Domingo – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Mon, 28 Jun 2021 12:43:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Domingo – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 Angelus: a maior doença da vida é a falta de amor https://soucatequista.com.br/angelus-a-maior-doenca-da-vida-e-a-falta-de-amor/ https://soucatequista.com.br/angelus-a-maior-doenca-da-vida-e-a-falta-de-amor/#respond Mon, 28 Jun 2021 12:43:29 +0000 https://carmelitas.org.br/?p=11942 Neste domingo (27) Francisco rezou a oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. “Hoje, no Evangelho, Jesus se depara com as nossas duas situações mais dramáticas, morte e doença”, disse o Papa.

“A maior doença da vida é a falta de amor, é não ser capaz de amar. E a cura mais importante é a dos afetos”. Estas são palavras pronunciadas pelo Papa Francisco antes da oração mariana do Angelus ao meio-dia deste 13º Domingo do Tempo Comum, assomando à janela de seu escritório no Palácio Apostólico Vaticano, diante dos fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

“Hoje, no Evangelho, Jesus se depara com as nossas duas situações mais dramáticas, morte e doença”, disse o Papa. Delas ele liberta duas pessoas: uma menina, que morre enquanto o pai foi pedir ajuda a Jesus; e uma mulher, que perde sangue há muitos anos. Jesus se deixa tocar pela nossa dor e morte, e realiza dois sinais de cura para nos dizer que nem a dor nem a morte têm a última palavra. Ele nos diz que a morte não é o fim. Ele vence este inimigo, do qual não podemos nos libertar sozinhos”.

“Concentremo-nos, no entanto, neste período em que a doença ainda está no centro das crônicas, no outro sinal, a curada mulher”, sublinhou. “Mais do que sua saúde, eram seus afetos a serem comprometidos: ela tinha perda de sangue e, portanto, de acordo com a mentalidade da época, era considerada impura. Ela era, portanto, marginalizada, não podia ter relações, um marido, uma família e relações sociais normais. Ela vivia sozinha, com o coração ferido”.

“A história desta mulher sem nome, na qual todos nós podemos nos ver, é exemplar”, explicou o Papa Francisco. O texto diz que ela tinha feito muitas curas, “gastando todos os seus bens sem nenhuma vantagem”, ao contrário, piorando”.  “A maior doença da vida é o câncer, a tuberculose, a pandêmia? Não… disse o Papa. É a falta de amor é não conseguir amar. Esta pobre mulher estava doente pela falta de amor. E a cura mais importante é a dos afetos”, disse Bergoglio.

“Também nós, quantas vezes nos lançamos em remédios errados para satisfazer nossa falta de amor”. “Pensamos que a nos fazer felizes sejam o sucesso e o dinheiro, mas o amor não se compra é gratuito. Refugiamo-nos no virtual, mas o amor é concreto. Nós não nos aceitamos como somos e nos escondemos por detrás dos truques da exterioridade, mas o amor não é aparência. Procuramos soluções em magos e gurus, para depois nos encontrarmos sem dinheiro e sem paz”.

No entanto “nos refugiamos no virtual, mas o amor é concreto”, continuou o Papa.

Francisco disse ainda que muitas vezes “gostamos de ver as coisas ruins das outras pessoas. Quantas vezes caímos na tagarelice, que é fofocar sobre os outros. Que horizonte de vida é este”? “Não julgue a realidade pessoal e social dos outros”, reiterou ele, “não julgue e deixe os outros viverem”. “Olhe ao seu redor: você verá que tantas pessoas que vivem ao seu lado se sentem feridas e sozinhas, elas precisam se sentir amadas. Dê o passo. Jesus lhe pede um olhar que não se detém na exterioridade, mas vai ao coração; um olhar que não julga, deixemos de julgar os outros, Jesus nos pede um olhar que não julga, mas acolhedor. Porque só o amor cura a vida. Que Nossa Senhora, finalizou o Papa Francisco, consoladora dos aflitos, nos ajude a levar uma caricia aos feridos no coração que encontramos em nosso caminho”.

FONTE: VATICAN NEWS
]]>
https://soucatequista.com.br/angelus-a-maior-doenca-da-vida-e-a-falta-de-amor/feed/ 0
Domingo da Misericórdia: “O despertar da consciência de que Deus é misericórdia” https://soucatequista.com.br/domingo-da-misericordia-o-despertar-da-consciencia-de-que-deus-e-misericordia/ https://soucatequista.com.br/domingo-da-misericordia-o-despertar-da-consciencia-de-que-deus-e-misericordia/#respond Fri, 17 Apr 2020 18:23:13 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=8846 Todos os anos, no primeiro domingo após o da Páscoa, a Igreja celebra a Festa da Divina Misericórdia, instituída pelo saudoso Papa São João Paulo II, atendendo ao pedido que Jesus insistentemente fez a Santa Faustina Kowalska (polonesa), cujo processo de beatificação foi conduzido pelo mesmo Pontífice.

É neste domingo que a Igreja celebra a instituição da Sagrada Confissão (Sacramento da Penitência), que Jesus constituiu no mesmo dia de sua Ressurreição. Aparecendo aos Apóstolos reunidos no Cenáculo – no domingo da Ressurreição – Jesus disse: “Recebei o Espírito Santo, aqueles a quem perdoardes os pecados, os pecados lhes serão perdoados; aqueles a quem não perdoardes os pecados, os pecados não serão perdoados” (Jo 20,22).

É importante também fazermos memória àquilo que Nosso Senhor Jesus Cristo disse à Santa Faustina, referente a este assunto:

“Minha filha, fala a todo o mundo da Minha inconcebível misericórdia. Desejo que a festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate. A Minha misericórdia é tão grande que, por toda a eternidade, nenhuma mente, nem humana, nem angélica a aprofundará. Tudo o que existe saiu das entranhas da Minha misericórdia. Toda alma contemplará em relação a Mim, por toda a eternidade, todo o Meu amor e a Minha misericórdia. A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha misericórdia” [Diário 699].

Há uma promessa de que se nos confessarmos e recebermos a Sagrada Comunhão seremos completamente perdoados pela misericórdia sempre infinita de Nosso Senhor. Mas em tempos de pandemia tal qual estamos vivenciando, como poderemos ter acesso a estes salutares sacramentos com as igrejas fechadas tornando o acesso físico aos mesmos praticamente impossível?

