Artigo – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Mon, 01 Nov 2021 10:22:57 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Artigo – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 Dia de Todos os Santos https://soucatequista.com.br/dia-de-todos-os-santos/ https://soucatequista.com.br/dia-de-todos-os-santos/#respond Mon, 01 Nov 2021 10:22:57 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=9921 É dia de todos os Santos!

Você saberia me dizer quem são os santos?

Homens e mulheres que viveram antes de nós. Durante a própria existência, assumiram a Palavra do Senhor e a imitação de Cristo, passaram sobre a terra fazendo o bem. Lembre-se de que não há santidade sem uma autêntica encarnação da palavra de Jesus Cristo.

Todo homem e mulher possui em si a vocação ao bem, ao amor. Todos nós somos chamados à manifestação do amor do Pai para os outros. Ou seja, a humanidade é o jardim de Deus neste mundo. Mas, para isso, temos que viver as palavras do divino Mestre. Lembremos João 15,1-5: “Permanecei em mim e eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito, pois sem mim, NADA podeis fazer”.

Fique com Deus, tenha minha benção e muita determinação na vivência dos ensinamentos de Jesus. E quanto mais vivermos os seus ensinamentos a alegria verdadeira é gestada em nós.

Frei Rothmans Campos, O.Carm.

 

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A voz do povo como voz de Deus https://soucatequista.com.br/a-voz-do-povo-como-voz-de-deus/ https://soucatequista.com.br/a-voz-do-povo-como-voz-de-deus/#respond Fri, 13 Nov 2020 16:42:23 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=9976  

O Papa Pio XI afirmou que “a política é a forma mais perfeita da caridade”. Paulo VI e Francisco retomaram a afirmação mostrando ser ela válida para todos os tempos e lugares. Ora, se a caridade, ao lado da Fé e da Esperança, é uma das “três colunas” que sustentam a vida em Deus e, logo, a vida cristã, então todo filho e filha de Deus que deseja cultivar tal virtude em sua máxima expressão deve se interessar pela política, segundo as luzes que Jesus indica no Evangelho e a Doutrina oferecida pela Igreja.

A Igreja apresenta no “Compêndio da Doutrina Social da Igreja” a síntese daquela Doutrina sobre política. No documento, lemos o seguinte: “A soberania pertence a Deus. O Senhor, todavia, não quis reter para Si o exercício de todos os poderes. Confia a cada criatura as funções que esta é capaz de exercer, segundo as capacidades da própria natureza. Este modo de governo deve ser imitado na vida social. O comportamento de Deus no governo do mundo, que demonstra tão grande consideração pela liberdade humana, deveria inspirar a sabedoria dos que governam as comunidades humanas. Estes devem comportar-se como ministros da providência divina.” (CDSI, n.383) Deus é, portanto, o Todo-Poderoso, ou seja, detentor de todo poder, soberania e autoridade. Aqueles que desejam exercer qualquer autoridade neste mundo segundo a Vontade de Deus devem fazê-lo reconhecendo n’Ele a Fonte originária de toda autoridade que se manifesta plenamente no mundo e de forma modelar na Pessoa de Jesus Cristo. O modo como Jesus exerce a autoridade deve ser critério inquestionável para todos os políticos. Sendo assim qualquer projeto político que rejeita tal critério não pode ser considerado cristão.

No próximo dia 15 de novembro (e no dia 29 nas cidades onde houver segundo turno), os eleitores brasileiros vão às urnas para eleger seus representantes nos poderes Executivo e Legislativo dos municípios. O ato de votar, mais do que uma obrigação compulsória, deveria ser entendido como um importantíssimo direito adquirido depois de muita luta em nosso país. Sabedores disso, os cristãos votam de modo voluntário e consciente, escolhendo candidatos que se comprometam sinceramente com o bem comum apresentando propostas e sugerindo soluções segundo a Doutrina Social da Igreja.

Como saber quem são esses candidatos? Pesquisando em organismos confiáveis (na internet há muita informação verdadeira e qualificada), interessando-se pelos problemas do bairro e da cidade e considerando cuidadosamente se as propostas apresentadas pelos candidatos para solucioná-los obedecem aos critérios apresentados acima. Atualmente é preciso, também, precaver-se contra a desinformação que se espalha, principalmente, através das chamadas “fake news” e rejeitar todo e qualquer projeto populista e divisionista. É sabido que o diabo agrada para dividir e, assim, conquistar…

Sugiro ainda, a quem interessar, que procure na internet por “Cartilha de Orientação Política CNBB 2020”. Baixe o arquivo em PDF e o leia com atenção. É um documento que, tenho certeza, há de auxiliar na tomada de decisão para o voto.

Acima de tudo, rezemos muito para que o Espírito Santo de Deus nos ilumine para que nosso voto seja marcado de tal modo pela Sua ação que possa ser considerado não apenas expressão do nosso desejo pelo bem comum, mas também manifestação da própria vontade amorosa de Deus. Assim seja.

Frei Atanael (Tato) de A. Lima, O. Carm.

Clique aqui e acesse a “Cartilha de Orientação Política CNBB 2020”

Fonte: O BIBI (Boletim Informativo da Paróquia Santa Teresa de Jesus – Itaim Bibi – São Paulo)

Foto: TSE

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Dia do Professor https://soucatequista.com.br/dia-do-professor/ https://soucatequista.com.br/dia-do-professor/#respond Thu, 15 Oct 2020 15:02:49 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=9851  

Recordamos nesta quinta-feira, 15 de outubro, o Dia do Professor, uma profissão que, em seu exercício, é elevada por um propósito que vai além. Uma missão que nos prepara para o futuro. Ao falarmos de professor estamos nos referindo também à educação. É um dos segredos de um país. Um povo que tem uma educação de qualidade faz toda a diferença. E para isso necessitamos de mestres que sejam bem recompensados e respeitados. Em nossa arquidiocese criamos o Vicariato para a Educação justamente para ser o nosso interlocutor com essa vasta área do conhecimento e para apoiar aqueles que necessitam de dar passos importantes.

Para que o professor seja valorizado como merece nos dias de hoje, seria necessário pagar um salário melhor. Muitos professores, infelizmente, não são retribuídos de acordo com o que trabalham. Em segundo lugar deveria ter mais recursos, ou seja, instrumentos de trabalho para que o professor possa lecionar com mais recursos. E, em terceiro lugar, ser valorizado pelos alunos. Hoje em dia se perdeu o respeito dos alunos para com os professores. Em muitas escolas os estudantes chegam a agredir os professores, que acabam tendo de se desdobrar para conseguir ministrar a sua aula.

Sobretudo agora, nesse tempo de pandemia da Covid-19, muitos professores fizeram um excelente trabalho, preparando aulas online, se desdobrando para levar o melhor aos seus alunos tendo reinventado a sua pedagogia de uma hora para outra. Tanto os professores quanto os estudantes tiveram que viver um “novo normal” nesse período distanciamento social. Os alunos sem o contato físico com seus professores para tirar as dúvidas sobre a aula e os professores sem poder estar perto de seus estudantes para ajudá-los.

