Sugestão:

– Colocar uma imagem de Nossa Senhora em lugar de destaque no local da reunião ou encontro.

Comentário: É o amor que inventa os nomes e no nome diz o de que mais gosta na pessoa amada. Quanto mais amada, tanto mais nomes! O amor do povo inventou muitos nomes para a Mãe de Jesus. (lembrar os nomes dados a mãe de Jesus: N. Sra. das dores, Aparecida, Mãe Rainha etc.).

– São tantos nomes que não acabaríamos de falar. Nossa Senhora nos acompanha no desterro e na solidão, nas dores e na morte. Vai conosco em todo canto e alimenta a nossa esperança com a sua ajuda, com os seus conselhos, com a sua consolação. Carregando a imagem Maria, carregamos a esperança de um dia poder chegar lá aonde ela já chegou, e murmuramos sem parar, Ave Maria…

– Lembrar as músicas sobre Maria, que mais marcaram a vida de cada um, quem sabe é possível cantar um trecho de cada uma. Iremos verificar que a nossa fé sempre teve a companhia de Maria. A Ave-Maria normalmente era a primeira oração que a mãe ensinava para os seus filhos pequenos. De alguém muito ignorante em matéria de religião, costuma-se dizer que “não sabe nem a Ave-Maria”. O Pe. Zezinho condensou poeticamente esta experiência na música “Maria de minha infância”: Eu era pequeno, nem me lembro, só(me) lembro que à noite, ao pé da cama juntava as mãozinhas e rezava apressado, mas rezava como alguém que ama. Das Ave-marias que eu rezava, eu sempre engolia umas palavras. E muito cansado acabava dormindo, mas dormia como alguém que amava.

Ave, Maria, mãe de Jesus, o tempo passa, não volta mais. Tenho saudade daquele tempo, que eu te chamava de minha mãe. Ave, Maria, mãe de Jesus, Ave, Maria, mãe de Jesus.

– Fazer um levantamento dos nomes das mulheres do grupo de catequistas. Verificar se trazem o nome de Maria, como por exemplo: Aparecida, Maria do Carmo, Fátima… Por que esta escolha?

Maria, Mãe de Deus, Mãe da Igreja

Não se pode falar da Igreja sem falar de Maria. Na religiosidade do nosso povo, ela ocupa um lugar todo especial. Cada pessoa é um sinal de Deus; Maria o é de modo especial. Mais do que qualquer outra mulher, ela nos revela o “rosto materno” do Pai, voltado para nós. O povo se identifica profundamente com Maria e a venera como mãe muito amada.

Maria é alguém, pessoa humana como nós, que se abriu de tal forma ao dom do Espírito Santo que é chamada e invocada pelo povo cristão como Mãe de Jesus e Nossa Senhora. Nela se encontra a realização daquilo que cada cristão é chamado a ser na própria vida. Nela descobrimos o perfil espiritual da primeira cristã: pobreza, serviço, temor de Deus, consciência de sua própria fragilidade, sentido de justiça, solidariedade com o povo de Deus, abertura e disponibilidade ao Plano da Salvação, confiança na realização das promessas divinas, fidelidade e misericórdia.

Na Bíblia, Maria representa todo o povo de Israel, que espera ansiosamente o Messias. Em contraste com o Não de Eva (representando o Não da humanidade – cf. Gn 3,15), Maria dá seu SIM incondicional a Deus (cf. Lc 1,38). Assim, ela é associada à obra da redenção. No evangelho de João (cf. Jo 19,25-27), na cruz, Jesus entrega sua mãe a João, que representa ali a Igreja,  e entrega João a Maria. Assim, Maria é a Mãe da Igreja. Como Mãe de Jesus Cristo, ela é também a mãe de cada um de nós, por pertencermos à família de Jesus.

Os dogmas (afirmações de fé) sobre Maria devem ser vistos em referência a Jesus Cristo. Eles querem ressaltar a importância do Cristo. O Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium, reafirma a maternidade de Maria. O Concílio apresenta Maria dentro do Plano da Salvação. Maria está em relação a Cristo e à Igreja, sua maternidade não é considerada em si, mas em seu valor salvífico. Maria não é apresentada como mãe somente por ter gerado a Cristo, mas como aquela que acompanha sempre o Filho, com sua consagração –dedicação total – a Jesus Cristo. Maria é apresentada como modelo da Igreja.

