volições péssimas, e o resíduo dos meus pecados passados que em mim possam ter ficado. Limpai-me, ó minha Mãe, a fim de que eu seja inteiramente vosso.”

Rainha posta para a salvação do mundo

Ainda sobre o título de Nossa Senhora Rainha, não menos eloquentes são estas palavras do Papa Pio XII: ”A realeza de Maria é uma realidade ultraterrena, que ao mesmo tempo, porém, penetra até no mais íntimo dos corações e os toca na sua essência profunda, no que eles tem de espiritual e imortal.

A origem das glórias de Maria, o momento solene que ilumina toda a sua pessoa e missão, é aquele em que, cheia de graça, dirigiu ao Arcanjo Gabriel o Fiat, que exprimia o seu assentimento à disposição divina. Ela se tornava assim, Mãe de Deus e Rainha, e recebia o ofício real de velar sobre a unidade e paz do gênero humano. Por meio dEla temos a firme esperança de que a humanidade se há de encaminhar pouco a pouco nesta senda da salvação.

Que poderiam, portanto, fazer os cristãos na hora atual, em que a unidade e a paz do mundo, e até as próprias fontes da vida, estão em perigo, se não volverem o olhar para Aquela que se lhes apresenta revestida do poder real? Assim como Ela envolveu já no seu manto o Divino Menino, primogênito de todas as criaturas e de toda a criação (Col. I, 15), assim também digne-se agora envolver todos os homens e todos os povos com a sua vigilante ternura; digne-se, como Sede da Sabedoria, fazer brilhar a verdade das palavras inspiradas, que a Igreja Lhe aplica: “Por meu intermédio reinam os reis, e os magistrados administram a justiça; por meio de Mim mandam os príncipes e os soberanos governam com retidão”. (Prov. VIII, 15-16)

Se o mundo hoje combate sem tréguas para conquistar sua unidade e para assegurar a paz, a invocação do reino de Maria é, para além de todos os meios terrenos e de todos os desígnios humanos de qualquer maneira sempre defeituosos, o clamor da fé e da esperança cristã, firmes e fortes nas promessas divinas e nos auxílios inesgotáveis, que este império de Maria difundiu para a salvação da humanidade.

Rainha que vencerá a Revolução

Como fecho desses comentários ao louvor em epígrafe, vem a propósito outro pensamento do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, particularmente oportuno nesta atual fase histórica, convulsionada pelo caos em quase todas as atividades humanas:

A realeza de Nossa Senhora, fato incontestável em todas as épocas da Igreja, veio sendo explicitada cada vez mais a partir de São Luís Grignion de Montfort, até aquele 13 de julho de 1917, quando Maria anunciou em Fátima: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”É uma vitória conquistada pela Virgem, é o seu calcanhar que outra vez esmagará a cabeça da serpente, quebrará o domínio do demônio e Ela, como triunfadora, implantará seu Reino.

Portanto, devemos confiar em que Maria já determinou atender as súplicas de seus filhos contra-revolucionários, e que Ela, Soberana do universo, pode fazer a Contra-Revolução conquistar, num relance, incontável número de almas. Nossa Senhora Rainha poderá expulsar desta Terra revolucionários impenitentes, que não querem atender ao seu apelo, de maneira que um dia Ela possa dizer: por fim – segundo a promessa de Fátima – o meu Coração Imaculado triunfou!

À destra de Deus, a Rainha que intercede pelos homens

Comentando esse texto sagrado, diz o Pe. Jourdain:

Com razão o Rei-Profeta nos mostra a Bem-aventurada Virgem Maria – a Rainha, como ele A chama – sentada à direita de Deus no Céu: Adstitit regina a dextris tuis. Se o Rei Salomão quis que sua mãe, Betsabéia, tivesse um sólio preparado à direita de seu trono real, e que ela aí tomasse assento, poder-se-ia pensar que Jesus Cristo tivesse menos atenções para com sua divina Mãe? Dize-lo seria uma blasfêmia; longe de nós tais imaginações. Maria excede em dignidade, e num grau inimaginável, à mãe de Salomão e a todas as outras mulheres. (…)

Ela é, ao mesmo tempo, uma Rainha onipotente para nos ajudar, para nos procurar um refúgio contra nossos inimigos, para nos proteger e nos defender. (…) A verdadeira Ester, a esposa do grande Rei, aquela que salva seu povo, aquela junto à qual encontramos seguro asilo, é a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus. Ela é quem nos livra da morte eterna, que desvia de nós o terrível e fulminante golpe da suprema condenação.