Há três passos que podemos seguir para receber essa graça:

  1. Fazer um ato de contrição

Como estamos impossibilitados de recorrer ao sacramento da confissão, o sábio Magistério da Igreja Católica em seu Catecismo, prevê tal situação nos parágrafos 1451 e 1452, vejamos:

1.451. Entre os atos do penitente, a contrição ocupa o primeiro lugar. Ela é «uma dor da alma e uma detestação do pecado cometido, com o propósito de não mais pecar no futuro».

1.452. Quando procedente do amor de Deus, amado sobre todas as coisas, a contrição é dita «perfeita» (contrição de caridade). Tal contrição perdoa as faltas veniais: obtém igualmente o perdão dos pecados mortais, se incluir o propósito firme de recorrer, logo que possível, à confissão sacramental.

Ou seja, a partir de uma contrição perfeita nossos pecados veniais e mortais são perdoados, desde que tenhamos o firme propósito de que assim que for possível, quando nossa situação voltar à normalidade, buscar um sacerdote para realizar a confissão.

  1. Fazer a comunhão espiritual

Como as Igrejas estão fechadas, não podemos receber a Sagrada Comunhão. Porém, podemos fazer a comunhão de forma espiritual, que é quando Nosso Senhor vem até o nosso coração como se tivéssemos o recebido sacramentalmente. Nestes tempos, onde temos à disposição os meios de comunicação, diante dos impedimentos, podemos participar da liturgia de nossas casas a partir das mídias sociais como o Facebook e o YouTube, ou através dos diversos canais de televisão e emissoras de rádio de inspiração católica.

No momento da comunhão, reze o “Ato de comunhão espiritual”: “Oh Jesus meu, creio que estais presente no Santíssimo Sacramento, te amo sobre todas as coisas e desejo receber-Te em minha alma. Já que agora não posso fazê-lo sacramentalmente, venha ao menos espiritualmente a meu coração. Como se já tivesse recebido, te abraço e me uno todo a Ti, não permitais, Senhor, que jamais me separe de vós. Amém”.

Enquanto reza a oração acima, mantenha no coração o propósito de retornar a comungar o Santíssimo Sacramento fisicamente assim que possível.

  1. Reze a seguinte oração com confiança de coração

“Senhor Jesus, o Senhor prometeu a Santa Faustina que a alma que se confessasse (eu não posso, mas eu fiz o ato de contrição) e recebesse a Sagrada Comunhão (eu não posso, mas eu fiz a comunhão espiritual) irá receber o perdão de todos os seus pecados e culpas. Por favor, Senhor Jesus, me dê essa graça”.

E nós irmãos carmelitas, como podemos viver a misericórdia de Deus não apenas neste segundo domingo da Páscoa, mas no decorrer de nossa caminhada espiritual?

A meu ver, o caminho da misericórdia e sua consequente vivência, passam por dois momentos distintos, mas que são intimamente ligados e se retroalimentam continuamente.

O primeiro momento é o despertar da consciência de que Deus é misericórdia e essa misericórdia é derramada gratuitamente em nossa vida constantemente. Se parássemos por um momento (este momento de pandemia é propício para esses momentos de reflexão) e pensássemos quantos momentos de nossa vida Deus mostrou a sua misericórdia para conosco teríamos infinitos motivos para agradecer. Embora esta reflexão seja individual, pois a intervenção divina é particular na vida de cada um, citarei aqui alguns exemplos:

– O fato de você estar lendo estas palavras, já lhe dá motivos para agradecer a misericórdia de Deus, que lhe permitiu ter um meio para acessar estas palavras (um computador, laptop, smartphone, tablet), lhe permitiu ser alfabetizado para conseguir ler, lhe deu inteligência para interpretar cada palavra aqui escrita, lhe deu olhos sadios para enxergar estas palavras, ou se você é um deficiente visual e está utilizando recurso de leitura da página é a misericórdia de Deus agindo a partir da inclusão social em sua vida.

– E os livramentos de nossa vida? Quantos são os casos em que nos atrasamos para fazer algo e acabamos nos livrando de acidentes ou situações horríveis? E, no fim, não raro, ainda reclamamos pelo atraso.

– E as vitórias da vida, o que dizer delas? A primeira comunhão, a primeira casa, o primeiro namoro, o primeiro filho, passar no vestibular, a primeira viagem, o primeiro carro, o casamento, a formatura dos filhos, a própria formatura, os netos, a ascensão profissional, os sonhos realizados, enfim, manifestações visíveis da misericórdia de Deus em nossa vida.

– Mas não são apenas as vitórias, é possível enxergar a misericórdia de Deus nas ditas “derrotas” da vida? Claro que sim, sem dúvidas. Momentos adversos acontecem para que cresçamos, aprendamos e nos tornemos pessoas melhores. Algo adverso que acontece hoje, pode ser a misericórdia de Deus agindo para que nos livre de algo ainda pior ou Deus nos pedindo para que sejamos mais confiantes em seu amor e sua caridade.

– Mas é sabido por nós, carmelitas, que Deus também se manifesta na leve brisa como no episódio em que Ele se manifestou a nosso Pai, o Profeta Elias. Nestes momentos é preciso um pouco mais de intimidade com Ele para enxergarmos sua misericórdia e contemplarmos a beleza oculta em uma palavra de consolo, em um sorriso, em um abraço ou em uma lágrima. Uma vida de oração e vivência sacramental nos permite ter uma vida ascética para conseguir contemplar essa beleza oculta.

Consegue olhar para a sua própria vida, meu caro irmão, e enxergar essa misericórdia fluindo por cada evento de sua existência? Devemos fazer este exercício até o momento que possamos dizer assim como o salmista: “Cantarei para sempre as misericórdias do Senhor” (Sl 89,1).

Santa Teresa D’Ávila possuía essa consciência e não raro em seus escritos ela menciona o amor e a gratidão pela Divina Misericórdia, quero citar apenas um trecho do livro da Vida: “… Quantas são as razões pelas quais posso cantar Tuas misericórdias para sempre! Suplico-te, meu Deus, que possa cantá-las sem fim já que dignastes outorgar sobre mim misericórdias tão excepcionais…” (Vida 14,10-11).

O segundo momento de nosso caminho da misericórdia é justamente o fato de adquirirmos a consciência de que se recebemos gratuitamente e constantemente a misericórdia divina, devemos ser instrumentos desta mesma misericórdia para o nosso próximo, para desta forma construirmos famílias misericordiosas, comunidades misericordiosas, sociedades misericordiosas, enfim, a partir da misericórdia auxiliar na construção do Reino dos Céus já aqui, agora.

