Copa do Mundo – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Mon, 16 Jun 2014 12:46:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Copa do Mundo – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 Copa: entre joio e trigo https://soucatequista.com.br/copa-entre-joio-e-trigo/ https://soucatequista.com.br/copa-entre-joio-e-trigo/#respond Mon, 16 Jun 2014 12:46:47 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=42755 torcedores-lotam-o-itaquerao-para-ver-brasil-e-croacia-na-abertura-da-copa-1402612418594_1920x1080A Copa do Mundo começou e a sorte está lançada. É hora de um jogo que envolve a sociedade inteira e, por isto mesmo, lhe dá a oportunidade de tratar de maneira nova, adequada, a realidade sociopolítica e cultural. Uma ocasião que deve ultrapassar a natural euforia própria e inevitável do futebol, tornando-se força popular para empurrar o país na direção de reformas urgentes. Durante e após a Copa, é preciso cultivar uma nova consciência social e suscitar um desejo mais apurado de participação. As manifestações de junho do ano passado, durante a Copa das Confederações, inauguraram esse momento novo, em que um megaevento esportivo não se limitou ao aspecto futebolístico e aos espetáculos, mas também envolveu suas incidentes dimensões políticas, culturais e sociais.

Está oferecida à sociedade brasileira a oportunidade de exercitar, durante um mês, sua indispensável capacidade de avançar na vivência da cidadania, sem privar-se da alegria, da beleza, da arte e da força própria de um esporte, fugindo das alienações facilmente encobertas por entusiasmos superficiais. Um avanço urgente quando se considera os incontáveis descompassos da sociedade brasileira, que contracenam com conquistas e progressos insuficientes para nos definirmos como nação civilizada.

A parábola do joio e do trigo, contada por Jesus na educação de seus discípulos e narrada pelo evangelista Mateus, deve ser lembrada para que a Copa do Mundo no Brasil se torne, efetivamente, um impulso novo, de ordem política e social. O Mundial evidencia ainda mais as fragilidades da sociedade brasileira e a consequente exigência de respostas adequadas. Esse evento está retratando um Brasil onde crescem juntos o joio e o trigo. Há uma lamentável semeadura de coisas ruins quando se considera a enorme lista de inadequações e contratempos de nossa realidade sociopolítica. A sociedade está emoldurada pelos fracassos de improvisações, de promessas não cumpridas, de gastos exorbitantes, de favorecimentos negociais que prejudicam o povo, particularmente os mais pobres.

O trecho bíblico conta que o dono da colheita rejeitou a proposta dos seus experientes colaboradores de logo arrancar o joio, para que apenas o trigo crescesse. Parece um contrassenso, se for considerado que o joio impede o crescimento saudável do trigo. Mas, na parábola, alerta o dono: “Pode acontecer que, ao retirar o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita”. Uma simples aplicação da parábola ao contexto da Copa do Mundo, emoldurado pelos acontecimentos políticos e sociais destas últimas décadas, na oportunidade do ano eleitoral, mostra que é hora de colheita e, consequentemente, de esforço desmedido para erradicação do joio. Uma ação forte que precisa do entusiasmo popular.

Essa força do povo se manifestará em cada estádio, com aplausos, vibração, silêncios de protesto, testemunhos de civilidade. Também pelas ruas e em muitos lugares, paróquias e outros ambientes, com gestos concretos de cidadãos, como a adesão efetiva ao abaixo-assinado que possibilitará a tramitação do Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Reforma Política. Demanda que é urgente, mas depara-se com a inércia do Congresso Nacional. Registrar o nome e o título de eleitor no abaixo-assinado é um meio de trabalharmos para a erradicação do joio que se manifesta nos discursos políticos, nas organizações que nadam em cifras bilionárias, nos abismos que separam ricos e pobres. O contexto atual da sociedade brasileira é oportuno para um salto em busca do saneamento das instituições e a construção de um novo país. É hora de qualificar, ainda mais, o “discurso das ruas”, para que a política não seja um balcão de negócios, com inescrupulosas barganhas que tomam bens da coletividade como se fossem particulares ou de segmentos privilegiados. Que a mais significativa vitória nesta Copa seja o fortalecimento de nossa capacidade para mudanças, com a sabedoria para separar o joio do trigo.

Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo – Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

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Um Brasil de fé e de chuteiras https://soucatequista.com.br/um-brasil-de-fe-e-de-chuteiras/ https://soucatequista.com.br/um-brasil-de-fe-e-de-chuteiras/#respond Wed, 11 Jun 2014 13:48:27 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=42638 copa“Quem te viu e quem te vê”, velho chavão que hoje podemos aplicar ao período chamado da Copa do Mundo no Brasil. Nunca se viu tanta bandeira, tantos símbolos pátrios, tanto verde e amarelo como agora. Será que seríamos capazes de expor os símbolos pátrios com a mesma garra, em tempos de inflação, em tempos de baixa estima política, em tempos de corrupção e gritar “eu te amo meu Brasil, eu te amo, mais que o futebol, mais que um mundial ou as olimpíadas que vêm aí”?