Podemos pensar nesse momento em muitos profissionais espalhados pelo interior do nosso Brasil, que, em tempos normais, precisam andar quilômetros para lecionar — e pensar em tantas escolas sem condições precárias para ensinar. E muitos alunos que sofrem ao longo do caminho para chegar nessas escolas. Muitos têm vontade de aprender e adquirir conhecimento sobre o que o professor ensina.

Para ser professor é preciso ter vocação e preparar-se para tal. É um dom especial que deve ser trabalhado para poder servir aos alunos com o carisma próprio. Precisa ter paciência e vontade para ensinar e coragem para enfrentar algumas situações adversas. É aceitar o desafio.

É preciso recuperar a imagem do professor como mestre. Aquele que ensina e que educa os alunos no caminho do bem e os dirige para que eles possam ter uma vida digna e saber fazer escolhas inteligentes e sábias para a vida e trabalho futuros. Por isso, nesse Dia do Professor, recordamos de tantos educadores que tivemos em nossa vida e reconheçamos que, se somos o que somos hoje, também é graças a eles. Os pais devem ensinar os seus filhos a serem agradecidos aos seus professores e a respeitá-los como seus mestres.

Devemos sempre lembrar dessa data e valorizar cada gesto — por vezes esquecemos de lembrar dos nossos professores; e nossos filhos na escola também fazem o mesmo não parabenizar esses mestres. Essa data, além de comemorar o Dia do Professor, é um momento de, acima de tudo, agradecer a presença desses mestres na nossa vida. É preciso ir além: o reconhecimento aos professores passa por gestos e palavras.

Um presente que podemos dar aos professores nesse dia é a nossa lembrança, acompanhada de uma especial oração de gratidão e de ação de graças pelos conhecimentos recebidos deles, e um sincero agradecimento ao ensino que eles nos transmitiram. E, sobretudo, um pedido especial para que essa profissão seja considerada uma das mais importantes e reconhecidas em nosso País.

Que a nossa oração por eles nesse dia seja também por aqueles que já estão junto de Deus — tanto aos que foram nossos quanto os que exercem essa missão de educar.

Quantos professores que se aposentaram depois de anos se dedicando ao ensino e hoje não são se quer lembrados, tanto por aqueles que foram seus alunos. Que tenham o reconhecimento com um salário digno de suas vidas como aposentados. Temos também os professores que continuam o exercício de sua profissão porque simplesmente não conseguem parar — querem lecionar até o fim de suas vidas. É uma vocação que querem continuar servindo.

No Dia do Professor lembremos o dia de uma grande Santa da Igreja, a Santa Teresa D’Ávila, Doutora da Igreja, que é comemorada neste dia, que como mestra nos deixou grandes ensinamentos escritos e trabalhou juntamente com São João da Cruz na reforma do Carmelo, recuperando o Espírito inicial dos Carmelitas.

Peçamos a intercessão dessa grande Santa por todos os professores e que ela sirva de inspiração em seus ensinamentos e escritos. Que ela lhes inspire sabedoria para enfrentar os momentos difíceis e que possam ministrar suas aulas com êxito. Que o Divino Espírito Santo esteja com todos os professores, lhes inspirando sabedoria na tarefa de ensinar.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Foto: Gustavo de Oliveira

 

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Salmos Sapienciais: uma construção de fé a partir da realidade do povo de Deus https://soucatequista.com.br/salmos-sapienciais-uma-construcao-de-fe-a-partir-da-realidade-do-povo-de-deus/ https://soucatequista.com.br/salmos-sapienciais-uma-construcao-de-fe-a-partir-da-realidade-do-povo-de-deus/#respond Thu, 17 Sep 2020 17:04:36 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=9654  

Aos ler os Salmos devemos estar preparados para um mergulho na sabedoria e na vida do povo de Israel. Nos salmos sapienciais temos uma busca para responder a questões do cotidiano e da existência humana, numa busca da felicidade, do cumprimento da Lei, perpassando pelo sofrimento e pelos clamores por justiça.

O salmista parte da vivência concreta, na qual responde as questões da existência humana, descobrindo como Deus se fez presente na história, e como age em nossas vidas. Os salmos sapienciais são palavras de sabedoria que, de forma didática, procuram orientar o caminhar do ser humano.

A busca da felicidade (centro da vida) pela observância da Lei é promessa de ter vida realizada, prosperidade e descendência, mas, na prática, o povo constatava o contrario, o ímpio com vida em abundância. Diante das injustiças sociais se erguem em protesto, levantam queixas dos seus descontentamentos, das situações de contradição.

Os Salmos foram escritos no período do império em que o cumprimento da Lei surge como forma de continuidade, segurança e sobrevivência. Nesse período, o cumprimento da Lei é viver feliz. Surgem conceitos, de puro e impuro, justos e ímpios, visando controlar a vida em todos os sentidos, num esquema de rituais e fonte de dívidas aos pobres e mulheres. E, nesse momento, a sabedoria da solidariedade passa sofrer com a sabedoria dita oficial vinda de Jerusalém, que possui as Leis em livros e no Templo.

A Teologia dos Salmos deve levar em conta o lado social, visto que os fiéis e justos seguiam a Lei, mas são marcados pelo sofrimento, pobreza e escravidão que gera uma insatisfação existencial. No tempo de Esdras e Neemias: trabalhavam na organização do império, na justiça como observância da Lei de Deus (lei do rei), na teocracia, numa teologia da retribuição, mas o povo compreendia que a salvação não ocorre de maneira isolada ou solitária, mas dentro da comunidade.

Deus age de forma gratuita, e a convivência entre as pessoas da família na fraternidade é uma das maneiras de garantir as bênçãos e a vida, visto que Deus que caminha junto com justos e realiza a aliança com o povo nas suas vidas.

No Salmo 37, por exemplo, seu contexto mostra-nos o destino dos justos (a vida) e dos ímpios (a morte), mas na realidade do Salmo ocorre o contrário, o sábio se direciona aos justos mostrando que devem ter paciência diante da realidade e apresentando que a vida dos injustos é transitória.

O Salmo diz para o justo permanecer praticando o bem e evitar o mal, visto que Deus é aliado dos justos que possuirão a terra, terão prosperidade e descendência. Na verdade, o justo tem como motivação a confiança em YHWH que é o triunfo futuro, visto que as terras foram tomadas e sem campo os camponeses e as camponesas estão sem honra e cidadania. Estamos no século V a.C., num momento de revoltas em Judá entre os que retornaram do exílio e queriam liberdade não somente religiosa, mas também política. Momento este que as pessoas excluídas expressam sua indignação com a teologia oficial, pois as promessas de abundância e felicidade ao justo eram para essa vida, mas ocorria o contrário, estavam na miséria e sofrimento.

Entre o limite de vida e morte, os justos se negam ver a Deus somente num Templo, pois o amor entre irmãos e irmãs é mediação para amar e conhecer a Deus. Acreditam no amor e na sabedoria do coração (pessoa no seu todo) agindo conforme o desejo de Deus; buscam a felicidade. A alegria do justo não provém da teologia da retribuição, mas na confiança total em Deus que é sua salvação, acreditando na aliança e na esperança pela terra.

