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Itinerário catequético: desenhando o mapa

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Muitos catequistas podem estar se perguntando: “Por que construir um Itinerário catequético? Um livro ou manual não é orientação suficiente?”.

E esta é uma vivência que encontramos muito por aí: é pensamento corrente que o “livrinho” ou manual tem “tudo” que se precisa para levar a catequese a termo. Vejamos o que fala o DNC a respeito:

“(…) Textos e manuais dão orientações práticas de como operacionalizar o princípio de interação entre fé e vida, sugerindo um novo modo de organizar o processo catequético: não mais como os tradicionais planos de aulas, mas através de um roteiro de atividades evangélico-transformadoras. É um ITINERÁRIO educativo, que vai além da simples transmissão de conteúdos doutrinais desenvolvidos nos encontros catequéticos. Esses roteiros contemplam um processo participativo de acesso às Sagradas Escrituras, à liturgia, à doutrina da igreja, à inserção na vida da comunidade eclesial e a experiências de intimidade com Deus” (DNC 152 com base no Estudo 53 da CNBB – Textos e Manuais de catequese).

Bom, nesse trecho encontramos o manual definido como um ITINERÁRIO EDUCATIVO! Como então ele não é suficiente?

Lembremos o que lemos do Documento de Aparecida sobre o que deve promover uma catequese de iniciação: “precisa formar a pessoa de maneira INTEGRAL”.

O DAp 298-300 diz que se deve proporcionar ao catequizandos doutrina, oração, vivência litúrgica, experiência comunitária, compromisso apostólico e interação da família com a comunidade. Pois é… Um ITINERÁRIO esquematiza tudo isso!

Agora já sabemos tudo que precisamos! MÃOS À OBRA!

Temos em mãos o que é o itinerário, quais seus objetivos e o que o fundamenta; podemos iniciar o processo de “construção” dele se a nossa paróquia não o possui.

balãoPENSEMOS ENTÃO…

Quais seriam as dimensões a se trabalhar num itinerário?

Precisamos pensar PRIMEIRO numa introdução, ou seja, numa explicação simples ao nosso leitor/usuário do que vai encontrar nele, portanto temos:

01 – INTRODUÇÃO

Exemplo: “O itinerário é a descrição do trajeto a ser percorrido, mais que um planejamento, ele é um ‘guia’ para o catequista traçar suas estratégias de caminhada. Ele prevê os objetivos a serem atingidos, conteúdos a serem explanados e ações transformadoras para que a catequese cumpra o seu papel. Um itinerário também faz uma estreita ligação com a liturgia, cuidando da dimensão celebrativa que dá suporte à catequese mistagógica. Ao processo de inserção da família e da comunidade na catequese, também é dada uma especial atenção (…)”.

Na sequência, temos que determinar quais os objetivos que queremos atingir com ele, onde queremos chegar…

02 – OBJETIVOS

Exemplo:
“Geral: nortear o agir catequético da paróquia e de seus protagonistas, implantando um itinerário que conduza a um modelo de iniciação à vida cristã, inspirado no processo catecumenal, na catequese de crianças, adolescentes, jovens e adultos.
Objetivos específicos:
-Transformar o modelo de catequese sacramentalista e escolar para uma INICIAÇÃO CRISTÃ que coloca a criança em contato com JESUS CRISTO e assim iniciá-la no discipulado.
– Que o rito de iniciação cristã de adultos (RICA) seja conhecido e vivenciado na comunidade.
– Fazer com que as famílias tenham consciência da sua responsabilidade em transmitir a fé a seus filhos e engajá-las no projeto catequético
– Proporcionar mais compromisso com a oração, com a comunidade e a participação litúrgica.
– Unificar o conteúdo das fases de catequese, para que todos tenham o mesmo ensinamento.
– Incentivar os catequistas a se qualificarem para os encontros, fazendo mais formações.”

E agora precisamos estar atentos ao que DETERMINA a nossa diocese, decanato, região, setor, forania… Salvo algumas exceções, as dioceses possuem um diretório ou algum documento com as orientações gerais da catequese. Tipo: tempo de duração, idade de ingresso, início do ano catequético, tempo dos sacramentos, etc.

Busquemos então o terceiro ponto.

03 – ORIENTAÇÕES GERAIS.

Para melhor entendimento do assunto, vamos esquematizar algumas informação necessárias para o bom andamento da catequese.

a) Idade de ingresso: determina idade para catequese infantil (não obrigatória), preparação à Eucaristia, perseverança (se houver), preparação para Crisma e catequese de adultos. Observar que existem adolescentes e jovens fora dessas faixas etárias que podem procurar a paróquia para a catequese. Nesse caso, talvez seja necessário criar turmas específicas, proporcionando a esses jovens uma catequese integral com todo o conteúdo de formação, não fazendo dessa uma opção mais “curta” de acesso aos sacramentos, mas, sim, uma contingência para acolher estes jovens e suas famílias na comunidade.
b) Data de início e fim do ano catequético: se a catequese obedecerá ao ano litúrgico ou civil. Se litúrgico, qual o tempo de início e fim.

c) Tempo litúrgico para celebração dos sacramentos: se tempo pascal, Quaresma ou outro.

d) Organização por etapas: quantidade de etapas e número aproximado de encontros por etapa. Por exemplo: Eucaristia – três etapas/anos com 36 encontros, etc.

e) Tempo de duração do encontro: uma hora, uma hora e meia, duas horas…

f) Catequese de adultos: idade mínima, tempo de duração, tempo do sacramentos, etc.

g) Catequese para portadores de necessidades especiais: como serão acolhidas as pessoas com necessidades especiais, se haverá turmas especiais ou será feita inclusão nas turmas existentes, etc.

h) Catequese para o Batismo – pais e padrinhos: como é feita a preparação na paróquia. Se responsabilidade da catequese ou da pastoral do batismo, como são feitos os encontros, período, duração, etc.

i) Catequese para o matrimônio – noivos: como é feita a preparação na paróquia. Se responsabilidade da catequese ou de outra pastoral, como são feitos os encontros, período, duração, etc.

j) Estrutura da equipe de coordenação: quem compõe a equipe de coordenação na paróquia, estrutura, reuniões, etc.

k) Celebração de missa da catequese: se a catequese tem uma missa específica, horário, dia, responsabilidades, etc.

l) Outras orientações: número máximo de crianças por turma, catequistas auxiliares, número de faltas, etc.

Ufa! Conseguimos estabelecer nossos TRÊS PRIMEIROS PONTOS do ITINERÁRIO! Agora é só buscar as orientações diocesanas, subsídios e o nosso DNC; sentar com o pároco e o grupo de catequistas e começar a construir o nosso MAPA DO CAMINHO!

Aguardem na próxima edição da revista nosso QUARTO ponto: os MÉTODOS a serem utilizados na catequese.

Ângela Rocha
Catequista e formadora na Paróquia N. Sra. Rainha dos Apóstolos em Londrina-PR. Especialista em catequética pela FAVI, Curitiba-PR.
Administradora do grupo CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO
Link:
http://catequistasemformacao.blogspot.com.br/

Fontes consultadas:

ARQUIDIOCESE DE LONDRINA. Itinerário Catequético: Iniciação cristã com Crianças e Adolescentes. 2ª ed. Londrina, 2012.

CELAM. Documento de Aparecida (DAp). Texto Conclusivo da V Conferencia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. São Paulo: Edições CNBB, Paulus, Paulinas, 2007.

CNBB. Diretório Nacional de Catequese – DNC. Brasília: Edições CNBB, 2006.

CNBB. Textos e Manuais de Catequese – TM. Estudo 53. São Paulo: Paulus, 1987.

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