Vida Cristã – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Wed, 16 Oct 2024 23:05:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Vida Cristã – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 A vocação de catequista na Iniciação à Vida Cristã https://soucatequista.com.br/a-vocacao-de-catequista-na-iniciacao-a-vida-crista/ https://soucatequista.com.br/a-vocacao-de-catequista-na-iniciacao-a-vida-crista/#respond Wed, 16 Oct 2024 23:05:46 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=84520 A inspiração catecumenal restaurada pelo Concílio Vaticano II retoma a ênfase na dimensão comunitária da fé. Na comunidade, as pessoas eram acolhidas, ouvidas em suas necessidades e acompanhadas durante o itinerário de sua formação na fé em Cristo. “Eram assíduos em escutar o ensinamento dos apóstolos, na solidariedade, na fração do pão e nas orações” (At 2,4). Assim, a comunidade era entendida como a primeira catequista.

Ao longo do tempo, por várias razões eclesiológicas e pastorais, a comunidade (lugar dos membros iniciados nos sacramentos) perdeu sua vocação genuína de lugar de educação da fé. O aumento do número de batizados, a expansão do cristianismo nos países vizinhos e a descoberta do Novo Mundo, fizeram a comunidade cristã crescer em escala mundial.

Durante a expansão da fé cristã, a Igreja reconhece a importância significativa do catequista, enquanto pessoa que dá testemunho do seguimento de Jesus Cristo e coloca-se à disposição para acompanhar a caminhada de educação da fé dos membros da comunidade, motivando para a adesão convicta à proposta do Evangelho.

Hoje, no contexto da Iniciação à Vida Cristã de inspiração catecumenal, a educação da fé encontra-se diante de novos desafios e pede posturas diferentes dos educadores da fé. Desta forma, como identificar a vocação de catequista que responda à urgência da ação evangelizadora? Como podemos crescer juntos na educação da fé de adultos, jovens, adolescentes e crianças?

A inspiração para nossas respostas pode partir da declaração do papa Francisco, por ocasião do Ano da Fé, durante a Jornada dos Catequistas, quando afirmou: “Quem é o catequista? É aquele que guarda e alimenta a memória de Deus; guarda-a em si mesmo e sabe despertá-la nos outros. É belo isto: fazer memória de Deus”.

À luz da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, podemos entender que a educação da fé na inspiração catecumenal dá-se por meio de uma catequese querigmática e mistagógica. Eis aí uma chave de leitura para compreendermos a vocação de catequista no contexto da iniciação à vida cristã de inspiração catecumenal.

Catequista que faz memória de Deus. A fé é fruto de memória, de recordações de fatos e vivências que ficaram marcadas pela experiência com Deus. O Documento Catequese Renovada segue explicando: “O catequista dedica-se de modo específico ao serviço da Palavra, tornando-se porta-voz da experiência cristã de toda a comunidade. O catequista é, de certo modo, o intérprete da Igreja junto os catequizandos. Ele lê e ensina a ler os sinais da fé” (CR 145).

Fazer memória e educar a fé é ajudar a identificar, na correria dos tempos atuais, os lugares, os momentos e as iniciativas de Deus que continuam a visitar cada pessoa, despertando-as para a experiência de fé.

Catequista que vive o querigma. O querigma é o anúncio do Mistério Pascal, conteúdo central da fé: Jesus Cristo, filho de Deus, viveu entre os homens e mulheres de seu tempo, padeceu, morreu e ressuscitou (cf. At 10,37-43).

Ser catequista tendo o querigma como conteúdo central da fé significa: anunciar o amor livre e salvífico de Deus; acolher a pessoa e sua liberdade de escolha pela fé; propor a vida e a mensagem do Evangelho antes de qualquer pregação doutrinal ou obrigação moral; abrir-se à proximidade e ao diálogo; e compreender-se como instrumento da paciência de Deus que não condena, mas quer a misericórdia (cf. EG 165).

Catequista mistagogo. A inspiração catecumenal depende em qualidade da experiência mistagógica. Isto é, da experiência com o mistério divino, com aquele amor que se antecipa, que acolhe a humanidade em todas as fragilidades. O catequista mistagogo compreende que cada pessoa cresce progressivamente na experiência divina e valoriza os sinais e símbolos litúrgicos da iniciação cristã (cf. EG 166).

A vocação de catequista mistagogo não se aprende em livros, cursos e teorias. O catequista mistagogo deixa-se configurar pelo Mistério Pascal e faz da própria vida um percurso de experiência e testemunho deste mistério. Ou seja, a vida cotidiana é o lugar de manifestação da fé, onde é possível contemplar o mistério divino e transformar as realidades para que este mesmo mistério seja vivido por seus interlocutores.

Como mencionamos acima, a Igreja é rica em sua história, em suas iniciativas e em suas metodologias eclesiais, conforme a necessidade de cada época. O contexto atual, derivado da renovação conciliar, exige dos formadores de catequistas e das pessoas que estão no exercício das coordenações uma postura de curiosidade e coragem. Curiosidade para aprender, para deixar-se envolver pelo novo, pela mística catecumenal. E coragem para inovar, para ressignificar as estruturas e os métodos.

Para contribuir com a formação de catequistas nesta primavera da inspiração catecumenal, dispomos de diversas produções literárias, dos conceitos e orientações da Doutrina e da interação entre Liturgia e Catequese. Além disso, a formação de catequistas depende em muito do apoio e da integração das lideranças e agentes de pastoral de nossas comunidades.

Concluindo, algumas exigências podem ser apontadas para a animação da vocação de catequista no contexto da inspiração catecumenal. A primeira delas é dar lugar à alegria que brota do Evangelho. Alegrar-se com a presença de Deus que nos visita em Jesus de Nazaré. Isto significa: centralidade da Palavra de Deus na catequese. Em segundo lugar, a exigência dos pequenos grupos, onde a sensibilidade e o afeto dão novo sabor à liturgia (momento de fazer memória em comunidade). E ainda, a exigência da martyria, que significa a prática da caridade, dedicando a vida aos menos favorecidos, às pessoas com menos oportunidades e às realidades que precisam da novidade da ressurreição. É a vivência da caridade que deixa as marcas da fé confessada.

Somos catequistas do novo dia, da vida nova!

