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Agosto: o mês das vocações

Agosto: o mês das vocações

vocacional[1] Em latim, “vocare”. Em português, “vocação”. Universalmente, um chamado.

A vocação é uma competência que estimula as pessoas para a prática de atividades associadas ao desejo de seguir determinado caminho. Por extensão, é um talento, uma aptidão natural, uma capacidade específica para executar algo.

Em linhas gerais, há a vocação profissional, formada por um conjunto de aptidões naturais e também por interesses específicos de um indivíduo, que o direcionam à escolha de uma profissão, e a vocação religiosa, um chamado de Deus para uma vivência radical do batismo. É caracterizada por um constante combate à idolatria, especialmente através da vivência dos votos de pobreza, castidade e obediência.

A vocação profissional:

É o caminho mais adequado para a escolha da carreira que se deseja seguir. O autoconhecimento, o interesse por determinado ramo de atividade, o mercado de trabalho, a realidade do trabalho no contexto social, seus projetos de futuro e as perspectivas de futuro para determinadas profissões, poderão compor o ponto de partida para o processo de escolha de uma futura profissão.

Descobrir a vocação profissional é um grande dilema para a maioria das pessoas. No momento de decisão surgem incertezas, inseguranças, dúvidas, principalmente pela pressão externa e pelo grande número de informações que geralmente o jovem recebe.

[2] A vocação religiosa:

A vocação religiosa é um chamado a uma vivência radical do batismo. É caracterizada por um constante combate contra a idolatria, especialmente através da vivência dos votos de pobreza, castidade e obediência. Porém, a vida religiosa entra em crise quando deixa de lado a vivência dessa vocação primeira, a radicalidade do batismo, para afirmar somente as suas atividades, práticas. Quando deixa de lado a vivência de sua consagração, o religioso, pouco a pouco, se afasta de seu chamado.

A vocação sacerdotal:

Jesus Cristo continua chamando pessoas para darem continuidade à sua obra de amor, a construção do reino de Deus.

A vocação sacerdotal é um dom de Deus para a Igreja e para o mundo. O diácono, o padre e o bispo recebem da Igreja o Sacramento da Ordem.

Para que se torne padre, um jovem deve ingressar no seminário e estudar, a partir do segundo grau, as faculdades de filosofia e teologia.

O Brasil possui cerca de 16.500 sacerdotes diocesanos e religiosos. Ultimamente o número de seminaristas tem aumentado graças ao trabalho de conscientização feito pela Pastoral Vocacional.

[3] Como identificar a vocação sacerdotal e religiosa?

Jesus chamou para apóstolos “aqueles que Ele quis”, depois de passar a noite em oração. A Igreja viu nisso o chamado ao sacerdócio e também às outras formas de vida religiosa. É Jesus quem chama o jovem à vida sacerdotal, o que não é fácil. A vida religiosa exige muitas renúncias para ser “todo de Deus”, estar a serviço do Seu Reino para a edificação da Igreja e a salvação das almas.

A palavra “vocação” vem do latim vocare, que quer dizer “chamar”. Deus põe no coração do jovem esse desejo de servi-lo radicalmente, indiviso, full time, em tempo integral, sem divisão.

Para discernir esse chamado divino, o jovem precisa, sem dúvida, de um bom orientador espiritual, um padre ou um leigo experiente para ajudá-lo. Penso que alguns sinais indicativos da vocação de um jovem ao sacerdócio ou à vida religiosa sejam esses:

1 – Ter vontade de entregar a vida totalmente a Deus sem guardar nada para si; ser como Jesus, totalmente disponível ao Reino de Deus. Ser um outro Cristo – alter Christus. Abraçar o celibato com gosto, oferecendo a Deus a renúncia de não ter esposa, filhos, netos, vontade própria etc. É um casamento com Jesus. Ele disse que receberá o cêntuplo nesta vida e a vida eterna depois quem deixar tudo por causa d’Ele e do Seu Reino. Jesus disse que as raposas têm seus ninhos, mas que Ele não tinha nem mesmo onde reclinar a cabeça. Isso é sinal de uma vida despojada de tudo. Nada era d’Ele, nem a gruta onde nasceu, nem o burrinho que O levou a Jerusalém. O barco de onde pregava e viajava, o manto que os soldados sortearam também não eram d’Ele. Nem a casa onde vivia em Cafarnaum pertencia ao Senhor. Tudo Lhe foi emprestado. Cristo era despojado de tudo; a Ele só pertencia a cruz.

Dom Bosco disse que não pode haver graça maior para uma família do que ter um filho sacerdote. É verdade. O padre faz o que os anjos não podem fazer: perdoar os pecados, realizar o milagre da Eucaristia, tornar presente o Calvário em cada Missa para a salvação do mundo.

2 – A vocação religiosa exige que o candidato tenha o desejo de trabalhar como Jesus pela salvação das almas, sem pensar em um projeto para a sua vida. Exige entrega total nas mãos de Deus, desejo de viver mergulhado no Senhor. Tem de gostar de rezar, de estar com Deus, de meditar Sua Palavra e participar da liturgia, pois sem isso não se sustenta uma vocação sacerdotal.

O demônio tem muitas razões para tentar um sacerdote ou um religioso, pois este lhe arrebata as almas. Então, o religioso consagrado tem de viver uma vida de extrema vigilância, muita oração e mortificação, como disse Jesus.

3 – Amar a Igreja de todo o coração, tê-la como Mãe e Mestra, ser submisso aos ensinamentos do seu Magistério. Ser fiel à Igreja e a seus pastores, nunca ensinando algo que não esteja de acordo com o Sagrado Magistério da Igreja. Viver o que diziam o Santos Padres: sentire cum Ecclesia. Amar o Papa, os bispos, Nossa Senhora, os anjos e santos, os sacramentos, a liturgia e tudo o que faz parte da nossa fé católica. Amar a Bíblia e gostar de meditá-la todos os dias. Desejar estudar Teologia, Filosofia e tudo o mais que o Magistério Sagrado da Igreja nos recomenda e ensina. Gostar de fazer meditações, retiros espirituais e uma busca permanente de santidade. Almejar, como disse São Paulo, atingir a estatura adulta de Cristo; ser um bom pastor para as ovelhas.

4 – Desejar viver uma vida de penitência, na simplicidade, na pobreza evangélica, na obediência irrestrita aos superiores, aberto a todos por um diálogo franco. Ser tudo para todos. Estar disposto a obedecer sempre o seu bispo ou seu superior a vida toda, qualquer que seja a decisão dele sobre você.

5 – Estar disposto a dar até a vida pela Igreja, pelas almas e por Jesus Cristo.

Talvez, eu tenha sido um pouco exigente, mas para aquele que deseja ser um “sacerdote do Deus Altíssimo”, creio que não se pode pedir menos do que isso. Quem opta pela vida sacerdotal deve se entregar de corpo e alma a ela; não pode ser mais ou menos sacerdote ou religioso. Seria uma frustração para a pessoa e para Deus. É melhor ser um bom leigo do que um mal religioso.

 


 

[1] Revista Sou Catequista, 12ª edição
[2] Padre Paulo Ricardo, Christo Nihil Praeponere
[3] Professor Felipe Aquino, Canção Nova

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