Honrada com o lugar imediato junto ao Rei

De acordo com São Boaventura, uma das honras com que Jesus Cristo distinguiu sua Santíssima Mãe, nos Céus, foi a de Lhe reservar “o lugar imediato junto ao Rei. E isto por três razões.

Primeira, pela união amorosa de corações. Assim como nada se interpôs entre o coração de Deus e o da Virgem, tampouco se interpõe algo entre seus tronos. (…)

Segunda, pela frequente intercessão pelos pecadores. Porque, tendo Ela o ofício de medianeira e reconciliadora, deve sentar-se, não longe, mas perto e quase ao lado, como para falar ao ouvido do Rei, a fim de que Ele não pronuncie severa sentença contra os que a Ela recorrem, ou, caso a houvesse ditado, seja revogada. Tendes um exemplo no capítulo VII do livro de Ester: “Que petição é a tua, ó Ester?”

Imaculado Coração de Maria

E em seguida, ao eco de sua palavra, a cruel sentença fica anulada; enforcado, o inimigo; os êmulos, desbaratados e livre, o povo. Por isso se diz no capítulo VI dos Cânticos, que Maria, para socorrer ao mundo e combater os demônios, “é terrível como um exército em ordem de batalha”.

E terceira, pelo patriarcado, o qual, embora houvesse correspondido a Adão entre os homens, e a Eva entre as mulheres, sentando-se Ela à direita de Deus, ou seja, possuindo seus mais excelentes bens, transferiu-se (o dito patriarcado) a Cristo e a Maria, sua Mãe; pois assim como aqueles foram assassinos do gênero humano, estes foram seus salvadores. Ela, que reina com o Filho para sempre, nos alcance o perdão dos (nossos) pecados.

Rainha de todos os Santos, à direita do Altíssimo

Ainda acerca dessa augusta preeminência de Nossa Senhora, “sentada à direita do Rei em nosso abono”, consideremos esta expressiva página do Tesouro de Oratória Sagrada:

“No dia de sua Assunção, o esplendor de Maria superou ao dos astros no firmamento; (…) naquele glorioso dia sua beleza ofuscou, não apenas a do planeta que ilumina as trevas da noite, mas a daquele ante cujos raios desaparece toda outra luz. Ouviu-se, então, ressoar pelas altas regiões, a voz do real Salmista, quando, arrebatado por divina inspiração, admirava a Rainha com um vestido bordado de ouro, engalanada com vários adornos, e sentada no trono do proprio Rei.

Ah, sim! Tendo sido Maria superior aos Patriarcas na firmeza da fé; aos Profetas, na contemplação das coisas divinas; aos Apóstolos, no zelo da honra de Deus e do bem das almas; aos Mártires, na virtude da fortaleza; aos Santos Padres, na sabedoria; aos Confessores, na paciência e na mansidão; às Virgens, na pureza, e a todos, na santidade; e havendo correspondido em grau eminentíssimo à graça, e praticado todas as mais preciosas virtudes, por isso, no dia de sua Assunção, apareceu Ela com vestido bordado de ouro, engalanada com vários adornos, sentada à direita do Altíssimo, e coroada Rainha de todos os Santos.

Deus, que tanto exaltou a Maria no Céu, quis que sua glorificação também tivesse esplendor na Terra. Ele pôs em suas mãos o cetro da misericórdia, as chaves da beneficência. E a partir de então, todos os favores e todas as misericórdias chegaram aos homens por intermédio de Maria. Sim, por Ela alcançaram glória o Céu; paz a Terra; fé o povo; uma regra a vida, e disciplina os costumes. Por Ela se alegra o vale, floresce o deserto, cobrem-se os campos de novo verdor, e se convertem em sorriso de alegria as lágrimas dos desgraçados. (…) De maneira que, assim como não existe cidade, nem vila, ilha nem principado, onde não se veja um altar erigido à glória de Maria, tampouco há cidade ou vila, ilha ou principado, onde não se fale de graças imprevistas, singulares, extraordinárias e milagrosas, alcançadas por obra do benévolo patrocínio da Virgem (…) Exorto-vos, pois, a que coloqueis toda confiança e toda fé em Maria. Ricos e pobres, poderosos e miseráveis, príncipes e súditos, pais e filhos, grandes e pequenos, sábios e ignorantes: não olvideis que Maria é nossa Rainha e Mãe. (Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado; Monsenhor João Clá Dias, EP; Artpress – São Paulo, 1997, p. 43 a 46 e 283-284)