Eu te amo minha pátria e por ti dou a minha vida. Como dizia o literato Rui Barbosa: “A pátria é a família ampliada.”

Parece impossível ficar indiferente num momento tão bonito como a Copa do Mundo. Com certeza o sangue ferve, as emoções tomam conta da razão. Porém as emoções passam, o sangue volta a circular normalmente e o que fica é o gosto da vitória ou o amargo sabor da derrota.

Um Brasil de chuteiras passa e passa rápido. O verde e o amarelo vão continuar, na luta e no suor em garantir o pão nas mesas de cada dia. “Quando olho para o meu Brasil, posso ver um pedacinho de mim em cada cidadão. Eles são o que eu sou, e dividem o mesmo amor que eu divido, o amor do Brasil.” (Jean Lacerda)

Todos nós brasileiros e brasileiras vibramos pela seleção na disputa pela bola e o balançar das redes, acompanhados do grito amarrado na garganta, da vitória final. Porém, vamos vibrar e gritar também a vitória, quando seremos cuidados em hospitais de qualidade, com profissionais da saúde cuidando da vida como se cuida de um viveiro de orquídeas.

Vamos soltar gritos de campeões quando a educação for prioridade e os professores serem remunerados dignamente. Vamos sair pelas ruas empunhando bandeiras, quando os pobres e excluídos forem tratados com dignidade. Vamos mostrar o nosso patriotismo, não só cantando o hino nacional, em festas e inaugurações, mas fazer dele um programa de vida e de compromisso.

“A beleza brasileira pode ser vista nas pequenas coisas que habitam nosso lar. Nos sorrisos, na luta, na força e na persistência. Ser brasileiro é isso, é nunca desistir, é sempre ser feliz mesmo por baixo de um temporal” (Jean Lacerda).

Vamos aproveitar a Copa do Mundo para amar ainda mais o nosso Brasil e promover a solidariedade e o cuidado com os mais necessitados. Vejamos o que o Papa Francisco nos diz: “O dinheiro dever servir, e não governar! O Papa ama a todos, ricos e pobres, mas tem obrigação, em nome de Cristo, de lembrar que os ricos devem ajudar os pobres, respeitá-los e promove-los. Exorto-vos a uma solidariedade desinteressada e a um regresso da economia e das finanças a uma ética propícia ao ser humano” (Papa Francisco).

Jamais desistir, nunca retroceder, buscar sempre, acreditar no melhor e jamais sentir-se sozinhos. A Pátria somos nós, a bandeira é o que nos une, no verde da esperança que não morre, no amarelo do ouro que brilha com o pão e a casa para todos, no azul do céu de brigadeiro que nos mostra o destino onde queremos e podemos chegar, nas estrelas formando a cruz no firmamento, indicando que ela é que dá sentido no caminho da vida. O Brasil com chuteira ou não, o gol da vitória depende de cada um de nós, em um mundial que terminará na eternidade.

Vamos torcer pela nossa seleção e vamos rezar para que também possamos vencer as nossas copas cotidianas desse país que precisa passar por uma grande transformação ética. E isso passa por mim, por você. Não se trata de cobrar e criticar apenas os políticos. A busca pela vitória ética passa, inclusive, pelos setores privados, pelas famílias, por você. Que Deus nos abençoe. Boa semana e boa Copa!

Por Dom Anuar Battisti – Arcebispo de Maringá (PR)

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Pentecostes e Copa https://soucatequista.com.br/pentecostes-e-copa/ https://soucatequista.com.br/pentecostes-e-copa/#respond Tue, 03 Jun 2014 12:27:12 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=42402 133164_ext_arquivoNos antigos povos, Pentecostes era Festa das Colheitas, realizada com muita alegria e solenidade. A celebração era dedicada exclusivamente a Javé. Uma festa ecumênica, aberta para todos os produtores e seus familiares, os pobres, os levitas e os estrangeiros (Dt 16,11-12). Enfim, todo o povo apresentava-se diante de Deus. Reconhecia-se e afirmava-se o compromisso de fraternidade e a responsabilidade de promover os laços comunitários.

Hoje Pentecostes é chamada de Festa da Unidade, da presença do Espírito unificador, enviado por Cristo cinquenta dias após o domingo da Ressurreição e sete dias depois da Ascensão. No dinamismo da cultura, na diversidade dos dons, o Espírito Santo é proclamado como Aquele que veio para superar a “confusão babilônica”, os resquícios da “Torre de Babel” que reinam numa sociedade marcada por tantas situações extremistas e desumanas.

Estamos nas vésperas da Copa do Mundo, desta vez em nosso país. Teremos a presença de jogadores de diversas realidades do planeta. O foco principal deve ser a bola, para a qual o mundo todo estará olhando, formando uma unidade universal. Motivados pela mídia, muitos ficam aguçados em seus fanatismos, tanto dentro dos estádios, como fora deles.