A leitura dos Salmos é um convite para ver a realidade, meditá-la e dela retirar novos rumos realizados pela ação humana. Seguindo os Salmos não podemos silenciar diante das realidades de morte, mas, pela nossa fé na vida, fazer a mudança do cotidiano, sendo fiel ao projeto de Deus que é comunitário, igualitário de partilha e solidário.

Frei Renê Vilela, O.Carm.

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Maria, Mãe do Crucificado e Mãe de toda a Humanidade https://soucatequista.com.br/maria-mae-do-crucificado-e-mae-de-toda-a-humanidade/ https://soucatequista.com.br/maria-mae-do-crucificado-e-mae-de-toda-a-humanidade/#respond Tue, 15 Sep 2020 16:13:22 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=9643  

Irmãos e irmãs, após celebrarmos a Festa da Exaltação da Santa Cruz no dia de ontem, hoje, 15 de setembro, a Igreja celebra a memória de Nossa Senhora das Dores. O Evangelho dessa memória nos apresenta a Virgem, que é Mãe, e está de pé aos pés da Cruz do seu único filho vendo-o morrer. A Memória da Virgem das Dores chama-nos a reviver o momento decisivo da História da Salvação e para venerar, juntamente com o Filho “exaltado na Cruz, a Mãe que com Ele compartilha o sofrimento”. (Jo 19,25-27; Paulo VI “Marialis Cultus”, 7).

Sua maternidade assume no calvário dimensões universais (Paulo VI, ibidem, 37). Esta memória de origem devocional foi introduzida no calendário romano pelo Papa Pio VII em 1814 (Missal Romano). Antes de morrer, Jesus quis deixar sua mãe aos cuidados de alguém que pudesse lhe assistir durante toda a vida terrena. Na pessoa do apóstolo João, toda a humanidade está representada. Ele a recebe como mãe e ela o recebe como filho. Em Maria, a Mãe do Crucificado, toda a humanidade encontra um abraço materno.

A Virgem é aquela Mãe que está ali aos pés da Cruz até o último momento. E é ali, olhando para seu filho unigênito, que ela recebe uma missão, na pessoa do apóstolo João, de se tornar mãe universal de todos os que creem no Cristo Salvador.

A Virgem ouve dos lábios de seu único filho as palavras: “Mulher, este é o teu filho”.  Dizendo a ela que daquela hora em diante João é o filho que dela irá cuidar e zelar.  E o discípulo ouve também seu mestre dizer-lhe referindo-se a Maria: “Esta é a tua mãe” (Jo 19,25-27). É como se o próprio Senhor dissesse a João: ­“cuida desta que agora será a Mãe da Igreja. Cuida desta Mulher que disse sim ao projeto do meu Pai e que se tornando minha mãe nunca duvidou da missão a ela confiada. Cuida dela com zelo e amor”.

O texto bíblico fala que daquela hora em diante aquele discípulo acolheu a Mãe do mestre lhe dada como sua mãe em sua casa. A tradição não narra como foram os dias, meses e anos da vida de Nossa Senhora junto de João. No entanto, o que sabemos é que a Sagrada Tradição diz que em João toda a humanidade está representada, ou seja, João sou eu, é você, somos todos nós, que temos uma Mãe que cuida de nós e esta é a própria Mãe do Salvador, Maria de Nazaré!

Olhando para nossa história de fé podemos ver em Maria a mulher repleta de dores, mas firme, de pé ao lado da Cruz do filho moribundo. Maria com seu exemplo forte mostra-nos que é na hora das dores que devemos estar de pé, firmes na oração e no testemunho. Ela nos diz que tudo passa. Após a Cruz vem à alegria da Ressurreição. Em Maria a humanidade inteira encontra alento e consolo em meio a tantos desafios de dor e morte.

Em Maria dolorosa, vemos as dores de tantas mães que também sofrem ao ver, muitas vezes, a morte de seus filhos. Tantas Marias das Dores estão também hoje desoladas por terem em seus braços a dor da perda de seus filhos, seja pela violência ou outra causa, mas também estão firmes e amparadas pelas preces maternais da mãe dolorosa do filho de Deus.

É muito comum neste dia que os devotos da Virgem rezem e meditem as suas Sete Dores. Meditando nas dores da Virgem Maria, deixemos que a graça de Deus venha nos auxiliar também em nossas dores diárias. As Sete Dores de Nossa Senhora são os sete passos que a Mãe de Jesus viveu e sentiu durante a caminhada junto com seu doce filho. Todas essas dores encontram fundamentação nos Evangelhos. Medite você também neste dia as dores de Nossa Senhora e coloque nas mãos da Mãe Dolorosa suas agonias e momentos de aflição, na certeza de que sempre haverá em sua vida a presença e o conforto maternal da Mãe do Redentor que foi nos dada por mãe por Ele próprio.

1ª Dor: Maria acolhe, com fé, a profecia de Simeão

Simeão os abençoou e disse a Maria, sua Mãe: “Eis que este menino está destinado a ser ocasião de queda e elevação de muitos em Israel e sinal de contradição. Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma” (Lc 2,34-35).

2ª Dor: Maria foge para o Egito com Jesus e José

O Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e disse: “Levanta, toma o menino e a mãe, foge para o Egito e fica lá até que te avise. Pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo. Levantando-se, José tomou o menino e a mãe, e partiu para o Egito” (Mt 2,13-14).

3ª Dor: Maria procura Jesus perdido em Jerusalém

“Acabados os dias da festa da Páscoa, quando voltaram, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os pais o percebessem. Pensando que estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia e o procuraram entre parentes e conhecidos. E, não o achando, voltaram a Jerusalém à procura dele” (Lc 2,43b-45).

4ª Dor: Maria encontra-se com Jesus no caminho do Calvário

“Ao conduzir Jesus, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e o encarregaram de levar a cruz atrás de Jesus. Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres que batiam no peito e o lamentavam” (Lc 23,26-27).

5ª Dor: Maria permanece junto à cruz do seu Filho

“Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Vendo a Mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse Jesus para a mãe: Mulher, eis aí o teu filho! Depois disse para o discípulo: Eis aí a tua Mãe!” (Jo 19,15-27a).

6ª Dor: Maria recebe nos braços o Corpo de Jesus deposto da cruz

“Chegada à tarde, porque era o dia da Preparação, isto é, a véspera de sábado, veio José de Arimateia, entrou decidido na casa de Pilatos e pediu o Corpo de Jesus. Pilatos, então, deu o cadáver a José, que retirou o Corpo da cruz” (Mc 15,42).

7ª Dor: Maria leva ao sepulcro o Corpo de Jesus à espera da ressurreição

“Os discípulos tiraram o Corpo de Jesus e envolveram em faixas de linho com aromas, conforme é o costume de sepultar dos judeus. Havia perto do local, onde fora crucificado, um jardim, e no jardim um sepulcro novo onde ninguém ainda fora depositado. Foi ali que puseram Jesus” (Jo 19,40-42a).

