Espiritualidade Carmelitana – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Wed, 11 May 2022 13:29:06 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Espiritualidade Carmelitana – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 Verdadeiro Amor https://soucatequista.com.br/verdadeiro-amor/ https://soucatequista.com.br/verdadeiro-amor/#respond Wed, 11 May 2022 13:29:06 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=6363 O verdadeiro Amor não é derrotado, ele resiste e quando “morre”, ressuscita. Derrota seria o amor que deixando a chama se apagar permanecesse sombrio, sem vida, triste. De todas as tragédias a maior é a falta do amor. Esta acarreta as grandes tragédias materiais e espirituais. Quem não ama escraviza, pensa somente no lucro acima de tudo, sente-se dono do mundo, da razão, das pessoas, da verdade. Quem não ama também não conhece a Deus (1 Jo 4,8). O verdadeiro amor acolhe, corrige, serve e acima de tudo nunca vira as costas. Quem nunca leu a passagem do santo evangelista Mateus 18,21? Ou ainda quem nunca ouviu a leitura do santo evangelista Lucas 6,29? Esta face do amor parece estranha, mas é outra coisa, é exigente, é comprometida, e acima de tudo é Dom de Deus (Rm 5,5). A sociedade fala de valores que diferem do Valor de Deus, pois estes são negociáveis, já o Valor de Deus não se negocia, não barganha, nem tão pouco se pode encontrar atalhos. Amar para os cristãos é exatamente buscar assemelhar-se as atitudes de Nosso Senhor Jesus Cristo. O cristão ama, não existe outra opção. Dizer: “Sou cristão e não amo” é mentira. É o mesmo que dizer: “Sou Católico, não praticante”, não existe. Desde o mais santo na terra até o mais pecador, todos, estamos em processo de conversão para o Amor. No entanto é preciso que colaboremos com a Graça de Deus que age em nós.

A dignidade da pessoa humana radica na sua criação à imagem e semelhança de Deus (Artigo 1) e realiza-se na sua vocação à bem-aventurança divina (Artigo 2). Compete ao ser humano chegar livremente a esta realização (Artigo 3). Pelos seus atos deliberados (Artigo 4), a pessoa humana conforma-se, ou não, com o bem prometido por Deus e atestado pela consciência moral (Artigo 5). Os seres humanos edificam-se a si mesmos e crescem a partir do interior: fazem de toda a sua vida sensível e espiritual objeto do próprio crescimento (Artigo 6). Com a ajuda da graça, crescem na virtude (Artigo 7), evitam o pecado e, se o cometeram, entregam-se como o filho pródigo (1) à misericórdia do Pai dos céus (Artigo 8). Atingem, assim, a perfeição da caridade.[1]

Este “colaborar” com a Graça é se colocar em obediência a ação de Deus, colaborar é ouvir com ouvidos de discípulo. Este amor cresce, não em quantidade, mas em intimidade, em amizade, em atos de bondade, em santidade. O Amor de Deus não é somente de Deus, mas a partir do momento em que Nosso Senhor Jesus Cristo, habitou entre nós, “renovou todas as coisas” no amor, de forma única, renovou o Homem e a Mulher, tornou-nos em Jesus Cristo, criaturas divinizadas, elevou nossa condição à dignidade de Filhos.  Quando amamos é Deus quem ama em nós. O verdadeiro amor é fruto do relacionamento que temos com Deus.

Reflitamos, pois, a que pé está nosso relacionamento com o Pai, com o Filho e com o Espirito Santo. Como nos lembra o Apostolo São Paulo, visando sempre alcançar “a maturidade e estatura de Cristo” (Ef 4,13), edificados no Corpo Místico do Senhor, devemos levar uma vida santa e irrepreensível.

Concluo com um pensamento do Papa Emérito Bento XVI tirado de sua Encíclica Deus Caritas Est, somado a este, que possamos viver bem na Graça e alcançar, por misericórdia a salvação.

