Dom Paulo Mendes Peixoto – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Wed, 29 Nov 2017 07:55:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Dom Paulo Mendes Peixoto – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 A vinda do Senhor https://soucatequista.com.br/a-vinda-do-senhor/ https://soucatequista.com.br/a-vinda-do-senhor/#respond Wed, 29 Nov 2017 07:55:34 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=81712 Conforme a Palavra de Deus, a vinda de Jesus deve ser compreendida em duas dimensões, mas que fundamenta nossos conceitos de fé. A primeira, já prevista pelo Antigo Testamento, principalmente nas palavras do profeta Isaías, “de uma virgem nascerá o Emanuel” (cf. Is 7,14), acontece no dia do Natal. É a realização da encarnação do Verbo, Deus que se torna homem.

A segunda vinda do Senhor é anunciada como tempo de julgamento, quando os maus serão separados dos bons e serão destinados para a eternidade. Aí acontecerá a justiça divina, o “acerto de contas” com as pessoas, tendo como fonte os atos praticados na vida terrena. Para quem foi capaz de valorizar o processo do perdão e da reconciliação, certamente terá a misericórdia de Deus.

Em tempo de Advento, a meta é despertar nas pessoas atitudes de vigilância. A vida de fé é comprometedora, que exige ações concretas praticadas em benefício da coletividade. Nisso está o julgamento de Deus, como uma balança que mede o peso do que é feito, seja de bem ou de mal. Por isso, a vigilância é o equilíbrio de hoje no caminho para a hora da colheita, do julgamento final.

Advento é tempo forte de espera e de compromisso com a construção do Reino. Ele propõe superação das dificuldades e transformação dos corações endurecidos para acolher, na suavidade, Aquele que dá sentido para a vida. O nascimento de Jesus é a manifestação da bondade de Deus para com seu povo, oportunizando espaço de libertação e vida para quem Nele professa sua fé.

A vinda do Senhor teve como finalidade revelar a graça de Deus e de construir a paz entre as pessoas. Graça e paz são termos ricos de conteúdo, porque tocam de perto nos objetivos do Reino. Deus nos dá tudo de graça, mas quer que construamos a paz, para que reine o amor e a fraternidade. Não há paz verdadeira onde a graça de Deus não é percebida e nem valorizada.

Ser seguidor de Jesus Cristo é comprometer-se com Ele, com a vigilância e com o seu projeto de vida, confirmado pela dignidade e pela graça. É um enfrentamento com responsabilidade, sem pompa e sem glórias em relação ao mundo, mas desimpedido para receber a recompensa prometida pelo Senhor. É um processo de conversão, próprio para quem se prepara para o Natal.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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Para que violência https://soucatequista.com.br/para-que-violencia/ https://soucatequista.com.br/para-que-violencia/#respond Wed, 02 Jul 2014 13:13:13 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=43229 violencia-1Algumas atitudes que, em várias ocasiões praticamos, são bastante contraditórias, porque trazem consequências preocupantes para a realidade atual da sociedade. Quando falamos de violência, de vingança, de ódio, de bondade, de mansidão, de amor etc., pensamos em ações feitas com o uso da liberdade, supondo também a prática da responsabilidade.

Mas não é isto que temos visto em muitas ocasiões da sociedade moderna. A palavra “violência” tem tomado uma direção assustadora, que desinquieta as pessoas das variadas condições no seu estado de vida. As práticas violentas têm atingido os ricos e os pobres, inclusive eliminando vidas de pessoas totalmente inocentes.

Podemos dizer que as violências têm ressonância nos aspectos da vida militar, política, intelectual, cultural e religiosa. Mas para que tanta violência se a vida pode ser saudável quando praticamos a bondade e somos fraternos? Parece que falta humildade no coração das pessoas e, por isto, não são capazes de perdoar.

Convivemos com uma situação constante e preocupante de medo generalizado. Dizemos que a causa está na má distribuição dos bens da natureza. Culpamos a incidência da droga, do narcotráfico, da política mal conduzida, da ganância e coisas mais. Creio que falta um olhar para o testemunho de Jesus Cristo e para os indicativos de paz que Ele nos dá, que são encontrados em diversos textos bíblicos.

A mansidão de Jesus faz com que o seu jugo seja leve, seja contra qualquer atitude vazia de autossuficiência, de orgulho e de ostentação. Ele é mestre na prática de humildade, manso de coração e contra todo tipo de violência destruidora das pessoas. Não podemos ficar esperando resultado positivo e duradouro vindo da violência.