Que a Virgem Maria, hoje invocada como Nossa Senhora das Dores, da Piedade, Consolação, Soledade, Angústias e tantos outros títulos interceda por você e por todos nós que a ela clamamos dia e noite como Mãe de Misericórdia. Amém.

 

Frei Ivanildo Justino, O. Carm.

 

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Impactos do novo coronavírus na religiosidade Católica https://soucatequista.com.br/impactos-do-novo-coronavirus-na-religiosidade-catolica/ https://soucatequista.com.br/impactos-do-novo-coronavirus-na-religiosidade-catolica/#respond Fri, 11 Sep 2020 19:43:38 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=9627  

O mundo está vivendo uma excepcional situação em relação aos riscos de propagação da COVID-19 e ao gerenciamento da grave emergência de saúde pública, alertada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), indicando medidas de isolamento, quarentena e a realização de testes que ajudem a detectar o vírus nas pessoas. Além disso, foram dadas orientações como, por exemplo, usar máscaras e álcool gel, lavar com frequência as mãos, evitar o contato direto com pessoas suspeitas de estarem contaminadas pelo vírus, entre outros.

A tudo isso, devemos somar os decretos dos distintos presidentes do mundo, juntamente com os governos estaduais e municipais que têm determinado o rumo das atividades essenciais como a economia, a política, a educação, etc.

Também a religião não escapa ante esta situação, assumindo com responsabilidade não só os decretos governamentais como também os decretos episcopais, por meio dos quais têm sido canceladas as reuniões religiosas de todo tipo como medida de prevenção, modificando em sua totalidade o culto e religiosidade dos fiéis. Tudo isso revela, sem dúvida, que este é um momento extraordinário tanto para o mundo quanto para a Igreja.

Isso realmente leva a pensar, neste momento de crise de saúde, de vida ou morte: será que é oportuno retirar a religião exatamente quando é mais necessária? Por acaso a Igreja decidiu viver nas catacumbas? O que aconteceu com aquele convite extremo do Papa Francisco sobre uma “Igreja em saída”? Alguns pensam que a Igreja aceitou de maneira rápida o isolamento social, medida que eu considero absolutamente necessária, mas eu diria que foi pelo nível de alarme e emergência inicial. Muitos outros chamam essa medida de jejum litúrgico, considerando que as pessoas podem continuar suas ações piedosas reclusas em suas casas, sendo mais consequentes nas práticas das obras de misericórdia com aqueles que são mais vulneráveis a essa situação.

A Igreja tem sido muito dinâmica e criativa nestes tempos, reconhecendo uma necessária evangelização virtual para chegar aos fiéis. Um exemplo é o Pontífice Romano, o Papa Francisco, que celebra as Missas todos os dias, sendo transmitidas via internet direto da capela Santa Marta, bem como as suas audiências gerais e catequeses semanais. E têm seguido seu exemplo os bispos e sacerdotes. Além do mais, as comunidades religiosas organizam encontros de oração dentro dos próprios conventos, incentivando os fiéis a não abandonarem a vida de oração e, principalmente, a não se abandonarem na desesperança. Ainda temos aqueles homens e mulheres que entregaram suas vidas ao serviço dos mais necessitados neste tempo de crise, levando consolo e esperança aos corações aflitos por esta situação.

Portanto, se esta pandemia “força” a Igreja a fechar suas portas aos fiéis e, consequentemente, impede de celebrar a liturgia, mesmo assim o clero e os religiosos se dispõem a continuar as missões apesar dos riscos de cair numa familiaridade gnóstica, na insensibilidade, no individualismo e na autossuficiência espiritual, uma vez que há uma falta de relacionamento direto com os outros membros da Igreja. O Corpo Místico de Cristo, ou seja, os fiéis, devem caminhar juntos, pois foi desse modo que sempre aconteceu, desde o início como vemos no Evangelho. Contemplamos isso quando os discípulos foram pregar de dois em dois (Mc 6,7), o que nos indica que não foram sozinhos. Ainda encontramos essa familiaridade dos discípulos com Jesus antes e depois da Ressurreição (Jo 21,1-14). O Papa Francisco se pronunciou a respeito disso durante a Missa celebrada no dia 17 de abril, na capela Santa Marta: “Todos nós comunicamos, também, pelos meios de comunicação, também nesta Missa, estamos todos nos comunicando, mas não juntos, não espiritualmente juntos. Isto não é a Igreja, mas é a Igreja numa situação difícil que o Senhor permite, porém, o ideal da Igreja sempre é com o povo e com os sacramentos. Sempre”. Por isso, mesmo que a familiaridade com o Senhor seja íntima e pessoal, ela se faz em comunidade.

Dessa forma, devemos ficar atentos ao risco que se corre nesta situação, uma vez que a experiência espiritual do cristão pode tornar-se gnóstica, viralizada e egoísta. A dinâmica desse tipo de familiaridade que estamos fazendo nestes dias, de modo virtual, é para ajudar-nos a sair do túnel ou caverna onde estamos resguardados esperando que tudo isso passe, ou seja, se trata de algo provisório, e não permanente. Portanto, nossa religiosidade e vida cristã devem manter-se intactas ainda que se trate de um caso de força maior, como está sendo esta pandemia. Podemos seguir agindo, só que precisamos ser cautelosos, responsáveis e preventivos, sobretudo, com muita esperança e confiança para nos encontrarmos em breve, e assim, juntos, compartilharmos nossa experiência de fé.

Frei Ecson Ramirez, O. Carm.

Foto: Vatican Media

 

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Dom da Fortaleza https://soucatequista.com.br/dom-da-fortaleza-2/ https://soucatequista.com.br/dom-da-fortaleza-2/#respond Thu, 28 May 2020 17:53:11 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=9032 “Uma vez que a vida na terra é um tempo de tentações e todos aqueles que querem levar uma vida em Cristo estão sujeitos à perseguição e, além disso, o vosso adversário, o diabo, anda à vossa volta como um leão a rugir, procurando a quem devorar, com toda a diligência procurai revestir-vos com a armadura de Deus, para poderdes resistir às insídias do inimigo.” (RC 14, o combate espiritual)

Estimados confrades, iniciemos nossa breve meditação sobre o Dom da Fortaleza, situando-nos na terra do Carmelo! Aí fomos introduzidos para saborear os seus frutos e os seus bens (cf. Jr 2,7a). Esta passagem bíblica evoca o segundo fim da vida eremítica, qual seja: “[…] não só depois da morte, mas ainda nesta vida mortal, possa gozar no afeto do amor e no gozo da luz do entendimento, algo sobrenatural do poder da presença de Deus e o deleite da eterna glória. Isto quer significar beber da torrente da delícia divina.” (Institutio Primorum Monachorum, p.6).

Quem não se enche de bom ânimo ao desfrutar, neste tempo de peregrinação, as graças que se derramam abundantemente, como chuva copiosa? Esta experiência da graça preveniente e generosa antecipa o Céu. Dá-nos a conhecer Aquele que é o desejado das nações, por quem a alma anseia e se lança destemida ao encalço, a zaga de tu huella (sequela Christi). Esta graça que Deus nos faz imerecidamente nos induz à prática do bem; nos convoca a vida em Cristo e, portanto, nos põe no horizonte da conversão, da renúncia e do bom combate.

Sim, há uma carreira a correr e uma vitória a alcançar (cf. 1Cor 9,24-25). Aqui recordamos Felipe Ribot (IPM), ao tratar da perfeição religiosa e expor o primeiro fim da vida eremítica: “Este fim consiste em oferecer a Deus o coração santo e limpo de toda mancha atual de pecado […] Primeiro fim que é o coração puro se alcança pelo esforço e a prática das virtudes, ajudados pela divina graça. Ao segundo, chega-se pelo amor perfeito e pela pureza do coração.” Mística e ascese caminham juntas! Afinal, “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”, assevera o Santo Doutor de Hipona ecoando o próprio Cristo no Evangelho: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita” (cf. Mt 7,13-14).

A temática carmelita desde as origens teve em grande conta o combate espiritual. Os próprios carmelitas estavam numa terra disputada através das cruzadas, guerras de reconquista do Lugar do Senhor, lá onde Cristo passou pelo mundo fazendo o bem; ali onde Cristo enfrentou e venceu o maligno; onde Cristo ofereceu a vida, num combate renhido, e saiu vencedor do pecado, do mal e da morte. O carmelita empreende esta luta a fim de guardar puro o coração, terra sagrada em que o Senhor faz morada (cf. Jo 14,23-24). Guardar a Palavra é guardar-se na presença de Deus, a Ele ser fiel como o Único Absoluto; é, sem delongas, manter puro o coração. Justamente por isso, a Virgem Maria é puríssima, por ser a Virgem que sabe ouvir tudo quanto o Senhor lhe diz. Guardou a Palavra com total fidelidade, ou seja, pureza perfeitíssima de coração.

Com frequência, pensamos ser o dom da fortaleza posto em ação nas ocasiões de dificuldade. Nestas horas, haveremos de ser fortes, de ter bom ânimo e lembrar que o Senhor nos pede isto, pois neste mundo “tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo!” (cf. Jo 16,33). No entanto, seria demasiado estreito reduzir este dom a eventos e momentos difíceis. Não! O dom da fortaleza “liberta o coração do torpor, das incertezas e de todos os temores que podem detê-lo, de modo que a Palavra do Senhor seja posta em prática, de forma autêntica e jubilosa […] Este dom deve constituir o fundamento do nosso ser cristãos, na ordinariedade da nossa vida quotidiana. Como disse, em todos os dias da vida quotidiana devemos ser fortes, precisamos desta fortaleza, para fazer avançar a nossa vida, a nossa família, a nossa fé.” (Papa Francisco. Audiência Geral, 14 de maio de 2014)

A fortaleza é bem mais que virtude cardeal elencada já pelos gregos que refletiam sobre esta temática das virtudes como ideal do comportamento ético ou moral. Para os cristãos, a fortaleza, além de virtude, é dom do Alto, do Santo Espírito. Este dom, justamente, nos lança na arena da vida cristã com coragem. Combatemos pelo Senhor e Sua Palavra, Sua causa, Seu Reino; combatemos as forças do mal, que se opõem ao Reinado de Cristo em nossos corações e na sociedade. O carmelita não foge à luta! Ao contrário. Herdeiro dos cruzados, empunha a escudo da Fé, reveste-se da couraça da justiça/santidade para amar a Deus de todo o coração; toma o elmo da salvação e agarra a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. (cf. Ef 6,10-17).

“Sinto em mim a vocação de guerreiro […] Sinto, afinal, a necessidade, o desejo de realizar por ti Jesus, todas as obras, as mais heroicas… Sinto na alma a coragem de um Cruzado, de zuavo Pontifício. Desejaria morrer no campo de batalha pela defesa da Igreja.” Que coragem animava a pequenina flor de Lisieux, Santa Teresinha. Ela é autêntica carmelita e descobre esta força indestrutível ao encontrar, no coração da Igreja, sua vocação, o Amor. Ah, que vergonha sentimos diante de tanto ardor! Nós que somos tíbios em viver a Palavra, nós que achamos desculpa recorrendo à nossa fraqueza e permanecendo dentro e fora do castelo, arriscando a perder a graça e afastar-nos do amor do Senhor.

A escusa de sermos fracos não poderia mudar-se, justamente, em fundamento de nossa fortaleza? Afinal, “é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder” (cf. 2Cor 12,7-10). O grande profeta Elias, nosso Pai, era um homem fraco como nós (cf. Tg 5,17-18). Mas ao colocar-se na Presença de Deus e na escuta fiel da Palavra que o Senhor lhe dirigia, tornava-se o profeta inflamado de zelo pela glória de Deus. A força do Alto que virá sobre a Igreja não é apenas para suportar adversidades. Se assim fosse, cairíamos na comiseração, a pena de nós mesmos, no orgulho disfarçado de lamentação pela dureza da vida.

O dom da fortaleza nos enche da mesma coragem que animou os mártires a darem a vida por Cristo. “Sinto na alma o desejo de realizar por ti, Jesus, todas as obras!”. Eis a fortaleza! Eis a expressão do bom ânimo num coração bem-disposto e que ama Jesus Cristo, nosso Senhor. Bem- disposto, aliás, porque ama. E ama com o mesmo amor de Deus que age nos corações que lhe dão espaço, que se deixam fazer morada da Pessoa Dom, o Espírito de Deus. Coragem! Amemos o Amor, dando por Ele nossa vida. Amemos com atos e entrega generosa, ainda que em gestos simples. Espírito Santo, descei sobre nós e dai-nos do dom da fortaleza!

Frei Jerry de Sousa, O.Carm.

 

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Domingo da Misericórdia: “O despertar da consciência de que Deus é misericórdia” https://soucatequista.com.br/domingo-da-misericordia-o-despertar-da-consciencia-de-que-deus-e-misericordia/ https://soucatequista.com.br/domingo-da-misericordia-o-despertar-da-consciencia-de-que-deus-e-misericordia/#respond Fri, 17 Apr 2020 18:23:13 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=8846 Todos os anos, no primeiro domingo após o da Páscoa, a Igreja celebra a Festa da Divina Misericórdia, instituída pelo saudoso Papa São João Paulo II, atendendo ao pedido que Jesus insistentemente fez a Santa Faustina Kowalska (polonesa), cujo processo de beatificação foi conduzido pelo mesmo Pontífice.

É neste domingo que a Igreja celebra a instituição da Sagrada Confissão (Sacramento da Penitência), que Jesus constituiu no mesmo dia de sua Ressurreição. Aparecendo aos Apóstolos reunidos no Cenáculo – no domingo da Ressurreição – Jesus disse: “Recebei o Espírito Santo, aqueles a quem perdoardes os pecados, os pecados lhes serão perdoados; aqueles a quem não perdoardes os pecados, os pecados não serão perdoados” (Jo 20,22).

É importante também fazermos memória àquilo que Nosso Senhor Jesus Cristo disse à Santa Faustina, referente a este assunto:

“Minha filha, fala a todo o mundo da Minha inconcebível misericórdia. Desejo que a festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate. A Minha misericórdia é tão grande que, por toda a eternidade, nenhuma mente, nem humana, nem angélica a aprofundará. Tudo o que existe saiu das entranhas da Minha misericórdia. Toda alma contemplará em relação a Mim, por toda a eternidade, todo o Meu amor e a Minha misericórdia. A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha misericórdia” [Diário 699].

Há uma promessa de que se nos confessarmos e recebermos a Sagrada Comunhão seremos completamente perdoados pela misericórdia sempre infinita de Nosso Senhor. Mas em tempos de pandemia tal qual estamos vivenciando, como poderemos ter acesso a estes salutares sacramentos com as igrejas fechadas tornando o acesso físico aos mesmos praticamente impossível?

Há três passos que podemos seguir para receber essa graça:

  1. Fazer um ato de contrição

Como estamos impossibilitados de recorrer ao sacramento da confissão, o sábio Magistério da Igreja Católica em seu Catecismo, prevê tal situação nos parágrafos 1451 e 1452, vejamos:

1.451. Entre os atos do penitente, a contrição ocupa o primeiro lugar. Ela é «uma dor da alma e uma detestação do pecado cometido, com o propósito de não mais pecar no futuro».

1.452. Quando procedente do amor de Deus, amado sobre todas as coisas, a contrição é dita «perfeita» (contrição de caridade). Tal contrição perdoa as faltas veniais: obtém igualmente o perdão dos pecados mortais, se incluir o propósito firme de recorrer, logo que possível, à confissão sacramental.

Ou seja, a partir de uma contrição perfeita nossos pecados veniais e mortais são perdoados, desde que tenhamos o firme propósito de que assim que for possível, quando nossa situação voltar à normalidade, buscar um sacerdote para realizar a confissão.

  1. Fazer a comunhão espiritual

Como as Igrejas estão fechadas, não podemos receber a Sagrada Comunhão. Porém, podemos fazer a comunhão de forma espiritual, que é quando Nosso Senhor vem até o nosso coração como se tivéssemos o recebido sacramentalmente. Nestes tempos, onde temos à disposição os meios de comunicação, diante dos impedimentos, podemos participar da liturgia de nossas casas a partir das mídias sociais como o Facebook e o YouTube, ou através dos diversos canais de televisão e emissoras de rádio de inspiração católica.

No momento da comunhão, reze o “Ato de comunhão espiritual”: “Oh Jesus meu, creio que estais presente no Santíssimo Sacramento, te amo sobre todas as coisas e desejo receber-Te em minha alma. Já que agora não posso fazê-lo sacramentalmente, venha ao menos espiritualmente a meu coração. Como se já tivesse recebido, te abraço e me uno todo a Ti, não permitais, Senhor, que jamais me separe de vós. Amém”.

Enquanto reza a oração acima, mantenha no coração o propósito de retornar a comungar o Santíssimo Sacramento fisicamente assim que possível.

  1. Reze a seguinte oração com confiança de coração

“Senhor Jesus, o Senhor prometeu a Santa Faustina que a alma que se confessasse (eu não posso, mas eu fiz o ato de contrição) e recebesse a Sagrada Comunhão (eu não posso, mas eu fiz a comunhão espiritual) irá receber o perdão de todos os seus pecados e culpas. Por favor, Senhor Jesus, me dê essa graça”.

E nós irmãos carmelitas, como podemos viver a misericórdia de Deus não apenas neste segundo domingo da Páscoa, mas no decorrer de nossa caminhada espiritual?

A meu ver, o caminho da misericórdia e sua consequente vivência, passam por dois momentos distintos, mas que são intimamente ligados e se retroalimentam continuamente.

O primeiro momento é o despertar da consciência de que Deus é misericórdia e essa misericórdia é derramada gratuitamente em nossa vida constantemente. Se parássemos por um momento (este momento de pandemia é propício para esses momentos de reflexão) e pensássemos quantos momentos de nossa vida Deus mostrou a sua misericórdia para conosco teríamos infinitos motivos para agradecer. Embora esta reflexão seja individual, pois a intervenção divina é particular na vida de cada um, citarei aqui alguns exemplos:

– O fato de você estar lendo estas palavras, já lhe dá motivos para agradecer a misericórdia de Deus, que lhe permitiu ter um meio para acessar estas palavras (um computador, laptop, smartphone, tablet), lhe permitiu ser alfabetizado para conseguir ler, lhe deu inteligência para interpretar cada palavra aqui escrita, lhe deu olhos sadios para enxergar estas palavras, ou se você é um deficiente visual e está utilizando recurso de leitura da página é a misericórdia de Deus agindo a partir da inclusão social em sua vida.

– E os livramentos de nossa vida? Quantos são os casos em que nos atrasamos para fazer algo e acabamos nos livrando de acidentes ou situações horríveis? E, no fim, não raro, ainda reclamamos pelo atraso.

– E as vitórias da vida, o que dizer delas? A primeira comunhão, a primeira casa, o primeiro namoro, o primeiro filho, passar no vestibular, a primeira viagem, o primeiro carro, o casamento, a formatura dos filhos, a própria formatura, os netos, a ascensão profissional, os sonhos realizados, enfim, manifestações visíveis da misericórdia de Deus em nossa vida.

– Mas não são apenas as vitórias, é possível enxergar a misericórdia de Deus nas ditas “derrotas” da vida? Claro que sim, sem dúvidas. Momentos adversos acontecem para que cresçamos, aprendamos e nos tornemos pessoas melhores. Algo adverso que acontece hoje, pode ser a misericórdia de Deus agindo para que nos livre de algo ainda pior ou Deus nos pedindo para que sejamos mais confiantes em seu amor e sua caridade.

– Mas é sabido por nós, carmelitas, que Deus também se manifesta na leve brisa como no episódio em que Ele se manifestou a nosso Pai, o Profeta Elias. Nestes momentos é preciso um pouco mais de intimidade com Ele para enxergarmos sua misericórdia e contemplarmos a beleza oculta em uma palavra de consolo, em um sorriso, em um abraço ou em uma lágrima. Uma vida de oração e vivência sacramental nos permite ter uma vida ascética para conseguir contemplar essa beleza oculta.

Consegue olhar para a sua própria vida, meu caro irmão, e enxergar essa misericórdia fluindo por cada evento de sua existência? Devemos fazer este exercício até o momento que possamos dizer assim como o salmista: “Cantarei para sempre as misericórdias do Senhor” (Sl 89,1).

Santa Teresa D’Ávila possuía essa consciência e não raro em seus escritos ela menciona o amor e a gratidão pela Divina Misericórdia, quero citar apenas um trecho do livro da Vida: “… Quantas são as razões pelas quais posso cantar Tuas misericórdias para sempre! Suplico-te, meu Deus, que possa cantá-las sem fim já que dignastes outorgar sobre mim misericórdias tão excepcionais…” (Vida 14,10-11).

O segundo momento de nosso caminho da misericórdia é justamente o fato de adquirirmos a consciência de que se recebemos gratuitamente e constantemente a misericórdia divina, devemos ser instrumentos desta mesma misericórdia para o nosso próximo, para desta forma construirmos famílias misericordiosas, comunidades misericordiosas, sociedades misericordiosas, enfim, a partir da misericórdia auxiliar na construção do Reino dos Céus já aqui, agora.