Como não lembrarmos as palavras de Jesus no Evangelho de São Lucas, que nos diz: “Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai” (Lc 6, 36). Isso nos traz uma questão muito propícia aos tempos difíceis em que vivemos: Nós, por nossa vez, somos cristãos (carmelitas, esposos, filhos, companheiros de trabalho…) misericordiosos e bondosos para com os outros? O Papa Francisco possui uma frase que vem de encontro à nossa reflexão: “Quem experimentou na própria vida a misericórdia do Pai, não pode permanecer insensível diante das necessidades dos irmãos”.

Sempre que nos fazemos essa pergunta, somos automaticamente condicionados a responder, da seguinte forma: “O que eu poderia fazer (+ conjunção subordinativa condicional “se” + a famosa desculpa)…”, exemplos:

– O que eu poderia fazer SE eu não sei falar?

– O que eu poderia fazer SE eu não sei escrever?

– O que eu poderia fazer SE eu não tenho dinheiro?

– O que eu poderia fazer SE eu não disponho de tempo?

– O que eu poderia fazer SE eu não tenho nenhum dom especial?

O Senhor não nos pede para fazermos algo que está além de nossa capacidade física, espiritual, psicológica ou financeira, sempre podemos fazer algo para o próximo com aquilo que temos disponível à nossa mão, neste exato momento. Ou seja, fazer aquilo que podemos, com as ferramentas que Deus mesmo nos concedeu para utilizar.

Neste momento a maneira que pude encontrar de servir de canal de misericórdia à audiência deste site é escrevendo estas palavras, adoraria estar neste momento em algum hospital ajudando onde as pessoas estão perdendo suas vidas por conta desta pandemia. Consigo fazer isso agora? Infelizmente não, pois não disponho de conhecimento técnico para me colocar a serviço da misericórdia divina com esse trabalho. Mas em tempos normais, será que um médico não gostaria de ajudar uma pessoa que está sendo injustamente acusada diante de um tribunal advogando em seu favor? Obviamente que sim, ele pode fazer isso? Não, pois não dispõe de ferramentas para executar essa defesa diligentemente.

>> Clique aqui e recorde as palavras de São Paulo aos Coríntios (1 Cor 12, 12-31)

O que quero dizer com isso irmãos, é que sempre podemos fazer algo para sermos canais de misericórdia. Seja dando uma palavra de consolo, seja tendo uma escuta ativa enquanto alguém desabafa algum problema, uma palavra de estímulo, ou dando o seu melhor na cozinha para alimentar sua família da melhor forma possível ou, ainda, doando seu tempo para ajudar alguém necessitado. São tantas situações que com certeza Deus iluminará nosso entendimento e nossa criatividade desde que nos coloquemos à disposição para Sua misericórdia fluir no mundo. Finalizo essa mensagem pedindo a Nossa Senhora do Carmo, Santíssima Virgem Maria, que nos ensine a ser instrumentos da misericórdia divina.

Um abraço fraterno,

Irmão Davi Rufino, OTCarmo

]]>
https://soucatequista.com.br/domingo-da-misericordia-o-despertar-da-consciencia-de-que-deus-e-misericordia/feed/ 0
Celebrar em família o Dia do Senhor: subsídio para o 5º Domingo da Quaresma https://soucatequista.com.br/celebrar-em-familia-o-dia-do-senhor-subsidio-para-o-5o-domingo-da-quaresma/ https://soucatequista.com.br/celebrar-em-familia-o-dia-do-senhor-subsidio-para-o-5o-domingo-da-quaresma/#respond Thu, 26 Mar 2020 19:32:13 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=8740 A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou o roteiro para a celebração em família do 5º Domingo da Quaresma, dia 29 de março de 2020. O subsídio conta com leitura, salmo e Evangelho, preces e oração no tempo de fragilidade, além de invocação de bênção e sugestões de cantos.

‘Acolhendo a orientação das autoridades civis e sanitárias, nossos bispos no Brasil orientam os fiéis a permanecerem em suas casas, evitando aglomeração de pessoas e, consequentemente, não participando das celebrações eucarísticas. Desta forma, somos convidados a CELEBRAR o Dia do Senhor como Igreja doméstica, com nossos familiares, em nossas casas’, diz o documento que recorda as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora na Igreja do Brasil, no seu número 73:

A casa, enquanto espaço familiar, foi um dos lugares privilegiados para o encontro e o diálogo de Jesus e seus seguidores com diversas pessoas (Mc 1,29; 2,15; 3,20; 5,38; 7,24). Nas casas Ele curava e perdoava os pecados (Mc 2,1-12), partilhava a mesa com publicanos e pecadores (Mc 2,15ss; 14,3), refletia sobre assuntos importantes, como o jejum (Mc 2,18-22), orientava sobre o comportamento na comunidade (Mc 9,33ss; 10,10) e a importância de se ouvir a Palavra de Deus (Mt 13,17.43)”.

A Comissão para a Liturgia da CNBB recorda os vários horários de missas transmitidas pelos meios de comunicação, mas ressalta a importância de ‘não só acompanhar, mas celebrar com nossas famílias o Dia do Senhor’.

Algumas orientações para a celebração:

  1. Escolher em casa um local adequado para celebrar e rezar juntos;
  1. Preparar a Bíblia com o texto a ser proclamado, um crucifixo, uma imagem ou ícone de Nossa Senhora, uma vela a ser acesa no momento da celebração;
  1. Escolha quem irá ser o “Dirigente (D)” da celebração: pode ser o pai ou mãe; e quem fará as leituras (L). Na letra (T), todos rezam ou cantam juntos;
  1. Como sugestão, podem ser preparadas 6 velas apagadas para serem acesas no momento das preces. 

>> CLIQUE AQUI e faça o download do subsídio para Celebração em Família

Fonte: CNBB

 

]]>
https://soucatequista.com.br/celebrar-em-familia-o-dia-do-senhor-subsidio-para-o-5o-domingo-da-quaresma/feed/ 0
Por que a Igreja guarda o domingo e não o sábado? https://soucatequista.com.br/por-que-a-igreja-guarda-o-domingo-e-nao-o-sabado/ https://soucatequista.com.br/por-que-a-igreja-guarda-o-domingo-e-nao-o-sabado/#respond Thu, 08 Oct 2015 12:53:06 +0000 http://www.soucatequista.com.br/?p=67443 Respondendo de pronto, o simples, santo e justíssimo motivo de a Igreja guardar o Domingo em lugar do Sábado judaico é o fato de que Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou no Domingo, – o primeiro dia da semana, – inaugurando assim a “Nova Criação” liberta do pecado, a nova e eterna Aliança entre Deus e a humanidade. Assim é que o Domingo, o Dia do Senhor, é a plenitude do Sábado dos judeus, da mesma forma como o Novo Testamento é a plenitude e o cumprimento do Antigo, e Cristo é a consumação de toda a história da salvação, desde Adão até o fim dos tempos e o Juízo final.