Via A12

Santa Mônica nos provou com sua vida que realmente “tudo pode ser mudado pela força da oração”

Santa Mônica nasceu no norte da África, em Tagaste, no ano 332, numa família cristã que lhe entregou – segundo o costume da época e local – como esposa de um jovem chamado Patrício.

Como cristã exemplar que era, Mônica preocupava-se com a conversão de sua família, por isso se consumiu na oração pelo esposo violento, rude, pagão e, principalmente, pelo filho mais velho, Agostinho, que vivia nos vícios e pecado. A história nos testemunha as inúmeras preces, ultrajes e sofrimentos por que Santa Mônica passou para ver a conversão e o batismo, tanto de seu esposo, quanto daquele que lhe mereceu o conselho: “Continue a rezar, pois é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas”.

Santa Mônica tinha três filhos. E passou a interceder, de forma especial, por Agostinho, dotado de muita inteligência e uma inquieta busca da verdade, o que fez com que resolvesse procurar as respostas e a felicidade fora da Igreja de Cristo. Por isso se envolveu em meias verdades e muitas mentiras. Contudo, a mãe, fervorosa e fiel, nunca deixou de interceder com amor e ardor, durante 33 anos, e antes de morrer, em 387, ela mesma disse ao filho, já convertido e cristão: “Uma única coisa me fazia desejar viver ainda um pouco, ver-te cristão antes de morrer”.

Por esta razão, o filho Santo Agostinho, que se tornara Bispo e doutor da Igreja, pôde escrever: “Ela me gerou seja na sua carne para que eu viesse à luz do tempo, seja com o seu coração para que eu nascesse à luz da eternidade”.

Santa Mônica, rogai por nós!

Via Canção Nova

A memória do grande Bispo e Doutor da Igreja que nos enche de alegria, pois com a Graça de Deus tornou-se modelo de cristão para todos. Agostinho nasceu em Tagaste, no norte da África, em 354, filho de Patrício (convertido) e da cristã Santa Mônica, a qual rezou durante 33 anos para que o filho fosse de Deus.

Aconteceu que Agostinho era de grande capacidade intelectual, profundo, porém, preferiu saciar seu coração e procurar suas respostas existentes tanto nas paixões, como nas diversas correntes filosóficas, por isso tornou-se membro da seita dos maniqueus.

Com a morte do pai, Agostinho procurou se aprofundar nos estudos, principalmente na arte da retórica. Sendo assim, depois de passar em Roma, tornou-se professor em Milão, onde envolvido pela intercessão de Santa Mônica, acabou frequentando, por causa da oratória, os profundos e famosos Sermões de Santo Ambrósio. Até que por meio da Palavra anunciada, a Verdade começou a mudar sua vida.

O seu processo de conversão recebeu um “empurrão” quando, na luta contra os desejos da carne, acolheu o convite: “Toma e lê”, e assim encontrou na Palavra de Deus (Romanos 13, 13ss) a força para a decisão por Jesus:”…revesti-vos do Senhor Jesus Cristo…não vos abandoneis às preocupações da carne para lhe satisfazerdes as concupiscências”.

Santo Agostinho, que entrou no Céu com 76 anos de idade (no ano 430), converteu-se com 33 anos, quando foi catequizado e batizado por Santo Ambrósio. Depois de “perder” sua mãe, voltou para a África, onde fundou uma comunidade cristã ocupada na oração, estudo da Palavra e caridade. Isto, até ser ordenado Sacerdote e Bispo de Hipona, santo, sábio, apologista e fecundo filósofo e teólogo da Graça e da Verdade.

Santo Agostinho, rogai por nós!

Via Canção Nova

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