O encanto da Idade Média com o meio ambiente desaparece com a Revolução Industrial. A navegação até então funcionava com a força do vento, assim como os moinhos. A água também movia máquinas. Nas secas baixava a produção de energia.

Na Inglaterra, a indústria têxtil já começava a construir máquinas pesadas e se estava à espera de uma energia acumulável que as movesse mais facilmente. Nesse momento, inventa-se a máquina a vapor. Embora essa invenção tenha sido provocada por necessidade industrial, terminou sendo causa revolucionária em vários setores.

A invenção deu impulso à extração do carvão e do ferro. Rasgam-se as entranhas da terra para retirar delas o alimento do fogo e o ferro para as novas máquinas. O fornecimento constante de energia do vapor modificou profundamente os transportes. A locomotiva a vapor devora com relativa rapidez as distâncias. Essa nova energia acelerou a manufatura. Uma única máquina substituía a força de centena de cavalos. Aliviava o ser humano de trabalhos braçais.

Sob o aspecto da ecologia, essa invenção mostrou-se ambígua. Por natureza, veio desembaraçar as pessoas de trabalhos pesados. No entanto, gerou, em muitos momentos, o contrário. Ao aumentar a produção e consequentemente o lucro, os empresários exploraram o trabalho humano, se não por fazê-los carregar pesos, ao menos os prendendo às máquinas. Mais uma vez, introduz-se a desarmonia na vida humana. E, com motores poderosos, a agressão à natureza fez-se violenta. A exploração do carvão poluiu terrivelmente a água por causa dos seus dejetos. Certas composições químicas decorrentes da exploração emitiam gases malcheirosos e nocivos à saúde. De novo, o ser humano avança tecnologicamente mesmo pagando altos custos ecológicos.

J. B. Libanio, sj.

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