De modo semelhante, o Antigo Testamento é um figura do Novo; o Sábado judaico é uma figura do Domingo cristão. O Catecismo da Igreja assim explica:

O Domingo distingue-se expressamente do sábado, ao qual sucede cronologicamente, a cada semana, e cuja prescrição ritual substitui, para os cristãos. Leva à plenitude, na Páscoa de Cristo, a verdade espiritual do Sábado judaico e anuncia o repouso eterno do homem em Deus. Com efeito, o culto da Lei preparava o Mistério de Cristo, e o que nele se praticava prefigurava, de alguma forma, algum aspecto de Cristo (1Cor 10,11). (CIC§2175)

vatican-594612_1280

O que a esmagadora maioria desses supostos “cristãos” judaizantes que persistem em guardar o sábado não sabem é que os Apóstolos já celebravam a Missa “no primeiro dia da semana”, isto é, no domingo, como ficou registrado na Bíblia Sagrada, em mais de uma passagem:

• Nos Atos dos Apóstolos (20,7): “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para a fração do Pão (isto é, a Eucaristia)…”.

• Em Apocalipse (1,10), S. João diz: “No dia do Senhor (domingo), fui movido pelo Espírito…”.

• Em 1Cor 16,2, S. Paulo Apóstolo confirma que a coleta cultual era feita “no primeiro dia da semana” (domingo).

Trata-se de uma questão de tal maneira elementar que também a igreja ortodoxa e as protestantes históricas (mais antigas) guardam igualmente o Dia do Senhor, – o Domingo santificado, – e não mais o Sábado judaico.

Além do testemunho bíblico, o livro apócrifo Epístola de Barnabás (datado do ano 74), que é um dos documentos mais antigos da Igreja, – tendo sido redigido antes ainda do Livro do Apocalipse, atesta: “Guardamos o oitavo dia (domingo) com alegria, o dia em que Jesus levantou-se dos mortos” (15,6-8).

Sto. Inácio de Antioquia (107), mártir no Coliseu de Roma e bispo da Igreja primitiva, testemunhou de modo claríssimo:

Aqueles que viviam segundo a ordem antiga das coisas voltaram-se para a nova esperança, não mais observando o sábado, mas sim o Dia do Senhor, no qual a nossa vida foi abençoada, por Ele e por sua morte. (Aos Magnésios 9,1)

Devido à Tradição Apostólica, que tem origem no próprio dia da ressurreição do Cristo Salvador, a Igreja celebra o Mistério Pascal no dia que desde o início foi chamado “Dia do Senhor” ou “Domingo” (da mesma raiz semântica de ‘Senhor’/Dominus). O dia da ressurreição de Cristo é, ao mesmo tempo, “o primeiro dia da semana”, memorial do primeiro dia da Criação, e o “oitavo dia”, em que Cristo, depois de sua Morte Sacrificial e “repouso” no grande Sábado, inaugura o “Dia que o Senhor fez para nós”, o “Dia que não conhece ocaso” (CIC §1166).

S. Justino (165) Mártir legou-nos também o seu testemunho:

Reunimo-nos todos no ‘Dia do Sol’, porque é o primeiro dia após o Sábado dos judeus, mas também o primeiro dia em que Deus, extraindo a matéria das trevas, criou o mundo e, neste mesmo dia, Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dentre os mortos. (Apologia 1,67)

Também S. Jerônimo (420), Confessor e Doutor da Igreja, atestou a praxis sempiterna da Igreja:

O Dia do Senhor, o Dia da Ressurreição, o Dia dos Cristãos, é o nosso dia. Por isso se chama Dia do Senhor: foi nesse dia que o Senhor subiu vitorioso para junto do Pai. Se os pagãos o denominam Dia do Sol, também nós o confessamos de bom grado: pois hoje levantou-se a Luz do Mundo, hoje apareceu o Sol de Justiça cujos raios trazem a salvação. (CCL, 78,550,52)

Desta forma, tanto as Sagradas Escrituras quanto o testemunho de toda a documentação histórica, juntamente com a sagrada Tradição apostólica nos mostram porque, desde a Ressurreição do Senhor, a Igreja sempre guardou e continua guardando não mais o Sábado judaico, mas o Domingo da Ressurreição e do estabelecimento da Nova e Eterna Aliança como Dia do Senhor.

 

Fonte: Aleteia
]]>
https://soucatequista.com.br/por-que-a-igreja-guarda-o-domingo-e-nao-o-sabado/feed/ 0
Memória de Santo Domingo até nossos dias https://soucatequista.com.br/memoria-de-santo-domingo-ate-nossos-dias/ https://soucatequista.com.br/memoria-de-santo-domingo-ate-nossos-dias/#respond Sun, 23 Feb 2014 13:00:29 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=38593 A memória da Igreja é complexa. Quem guarda o quê? Desde quando para quando? Só por meio de cortes predefinidos conseguimos dizer algo consistente. O sujeito que faz aqui o levantamento da memória eclesial é um teólogo. O ponto de partida temporal situa-se na Conferência de Santo Domingo. O artigo quer recordar o que a Igreja, na sua dupla dimensão de instituição oficial e de prática pastoral, especialmente no Brasil, viveu nestas duas últimas décadas e meia.

Tema bem circunscrito. Olhar bem restrito. Outros pontos de vista diferentes escreveriam coisas bem diversas. Quatorze anos de vida eclesial permitem colher experiências passadas e delinear desenhos para os próximos anos. Eis a proposta.

Santo Domingo pertence ao passado como conferência episcopal latino-americana, datada e registrada. As pessoas que lá estiveram e a vivenciaram carregam-na consigo, feito compreensão de vida. O texto está aí na frieza de sua letra, entregue a hermenêuticas parciais.