Por Ariél Philippi Machado, Teólogo e Especialista em Catequese – Iniciação à Vida Cristã(Via Catequese do Brasil)

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O sentido litúrgico do Dia de Finados https://soucatequista.com.br/o-sentido-liturgico-do-dia-de-finados/ https://soucatequista.com.br/o-sentido-liturgico-do-dia-de-finados/#respond Sat, 31 Oct 2020 13:00:20 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=111074 [vc_row][vc_column][vc_tta_tabs style=”modern” color=”black” active_section=”1″][vc_tta_section title=”História da Celebração” tab_id=”1603826056046-402a4bb8-f4d5″][vc_column_text]O Cristianismo nasceu embebido pela vida, morte e ressurreição de Jesus, o Cristo Senhor. O ápice da vida do filho de Deus foi sentir em sua carne a frieza da morte. Sem dúvida, ao doar amorosamente sua vida na cruz, Jesus viveu em sua própria carne a experiência da morte. Ele morreu realmente. Mas a Graça de Deus, confirmando a mensagem e o testemunho de vida de Jesus, o ressuscitou dos mortos e garantiu assim, a todos os fiéis que nele depositam suas esperanças, a possibilidade de transcender também a fase finita da vida e alcançar a plenitude da personalidade e potencialidades humanas, na realidade de fé que chamamos de Vida Eterna.

Desde muito cedo o Cristianismo celebrou os fiéis que morreram unidos à sua comunidade de fé. Os mártires eram venerados nos locais de seu martírio e as primeiras construções genuinamente cristãs foram monumentos em homenagem a estes heróis da fé. Além disso, as perseguições imperiais obrigavam os cristãos a refugiarem em catacumbas para celebração dos exercícios litúrgicos. E as catacumbas nada mais eram que os primeiros cemitérios cristãos.

Os mais antigos sacramentários romanos atestam o uso de missas pelos defuntos. O costume de rezar pelos mortos em celebrações específicas parece ter surgido pelo fato de que não era possível realizar exéquias dos cristãos no momento da morte, tamanho o medo da perseguição pagã. Assim, dias depois do fato, geralmente uma semana ou mesmo trinta dias, a comunidade reunia-se para as devidas homenagens ao falecido e aos familiares.

Nos mosteiros irlandeses, no século VII, já encontramos rolos com os nomes de monges falecidos, que circulavam entre as comunidades, numa rústica forma de comunicação orante entre os religiosos. Para estes falecidos era sempre dedicado algum ofício religioso solene. Dessa tradição surgiram as necrologias, lista de nomes lidas nos ofícios e os obituários, lembrando serviços fundados ou obras de misericórdia dos defuntos em suas datas. Passou-se claramente das menções globais aos nomes individuais.

Nos séculos IX e X, no auge do período carolíngio, já é possível encontrar o costume de anotar nomes de falecidos para oferecimento de missas, mas ainda mantém-se a vinculação com o nome de vivos, que faziam suas ofertas generosas para a comunidade cristã. Os “libri memoriales” (Livros Memoriais) carolingianos continham de 15.000 a 40.000 nomes a serem lembrados. Durante as Eucaristias chegava-se a enumerar de 40 a 50 nomes por dia!

Mas foi em Cluny, o renomado Mosteiro francês, que começou a surgir uma explicação da oração pelos mortos. À Igreja Peregrina nos caminhos da história unia-se a Igreja Triunfante (os santos e santas) e à igreja Padecente (aqueles que mesmo mortos ainda não tinham alcançado a plenitude da Ressurreição). Esta união entre santos e pecadores, chamada de comunhão dos santos, já fazia parte da tradição cristã e foi teologicamente elaborada pelo mestre da escolástica, Santo Tomás de Aquino, nos seguintes termos:

Assim como no corpo natural a atividade de um membro se subordina ao bem estar de todo o corpo, também no corpo espiritual que é a Igreja, acontece o mesmo. E porque todos os fiéis são um só corpo, o bem de um comunica-se ao outro.

Tudo indica que foi no século X que, a partir do mosteiro do Cluny, instituiu-se a comemoração dos mortos para o dia 2 de novembro, em íntimo contato com a festa de todos os santos. A Festa dos Mortos será rapidamente celebrada em todo mundo cristão. Trata-se hoje de um dos feriados mais universais do nosso planeta.

Por Pe. Adenildo Godoy Barbosa – Comissão para Liturgia e Música Sacra da Arquidiocese de Curitiba, via Comunidade Shalom[/vc_column_text][/vc_tta_section][vc_tta_section title=”Sentido da celebração de Finados” tab_id=”1603826056075-5971a6d3-55ae”][vc_column_text]No dia de Finados, não festejamos a morte. Seria uma ignorância e uma contradição. Celebramos sim, nossa fé na ressurreição e a esperança do encontro na morada que Jesus nos preparou, no seio amoroso de Deus. A comemoração dos fiéis defuntos é uma oportunidade ímpar para agradecer a Deus pela existência daqueles que nos precederam e, de certa forma, participaram da construção de nossa própria história.

O gesto mais comum em Finados é a visita ao cemitério, a participação na Eucaristia e as devoções próprias de cada cultura, como acender velas, oferecer flores e enfeitar os túmulos dos falecidos. Em todos estes gestos antropologicamente enraizados no ser humano transparece a consciência que temos de nossa finitude e da necessidade absoluta de apego ao Divino para a manutenção da esperança em glorificação da existência.

Acendemos velas para lembrar que essa luz segue iluminando-nos, em nossos corações. Veneramos seus exemplos e imitamos sua fé (Hb 13,7). Enfeitamos as sepulturas com flores, símbolo da ressurreição. Nossos mortos são plantados como sementes, regadas com nossas lágrimas, e florescem ressuscitados no jardim do Senhor.

Além disso, ao recordar a vida de um ente querido, nós próprios deparamo-nos com a realidade da morte em nossa vida e pesamos nossos comportamentos pessoais e sociais. A presença da limitação e fraqueza da vida permite-nos ser mais humildes na consideração da validade de nossa vida. Não há como ficar insensível diante da finitude da carne humana!3. Sentido Teológico de Finados: a certeza da Ressurreição

Nossa fé cristã é a fé no Ressuscitado. Esta certeza de fé elimina de nós toda e qualquer idéia de renascimento ou reencarnação. Somos únicos desde a concepção, durante a vida e após a morte. A razão de nossa fé na Ressurreição é a experiência radical de Jesus. Ele foi Ressuscitado pelo Pai (At 2, 22s), numa atitude amorosa que confirmou toda a obra realizada pelo homem de Nazaré em favor dos mais oprimidos e marginalizados.

O fundamento teológico para a nossa compreensão de fé em torno da vida que começa na morte está na Ressurreição de Jesus Cristo. É São Paulo que diz: ‘Se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria a nossa fé, e nós ainda estaríamos em nossos pecados’ (1Cor 15, 17).

Nós cremos na ressurreição como um momento de transcedência de nossa realidade finita para uma realidade infinita ao lado de Deus. Na Ressurreição nossa vida é transformada. Assim como acontece com a semente que, ao ser lançada na terra, morre e desta morte nasce a nova vida, cremos que também nós vamos ressuscitar e assumir uma nova vida. Nós cremos que a nossa vida terrestre é uma preparação para a verdadeira e definitiva vida. Temos uma única oportunidade de viver no mundo e nos preparar para a eternidade.

O próprio Jesus viveu apenas uma única vida humana, iniciada no momento de sua concepção no seio virginal de Maria e consumada na cruz, quando exausto e sem forças, Jesus entrega sua vida nas mãos do Pai (Jo 19,30). Mas, como já dissemos, Deus não permitiu ao Cristo permanecer preso nas cadeias da morte, mas o fez receber vida nova, ressuscitando-o e reafirmando assim o valor da vida justa sobre os poderes nefastos de uma sociedade marcada pela cultura de morte.

Mas, Ele ressuscitou. O corpo físico de Jesus foi transformado em um corpo glorioso, que não ocupa mais espaço, não envelhece mais com o tempo e não morre mais. Este Cristo vivo e ressuscitado está na Eucaristia, está nos sacrários de nossas igrejas e está também na comunidade cristã, já que Ele disse: ‘Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei presente’ (Mt 18,20) ou então: ‘Eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos’ (Mt 28, 20). Nada pode nos separar do amor de Cristo.

Já a teologia de oração pelos mortos alicerça-se na noção tradicional de purgatório, momento de expiação dos erros passados e de contemplação da face gloriosa de Deus. A teologia atual não aboliu, com se pensa, a noção de purgatório. Obviamente, a idéia de um fogo devorador que aflige atemporalmente os homens e mulheres que falecem afastados de Deus recebe hoje um tratamento mais aceitável. O purgatório seria a própria percepção de não realização da missão confiada por Deus a cada um de nós. Ao deparar-nos com a imensa distância entre o ideal sonhado por Deus e o real vivido, o ser humano sofre por ter sido tão leniente. Imediatamente, entretanto, contempla a glória de Deus e nela mergulha. Rezar pelos mortos significa ajudá-los a tomar consciência de que estão afastados do ideal de Deus.4. Celebrando o dia de Finados

As celebrações litúrgicas do dia de hoje são comedidas e cercadas de um clima de saudade e tristeza. São comuns as missas rezadas nos cemitérios, onde um ou outro grupo pastoral pode estar presente para acolher as pessoas mais sensibilizadas.

Nas igrejas e capelas reze-se pelos fiéis defuntos que participaram da história da comunidade, mas evite-se enumerar nomes ou dar destaques a algum falecido. Mantenha a sobriedade dos cantos e respeite-se o silêncio com marca da celebração.

Entretanto, evite-se o clima de luto nas celebrações. Vale a pena recordar que a celebração de Finados marca a esperança cristã na Ressurreição e deve ser iluminada por aquela alegria que marca a fé cristã.

Para os celebrantes, atenção nas homilias. O Mistério da Ressurreição deve ser o centro da reflexão, aproveitando para refletir bem as palavras do Evangelho e esclarecendo o real sentido da morte para o cristão, numa catequese que contemple toda a eliminação de idéias estranhas tão espalhadas pela mentalidade do povo católico brasileiro.

Por Pe. Adenildo Godoy Barbosa – Comissão para Liturgia e Música Sacra da Arquidiocese de Curitiba, via Comunidade Shalom[/vc_column_text][/vc_tta_section][vc_tta_section title=”Oração” tab_id=”1603826596458-8b545da8-d71e”][vc_column_text]Pai Santo, Deus eterno e todo-poderoso, nós vos pedimos por (nome do falecido(a)) que chamastes deste mundo. Dai-lhe a felicidade, a luz e a paz. Que ele(a), tendo passado pela morte, participe do convívio de vossos santos na luz eterna, como prometestes a Abraão e à sua descendência. Que sua alma nada sofra, e vos digneis ressuscitá-lo(a) com os vossos santos no dia da ressurreição e da recompensa. Perdoai-lhe os pecados para que alcance junto a vós a vida imortal no reino eterno.
Por Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Rezar: 1 Pai Nosso e 1 Ave-Maria.

Dai-lhe, Senhor, o repouso eterno e brilhe para ele(a) a vossa luz.
Amém.[/vc_column_text][/vc_tta_section][/vc_tta_tabs][/vc_column][/vc_row]

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Para catequizar é preciso ser catequizado https://soucatequista.com.br/para-catequizar-e-preciso-ser-catequizado-2/ https://soucatequista.com.br/para-catequizar-e-preciso-ser-catequizado-2/#respond Tue, 05 Nov 2019 13:52:51 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=44765 Alguém pode imaginar uma pessoa grosseira e mal-educada no papel de educador? Transmitindo conceitos de boa educação, de cortesia?

Certamente que não! Somente será um bom educador quem é bem educado, quem assume como seus os valores do bom relacionamento entre as pessoas e os põe em prática no seu dia a dia.

Assim, também o catequista deve ser uma pessoa que amadureceu na fé, que compreendeu e assumiu os valores cristãos na própria vida, que dá testemunho do Evangelho com as suas ações cotidianas. Alguém que é comprometido com a causa do Reino e se coloca a serviço da sua construção.

Um catequista que não sabe dar razão da própria fé, não é um bom educador.

O catequista tem que se dedicar constantemente a aprofundar a própria identidade cristã, buscando o “por que?” da sua fé, descobrindo a meta da sua caminhada e o objetivo de fazer esse caminho. Por isso sua formação deve ser contínua e permanente.

O “Ser Cristão” tem que ter coerência na vida do catequista, pois do contrário, sua mensagem será vazia de sentido, apenas palavras jogadas ao vento.

Via  Universo Vozes

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Páscoa é uma festa de família https://soucatequista.com.br/pascoa-e-uma-festa-de-familia/ https://soucatequista.com.br/pascoa-e-uma-festa-de-familia/#respond Mon, 15 Apr 2019 11:08:36 +0000 http://www.soucatequista.com.br/?p=54097

A Páscoa é uma festa de família, porque viver ressuscitado é saboroso como o chocolate

Que conceito bonito este de que a família é a Igreja doméstica! “Em nossos dias, num mundo que se tornou estranho e até hostil à fé, as famílias cristãs são de importância primordial, como lares de fé viva e irradiante. Por isso, o Concilio Vaticano II chama a família, usando uma antiga expressão, de ‘Eclésia doméstica’. É no seio da família que os pais são ‘para os filhos, pela palavra e pelo exemplo, os primeiros mestres da fé. E favoreçam a vocação própria a cada qual, especialmente a vocação sagrada’” (Catecismo da Igreja Católica, n° 1656).
O lar cristão é o lugar em que os filhos recebem o primeiro anúncio da fé. Por isso, o lar é chamado, com toda razão, de “Igreja doméstica”, comunidade de graça e oração, escola das virtudes humanas e da caridade cristã (Catecismo da Igreja Católica, n° 1666).

Os pais são os primeiros a transmitir a fé, os valores cristãos e universais e uma boa educação para os filhos. Pai e mãe são mestres da vida; pela palavra e pelo exemplo, eles nos ensinam coisas que vamos levar para a vida toda, que vão influenciar nossas escolhas e, principalmente, formar a nossa consciência do bem e do mal. Serão os primeiros catequistas, que, muito mais do que ensinar, vão transmitir pela prática, porque os filhos os verão fazendo.

Eu mesmo poderia dizer da minha mãe e da minha avó quando as via rezar o terço diante da imagem de Nossa Senhora: “Era uma santa ouvindo o que a outra santa dizia!”. Meus pais imprimiram em mim muito mais do que traços biológicos e heranças hereditárias, qualidades e defeitos e o desejo de um futuro brilhante. Eles fizeram com que eu experimentasse o amor de Deus e a graça da fé. Quando ainda era criança, sem que eu entendesse, deram-me um banho de Água Viva, que me fez nascer de novo e me enxertou em Cristo Jesus. Dando-me assim o dom da imortalidade e a graça de pertencer a uma família muito grande: a Igreja!

Como explicar para as crianças e os jovens que, na Páscoa, o mais importante é a festa da vida que vence a morte? Que Cristo verdadeiramente foi morto numa cruz e que, por aceitar morrer assim, Ele nos libertou do pecado e nos salvou pela Sua Ressurreição? A Páscoa é uma festa de família, porque viver ressuscitado é saboroso como o chocolate, é cheio de vida como o ovo e é tão fecundo como um casal de coelhinhos. É preciso ter a coragem de celebrar a fé em família e ensinar o verdadeiro sentido de ser cristão.

Celebrar a Páscoa é renascer com Cristo ressuscitado, é passar da morte para a vida, é vencer o pecado e a morte. É também celebrar a vida com o sabor de um ovo de chocolate e mostrar ao mundo que o cristão precisa ser como o coelho: fecundo em virtudes, amor e santidade. É arrumar uma ceia e acender uma vela para convidar os amigos e parentes para se iluminarem com a luz de nossa fé. Uma fé que nasce e renasce constantemente no seio de nossas famílias. É ser criativo e pedir ao Espírito Santo que grave em nossos corações a graça e o verdadeiro sentido dos símbolos pascais:

O Círio Pascal: Representa o Cristo Ressuscitado, que deixou o túmulo, radioso e vitorioso. Na vela pascal ficam gravadas as letras Alfa e Ômega, significando que Deus é o princípio e o fim. Os algarismos do ano também ficam gravados no Círio Pascal. Nas casas cristãs, é comum o uso da vela no centro da mesa no almoço de Páscoa.

O ovo, aparentemente morto, é o símbolo da vida que surge repentinamente, destruindo as paredes externas e irrompendo com a vida. Simboliza a Ressurreição.

O Cordeiro: Na Páscoa da antiga aliança, era sacrificado um cordeiro. No Novo Testamento, a vítima pascal é Jesus Cristo, chamado Cordeiro Pascal.

O Coelho: Símbolo da rápida e múltipla fecundidade da Igreja, que está espalhada por toda a parte, reproduzindo fiéis: há um número incalculável de filhos de Deus, frutos da Graça da Ressurreição.

O Trigo e a Uva: Simbolizam o pão e o vinho da Santa Missa e, por seu grande significado com a Trindade Santa, traduzem, por excelência, o símbolo Pascal. Para a ornamentação da mesa de Páscoa, nada mais indicado que um centro feito com uvas e trigo, entre cestas de pães e jarras de vinho.

O peixe é o mais antigo dos símbolos de Cristo. Se Ele é o Grande Peixe, somos os peixinhos d’Ele. Isso quer dizer que devemos sempre viver mergulhados na graça de Cristo e na vida divina, trazidas a nós pela água do batismo, momento em que nascemos espiritualmente, como os peixinhos nascem dentro d’água.

Cristo ressuscitou, ressuscitou verdadeiramente. Aleluia!

FELIZ PÁSCOA!

Texto escrito por Padre Luizinho, sacerdote na Comunidade Canção Nova
FonteCanção Nova

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O que é a Eucaristia? https://soucatequista.com.br/o-que-e-a-eucaristia-2/ https://soucatequista.com.br/o-que-e-a-eucaristia-2/#comments Mon, 25 Mar 2019 11:09:02 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=12132 Eucaristia, que quer dizer ação de graças, é o sacramento do amor, pois é o encontro pessoal de Cisto com o homem. A Eucaristia é o ágape (a festa, o banquete) da memória: “Façam isso para celebrar a minha memória”.

É sacramento porque é sinal de Deus, e nos compromete com Ele, com seu plano, com a comunidade e com a recriação do mundo. A Eucaristia é o grande mistério da nossa igreja, só aceito pelo povo crente pela fé. Eucaristia é mistério da fé. É o ponto alto, o ponto central da missa. Por esta razão, a missa deve ser sempre o centro da vida do cristão, pois Cristo é o centro da celebração da missa na Eucaristia.O pão e o vinho, fruto da videira e do trabalho do homem, consagrados no altar, transubstanciam-se, trocam de substancia, após a consagração, para corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo.

A Eucaristia não significa nem tampouco representa o corpo e Jesus. O vinho consagrado não significa o sangue, mas É o precioso sangue de Cristo.(Mt 26, 26-29; Mc 14,22s; Lc 22,14-30; ICor 11,23-29)

Então, sob as aparecias de pão e vinho, temos Jesus com seu corpo e com seu sangue a espera de nós, hoje e sempre. Essa é a mais amorosa forma que ele escolheu para estar sempre conosco.

Cristo está presente em cada uma das espécies e inteiro em cada uma das partes delas, de maneira que a fração do pão não divide o Cristo.

No sacrário, Jesus está sempre a nossa disposição. Podemos recebê-lo fisicamente na missa, na eucaristia, ou podemos ir ao templo e orar a Ele, conversar com Ele, adorá-Lo, contar-Lhes coisas de nossa vida, de nossas alegrias, nossos projetos e decepções. O sacrário é a casa onde Cristo se encontra pessoalmente.

A comunhão aumente nossa união com Cristo. Receber a Eucaristia na comunhão traz como fruto principal a união íntima com Cristo Jesus. Pois o senhor diz: “Quem come a minha Carne e bebe meu Sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56). A vida em Cristo tem seu fundamento no banquete eucarístico: “Assim como o Pai, eu vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que de mim se alimenta viverá por mim” (Jo 6,57). O que o alimento material produz em nossa vida corporal, a comunhão o realiza de maneira admirável em nossa vida espiritual.

A comunhão separa-nos do pecado. Por isso a Eucaristia não pode unir-nos a Cristo sem purificar-nos ao mesmo tempo dos pecados cometidos e sem preservar-nos dos pecados futuros.

A Eucaristia faz a Igreja. Os que recebem a Eucaristia estão unidos mais intimamente a Cristo. Por isso mesmo, Cristo os une a todos os fiéis em um só corpo, a Igreja. A comunhão renova, fortalece, aprofunda esta incorporação à Igreja, já realizada no batismo.

CONDIÇÕES PARA SE PARTICIPAR DA COMUNHÃO

– Ser batizado;
– Ter-se preparado e feito sua primeira eucaristia;
– Estar em estado de graça, isto é, sem pecado;
– Estar em jejum eucarístico de uma hora;
– Ter fé que sob as aparências do pão e do vinho estão Jesus;
– Estar disposto a assumir os compromissos de comunhão decorrentes da eucaristia.

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Desafios e oportunidades da formação dos catequistas (III) https://soucatequista.com.br/desafios-e-oportunidades-da-formacao-dos-catequistas-iii/ https://soucatequista.com.br/desafios-e-oportunidades-da-formacao-dos-catequistas-iii/#respond Mon, 20 Aug 2018 11:00:16 +0000 http://www.soucatequista.com.br/?p=51351 Está no ar a última parte do especial de desafios e oportunidades da formação dos catequistas, publicado exclusivamente para você, catequista. Desta vez, o assunto será pautado pelas quatro competências da formação do catequista. Acompanhe:

Indicamos uma série de competências necessárias a um catequista formador hoje em dia. Sublinho as quatro grandes competências: teológica, cultural, pedagógica e espiritual.

A competência teológica: Esta competência exige um mínimo de conhecimentos de base para poder distinguir o essencial do acessório, para relacionar as diferentes afirmações da fé, assim como os diversos aspectos da vida cristã. O catequista deverá ser capaz de ler as Escrituras, compreender a dinâmica da história da salvação, dar-se conta das afirmações essenciais do Credo. Ser-lhe-á também necessário adquirir uma inteligência da vida cristã em Igreja, nas suas dimensões comunitária, litúrgica e sacramental, além das dimensões éticas de compromisso com vista a um mundo mais solidário.

  A competência cultural: O catequista deve conhecer aquelas e aqueles a quem a catequese é dirigida: o seu meio de vida, as suas questões, as suas referências, os seus gostos, as suas aspirações. O que podemos esperar do catequista, a este respeito, é que ele possa falar da fé ou dá-la a descobrir, não de forma abstracta e separada da vida mas, ao contrário, apoiando-se em tudo o que constitui o concreto da vida, apelando a todos os valores e recursos do meio. É o que podemos apelidar de inculturação da fé.

 • A competência pedagógica: O importante, neste aspecto, é que o catequista possa recorrer a um conjunto variado de competências  pedagógicas e de metodologias práticas para introduzir e acompanhar na fé. Trata-se, portanto, da competência própria de uma pedagogia iniciática.

 • A competência espiritual: Esta competência designa a aptidão para conduzir a actividade catequética dentro de um espírito evangélico. Isto pressupõe que os catequistas vivem não só a espiritualidade comum aos cristãos que acompanha na fé (a fé, a esperança e a caridade), mas também que sustentam atitudes espirituais específicas, próprias da actividade catequética: escuta do outro, respeito pela sua liberdade, confiança nas suas capacidades, paciência, espírito de serviço e de entreajuda, etc. Entre as dimensões específicas desta espiritualidade do catequista, sublinhemos a sua disponibilidade para se deixar evangelizar por aqueles e aquelas que acompanha na fé e nunca deixar de se surpreender pela novidade do Evangelho.

Esperamos que a série sobre os desafios e oportunidades da formação dos catequistas possa auxiliá-lo(a) não apenas em sua formação como catequista, mas na maneira como administrará e executará a missão incumbida por Deus a você. Paz e bem!

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Desafios e oportunidades da formação dos catequistas (II) https://soucatequista.com.br/desafios-e-oportunidades-da-formacao-dos-catequistas-ii/ https://soucatequista.com.br/desafios-e-oportunidades-da-formacao-dos-catequistas-ii/#respond Mon, 13 Aug 2018 11:00:27 +0000 http://www.soucatequista.com.br/?p=51348 Hoje você lerá mais um capítulo da série que trata dos desafios e oportunidades da formação dos catequistas. A segunda edição do tema abordará a “via inversa” do catequista acompanhante e formador. Leia, lembrando-se de que este conteúdo foi publicado originalmente no portal Material de Catequese:

À luz destas análises, gostaria de sublinhar como a questão do catequista e do seu serviço se coloca de forma diferente consoante se encontre numa situação de cristandade, numa situação de secularização no contexto cultural cristão mas ainda com traços de tradição cristã ou numa situação de secularização total.

a) Numa situação de cristandade, onde a fé avança de “per si”, o objetivo da catequese, que pode contar com uma “iniciação sociológica na fé”, é apenas providenciar a gramática do que se vive difusamente. Portanto, o acento deve incidir sobre os conhecimentos e a noção de conteúdo que se identifica com a doutrina. A formação do catequista será, pois, centrada no “saber” da fé.

b) Numa situação de continuidade sociológica parcial da fé, embora já no meio de uma secularização de mentalidades, pode-se contar com um certo conhecimento e uma certa prática. Mas a vida das pessoas passa ao lado da fé. O problema da fé torna-se a unidade entre a vida e a fé e a sua maior preocupação é mostrar que a fé (os seus dogmas, as suas práticas, os seus ritos, as suas tradições, etc.) é uma boa nova para a vida. A catequese antropológica encarrega-se desta preocupação. A competência do catequista consiste em assegurar um esforço correlativo entre as experiências fundamentais da fé e a experiência das pessoas.

c) O que acontece num contexto de exculturação da fé e, consequentemente, à catequese da proposta e do primeiro anúncio? Como enfrentar a formação dos catequistas nesta perspectiva missionária?

Em 1912, um bispo italiano, (Bonomelli, bispo de Crémone), respondia a um questionário apresentado pelo Papa Pio X a propósito do seu catecismo (o catecismo de Pio X, de perguntas e respostas, que conhecemos bem):

“ Tenho a convicção – escrevia – que o catecismo deve ser radicalmente modificado na forma. Os catecismos tradicionais seguem um método que deve ser afastado. Os sábios, que contemplam as verdades já organizadas no seu espírito segundo um dado esquema, são levados a expô-las aos outros com o mesmo sistema de teses e fórmulas, esquecendo a via que tiveram de percorrer para as aprender desde a primeira vez, a “via inversa”…”

Afinal, o que vem a ser esta “via inversa”?

Retomo aqui uma intuição de François Bousquet. Diz que a profissão de fé contida no Símbolo “pertence à ordem da exposição. É válida para quem é cristão, para quem se reconheça nela, para quem a possa compreender. Contrariamente, eu acho que o primeiro anúncio deve dizer aquilo em que se acredita, na ordem da descoberta. E aí, o movimento é inverso. Na ordem da descoberta tudo começa com o Amen da vida de crente. A partir dessa palavra pode-se então restabelecer essa experiência do Espírito com a identificação como Espírito de Jesus que, sem cessar, nos reenvia ao Pai, e assim a ordem da exposição é percorrida em sentido inverso, tal como a fé enunciada no Credo. Par enfrentar um primeiro anúncio, é necessário passar da enunciação dos objectos da fé recitados no Credo à experiência da fé levada por um corpo que a faz ver, ouvir e tocar”.

Esta intuição permite-nos abordar de uma outra forma a formação de catequistas. Numa lógica catecumenal, a fé dá-se no coração de uma experiência com todos os seus registos. A fé, nesta lógica, é assimilada num caminho que é uma escola de vida cristã, inductivamente e não deductivamente.

O que é que isto pode significar para a formação dos catequistas? Com efeito, os nossos catequistas, e nós também, fomos formados para educar uma fé que já lá estava.  Precisamos imaginar um percurso de formação para catequistas que saibam percorrer a “via inversa” da catequese de iniciação. Temos de confessar que ainda não conseguimos um tal modelo de formação.

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Desafios e oportunidades da formação dos catequistas (I) https://soucatequista.com.br/desafios-e-oportunidades-da-formacao-dos-catequistas-i/ https://soucatequista.com.br/desafios-e-oportunidades-da-formacao-dos-catequistas-i/#respond Mon, 06 Aug 2018 11:00:56 +0000 http://www.soucatequista.com.br/?p=51322 Chegamos em um dos meses mais especial do ano: AGOSTO. Conhecido por muitos como o mês vocacional, é nele que celebramos todas as vocações sejam elas matrimoniais, sacerdócio, leiga e religiosa. E também, celebramos o seu dia catequista. Em comemoração a você, publicaremos durante as próximas semanas artigos sobre os Desafios e oportunidades da formação dos catequistas.  O primeiro capítulo deste compilado trata das etapas de uma Catequese de acompanhamento. Os textos foram publicados originalmente no portal Material de Catequese. Leia:

A partir deste pequeno testemunho pessoal e seguindo o fio da parábola de Filipe e do eunuco (At 8,26-40), tentarei falar-vos das minhas convicções sobre a figura do catequista, das suas atitudes, do seu estilo,  do método do seu acompanhamento.

Sublinharei quatro passagens dos Atos dos Apóstolos que desenham quatro traços de um catequista acompanhante/formador. Fá-lo-ei a partir de quatro pares de verbos.

1. Acolher e deixar-se acolher

Na primeira parte, a narrativa fala-nos do encontro entre Filipe (o evangelizador) e o eunuco (o adulto à procura). Encontramos uma série de verbos reveladores atribuídos a Filipe: partir sem demora, correr, ouvir, subir para o carro, sentar-se a seu lado. Indica-nos uma progressão delicada e profunda de entrar em relação com o outro. Nesta primeira parte (que é já um anúncio), Filipe é passivo: não fala. Limita-se a aproximar-se e a escutar, ou seja, a entrar numa relação verdadeira, autêntica. A sua única intervenção é uma pergunta que ajuda a pessoa a tomar consciência da sua busca e a formular a questão: “Compreendes verdadeiramente o que lês?”. Filipe coloca questões ao seu interlocutor para que a sua necessidade de vida se aprofunde. Por seu, lado aceita as perguntas do eunuco e faz-lhe as suas.

Esta primeira parte do texto sugere-nos uma primeira fase de um esforço de acompanhamento na fé. O caminho da fé exige um tempo de encontro recíproco, de hospitalidade mútua. A palavra “hôte” (hóspede/hospedeiro) na língua italiana, e em muitas outras, é ambivalente: designa ao mesmo tempo aquele que acolhe e aquele que é acolhido. A reciprocidade está inscrita na língua humana.

Com efeito, é bem a atitude do próprio Jesus. No texto paralelo dos discípulos de Emaús, Jesus entra na conversa do outro, deixa-se acolher na necessidade de vida dos dois discípulos: “ Que palavras são essas que trocais, enquanto caminhais?””De que falais?” (Lc 24,17). Quando atravessa Jericó, diz a Zaqueu: “Zaqueu, desce depressa; hoje preciso ficar em tua casa” (Lc 19,5). O que transforma o coração de Zaqueu não é ser convidado por Jesus, mas descobrir que Jesus  lhe pede para ser convidado, que gosta da sua companhia, que confia na sua capacidade de acolhimento. E é a primeira vez que isto lhe acontece.

Como diz André Fossion na sua pequena gramática espiritual para uma pastoral de criatividade: “A tarefa de evangelização é muitas vezes enunciada em termos de exigência de acolhimento. Diz-se que as nossas comunidades cristãs devem ser acolhedoras. Claro que sim. Mas não há neste convite a ser acolhedor para com os outros uma posição de superioridade em relação a eles? Ao multiplicarmos os sinais de acolhimento não estaremos a dizer-lhes implicitamente: “Vinde encontrar em nós o que não encontrais em vós?”. Assim, no jogo da comunicação, o que acolhe coloca-se sub-repticiamente numa posição alta enquanto o acolhido é remetido para uma posição baixa. Daí a dificuldade em conduzir um diálogo evangélico autêntico quando se fica preso na armadilha de uma relação dominante/dominado. Para sair dela não teríamos, conforme o Evangelho, de inverter a lógica: nunca procurar acolher o outro mas arriscar-se a ser acolhido por ele, confiando nas suas capacidades de acolhimento?”.

