Receba as novidades exclusivas de nossa rede :)

Cadastre-se

Reconhecer o agir de Deus é uma necessidade para nós

img

Para nós, homens e mulheres, é difícil perceber no nosso dia a dia a ação de Deus, pois, não fomos treinados para isso. Até acreditamos, pela fé que recebemos ou “adquirimos”, que Deus age. Mas, se tivermos de dar nomes para o agir de d’Ele, talvez ficássemos nas respostas óbvias ou que já ouvimos de alguém, como: poder respirar é agir de Deus; poder acordar é agir de Deus; estar com saúde é agir de Deus, etc. Contudo, se essas coisas simples como acordar, respirar e ter saúde nos forem dificultadas, possivelmente, já não seremos tão capazes de reconhecê-Lo no dia a dia.

No entanto, é muito importante reconhecê-Lo e, esse, é um exercício que precisa ser diário e contínuo. Porque a ação da graça sobre nós é desde a criação do mundo até toda a eternidade. Notemos a ação da graça de Deus como se, insistentemente, caísse uma chuva leve e tão fina que mal podemos perceber.

Deus é constante e nós somos inconstantes! Vem daí a necessidade de reconhecer a ação contínua d’Ele sobre nossa vida, do contrário, poderemos cair no erro de achar que somos “o protagonista” da nossa história, quando não o somos. Se pudéssemos colocar a vida em função “slow motion” (câmara lenta) talvez pudéssemos, então, perceber a chuva de graças caindo sobre nós ou o feixe do Espirito Criador que ilumina e age em nós ininterruptamente.

Brisa suave

Quero nos lembrar da experiência de Elias no monte, em que ele esperava a presença de Deus: “O Senhor lhe disse: ‘Saia e fique no monte, na presença do Senhor, pois, o Senhor vai passar’. Então, veio um vento fortíssimo que separou os montes e esmigalhou as rochas diante do Senhor, mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento houve um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto houve um fogo, mas o Senhor não estava nele. E depois do fogo houve o murmúrio de uma brisa suave. Quando Elias ouviu, puxou a capa para cobrir o rosto, saiu e ficou à entrada da caverna. E uma voz lhe perguntou: ‘O que você está fazendo aqui, Elias?’ (1Rs19,11-13).

Na correria da nossa vida, perseguidos por medos e sombras, somos capazes de desejar apenas nos esconder de Deus e de quem quer que seja. E não perceber que nesta “chuva” leve que cai sobre nós; nesta brisa suave está a manifestação do próprio Senhor e o Seu toque delicado. Porém, causa em nós um certo incômodo.

É, justamente, esse incômodo que pode nos revelar a presença de Deus. Sim, esse impulso criador e transformador de Deus agindo sobre nós, assim como sobre toda a criação, pois fomos feitos para a evolução. Deus não nos quer acomodados com a nossa condição atual; Ele mesmo que nos impulsiona, “incomoda” e derrama sobre nós a graça para buscar a evolução.

Fique atento e reconheça os “incômodos inconvenientes”!

Portanto, ficarmos atentos aos “incômodos inconvenientes” da nossa vida, abre diante de nós uma janela de oportunidades: de mudança, crescimento e maturidade. Afinal, o Senhor pode se utilizar de situações e pessoas para nos “incomodar”. Se focamos nas situações e pessoas, corremos o sério risco de perder a oportunidade de crescimento. Mas, se formos para além, encontraremos abertas tais janelas e o ar puro e fresco de uma vida nova à nossa disposição.

O nosso maior desafio é reconhecer que Deus está agindo em qualquer que seja a situação; é ser capaz de perguntar-se com sinceridade: “O que Ele está querendo me dizer?”; “O que Ele espera de mim?”. Dizer: “é Deus agindo aqui” e questionar-se “Senhor, o que queres que eu faça?” é o melhor caminho para o crescimento e amadurecimento pessoal.

Perceber que, mesmo nas contrariedades, Deus sempre age a nosso favor e lançar-se numa vida de dependência exclusiva de Deus (o que podemos chamar de viver da providência), tais graças integram nossa vida neste processo proposto por Deus e nos garante um antídoto contra a ansiedade. Pois, quem confia na Divina Providência não tem motivos para preocupar-se com o presente e nem com o futuro, sendo esse último a grande causa da ansiedade em muitos casos.

Lembre-se: a imagem da chuva aqui proposta está em função “slow motion” (câmara lenta), portanto, se colocarmos a vida “para correr” no ritmo normal, essa visão torna-se quase ou totalmente invisível, imperceptível. E, por isso, nossa visão pode tornar-se obscurecida, então, correríamos o sério risco de nos “deleitarmos no conforto”. Seríamos o resultado das escolhas condicionadas por uma vida cheia de frustrações e medos; de vícios; de feridas. Quando, no entanto, somos constantemente convidados por Deus a irmos além: além do visível; além de nós mesmos; além do que sentimos e tocamos. Viver da fé, viver da providência, num exercício contínuo de mudança, crescimento, maturidade e confiança em Deus.

Num constante reconhecer que é Deus agindo sempre.

Referência bibliográfica:
Cencini, Amadeo, “A hora de Deus: a crise na vida crista”, Paulus, 2011.

Por Carla Picolotto
Via Canção Nova

Deixe o seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *