Cela – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Fri, 26 Jun 2020 20:08:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Cela – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 Entre a cela e a capela https://soucatequista.com.br/entre-a-cela-e-a-capela/ https://soucatequista.com.br/entre-a-cela-e-a-capela/#respond Fri, 26 Jun 2020 20:08:02 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=9197  

O carmelita cresce durante o caminhar. Com isso quero dizer que o crescimento espiritual e humano de todo carmelita se dá no processo de deslocamento entre dois lugares: a cela e a capela.

A cela para o carmelita simboliza o lugar da solidão, do verdadeiro encontro consigo mesmo e com Deus. Longe dos olhos das outras pessoas, somente Deus nos enxerga e nos conhece. Na cela podemos rir ou chorar, mas, nunca poderemos nos esconder de Deus.

A cela é o lugar da intimidade aonde qualquer máscara vai ao chão, onde os sorrisos disfarçados são desfeitos e onde podemos falar com nosso melhor amigo sem intervenção de ninguém. É na cela que fazemos a experiência da profunda união espiritual ou também reconhecemos nossas misérias e percebemos o quanto estamos afastados de Deus. Nos momentos de dificuldades podemos até desejar que Deus saia de nossa cela, mas, sabemos que Ele jamais se retira e é ali que nos protege e nos levanta.

E a capela? O que significa para nós?

A capela é o lugar do encontro comunitário, onde posso elevar a Deus uma oração com meus irmãos. Na capela geralmente, não se reza sozinho, mas a nossa voz ou pensamento se une a tantos outros que louvam e agradecem a Deus. Na capela eu fico olhando para o meu outro irmão, independente de quem ele seja ou o que tenha feito, devo contemplar o próprio Jesus presente nele.

Isso não é tarefa fácil ou simples sentimentalismo, a vida de Santa Teresa de Lisieux nos mostra que essa é uma verdadeira experiência de amadurecimento espiritual: reconhecer no outro a obra de Deus. Se Deus é autor de tudo, ele também é autor daquele irmão que talvez não me agrade, mas, que sem dúvidas aos olhos de Deus é maravilhoso.

A vida comunitária nos recorda que não estamos sozinhos, que preciso dividir, compartilhar e pensar no outro. Percebo que eu não sou o centro do mundo e também tenho meus defeitos que precisam ser melhorados para o bem da comunidade. Assim como tenho qualidades que devem ser partilhadas. Afinal, que sentido tem uma lamparina escondida embaixo da cama? Nenhum. Deve estar ali para iluminar todo o lugar, nos ensina o Evangelho.

Enfim, quem é o verdadeiro carmelita… O da cela ou da capela?

O verdadeiro carmelita é aquele que percebe que a beleza está no caminhar. No percurso que se faz da cela para a capela e vice e versa. Não entendemos aqui os termos “capela e cela” de modo reduzido, mas significado de algo muito mais amplo. Ou seja, caminho da intimidade pessoal com Deus e o socorro aos irmãos que precisam da minha atenção. O carmelita é chamado a fazer uma experiência intima e profunda com Deus para sair em direção ao outro, isso ultrapassa os muros do convento. Diversas realidades do mundo precisam de nossa resposta decisiva e misericordiosa.

Se permanecermos somente na nossa experiência privada com Deus, por mais que essa seja maravilhosa, não será fonte de vida, não dará frutos. Se pelo contrário quero anunciar aos irmãos sem antes fazer a experiência pessoal com Deus, serei apenas repetidor das minhas próprias convicções e não um mensageiro da Palavra divina. Quem fica parado atrofia os membros, desaprende a caminhar. É no caminho de um lugar para o outro que perceberemos a beleza da vida carmelita, na solidão da cela e na fraternidade da vida comunitária.

Pedimos a Deus, a graça de crescer a cada dia como carmelitas, sabendo caminhar na oração pessoal e no serviço aos irmãos.

Frei Juliano Luiz da Silva, O.Carm.

Fotos: Monjas Carmelitas do Mosteiro de Cerredo (Itália)

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Permanecer na presença de Deus https://soucatequista.com.br/3913-2/ https://soucatequista.com.br/3913-2/#respond Sat, 26 May 2018 11:03:52 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=3913 A permanência/enraizamento é que dá condições ao ser vivo, de enfrentar o transitório da vida.
“Permaneça cada um na sua cela, ou perto dela, meditando dia e noite na lei do Senhor e vigiando em oração, a não ser que se deva dedicar outros justificados afazeres.”
Regra dos Carmelitas, Capítulo 7

 

Os antepassados da minha Ordem religiosa, nos legaram uma Regra de Vida maravilhosa. Ela é conhecida como “A Regra de Vida dos Carmelitas.” Esta trás capítulos que fundamentam a vida dos frades carmelitas. Ou seja: o carisma. Dom de Deus dado a essa família religiosa.

Um dos capítulos da Regra de Vida que me chama atenção, é o Capítulo 7, citado acima. Ele nos mostra o valor da CELA (quarto) para o religioso carmelita. Essa experiência de “estar na cela”,  nos leva mais do que uma experiência geográfica, e sim, uma experiência que vai firmando no carmelita um grande espírito de “estabilidade”. Estabilidade ou permanência.

Olhando para a natureza, podemos perceber esse processo de permanência/estabilidade nas plantas. Toda e qualquer planta necessita enraizar-se para poder crescer. Sem esse processo de enraizamento, a planta não desenvolve todo o seu potencial e não suporta os “transplantes” que a vida há de oferecer-lhe de forma obrigatória ou espontânea. A permanência/enraizamento é que dá condições ao ser vivo, de  enfrentar o transitório da vida. A experiência do “permanecer na cela” nos leva a descobrir a beleza da própria vida, numa postura de simplesmente perceber, sentir a presença de Deus. E a experiência do eterno nos leva ao grande conhecimento de nós mesmos. E o estar diante da face de Deus que mostra para o discípulo o seu original. Como realmente somos ou seremos em Deus.

Tenho percebido,  muitas vezes,  situações desconfortáveis da vida, que nos raptam, porque não conservamos uma estabilidade interior diante do transitório que é inevitável. Pessoas que se perdem numa ladainha de palavrões, simplesmente porque o trânsito está daquele jeito que é tão comum em São Paulo. Se esbravejar palavrões melhorassem a vida da maioria das pessoas, creio que estaríamos no paraíso. E falando em paraíso, ali se vê um grande elemento que devemos levar para a nossa “cela interior”. A AMIZADE com DEUS. Essa é de suma importância para nós. Depois que os primeiros homens macularam a transparência do relacionamento para com Deus, a desordem entrou no mundo. A amizade com “a serpente enganadora” só nos leva ao caos interior e exterior. Um bom amigo está sempre ao nosso lado. O verdadeiro amigo só deseja o nosso bem. Isso porque o amigo nos importa para dentro dele. E o que importamos para o nosso interior é precioso. Imagine se no silêncio mais profundo do nosso ser, alimentarmos a nossa amizade com Deus. Pode ter certeza que, quando silenciamos em estado de presença dentro de nós, ELE nos fala. É o momento do toque de Deus na alma do discípulo. Quando percebemos o seu toque, nós não mendigaremos ninharias para o mundo, mas ofertaremos coisas boas que vem do manancial que jorra de dentro de nós, por causa desta amizade com Deus que não tem fim.

Procure no interior da sua “cela” aquele que já por primeiro te espera. Assim como a música boa precisa de “pausas” para encontrar harmonia, também corpo e alma para estar conectados com Deus, necessita de pausas. Essas se dão no “ permanecer e estar com Ele”.

Com mãos postas peço que Jesus o abençoe.

Texto de: Frei Rothmans Campos, O.Carm.

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