O esforço da fé implica que o evangelizador se deixe acolher na vida, nas perguntas, nas dúvidas, na necessidade de vida do outro. E não se trata de uma estratégia didáctica, mas de uma profunda atitude humana.

 

B) Evangelizar a partir de si, deixar-se evangelizar a partir do outro

A segunda parte do texto conta-nos a etapa do anúncio do Evangelho. A narrativa de Lucas limita-se a dizer-nos num versículo muito concentrado que Filipe “lhe anunciou a Boa Nova de Jesus” (v. 35). Literalmente: “evangelizou-lhe Jesus”. Não sabemos o que Filipe disse ao eunuco. Mas o texto de Isaías sobre o Servidor sofredor faz-nos compreender que foi direito ao coração da mensagem cristã, o mistério da morte e ressurreição do Senhor. Há ali um detalhe importante: a referência à vida cortada, sem descendência, faz-nos perceber que o que Filipe lhe disse alcançou directamente a sua necessidade de vida. Também ele era um homem marginalizado, desprezado, excluído do meio social e religioso por causa da sua mutilação física, da sua impossibilidade de ter descendência. Nesta situação de pobreza radical, Filipe faz soar os sinos de Páscoa sobre aquela situação em concreto.

Notemos que, para que a mensagem do evangelizador seja apercebida como significativa por quem o escuta, torna-se necessário que essa mensagem seja uma boa nova para a vida do evangelizador. Falar da fé é falar de Jesus, é falar do Evangelho a quem o escuta,  é falar de si mesmo. Sem a implicação destes três elementos, o anúncio não é uma boa nova.

O acompanhante/formador é, sobretudo nesta segunda fase, uma testemunha da graça de Deus. Proclama o Evangelho dizendo o que o Evangelho operou nele. Podemos dizer, estritamente falando, que ele não testemunha o Evangelho (como se o Evangelho fosse declaradamente uma coisa definida) mas aquilo em que o Evangelho o tornou, e o que o Evangelho pode tornar-se para o destinatário.

Neste jogo de transmissão, a situação do destinatário modifica a percepção e a experiência do evangelizador. O movimento não é unidireccional. A situação do eunuco abre a Filipe uma nova percepção da fecundidade do Evangelho na sua própria vida.

 

C) Criar e ser criado

A terceira passagem da narrativa caracteriza-se, segundo os exegetas, por uma dupla ênfase, uma dupla acentuação: “Mandou parar o carro, os dois desceram à água, Filipe e o eunuco, e Filipe baptizou-o” (At 8,38).

“Os dois”, “Filipe e o eunuco”. Teria sido suficiente escrever: “e eles desceram à água”. Esta dupla insistência não deixa dúvidas: o gesto baptismal, a imersão na Páscoa do Senhor, é vivido pelos dois protagonistas. Trata-se de um nascimento (para o eunuco) e de um renascimento (para Filipe). Não podemos ser espectadores numa acção de acompanhamento na fé. Não ficamos indemnes. O acompanhamento torna-se um novo acto de criação na fé. Acompanhar é passar de novo pela experiência do nascimento. No entanto, há uma diferença bem marcada: “E Filipe baptizou-o”. Lucas sublinha deste modo a prioridade da comunidade cristã: é a Igreja que baptiza, é no seu seio maternal que nascem os novos crentes.  É pois uma experiência partilhada que salvaguarda a diferença: a Igreja é, ao mesmo tempo, mãe e de novo filha, é criada de novo, ao mesmo tempo que cria novos filhos de Deus.

 

D) Deixar partir e desaparecer

A última passagem informa-nos que o “Espírito do Senhor arrebatou Filipe e o eunuco já não o viu; mas seguiu o seu caminho cheio de alegria” (At 8,39). Esta última etapa é fundamental. Marca o carácter de mediação de todo o acompanhante e a necessidade de libertar a acção do Espírito e a autonomia dos indivíduos. O acompanhamento completa a sua tarefa logo que o acompanhante desaparece; o desaparecimento do educador é a condição da interiorização da sua acção educativa. O único exegeta competente é o Espírito Santo. É preciso, portanto, que cada um seja autorizado a (é este o sentido profundo de “autoridade”) escrever na sua vida o seu próprio evangelho, o quinto evangelho, o Evangelho que se escreve pela palavra e pela vida de todos os crentes.

Nesse momento, a diferença entre evangelizador e destinatário desaparece. Já não se sabe quem evangeliza quem. É uma evangelização recíproca.

Esta releitura da narrativa de Lucas, em termos de formação, permite-nos compreender que todo o acto de educação se joga num registo de reciprocidade, ainda que assimétrica. Chamamos a esta forma de relação “acompanhamento” e podemos, por conseguinte, definir um catequista como um companheiro de estrada. Vemos bem que a reciprocidade é transversal às quatro passagens: no acolhimento (acolher e arriscar-se a ser acolhida); no anúncio: pôr em contacto com o Evangelho através da sua própria experiência mas anunciar a partir da experiência do outro; na experiência sacramental: ser pai/mãe na fé e reviver com o outro a experiência genética da fé; na reapropriação da fé: reescrever em conjunto um novo evangelho na docilidade diante do Espírito. Como todo o acto educativo, o acompanhamento na fé assemelha-se à experiência de paternidade e de maternidade. Qualquer cientista nos dirá que o cordão umbilical não é unidireccional: é bidireccional. Enquanto a mãe faz o filho, o filho faz a mãe. Fá-la mãe fisicamente, psicologicamente, na sua identidade profunda.

Acho lindíssimo o que Santo Agostinho diz, a este propósito, ao catequista Deogratias, farto das suas próprias catequeses: “Se o repetir continuamente, como o fazemos às crianças, coisas mastigadas e remastigadas nos cansa, tentemos adaptá-las com amor paternal, maternal, fraternal, aos nossos ouvintes. E nesta união de corações, essas coisas parecer-nos-ão novas também… Não é verdade que quando mostramos a alguém o panorama de uma cidade ou uma paisagem, que nos é familiar e já nem nos impressiona, nos parece que a vemos, nós também, pela primeira vez? Mais ainda quando somos amigos, porque a amizade nos faz sentir cá dentro o que os nossos amigos sentem” (Santo Agostinho, De cathechizandis Rudibus).