Como não lembrarmos as palavras de Jesus no Evangelho de São Lucas, que nos diz: “Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai” (Lc 6, 36). Isso nos traz uma questão muito propícia aos tempos difíceis em que vivemos: Nós, por nossa vez, somos cristãos (carmelitas, esposos, filhos, companheiros de trabalho…) misericordiosos e bondosos para com os outros? O Papa Francisco possui uma frase que vem de encontro à nossa reflexão: “Quem experimentou na própria vida a misericórdia do Pai, não pode permanecer insensível diante das necessidades dos irmãos”.

Sempre que nos fazemos essa pergunta, somos automaticamente condicionados a responder, da seguinte forma: “O que eu poderia fazer (+ conjunção subordinativa condicional “se” + a famosa desculpa)…”, exemplos:

– O que eu poderia fazer SE eu não sei falar?

– O que eu poderia fazer SE eu não sei escrever?

– O que eu poderia fazer SE eu não tenho dinheiro?

– O que eu poderia fazer SE eu não disponho de tempo?

– O que eu poderia fazer SE eu não tenho nenhum dom especial?

O Senhor não nos pede para fazermos algo que está além de nossa capacidade física, espiritual, psicológica ou financeira, sempre podemos fazer algo para o próximo com aquilo que temos disponível à nossa mão, neste exato momento. Ou seja, fazer aquilo que podemos, com as ferramentas que Deus mesmo nos concedeu para utilizar.

Neste momento a maneira que pude encontrar de servir de canal de misericórdia à audiência deste site é escrevendo estas palavras, adoraria estar neste momento em algum hospital ajudando onde as pessoas estão perdendo suas vidas por conta desta pandemia. Consigo fazer isso agora? Infelizmente não, pois não disponho de conhecimento técnico para me colocar a serviço da misericórdia divina com esse trabalho. Mas em tempos normais, será que um médico não gostaria de ajudar uma pessoa que está sendo injustamente acusada diante de um tribunal advogando em seu favor? Obviamente que sim, ele pode fazer isso? Não, pois não dispõe de ferramentas para executar essa defesa diligentemente.

>> Clique aqui e recorde as palavras de São Paulo aos Coríntios (1 Cor 12, 12-31)

O que quero dizer com isso irmãos, é que sempre podemos fazer algo para sermos canais de misericórdia. Seja dando uma palavra de consolo, seja tendo uma escuta ativa enquanto alguém desabafa algum problema, uma palavra de estímulo, ou dando o seu melhor na cozinha para alimentar sua família da melhor forma possível ou, ainda, doando seu tempo para ajudar alguém necessitado. São tantas situações que com certeza Deus iluminará nosso entendimento e nossa criatividade desde que nos coloquemos à disposição para Sua misericórdia fluir no mundo. Finalizo essa mensagem pedindo a Nossa Senhora do Carmo, Santíssima Virgem Maria, que nos ensine a ser instrumentos da misericórdia divina.

Um abraço fraterno,

Irmão Davi Rufino, OTCarmo

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8 curiosidades sobre a Igreja católica https://soucatequista.com.br/8-curiosidades-sobre-a-igreja-catolica/ https://soucatequista.com.br/8-curiosidades-sobre-a-igreja-catolica/#respond Wed, 20 Jan 2016 11:13:27 +0000 http://www.soucatequista.com.br/?p=72147 Meg Hunter-Kilmer
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Do Big Bang a mulheres doutoras da Igreja, passando por papas hereges e vestes litúrgicas

1. Dos 35 Doutores da Igreja, 4 são mulheres. Isto pode até não impressionar você, mas repare que, por exemplo, dos 43 presidentes dos Estados Unidos, tidos como o país que mais propaga a democracia e a igualdade no mundo, zero foram mulheres! De todos os Doutores da Igreja, a mais “recente” é uma mulher: uma freira do século XIX, época em que a maioria das faculdades nem sequer admitia mulheres. Mesmo assim, há muitos “pregadores laicos” que não se cansam de acusar a Igreja católica de “odiar as mulheres”.

2. Todas as vestes litúrgicas dos sacerdotes católicos têm um significado específico. É por isso que, para citar um exemplo, a casula, que simboliza o amor, é usada por cima da estola, que simboliza a autoridade. Afinal, “por cima de tudo, o amor” (cf. Colossenses 3,14).

3. O tempo mínimo de participação na missa que a Igreja pede a todo católico equivale a mais ou menos 0,65% da nossa vida. Se formos à missa em todas as celebrações de preceito (e apenas nelas), o nosso “tempo total de missa” ficará em torno de 57 horas por ano. Bem que poderíamos dar a Deus um pouco mais do que isso, não poderíamos?

4. A teoria do Big Bang foi concebida por um padre católico. Todo mundo riu dele: “Ah, católicos bobos, sempre achando que o universo teve um começo!”. Além de sacerdote, ele era físico. O papa Francisco não disse nenhuma novidade quando afirmou, recentemente, que a Igreja católica aceita a evolução. Faz muitas décadas que a Igreja reconhece o fato evolutivo e o considera compatível com um Deus criador. O que a Igreja não reconhece é que todo o universo tenha surgido por obra do mero acaso e sem nenhuma finalidade. A declaração do papa Francisco, no entanto, foi divulgada como “grande novidade” por certa parcela da mídia.

5. Religiosos católicos também participaram de descobertas e criações como o método científico, a genética e o sistema universitário. Mesmo assim, há que teime em acusar a Igreja de odiar a ciência, a educação intelectual e o progresso técnico e tecnológico.

6. Pelo menos três papas foram hereges: Libério, Silvério e Honório I. Mas nenhum deles caiu em heresia durante o período de seu papado.

7. A primeira leitura nas missas de domingo é sempre escolhida com base na sua relação com o evangelho do dia. Já a segunda leitura não precisa ter necessariamente uma ligação direta com a primeira ou com o evangelho.

8. Se você ler 8 parágrafos do catecismo da Igreja católica por dia, vai conseguir ler e refletir sobre o catecismo inteiro antes do fim do ano. Que tal considerar esta dica como um desafio e começar hoje mesmo?

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Como se manifesta o amor de Deus? https://soucatequista.com.br/como-se-manifesta-o-amor-de-deus-2/ https://soucatequista.com.br/como-se-manifesta-o-amor-de-deus-2/#comments Wed, 21 Oct 2015 09:10:40 +0000 http://www.soucatequista.com.br/?p=67828 family-591579_1920O amor que Deus tem por nós é a base do nosso caminhar para a perfeição cristã. Ninguém será verdadeiramente religioso, enquanto não experimentar esse Amor, com o coração, com a mente e com a vida.

Mas como vemos este Amor? De três maneiras: basta olhar para dentro de nós, para fora de nós e para Jesus Cristo.
Antes que o mundo existisse, Deus já nos amava. São Paulo disse que o Senhor “nos escolheu em Cristo antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos” (Ef 1,4).