À distância de 14 anos, que elementos daquele evento se sedimentaram? O que semearam os seus atores principais? Que inspiração teológica e pastoral o texto instilou na vida da Igreja? É difícil constatá-los desde um lugar bem particular. As iniciativas da Igreja no Brasil, tanto em nível de documentação, subsídios escritos, quanto de experiências pastorais, cobrem vasto continente. Qualquer escolha restringe a verdade. Analisaremos a tensão interna desse evento, a herança positiva e negativa que deixou e as oscilações que se lhe seguiram.

 

1. A força do evento

Quando os comentários e críticas sobre a Assembleia de Santo Domingo são relidos, constatam-se com clareza duas dinâmicas em clara tensão.

De um lado, a influência autoritativa das instâncias romanas sobre o Celam, sobre as conferências episcopais nacionais e sobre a consciência direta dos bispos. De outro, a própria dinâmica criada pelos bispos da assembleia.

A primeira foi hegemônica. Manifestou-se em vários pontos e momentos: nas nomeações, na confirmação dos membros na conferência e na indicação para os cargos de presidência e secretaria. Além disso, a dinâmica e a estrutura básica dos trabalhos com conferências diretivas e a decisão sobre o tema central também foram decisões romanas. Roma exerceu significativa influência nas discussões e no controle de iniciativas no interior da assembleia, com enorme desconfiança quanto aos teólogos, especialmente aos da libertação. De fato, todos eles foram sistematicamente excluídos da participação oficial. E a aprovação do texto final ficou reservada ao poder romano. A injunção romana manteve influência ideológica na condução da temática.

A outra dinâmica, residual, vinha da memória de Medellín o verdadeiro ponto de partida de uma pastoral latino-americana da libertação. Retivera a relevância da presença de teólogos a assessorar livremente os bispos. E, embora muitos estivessem fora do círculo oficial da assembleia, eram consultados por bispos ou grupos deles. Permanecia ainda um sentido de autonomia das Igrejas particulares e de suas conferências, afeitas à discussão e à busca de consenso na liberdade e não da intromissão de poder externo. A experiência de Medellín e de colegialidade de muitas Igrejas do continente, ainda que enfraquecida, permanecia viva em Santo Domingo com momentos de liberdade e criatividade.

O que ficou dessa dinâmica como recepção? A linha hegemônica firmou-se e foi modificando internamente até mesmo os estatutos de conferências episcopais, reduzindo o papel crítico de assessores e perfilhando posições romanas. As Igrejas particulares e colegiadas da América Latina perderam liberdade e criatividade em prol de crescente uniformidade e vinculação institucional.

A temática e a metodologia desenvolvidas em Santo Domingo encontraram recepção nas Igrejas sob dois aspectos. Lá se produziram inversões com respeito à linha criada por Medellín e, em parte, continuada por Puebla. Essas inversões fizeram seu caminho para dentro das Igrejas. Mas também em Santo Domingo houve acenos novos e criativos que trouxeram respiro. Entre oscilações, astenia e vigor, vivemos o momento atual de recepção de Santo Domingo.

O documento de Santo Domingo abandonou o tradicional método ver-julgar-agir. O texto não se estrutura com base nele, como foram os casos de Medellín e Puebla e depois, no Brasil, de inúmeros documentos da CNBB e da pastoral. No momento, nota-se um enfraquecimento do uso de tal método.

Na própria teologia da libertação, houve uma reformulação dessa metodologia. O primeiro momento, do ver, ampliou-se. Em vez de deter-se na simples análise socioestrutural e especialmente no nível econômico, abriu-se para o antropológico, para o gênero, para a etnia, para a pluralidade religiosa. Nesse sentido, a recepção de Santo Domingo foi mais longe que o documento. No entanto, fora desse círculo mais restrito da libertação, a nova recepção de Santo Domingo tem encurtado o olhar sobre a realidade. Prefere concentrar-se na subjetividade e existencialidade das pessoas para alimentar-lhes a dimensão emocional e afetiva com nutrientes carismáticos, espiritualistas.

 

2. Oscilação

Nas últimas décadas, a evangelização tem refletido a própria oscilação de Santo Domingo. A simples comparação do título do documento com a conclusão em forma de oração manifesta a hesitação presente nessa conferência.

O texto se propunha, como programa evangelizador, criar uma cultura cristã. Por trás se escondiam alguns resquícios da neocristandade latino-americana, ainda presente em alguns países e em desaparecimento em outros. E o termo cultura cristã significava concretamente católica, sobretudo agora que uma das maiores ameaças ao catolicismo não vem do ateísmo, mas da multiplicação de numerosos contingentes evangélicos.

Há o permanente sonho de resguardar ou reconstruir uma cultura católica que permita a transmissão da fé católica pela via da cultura, facilitando toda a catequese. A cultura possui enorme força de convicção. Se se constrói uma cultura, perpassada pelos ensinamentos e valores da Igreja, a evangelização fica mais fácil e eficiente.

Essa concepção de evangelização aposta no uso da mídia para reforçar a cultura católica ou refazê-la, onde se tenha adelgaçado. Nesse sentido, essa recepção tem tido certo sucesso com a maior presença da Igreja na mídia televisiva por meio de canais católicos.

Na conclusão do texto em forma de oração, aparece outra concepção de evangelização. Lá se fala de inculturação da fé cristã em várias culturas. Não se pretende manter ou gestar uma cultura cristã única, mas que as diferentes culturas que permeiam o continente latino-americano — como a cultura moderna em suas diversas subculturas, a cultura afro, a cultura indígena — se impregnem do evangelho. Tem-se consciência de que as culturas sofrem profundas modificações e influências de muitas outras por força da globalização. Renuncia-se à pretensão de apenas uma cultura católica, hegemônica, no continente. A Igreja dobra-se diante da evidência do processo cultural da modernidade e da pós-modernidade.

A atenção desloca-se para os valores cristãos que se inculturam diferentemente nas diversas culturas. Conta-se com novas possibilidades de expressão cultural do evangelho em formas culturais diferentes. Passa-se de apenas uma cultura para inúmeras, impregnando-as da mensagem cristã.

Em relação à opção pelos pobres tem havido também oscilações. A tendência predominante de construir apenas uma cultura cristã põe reservas ao tipo de opção pelos pobres feito por Medellín e reafirmado por Puebla. Vê nessa forma um fator de radicalismo e exclusivismo no interior da Igreja, dificultando a unidade cultural desejada. Propõe insistir antes na dimensão universal da evangelização do que na preferência pelos pobres. Os pobres entram à medida que assimilam essa mesma cultura católica e em meio a ela são objeto de atenção evangelizadora.