Maria não é só nossa Mãe. Ela também é nossa irmã, porque é a primeira do Povo de Deus a receber a salvação por seu Filho. Salva por Cristo, ela é livre do pecado desde o início da sua existência (Imaculada Conceição) e ela já entrou na glória, onde participa em plenitude, da ressurreição do seu Filho (Assunção de Nossa Senhora). Maria já é totalmente redimida. A íntima relação de Maria com Cristo é que a leva ser preservada do pecado. Esta preservação não se refere aos sofrimentos, dores e morte. Maria, proclamada Igreja, é totalmente de Deus, o pecado não a contaminou. A definição dogmática da Assunção não se refere à morte de Maria, não quer fazer referência a algum lugar; ser elevada, glorificada, significa ser elevada à presença de Deus.

Maria está totalmente voltada para Deus; é toda amor-doação ao Senhor. Pobre e humilde, tornou-se fecunda pelo Espírito (cf. Lc 1,35). Maria é toda de Cristo e toda servidora dos homens. Este é o sentido profundo da sua virgindade. A Lumen Gentium64 apresenta a virgindade, disponibilidade e entrega, como valor para toda Igreja.

Maria é o modelo de fé 

Não pensemos que para Maria tudo estava claro desde o início. Não. Ela vivia sua entrega a Deus na fé. Só depois da ressurreição de Jesus, ela viu com clareza o mistério em que estava envolvida. A vocação de Maria é um dom de resposta ao Senhor. Toda sua vida se expressa nesta frase: “Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a sua Vontade”.

Maria é aquela que meditava e guardava a Palavra de Deus no coração e a vivia (Lc 11,27-28; Lc 8,19-21). Aos poucos ela vai entendendo a difícil missão de seu Filho (Lc 2,33-40). Como mulher de fé, guarda tudo e medita em seu coração (Lc 2,19.51). A influência de uma mãe é inegável no homem.Toda a grandeza de Jesus é também um reflexo da grandeza daquela que o formou.

Ser fiel é fazer-se discípulo de Jesus. É o que acontece com Maria na vida pública do Filho. Ela o acompanha, convertendo-se a Ele. É um verdadeiro itinerário de fé de Maria acompanhando a vida do Filho. A vida para Maria foi um desafio: ela devia renovar, cada dia, seu compromisso com Deus. Estava sujeita, como nós, a desviar da rota. Maria foi constantemente provocada pelas palavras e atitudes de Jesus, que eram tão diferentes das pessoas do seu tempo. À medida que Jesus diz ou faz algo novo, Maria se sente chamada a dar mais um passo na fé. 

Talvez o mais duro desafio que Maria enfrentou em confronto com Jesus, foi a posição de liberdade que ele tomou em relação à família. Certamente não deve ter sido fácil para ela renunciar aos privilégios de mãe, perder o controle sobre Jesus, não tê-lo dentro de casa. Jesus não pertence mais à sua família. Sua atitude é como uma espada cortante. Contudo, Maria aceita o desafio e corrige sua rota. Entra humildemente no grupo dos seguidores, dos aprendizes de Jesus. Aquela que educou Jesus na infância e juventude, agora está lá para aprender. Não tem lugar de destaque. Despojou-se de seu poder de mãe para se tornar discípula de Jesus.

Em Caná ela toma a iniciativa e se converte em colaboradora: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5). Essas palavras têm uma grande força simbólica: a perfeita discípula e seguidora de Jesus se torna mestra e guia dos cristãos! É como se hoje Maria continuasse a dizer aos cristãos: “vale a pena buscar a vontade de Jesus, ouvir suas palavras e tomar atitudes concretas!”

Na cruz ela acompanha o filho no momento mais dramático de sua missão. Maria está junto de Jesus não apenas como mãe sofrida e desesperada; ela representa, também, o pequeno grupo que perseverou, que não fugiu no momento da perseguição e da crucificação de Jesus. É a corajosa seguidora de Jesus, que permanece no seu amor (Jo 15,4.10). Junto com ela ficam algumas mulheres. O gesto de “permanecer de pé” significa persistência, constância e adesão. Em meio aos discípulos nós vamos encontrar Maria após a ressurreição (At 1,14).

Junto com Maria e as mulheres só fica um homem: o “discípulo amado”. Na Tradição cristã, se diz que ele é o jovem apóstolo e evangelista João. O discípulo amado testemunha o que Jesus fez e disse (cf. Jo 19,35;21,24). Ele também representa a comunidade cristã, o imenso grupo dos que seguem os passos de Jesus, e se tornam seus servidores e amigos. Caná e Cruz não aconteceram somente uma vez. Estão se realizando ainda. Nós somos hoje os discípulos amados de Jesus. O Pai nos dá o mesmo amor com o qual amou a Jesus (Jo 17,26). E nos presenteia Maria, mãe-educadora, para nos ajudar a viver nossa vocação cristã!

