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O Fabuloso destino de Amelie

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Diretor: Jean-Pierre Jeunet

Comédia/Romance, M/16, França/Alemanha, 2001, 122 min.

 

Poucos filmes exibem o tipo de riqueza altiva e paradoxal presente em “O Fabuloso Destino de Amélie”. A narrativa linear e ingênua contrasta vivamente com a profundidade quase infinita de cada ação, de cada momento, “escondida” na abundante beleza e genialidade artística da película. E, no entanto, é tão fácil gostar, é tão óbvia a escolha de nos deixarmos levar, de nos perdermos na deslumbrante imaginação do filme. Talvez a forma de começar seja admitir que esta obra é grande demais para as minhas palavras. Mas não ouso voltar atrás na minha escolha, quero partilhar a suntuosidade envolvente desta história.

 

Amélie é, simultaneamente, tão igual e tão diferente de todos nós. Tem os seus gostos e idiossincrasias, os seus sentimentos, os seus medos. Mas qualquer coisa na sua forma de agir e de ser parece gritantemente pouco natural. Talvez seja pela sua simplicidade e honestidade, que facilmente rotulamos de ingenuidade. Porque é que isto nos é estranho? O filme joga com a resposta de uma forma deliciosamente inteligente e sutil. Somos introduzidos a uma série de sub-histórias, de carácter cósmico, em que Amélie, utilizando variados esquemas, ajuda secretamente algumas pessoas que a rodeiam. Revestindo as ações das suas personagens com a “capa” da comédia, o filme brinca com a seriedade da mensagem. Rimos da forma como a ajuda aos outros é conseguida, mas não devemos esquecer que o ponto chave é que ela é conseguida. O filme vai mais longe: primeiro, sugere-nos a felicidade de ajudar sem receber recompensa, e segundo, talvez de forma ainda mais pungente, não se coíbe de apelidar o dia em que Amélie descobre a alegria de ajudar como “o dia que mudará a sua vida”. Será por ainda não termos vivido esse dia que achamos o que ela faz pouco natural?

É também notável a maneira como a película se encarrega de endereçar as hesitações da sua personagem principal. Perante a perspectiva de conhecer Nino, recua timidamente, e recorre aos sagazes conselhos do “homem de vidro”, seu vizinho, assim chamado pela fragilidade da sua estrutura óssea. Porém, deixa-se ir conhecendo, graciosa e misteriosamente. Achamos aqui maior naturalidade nos seus atos. Também nós, por vezes, recuamos, sentimos medo, precisamos de aconselhamento. Abraçar um desafio novo e enigmático é visto, o mais da vezes, com um olhar desconfiado, e não hesitamos em erguer muralhas à nossa volta, protegendo a nossa zona de conforto, porventura demasiadamente. Mas é no mistério e no risco, palavras tantas vezes conotadas negativamente, que está, frequentemente, a maior recompensa, algo de único e, como Amélie nos sugere, fabuloso.

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