Persiste depois de Santo Domingo, embora sem o entusiasmo de décadas anteriores, a convicção de que a opção pelos pobres questiona a cultura de neocristandade e a cultura moderna na sua raiz. Ambas não perceberam o caráter conflituoso da realidade social ou não atendem a ele devidamente. Ensombram-no com promessas de que o desenvolvimento capitalista redundará necessariamente na melhoria dos pobres (cultura moderna) e com a concepção de caridade assistencialista (forma católica).

Reafirma-se ainda com maior urgência a necessidade da opção pelos pobres. A forma neoliberal do capitalismo tornou-se mais injusta e excludente. Pobreza hoje significa proximidade da morte. Só uma mobilização gigantesca, mundial, em que as Igrejas cristãs são provocadas a reencontrar em Jesus a fonte da opção pelos pobres, consegue reverter o quadro de morte que se delineia. Impõe-se não um arredondamento de tal opção, mas sua radicalização, no sentido etimológico do termo. Ir-lhe à raiz significa estabelecer o primado absoluto da vida sobre todos os outros objetivos do neoliberalismo capitalista, num espírito de solidariedade mundial. Retoma-se aqui, em termos pastorais, o que o Fórum Social Mundial (FSM) de Porto Alegre pretende: “um outro mundo é possível”. Em termos de Igreja, “uma outra configuração de Igreja na América Latina é possível”.

 

3. Astenias

Os anos pós-Santo Domingo não só revelaram uma oscilação de opções, mas infelizmente também acentuaram algumas fraquezas de nossa Igreja que se vinham delineando nas décadas anteriores.

Já em Puebla, o problema da evangelização da cultura carregava certa ambiguidade, reforçada depois em Santo Domingo. Insinuava-se o deslocamento da problemática social, centrada na luta contra a injustiça em vista da transformação da sociedade, para uma preocupação com os efeitos secularizantes da modernidade avançada europeia. Temia-se que a religiosidade popular ficasse minada pela secularização.

A ironia ou a astúcia da história inverteu esses temores. Ameaça hoje a fé cristã mais a onda espiritualista, a inundação de formas religiosas, do que as vagas secularistas. O avançar da secularização tem produzido efeitos antitéticos, como a subjetivação e privatização da religião com a consequente multiplicação estonteante de suas formas.

A fé cristã aproxima-se, na sua raiz profunda, mais das formas seculares da libertação do que de muitas expressões religiosas de colorido neopagão, ainda que sustentadas por significantes católicos. Dito de maneira mais simples e direta: é mais evangélico, exprime melhor o seguimento de Jesus, dedicar-se ao empenho secular pela libertação dos pobres do que entregar-se a experiências religiosas consoladoras, individualistas e espiritualistas sem exigências éticas.

Na esteira da diminuição da preocupação social, está a ênfase dada a uma série de movimentos apostólicos de leigos de cunho internacional e nacional que atendem principalmente aos anseios pós-modernos de comunidades emocionais e a trabalhos assistencialistas. Alguns beiram o fanatismo religioso análogo ao integrismo. Outros se deixaram inculturar no mundo latino-americano, bebendo de sua fonte libertadora.

Tais movimentos estruturam a Igreja com base em consignas vindas dos centros para as periferias. Com isso se perde muito da autonomia e da criatividade que as Igrejas locais e as comunidades de base vinham tendo em nosso continente. Produziu-se maior alinhamento a tendências monoculturais, vindas do centro romano e europeu, em lugar da pluralidade das culturas latino-americanas.

Consequentemente, no que diz respeito a aspectos da vida interna da Igreja, preferiu-se insistir mais na conformidade que na diversidade, mais no poder central que nas instâncias locais, mais na obediência que na liberdade, mais na tradição que nas experiências novas e criativas, mais no comum que no original.

A memória recente nos fala do alinhamento das Igrejas locais à custa da criatividade. A própria eclesiologia da comunhão, que vem sendo apresentada, a partir do Sínodo de 1985, como chave interpretativa do Concílio Vaticano II, não tem favorecido uma comunhão de baixo para cima, mas uma comunhão subalterna às instâncias superiores. A originalidade e a criatividade são criticadas como ameaças a tal comunhão.

Num campo bem determinado como o da liturgia, o processo de inculturação no mundo afro e indígena, e mesmo na própria modernidade plural, vê-se inibido sob o pretexto de ser preciso definir melhor os contornos da vida litúrgica antes de impulsionar as novas formas. Pesam mais as prescrições romanas que o desejo de adaptar-se, inculturar-se, inserir-se em novas situações culturais.

 

4. Vigor

Nem tudo foi oscilação ou inibição nestas últimas décadas. Há novidades e riquezas que merecem ser guardadas e impulsionadas pela próxima Conferência Geral.

Se, de um lado, constatamos certa inibição no processo de inculturação, de outro persiste a busca de uma presença das culturas afro-ameríndias na vida da Igreja, em momentos litúrgicos importantes, sobretudo nas regiões de maior consciência negra e indígena. Vincula-se, em outros casos, a liturgia com o compromisso pela luta dos pobres. A religião do povo deixou de ser vista unicamente como “ignorância religiosa”. Isso significou uma revisão da concepção de “sincretismo”. A teologia latino-americana o vê antes como etapa importante no processo de inculturação da fé do que como desvio ou erro. Nesse sentido, houve avanços significativos na compreensão da inculturação por meio da reflexão de teólogos como M. de França Miranda[1] e Paulo Suess[2].

Bem relacionado com esse tema está o diálogo inter-religioso, que fez enormes progressos entre nós. Até então se tratava de uma problemática cultivada por teólogos europeus de experiência missionária em regiões não cristãs[3] e pelos asiáticos[4]. O programa de pós-graduação de Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora transformou-se em núcleo de referência, especialmente pelos inúmeros trabalhos de F. Teixeira[5].

Persiste na teologia da América Latina a atitude aberta e positiva de diálogo com a modernidade e com a pós-modernidade, em vez do tom polêmico tradicional. Reconhecem-se os valores que a modernidade trouxe para a cultura humana do Ocidente, sem desconhecer-lhe os avatares. O viés crítico à modernidade na perspectiva da América Latina não coincide com o tradicional. Não se teme a entrada da ciência, da história, da subjetividade, da práxis. Todos esses fatores foram incorporados pela teologia latino-americana. Critica-se a forma como a razão iluminista se comportou diante do mundo pobre. Pretende-se ir além e não ficar aquém da modernidade.

A teologia da libertação buscou luzes na Segunda Ilustração, que se arvorou em crítica da razão burguesa, da subjetividade individualista, do monopólio da história dos dominadores, da práxis econômica capitalista. Defende uma razão inclusiva e ampla que põe seu potencial crítico na linha da transformação da tecnociência e das estruturas sociais, a serviço dos pobres.

Apesar do alinhamento crescente com a matriz romana e europeia, prossegue o trabalho de uma cristologia sinótica que afirma a proximidade de Jesus com os pobres e marginalizados. Em termos de América Latina, a obra de Jon Sobrino reafirma essa relação entre a fé no Ressuscitado e as vítimas[6].

Há experiências eclesiais criativas, como a da Assembleia do Povo de Deus. Diferentemente do sínodo, bem regulado pelo Direito Canônico, ela permite maior espaço para a criatividade. A título de exemplo, a Arquidiocese de Belo Horizonte realizou duas dessas assembleias, compostas na sua grande maioria de leigos e leigas escolhidos pelas comunidades. As opções aí tomadas foram sancionadas e confirmadas pelo arcebispo. Dessa maneira, o conjunto da assembleia assumiu junto com o bispo a responsabilidade das linhas pastorais.

Aquilo que, em Santo Domingo, se expressou como “protagonismo do leigo” vem sendo concretizado por iniciativas locais. Firma-se cada vez mais a experiência dos ministérios leigos, bem diferenciados conforme as dioceses e as paróquias. Tende a crescer essa presença significativa do leigo(a) em nossas comunidades. Isso está a pedir mudanças importantes nas estruturas eclesiásticas. As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) permanecem no horizonte de um novo jeito de ser Igreja. Sem o entusiasmo de outros tempos por parte da hierarquia, consolida-se essa forma de Igreja pela perseverança dos leigos. Em alguns casos, já se passou de uma Igreja com CEBs para uma Igreja de CEBs. No primeiro caso seria a simples presença de CEBs na Igreja local; no segundo, elas assumiriam um papel estruturante da própria Igreja[7].

 

5. A força decisiva das iniciativas romanas

Uma análise objetiva desse período depois de Santo Domingo descobre tendências aí presentes que ora oscilaram, ora significaram certo temor de avanço, ora anunciaram novidades — como apontamos acima. No entanto, o decisivo para a vida eclesial de nosso continente nas últimas décadas foram as iniciativas vindas de fora, especialmente de Roma.

A vigorosa personalidade e a criatividade de João Paulo II para lançar motes bíblicos, programas de evangelização, exemplos de ações, condicionaram fortemente as Igrejas locais. Na década de 60, num momento de otimismo e esperança, P. Vaz dizia que a Igreja da América Latina deixava de ser Igreja-reflexo para ser Igreja-fonte. Nas últimas décadas houve certa inversão. Deixou de ser Igreja-fonte para tornar-se Igreja-reflexo dos programas romanos e de movimentos de espiritualidade e apostolado comandados da Europa.

Desde o início de seu pontificado, João Paulo II olhava para a virada do milênio. Esse evento, que prometia muito na sua força mítica, acabou sendo engolido por outros marcos seculares. Não foram as celebrações eclesiais que decidiram o significado simbólico da passagem de milênio. Dois fatos ficarão como pedras miliares: um de claridade esperançosa, outro de escuridão tenebrosa. I. Ramonet ousou dizer que o milênio se iniciou no FSM de Porto Alegre. Marco de esperança. Meses mais tarde, outro fato se tornou referência do lado macabro da história atual: a derrubada das Torres Gêmeas nos EUA com tudo o que se lhe seguiu de guerras, vinganças e policiamentos.

No entanto, alguns gestos da Igreja católica nas últimas décadas ficaram como referencial de esperança. Em Assis, João Paulo II reuniu-se — mais de uma vez — em oração pela paz com líderes religiosos do mundo inteiro, que aceitaram o seu convite. O grito de paz da Igreja católica contra todo belicismo — não aceitando como justa nenhuma guerra, nem mesmo a defensiva, sem cogitar da preventiva e da ofensiva — constituiu ponto irrenunciável para toda pastoral. É uma herança imperdível. Esse grito se deu num movimento inter-religioso. Como já indicamos acima, o diálogo entre as religiões faz parte necessária do novo momento eclesial. Em termos de América Latina, significa nova maneira de nos aproximarmos da cultura negra e indígena — sem falar da presença das outras religiões: judaica, muçulmana, budista etc.

A purificação da memória histórica da Igreja se transformou num dos gestos mais proféticos do pontificado de João Paulo II, cuja repercussão em nossas plagas se encontra longe de estar à altura de sua relevância. Sobressaiu o ato litúrgico da Quaresma do ano 2000, em que vários cardeais e arcebispos, representando os dicastérios romanos, pediram, em nome da Igreja, perdão pelos erros e pecados de seus filhos no passado — no que se refere aos métodos de evangelização.

Mais que tratar-se de simples ato, significou a confissão da permanente falibilidade da Igreja. Se errou ontem, pode errar hoje. E isso nos obriga a atenta e humilde atitude de acolher críticas, rever posições, corrigir equívocos, em vez de fincar pé caturramente em posições questionáveis. J. I. González Faus mostrou como, nos últimos tempos, a Igreja — usando expressões solenes e pesadas — errou mais vezes e em questões graves[8]. Já faz parte de nossa memória recente essa atitude básica de “exame de consciência” permanente, seguida de confissão, arrependimento e propósito de não repetir o mesmo pecado, como ensina a longa prática confessional da Igreja.

K. Rahner escreveu, não sem ironia, que, se se anunciasse ao povo fiel ter o Concílio Vaticano II abolido o dogma da Santíssima Trindade, não se notaria muita diferença na vida dos fiéis. Isso seria triste sinal da irrelevância existencial dessa verdade central da fé cristã. Na preparação do milênio, o Papa propôs às Igrejas do mundo um estudo, meditação e aprofundamento diferenciado das três pessoas trinitárias e uma conclusão desse ciclo com a visão da Trindade como um todo divino.

A Igreja no Brasil assumiu tal projeto[9]. Lançando rápido olhar sobre as inúmeras publicações da CNBB no período posterior a Santo Domingo, conseguimos captar as preocupações principais dos bispos e assim colher a herança desses anos.