Maria, Mãe, desperta o coração do filho adormecido em cada ser humano. Leva-nos a desenvolver a vida do batismo pela qual nos tornamos filhos. Ao mesmo tempo, esse carisma materno faz crescer em nós a fraternidade e, assim, Maria faz com que a Igreja se sinta uma família.

Maria é bendita entre as mulheres

Nós hoje queremos ser livres e buscamos em tudo a liberdade. Maria dialogou com Deus e se colocou diante dele como pessoa decidida. Deus a tratou com liberdade e deixou que ela lhe respondesse também com liberdade. Maria nos ensina, portanto, a construir a história mediante uma vida agradável a Deus. Ela nos ensina a não colocar nossa confiança nos poderosos, mas assumir a tarefa de libertar, de promover e de realizar a vida nova, a utopia cristã no Magnificat. (Lc 1,46-55).

Olhando nossas comunidades hoje, onde a mulher tem um papel fundamental, quantas Marias não estão agora cuidando dos trabalhos pastorais, com alegria, disponibilidade e profecia! Quantas catequistas!

Esta é a hora de Maria, isto é, o tempo do Novo Pentecostes a que ela preside com sua oração, quando sob o influxo do Espírito Santo a Igreja inicia um novo caminho em seu peregrinar. Que Maria seja, nesse caminho, a estrela da evangelização sempre renovada (cf. Puebla 81) e nos inspire a ser catequistas do Reino.

Maria era uma moça simples. Era porta-voz da esperança de todo um povo, do Povo Deus! Maria, além de ser do povo, era também de Deus, totalmente, e Deus estava com ela! Ser de Deus e do Povo! Estes dois pontos marcam a vida da nossa Senhora. E é por isso que a gente a venera com tanto entusiasmo, carregando a imagem nos andores e invocando o seu nome. Peçamos que ela seja nossa companheira na missão de construirmos um mundo novo, como pede o seu Filho Jesus.

Vinde conosco, ó Mãe de Deus e nossa,

Nesta difícil travessia da vida,

Santa Mãe Maria, somos vosso povo!

Assim seja agora, sempre e todo dia,

Virgem santa, Virgem bela,

Mãe amável, mãe querida.

Mãe pura do meu Senhor.

Ave, Ave, Ave, Ave Maria!

Sugestão para a oração final

-Espalhar no chão em círculo gravuras de mulheres e colocar também uma imagem de N.Sra., uma vela.  Colocar uma faixa com os seguintes dizeres: “O Senhor fez em mim maravilhas. Santo é seu nome” (Lc 1,49).

Rezemos juntos:

Maria, tu és o sinal de esperança certa e de consolo para nós, que ainda peregrinamos na terra.

Dá-nos um coração simples e pobre como o teu, para poder esperar verdadeiramente.

Dá-nos um coração orante e contemplativo para descobrir constantemente as pegadas do Senhor em nossa história.

Dá-nos um coração sereno e forte para que degustemos a cruz pascal e contagiemos os homens a alegria de seguir seu Filho Jesus.

Amém.

Ave Maria…

Cantemos: Senhora e Rainha (música de Pe. Zezinho)

O povo te chama de Nossa Senhora, por causa de Nosso Senhor.

O povo te chama de mãe e rainha, porque Jesus Cristo é o rei do céu.

E por não te ver como desejaria, te vê com os olhos da fé.

Por isso ele coroa a tua imagem, Maria, por seres a mãe de Jesus,

por seres a mãe de Jesus de Nazaré.

Como é bonita uma religião que se lembra da Mãe de Jesus.

Mais bonito é saber quem tu és!

Não és deusa, não és mais que Deus, mas, depois de Jesus, o Senhor,

neste mundo ninguém foi maior.

Aquele que lê a palavra divina, por causa de Nossa Senhora,

Já sabe que o livro de Deus nos ensina que só Jesus Cristo é o intercessor!

Porém, se podemos orar pelos outros, a mãe de Jesus pode mais!…

Por isso te pedimos em prece ó Maria, que leves o povo a Jesus,

porque, de levar a Jesus, entendes mais!

 

Sugestão de Bibliografia para aprofundar o assunto:

-MURAD, Afonso. Quem é esta Mulher? Maria na Bíblia. São Paulo, Paulinas, 1996.

-CNBB. Com Maria Rumo ao Novo Milênio. São Paulo, Paulinas, 1999.

-KONINGS, Johan. Ser Cristão. Fé e prática.Petrópolis, Vozes, 2003.

 

Por   Lucimara Trevizan

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