“Ele nos amou primeiro, e continua a ser o primeiro a amar-nos; por isso também nós podemos responder com o amor. Deus não nos ordena um sentimento que não possamos suscitar em nós próprios. Ele nos ama, faz-nos ver e experimentar o seu amor, e dessa ‘antecipação’ de Deus pode, como resposta, desapontar, também em nós, o amor”[2]

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[1] Catecismo da Igreja Católica – 1700

[2] Encíclica – Deus Caritas Est – Papa Bento XVI, p. 17

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Santa Teresa nos ensina a meditar durante a Quaresma https://soucatequista.com.br/santa-teresa-nos-ensina-a-meditar-durante-a-quaresma/ https://soucatequista.com.br/santa-teresa-nos-ensina-a-meditar-durante-a-quaresma/#respond Thu, 10 Mar 2022 11:03:55 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=10547 A meditação tem se tornado uma prática em todos os níveis, até mesmo feita por pessoas que não são cristãs. Santa Teresa de Jesus, contudo, nos diz que meditar, para os cristãos, é questão de vida ou morte. Sua proximidade com Jesus, nos ajuda a adentrar o mistério da vida e da morte.

Na Quaresma de 1554, com 39 anos, Santa Teresa de Jesus chega ao ápice da luta contra as próprias debilidades. A descoberta da imagem de “um Cristo muito chagado” marca profundamente a sua vida (cf. Vida 9). A santa, que nesse período encontra profunda consonância com o santo Agostinho das Confissões, assim descreve o dia decisivo da sua experiência mística: “Acontece… que de repente tive a sensação da presença de Deus, que de nenhum modo eu podia duvidar que estava dentro de mim, e que eu estava totalmente absorvida nele” (Vida 10, 1).

A santa realça como a oração é essencial; orar, diz, “significa frequentar com amizade, porque frequentamos face a face Aquele que sabemos que nos ama” (Vida 8, 5). A ideia de santa Teresa coincide com a definição que s. Tomás de Aquino dá da caridade teologal, como “amicitia quaedam hominis ad Deum”, um tipo de amizade do homem com Deus, que foi o primeiro a oferecer a sua amizade ao homem; a iniciativa vem de Deus (cf. Summa Theologiae II-II, 23, 1). A oração é vida e desenvolve-se gradualmente com o crescimento da vida cristã: começa com a prece vocal, passa pela interiorização mediante a meditação e o recolhimento, até chegar à união de amor com Cristo e a Santíssima Trindade. Obviamente, não se trata de um desenvolvimento em que subir os degraus mais altos quer dizer deixar o precedente tipo de oração, mas é antes um aprofundar-se gradual da relação com Deus que envolve toda a vida. Mais do que uma pedagogia da oração, a de Teresa é uma verdadeira “mistagogia”: ao leitor das suas obras ensina a rezar, orando ela mesma com ele; com efeito, frequentemente interrompe a narração ou a exposição para irromper em oração.

Papa Bento XVI, em audiência geral, 2 de Fevereiro de 2011

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Deus não força a vontade de Suas criaturas. Ele nos conquista no amor. https://soucatequista.com.br/entrega-total/ https://soucatequista.com.br/entrega-total/#respond Mon, 03 Jan 2022 13:14:15 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=4683 A promessa de Deus é: “Vós me procurareis e me haveis de encontrar, porque de todo o coração me fostes buscar.”(Jeremias 29,13)

O coração tem de ser entregue inteiramente a Deus, ou do contrário jamais se poderá operar a transformação pela qual Sua semelhança é restaurada em nós. Deus deseja nos curar e nos libertar. Mas como isso requer completa transformação, uma renovação de toda nossa natureza. Para isso é necessário que nos entreguemos inteiramente a Ele.

Creio mais do que nunca que a luta contra o próprio EU é a maior batalha que já foi travada. “EU”aqui no sentido de nos escravizarmos pelas nossas vontades desordenadas. O caminho pleno se dá, quando nosso “EU”se sujeita em amor  à vontade de Deus. Isso requer luta. Mas o coração tem de submeter-se a Deus antes que possa ser renovado em santidade.

Deus não força a vontade de Suas criaturas. Ele nos conquista no amor.

O agir de Deus não é, como Satanás quer fazer parecer, baseado na submissão cega, no domínio irrazoável. O nosso Deus age no mais intimo da nossa consciência. Deus não força a vontade de Suas criaturas. Ele nos conquista no amor. Ele não pode aceitar homenagem que não lhe seja prestada de maneira voluntária e inteligente. Uma submissão forçada impediria todo verdadeiro desenvolvimento do espírito ou do caráter, tornaria o ser humano em simples máquina.

O propósito de Deus, que o homem, sua obra-prima do seu poder criador, atinja o desenvolvimento mais elevado possível. Seu propósito é nos elevar à altura da bênção que deseja nos conceder, por meio de Sua graça. Convida-nos a nos entregar a Ele, a fim de que possa cumprir em nós a Sua vontade. Cabe a nós escolher se queremos ser libertados da escravidão do pecado para participar da gloriosa Liberdade de filhos de Deus.