O pluralismo religioso ocupa as preocupações na Igreja do Brasil. É dado absolutamente incontornável e irreversível. A sonhada unidade da neocristandade, que reaparece em certos movimentos de Igreja, revela-se cada vez mais importante. A única possibilidade de uma imposição cultural unitária passa pelo engodo do marketing, que consegue dizer ao destinatário que é do interesse deste aquilo que a agência produtora pretende vender. A globalização é um novo tipo de imposição dos poderes dominantes sobre as massas. Já não pela via da autoridade ou da dogmática doutrinal, mas pela conquista do freguês que se sente atendido em suas reivindicações. O freguês aparece como centro da informação. Há um jogo sutil de poder entre o emissor da mensagem e o receptor. Dominar esse jogo significa, no interior do pluralismo cultural das ofertas, levar milhões de pessoas a tomar um e mesmo refrigerante. Cada um que o pede sente-se livre e respondido no seu desejo, enquanto por trás existe monstruosa máquina de sugestão direta e subliminar.

Ora, esse caminho não condiz com a transmissão da fé. Por isso ela tem de trilhar a via difícil do pluralismo, apelando unicamente para a liberdade, para a consciência e para a convicção das pessoas. Na modernidade e, mais ainda, na pós-modernidade, os indivíduos rejeitam injunções no campo das decisões de fé.

A questão do uso dos meios de comunicação social se torna cada vez mais relevante. É fácil perceber as tentações desse campo, vindas dos extremos falsos. Embarcar na propaganda religiosa e no emprego abusivo da mídia significa capitular sem mais ao império do marketing. Como vimos, não condiz com a opção cristã, especialmente quando se expõe o mistério eucarístico à vulgaridade televisiva. Por outro lado, renunciar a qualquer recurso midiático seria desconhecer o mandato do Senhor de anunciar o evangelho de cima dos telhados (Mt 10,27). A própria palavra “mídia” significa meios, e eles podem e devem ser usados na sua condição de recursos humanos à disposição do Reino. Há muito campo para discernir nesse setor da pastoral da comunicação. Mas é, sem dúvida, ponto vital para a pastoral do futuro.

A CNBB manteve viva a tradição social. Produziu documentos sobre as eleições, sobre as exigências evangélicas da superação da miséria e da fome e sobre outras questões sociais. Além disso, lançou iniciativas importantes, como o Grito dos Excluídos, no dia 7 de setembro, plebiscitos, Campanha pela Ética na Política etc. E prossegue, desde 1964, com as Campanhas da Fraternidade, cuja temática é quase sempre de cunho social.

O olhar dos bispos para o âmbito interno da Igreja tem-se preocupado com a liturgia, com a catequese de crianças e adultos, com a pastoral da juventude, com a formação dos seminaristas, com a missão e os ministérios dos leigos, com a identidade da Igreja, com a unidade na multiplicidade das experiências. As quatro exigências da ação evangelizadora — serviço, diálogo, anúncio e testemunho — indicam o espírito da sua presença pastoral. Cada ponto desses mereceria uma atenção especial para recolhermos o que se consolidou de novo e de promissor para o futuro. O limite de um artigo não o permite.

 

Conclusão

Numa perspectiva bem restrita de leitura, a saber, de um teólogo envolvido em determinada pastoral paroquial e diocesana com incursões esporádicas pelo país, que pontos conclusivos salientaria acerca da herança das últimas décadas de vida da Igreja e da expectativa para as próximas?

Olhando para um âmbito mais circunscrito, cabe trabalhar resolutamente na criação de um espírito comunitário que anime as liturgias, as pastorais, a vida da Igreja. E isso se fará por uma nova maneira de exercício do ministério ordenado, deixando de ser o centro para ser o animador e o beneficiador da comunidade. Animador, no sentido de estar disponível, no que diz respeito a tempo e formação, para promover esse espírito. Beneficiador, enquanto ele mesmo necessita da ajuda da comunidade para exercer digna e afetivamente o ministério. Sem a ajuda madura de leigos e leigas, tornar-se-á cada vez mais difícil a vivência do ministério celibatário numa sociedade sem limites e sem defesas contra a invasão provocativa dos apelos sexuais. A vida comunitária, que os(as) religiosos(as) mais facilmente podem ter, torna-se exigência crescente para o sacerdote diocesano. Dificilmente conseguirá — por razão de ocupação, número, distância etc. — fazê-la com outros irmãos no sacerdócio, mas poderá ter uma vida comunitária mais próxima com os fiéis. Isso implica novo tipo de relacionamento, que o faz descer do pódio do poder para viver na simplicidade de irmão.

Se se considera uma realidade mais ampla, a Igreja pode espelhar-se no FSM como estrutura nova e desafiante[10]. O FSM tem sido espaço de encontro de organizações, movimentos e experiências em espírito de liberdade e de acolhida, sem nenhum direcionamento de cima, sem que alguma entidade se imponha. A única condição para participar do FSM é abraçar a causa de “um outro mundo possível” de paz e solidariedade. Portanto, não se trata de defender uma praça pública anárquica para qualquer experiência, mas as propostas obedecem a uma orientação geral comum — em que há livre espaço de expressão e mútuo respeito. Imaginemos a Igreja no Brasil, na sua sede em Brasília, tornando-se um espaço de confluência de todas as correntes que queiram construir um Brasil sem corrupção, sem violência, com distribuição de renda… Podia-se estabelecer um mínimo ético e, em sintonia com ele, a Igreja se apresentaria como o lugar de encontro, o fórum de discussão e de propostas, sem dirigismo, sem que nenhuma posição seja assumida oficialmente por alguém (em particular). A CNBB não seria porta-voz de nada e de ninguém, mas unicamente o lugar acolhedor dos encontros. Pense-se num contínuo, começando pelas Igrejas cristãs, depois passando pelas diversas religiões e, por fim, por todas as entidades seculares que comungassem nesse mínimo ético humano.

Além de um espaço real de encontros humanos, é pensável abrir espaço semelhante, só que virtual. A Igreja no Brasil criaria um site de confluência livre de debates, propostas e opiniões — também de acordo com um mínimo ético humano. O primeiro passo seria, portanto, elaborar de modo colegiado, com ampla consulta em diversos níveis, esse mínimo ético humano. E a partir daí lançar-se na criação do espaço real e virtual. “Sonhar é preciso, viver não é preciso”, parafraseando o dito luso reproduzido por Fernando Pessoa. Aí vão os sonhos!

Fonte: Revista Vida Pastoral

]]>
https://soucatequista.com.br/memoria-de-santo-domingo-ate-nossos-dias/feed/ 0