Para expressar esse amor imenso de Deus, o rei Davi chegou a dizer: “Se meu pai e minha mãe me abandonarem, o Senhor me acolherá” (Sl 26,10). O profeta Isaías disse: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca” (Is 49,15).

Olhando para dentro de nós, vemos como somos belos. Deus não poderia nos ter criado de maneira melhor; pois, nos criou à Sua “imagem e semelhança” (Gn 1,26), com o corpo dotado de sentidos e a alma dotada de potências perfeitas: inteligência, memória, entendimento, vontade, consciência, liberdade, que nenhum animal tem. Só a nós o amor de Deus deu essas mãos maravilhosas e essa inteligência exuberante. Com ela o homem projeta e com as mãos constrói as maravilhas: casas, carros, aviões, rádio, TV, computador… Deus entrou dentro Dele mesmo para buscar ali a nossa imagem. O que mais poderíamos desejar? Por isso Santo Irineu († 200) já dizia que o “homem é a glória de Deus”.

Somente o homem conhece a Deus, sabe que Ele existe; e é capaz de amá-lo, adorá-lo e bendize-lo; e deve fazê-lo em nome de todos os demais seres que foram criados para ele. O Concílio Vaticano II disse que “o homem é a única criatura que Deus quis por si mesma” (GS, 21). Tudo o mais foi feito para nós e nos obedece. Se o cavalo tivesse mãos e inteligência não poderíamos montá-lo. Uma criança domina um elefante na Índia.

O salmista canta com alegria a sua beleza:

“Fostes vós que plasmastes as entranhas de meu corpo, vós me tecestes no seio de minha mãe. Sede bendito por me haverdes feito de modo tão maravilhoso. Pelas vossas obras tão extraordinárias, conheceis até o fundo a minha alma. Nada de minha substância vos é oculto, quando fui formado ocultamente, quando fui tecido nas entranhas subterrâneas…. Ó Deus, como são insondáveis para mim vossos desígnios! E quão imenso é o número deles!” (Sl 138, 13-17).

Olhando também para fora de nós vemos como Deus nos ama; tudo foi feito para nós: a Terra, o ar, a chuva, o alimento que brota da terra, a flor que encanta nossos olhos e nos agrada com seu perfume; os pássaros que cantam, e tudo mais… Deus criou tudo por amor a cada um de nós. O sol, a lua, as estrelas, as plantas, os animais, os mares, os rios, as montanhas, os elementos químicos, o ar, a água, o vento, o fogo… foram criados para o você. Recebemos tudo isso gratuitamente. Da terra retiramos tudo que precisamos viver. Deus providenciou tudo no Seu amor por nós.

Tudo foi criado e entregue por Deus ao homem, diz o livro do Gênesis: “Que ele reine sobre os peixes do mar; sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis” (Gn 1 ,26b).

Deus criou tudo para nós e quer que O amemos em gratidão por tantos dons. Santo Agostinho dizia: “Senhor meu, todas as coisas que vejo na terra e acima da terra me falam e me exortam a Vos amar. Todas me dizem que as fizestes por meu amor.”

Santa Teresa, olhando as árvores, as fontes, os regatos e os lagos, dizia: “Todas estas belas criaturas me lembram a minha ingratidão por amar tão pouco o Criador. Criou-as para ser amado por mim.”

Como se tudo isso já não bastasse, Deus foi muito mais além no Seu amor por nós. Para cativar todo o nosso amor; Ele deu-se a nós em todo o Seu ser. Deus Pai chegou ao extremo de nos dar Seu próprio Filho para que não perecêssemos no inferno. “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único” (Jo 3,1 6a), disse Jesus.

Vendo-nos mortos e privados de Sua graça por causa do pecado, o querido Filho único do Pai desceu até nós, pobre, escondido, sacrificado, imolado na Cruz, para pagar os nossos pecados na cruz, devolvendo-nos assim a vida que o pecado nos tirara. E exatamente o que nos ensinou São Paulo: “Mas Deus, que é rico em misericórdia, pelo excessivo amor com que nos amou, quando estávamos mortos por nossos pecados, nos vivificou juntamente com Cristo” (Ef2, 5).

Em Cristo, Deus Pai nos deu tudo: Sua graça, Seu amor, o céu!

“Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas?” (Rm 8,32). Diz o Salmista: “Nele está toda a graça e a copiosa Redenção” (Sl 129).

Jesus nos amou profundamente, até o fim, até a morte. São João observa que, às vésperas da cruel paixão, “Sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até ao extremo os amou” (Jo 13,1). “Amou-nos e entregou-se a si mesmo por nós” (Gl 2,20). Fez-se homem, vestiu-se de carne, dignou-se assumir a nossa natureza, “aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E (…) humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Fl 2,7-8).

Eis aí um Deus aniquilado por amor a nós! Podendo salvar-nos sem sofrer; aceitou a morte de cruz para nos mostrar o Seu amor. Ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus, pois Ele mesmo disse que ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelo outro: “Dou a minha vida pelas minhas ovelhas” (Jo 10,15b).

O amor de Jesus por nós supera ilimitadamente nossa compreensão. Santa Maria Madalena de Pazzi, com o crucifixo na mão, dizia: “Sim, Jesus, Vós estais louco de amor. Eu o digo e direi sempre: Estais louco de amor.” O que fez Jesus suportar a paixão e a agonia da cruz foi o amor por todos nós, pois o amor é mais forte do que a dor e a morte. Jesus amou mais do que sofreu – eis o segredo da Sua vitória.
O desejo profundo de quem ama alguém é estar sempre próximo dá pessoa amada. Para poder estar sempre junto de nós, Jesus fez o milagre da Eucaristia, a maior prova possível do Seu amor por nós.

Na hora de Sua morte, deixou-se a si mesmo, todo, sem reservas, na Eucaristia. Para que cada um de nós pudesse facilmente recebê-lo, quis ficar sob a aparência do pão – o alimento de todos; quis ficar conosco para ser nossa força e vida e estar sempre unido a nós.

O amor sempre aspira pela união. Ele disse: “Sem Mim nada podeis!” (Jo 15,5).”Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim Eu nele”. “Viverá por Mim”; “Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,56-57). Jesus é Deus aniquilado, escondido, prisioneiro em todos os Sacrário do mundo para ser nossa Força. Não há amor maior!

Como corresponder a todo este amor de Deus?

Buscando-O de todo o coração. Nada dói mais em uma pessoa que ama do que ver o seu amor não correspondido. “Amarás o Senhor, teu Deus, de iodo o teu coração” (Dt 6,5). “Amor só se paga com amor”, disse São João da Cruz. E como amar a Jesus? Ele responde: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). Conhecemos os 10 Mandamentos da Lei de Deus, confirmados por Jesus (cf. Mt 19). É a base do comportamento cristão, a moral católica. Quem não obedece os Mandamentos não ama a Deus. Não podemos deixar que o mundo com suas ideologias esvazie esses Mandamentos com uma moral relativística que trai o essencial da Lei de Deus. A norma é o Catecismo da Igreja; fora dele é relativismo perigoso.

 

Um artigo escrito pelo professor Felipe Aquino

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