O violento sempre quer ter razão. O único argumento contra ele é constituído de humildade, de mansidão e de abertura do coração para Deus. As práticas desumanas e egoístas são contra os critérios da vida e contra a liberdade dos filhos de Deus. Terrorismo e banditismo são provocadores de novas violências e insegurança para toda a sociedade. Com isto vivemos armados uns contra os outros.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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Pentecostes e Copa https://soucatequista.com.br/pentecostes-e-copa/ https://soucatequista.com.br/pentecostes-e-copa/#respond Tue, 03 Jun 2014 12:27:12 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=42402 133164_ext_arquivoNos antigos povos, Pentecostes era Festa das Colheitas, realizada com muita alegria e solenidade. A celebração era dedicada exclusivamente a Javé. Uma festa ecumênica, aberta para todos os produtores e seus familiares, os pobres, os levitas e os estrangeiros (Dt 16,11-12). Enfim, todo o povo apresentava-se diante de Deus. Reconhecia-se e afirmava-se o compromisso de fraternidade e a responsabilidade de promover os laços comunitários.

Hoje Pentecostes é chamada de Festa da Unidade, da presença do Espírito unificador, enviado por Cristo cinquenta dias após o domingo da Ressurreição e sete dias depois da Ascensão. No dinamismo da cultura, na diversidade dos dons, o Espírito Santo é proclamado como Aquele que veio para superar a “confusão babilônica”, os resquícios da “Torre de Babel” que reinam numa sociedade marcada por tantas situações extremistas e desumanas.

Estamos nas vésperas da Copa do Mundo, desta vez em nosso país. Teremos a presença de jogadores de diversas realidades do planeta. O foco principal deve ser a bola, para a qual o mundo todo estará olhando, formando uma unidade universal. Motivados pela mídia, muitos ficam aguçados em seus fanatismos, tanto dentro dos estádios, como fora deles.

Certamente, por causa de insatisfações e desrespeito no direito de cidadania, e aproveitando o momento propício, porque dá visibilidade, teremos variadas manifestações. São realidades legais, mas que não podem extrapolar em ações contra o patrimônio público, contra aquilo que pertence a todos. O espírito de unidade precisa superar o que lava a destruição.

A presença do Espírito Santo de Deus deve nos levar a falar a linguagem da justiça e do amor. Temos que superar nossas diferenças, canalizando tudo para a construção do bem, mesmo sabendo que a Copa tem sido caminho de enriquecimento ilícito de algumas pessoas e de alguns grupos.

É justamente por causa da má condução e fiscalização do uso do bem público, na preparação da Copa, que o povo brasileiro está indignado e isto tem se revelado nas grandes manifestações populares. Mas não podemos perder o rumo, fazendo o país ficar ainda pior. Torcemos por uma Copa do Mundo de paz e de vitória para quem estiver mais bem preparado.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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A sabedoria https://soucatequista.com.br/a-sabedoria/ https://soucatequista.com.br/a-sabedoria/#respond Wed, 04 Sep 2013 20:35:33 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=35055 sabedoriaAlém de indicar “saber”, a palavra sabedoria sugere também o termo “sabor”. Podemos, com isto, entender sabedoria de duas formas: uma ligada mais às coisas do mundo, com as exigências próprias de influência da cultura moderna, e sabedoria conforme as propostas do Reino de Deus, contidas nos livros da Sagrada Escritura.

É preciso ter sabor pelo saber. Aliás, estamos no mundo do conhecimento onde vemos que, quase sempre avança e vence, quem sabe mais. A sabedoria é um dom, mas também fruto de esforço pessoal. “Ninguém nasce sabendo”, mas tem que fazer um caminho de conquista, de muito estudo, de ir ao encontro do saber com sabor.

O Rei Salomão pede sabedoria para governar bem o seu povo. Por isto tinha fama de sábio, julgava com prudência, discernimento e ponderação (I Rs 3,9). Mas não basta apenas esforço de inteligência para conseguir sabedoria. Salomão entendeu isto e pediu a Deus justamente sabedoria. Pode ser que esta atitude esteja faltando em muitas pessoas dos novos tempos.

Na visão bíblica, é chamado de sábio quem for capaz de renunciar e ser desapegado do que é do mundo. Significa colocar as coisas nos seus devidos lugares, valorizando o que nos leva ao encontro com Deus. São atitudes que, aos olhos do mundo, parecem ser de loucura. Pensando bem, no mundo muita coisa não passa de simples vaidade.

Temos que investir naquilo que traz segurança e não é passageiro. Certos acúmulos desnecessários causam vida vazia e falta de compromisso com o bem comum. Isto pode ser causa de frustração eterna. Não podemos perder o “bom senso”, tendo medo de investir tudo no que julga ser o sentido último da vida e saltar com coragem.

Muitas formas de agir levam a pessoa à escravidão. Provocar isto é não ter sabedoria e viver na submissão. Ser sábio é ser capaz de derrubar estruturas injustas e prejudiciais ao bem viver das pessoas. É olhar para frente na conquista de novos tempos com otimismo, vibração e de construção de uma sociedade mais humana.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

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