Certamente, por causa de insatisfações e desrespeito no direito de cidadania, e aproveitando o momento propício, porque dá visibilidade, teremos variadas manifestações. São realidades legais, mas que não podem extrapolar em ações contra o patrimônio público, contra aquilo que pertence a todos. O espírito de unidade precisa superar o que lava a destruição.

A presença do Espírito Santo de Deus deve nos levar a falar a linguagem da justiça e do amor. Temos que superar nossas diferenças, canalizando tudo para a construção do bem, mesmo sabendo que a Copa tem sido caminho de enriquecimento ilícito de algumas pessoas e de alguns grupos.

É justamente por causa da má condução e fiscalização do uso do bem público, na preparação da Copa, que o povo brasileiro está indignado e isto tem se revelado nas grandes manifestações populares. Mas não podemos perder o rumo, fazendo o país ficar ainda pior. Torcemos por uma Copa do Mundo de paz e de vitória para quem estiver mais bem preparado.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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Jogar pela vida https://soucatequista.com.br/jogar-pela-vida/ https://soucatequista.com.br/jogar-pela-vida/#respond Mon, 19 May 2014 16:50:48 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=42020 copa-do-mundo-2014-brasil-01A Copa do Mundo deste ano pode se tornar um dos mais significativos momentos da história sociopolítica do Brasil. O discurso que se ouviu nas ruas, em junho do ano passado, foi um sinal, obviamente com a recusa radical dos lamentáveis episódios de vandalismo, violência e atentados contra o patrimônio público. Historicamente, a sociedade brasileira sempre viveu o tempo da Copa do Mundo simplesmente como momento de euforia e divertimento. Essa paixão esportiva nacional, com sua força educativa e o gosto gostoso que o futebol dá à vida dos torcedores, indica que é preciso conciliar euforia e divertimento com o viés político e social.

Os fantasmas e ameaças do vandalismo não podem atropelar a oportunidade cidadã de jogarmos pela vida. O coração apaixonado do torcedor, seu sentimento de pertença à pátria, tem agora a oportunidade de agregar entendimentos, discussões, análises e posturas que nos levem não só a vencer no esporte, mas, sobretudo, contribuam para o crescimento da consciência cidadã. O cenário político, com a singularidade deste ano eleitoral, precisa ser iluminado pela atenção especial que uma Copa do Mundo mobiliza. Não permitir qualquer tipo de violência é de suma importância para que manifestações, debates, discussões e outras condutas cidadãs promovam mudanças nos abomináveis cenários de corrupção, exclusão social e desrespeitos à dignidade da pessoa.

Pessimismo, vandalismos e até mesmo torcida para que a Copa não dê certo enfraquecerão essa oportunidade de crescimento qualificado da consciência política dos cidadãos brasileiros. É importante tratar adequadamente esse evento para que as eleições não representem apenas um voto dado, mas uma postura com força de transformações em vista de novos cenários. É hora de qualificar a participação política, que não pode se restringir aos atos formais de votar ou de se reunir em associações comunitárias, sindicatos e partidos políticos, mas também inclui a participação e presença nos espaços definidos pela democracia representativa. Esta é a oportunidade para o fortalecimento da competência na defesa dos valores éticos, da inviolabilidade da vida humana, da promoção e resgate da unidade e estabilidade da família, do direito dos pais a educar seus filhos, da justiça e da paz, da democracia e do bem comum.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se posiciona neste momento político por meio de importante manifesto intitulado “Pensando o Brasil: desafios diante das eleições 2014”. Nessa mensagem, aprovada durante sua 52ª Assembleia Geral, afirma que é indispensável combater a corrupção sistêmica e endêmica, invisível e refinada, presente em práticas políticas e no mundo daqueles que exercem o poder econômico, causando desigualdades, aumentando custos e sobrecarregando os destinos da nação. Cada dia se torna mais urgente a reforma política, lamentavelmente não desejada pelos que podem levá-la adiante. Este ano eleitoral, portanto, é oportunidade de checar quem tem condições e vontade política de promover essa indispensável reforma, viabilizando uma série de outras mudanças em vista da edificação de uma sociedade mais justa.

Na mensagem, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil sublinha que “pesquisas têm indicado uma baixa confiança da população nos poderes instituídos da República. Duvida-se da honestidade de todos os políticos. Desconfia-se da existência dos programas partidários. Mesmo havendo tais programas, não se acredita que os políticos sejam fiéis a eles. Com frequência, esse clima tem levado o cidadão à sensação de que votar não adianta nada e de que a participação política é inútil. Tal atitude, porém, gera um círculo vicioso: o cidadão não participa porque as estruturas do País não correspondem aos interesses do povo; no entanto, tais estruturas não vão mudar sem sua participação. É necessário evitar, a todo custo, o desalento e encontrar oportunidades de agir em favor de mudanças consideradas como necessárias”. Assim, é importante usufruir bem desta oportunidade da Copa do Mundo para que sejam promovidas transformações, alcançadas respostas adequadas e se possa engrossar as fileiras dos que, em todos os campos, efetivamente jogam pela vida.

Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo – Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

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