Na verdade, é assombro dos que acompanhamos na fé que acordará a nossa crença e o nosso assombro adormecido. No momento em que nos arriscamos a criar alguém na fé, somos simultaneamente criados por ele.

 

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Formação para Catequista – Viver e crescer em comunidade! https://soucatequista.com.br/formacao-para-catequista-viver-e-crescer-em-comunidade/ https://soucatequista.com.br/formacao-para-catequista-viver-e-crescer-em-comunidade/#respond Mon, 30 Jul 2018 11:00:52 +0000 http://www.soucatequista.com.br/?p=49822 Umas das tarefas mais importantes dos(as) catequistas é despertar nas crianças e adolescentes o gosto pelo trabalho em grupo e pela aceitação uns dos outros. Eles devem aprender o sentido de ser comunidade, descobrir o quanto é gratificante viver em comunidade, mas, ao mesmo tempo, conhecer os limites dessa vivência para superá-los com tranquilidade.

Deus não nos fez para viver sozinhos, isolados, precisamos de amigos, de companhia. A comunidade cristã é o lugar de nossa convivência fraterna como irmãos e irmãs.

Nela passamos boa parte de nossa vida.

Crescemos como pessoa humana, realizamos projetos comuns, aprendemos cidadania, descobrimos nossos potenciais e, não menos importante, elevamos juntos nossa ação de graças a Deus.

A Santíssima Trindade é a verdadeira comunidade, nela o Pai, o Filho e o Espírito Santo estão intimamente unidos. Diante do individualismo que toma conta de nossa sociedade, nosso esforço deve ser cada vez maior para que nossas crianças não absorvam isso e, assim, não percam o senso comunitário.

A lógica excludente da sociedade não deve nos enfraquecer e desanimar na construção de um mundo mais justo e mais fraterno.

É importante que tenhamos, na catequese, dinâmicas e brincadeiras para integração grupai, visando a aceitação uns dos outros e o aprendizado de conviver com as diferenças. Apresento a seguinte brincadeira para ajudá-los nesse sentido:

1. Antes da brincadeira, conversar sobre a importância de se conhecer melhor;

2. Começar a brincadeira convidando as crianças e os adolescentes menos aceitos ou ignorados no grupo para ficarem fora da sala (ou do ambiente do encontro);

3. Dividir os demais em tantos grupos quantos forem os que estiverem fora da sala;

4. Pedir a cada grupo que preencha uma ficha com as qualidades de uma das crianças ou adolescentes que estão fora da sala, cujo nome o catequista deve informar ao grupo;

5. O catequista chama as crianças e os adolescentes que estão fora, e cada grupo apresentará ao colega sua ficha de qualidade (valores da pessoa);

6. O ideal é encerrar a brincadeira com um abraço amigo e um canto sobre a amizade.

Na comunidade, muitas são as alegrias que vivenciamos ao longo da vida, principalmente quando realizamos atividades que são aceitas por todos e que tenham a participação de todos os grupos, pois cada um, com seu jeito diferente de ser e de agir, pode colaborar para o bom êxito das tarefas.

Contudo, sabemos que na comunidade cristã surgem os conflitos que muitas vezes enfraquecem o Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja.

Não há lugar para o “eu” na comunidade, pois somente o “nós” deve ser o lema de nossa ação missionária em favor dos irmãos e irmãs, principalmente dos que ainda não descobriram o valor de se viver em comunidade.

A comunidade é o lugar da festa e do perdão, por isso, assim como nos alegramos quando tudo está bem, todos se aceitam e se entendem, devemos celebrar a reconciliação, quando surgem os conflitos que tendem a nos separar, a quebrar a aliança que há entre seus membros.

Esforcemo-nos mais e mais para que nossos pequenos se sintam motivados ao convite de Jesus: viver e crescer em comunidade.

Pe. Jorge Paulo da Silva Sampaio
Santuário Nacional de
Nossa Senhora Aparecida

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Formação para Catequista – Jovens catequistas https://soucatequista.com.br/formacao-de-catequista-jovens-catequistas/ https://soucatequista.com.br/formacao-de-catequista-jovens-catequistas/#respond Mon, 23 Jul 2018 11:00:40 +0000 http://www.soucatequista.com.br/?p=49790 É bom ver tantos jovens catequistas querendo saber mais do que já sabem. É bom perceber que estão partindo para o estudo da fé e assumindo a missão de ensiná-la aos seus companheiros de idade.

1. Jovens transmitindo o Evangelho aos outros jovens
Se quiserem assumir o ministério da catequese para instruir seus colegas na fé, podem ter certeza que sofrerão pressões de todos os cantos. Se o fizerem por amor à Igreja e com desprendimento, chegarão à idade adulta com a paz de quem pensou o tempo todo em Jesus e na Igreja católica como um todo, mais do que em si mesmo ou no seu movimento.

Catequista vai além do seu grupo e do seu movimento de Igreja. Não repercute apenas as ideias do seu grupo. Repercute as ideias da Igreja. Dele se espera mais cultura e mais abrangência.

2. Alguém repercutiu para vocês
Alguém repercutiu para vocês (catechein quer dizer mais ou menos isso: repercutir) e vocês agora querem repercutir para outros que Jesus esteve aqui, foi para o Pai, mas continua conosco, se quisermos. E, o que é importante: de reconciliados estão se tornando reconciliadores. Não há catequese sem penitência e sem perdão.

Vocês vieram aqui (e se tornaram catequistas), provavelmente, porque ouviram o grito do Papa João Paulo II: “Avancem para as águas mais profundas”. O Papa está pedindo mais profundidade na Igreja.

Talvez porque esteja vendo que em toda a parte há pessoas brincando de ser catequistas, sem nunca ter lido os documentos da Igreja, como Catequese Tradendae, Sacrossantum Concilium, Catequese com adultos, e alguns até sem terem lido o Catecismo da Igreja Católica – e há catequistas que nem sequer leram a Bíblia!

3. Ser um instrumento ajustado e afinado
Muitos têm boa vontade, mas lhes falta entender o que fazem. Muitos fazem porque todo o mundo está fazendo. O Papa quer jovens e gente mais culta e mais profunda para dar catequese. Especialmente, os jovens que são tão curiosos e querem saber tanta coisa. Pois que saibam e conheçam melhor a sua Igreja. Catequista vive da boca que anuncia, mas antes precisa viver dos olhos que lêem e aprendem.

Esses jovens devem mostrar a verdadeira face da Igreja.

Texto baseado no artigo “Catequistas que vão a fundo” do Pe. Zezinho

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