Querido leitor, entregando-nos a Deus, temos necessariamente de renunciar a tudo que nos separe dEle. Por isso diz Jesus: “Assim, nenhum de vocês pode ser MEU DISCÍPULO se não DEIXAR TUDO o que tem”(Lucas 14,33). Tudo o que nos afasta de Deus tem de ser renunciado. Tudo o que nos leva a vivermos como pessoas “idólatras” colocando em segundo plano os ensinamentos de Jesus Mestre, deve ser renunciado. E pode ter certeza de uma coisa: quando renunciamos e obedecemos ao Senhor, nunca nos falta nada. Principalmente a alegria que vem do seu puro amor. Amor este que ninguém neste mundo pode nos dar.

Com mãos postas desejo lhe vida e muita paz!!!!

Frei Rothmans Campos, O.Carm.

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Ano do Laicato Carmelitano: encontro de Campinas https://soucatequista.com.br/ano-do-laicato-carmelitano-encontro-de-campinas/ https://soucatequista.com.br/ano-do-laicato-carmelitano-encontro-de-campinas/#respond Tue, 21 Aug 2018 15:40:48 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=4884  

No dia 18 de agosto, sábado, aconteceu mais um encontro do Ano do Laicato Carmelitano. Este é o terceiro encontro de uma série de encontros regionais, que visam a troca de experiência e a formação dos leigos na espiritualidade carmelita em sua vida cotidiana.

“A nossa vida carmelitana é um verdadeiro paraíso. A gente é para viver na paciência e no silêncio. E nós temos que evangelizar nesse tempo de crise de hoje”, afirmou a irmã Benedita, do Sodalício de Campinas, que ingressou na Ordem Terceira junto com o seu esposo, em 1980.

O encontro de Campinas reuniu os Sodalícios da Região SP 3: Piracicaba, Limeira, Jaboticabal, Teiuva, Mogi Mirim, Itu, e o anfitrião, Campinas. Todos puderam participar da palestra “Laicato na história da Ordem”.

“Esta espiritualidade não tem nada de extraordinário. É o ordinário da vida, nesta pequenez, em que buscamos viver um itinerário e um caminho de santidade”, disse Frei Petrônio de Miranda, responsável pela orientação e acompanhamento da Ordem Terceira na Província Carmelitana de Santo Elias.

Antes do encontro de Campinas, foram realizados dois encontros: o primeiro na Região MG3, em 5 de agosto, com a participação dos Sodalícios de Passa Quatro, Carmo de Minas e Fraternidade de Cambuquira. O segundo reuniu as Regiãos MG 1 e MG 2, com os Sodalícios de Juiz de Fora, Barbacena, São João Del Rei, João Monlevade, Belo Horizonte, Ouro Preto, Serro, Diamantina, Sabará.

Veja as fotos:

Confira a programação dos próximos encontros

  •   REGIÃO SP 2 – data: 25/08/2018

Local: Sodalício da Esplanada (SP)

Sodalícios: Esplanada, Basílica do Carmo, Sapopemba, Santos, Osasco, Carapicuíba

  • REGIÃO SP 1 – data: 26/08/2018

Local: Rosa Mística-Jambeiro- Rodovia dos Tamoios (SP)

Sodalícios: Taubaté, São José dos Campos, Bragança Paulista, Jacareí, Mogi das Cruzes

  • REGIÃO BA – data: 20/10/2018

Local: Salvador (BA)

Sodalícios: Salvador e Cachoeira

  •  REGIÃO RJ – data: 25/11/2018

Local: Convento do Carmo – Angra dos Reis (RJ)

Sodalícios: Angra dos Reis, Lapa-RJ, Vicente de Carvalho-RJ, Fraternidade de Saquarema 

  • REGIÃO MG-DF – data: 15/12/2018

Local: Paróquia Nossa Senhora do Carmo – Brasília (DF)

Sodalícios: Unaí (MG) e Brasília (DF)

Fonte: Olhar Jornalístico

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Permanecer na presença de Deus https://soucatequista.com.br/3913-2/ https://soucatequista.com.br/3913-2/#respond Sat, 26 May 2018 11:03:52 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=3913 A permanência/enraizamento é que dá condições ao ser vivo, de enfrentar o transitório da vida.
“Permaneça cada um na sua cela, ou perto dela, meditando dia e noite na lei do Senhor e vigiando em oração, a não ser que se deva dedicar outros justificados afazeres.”
Regra dos Carmelitas, Capítulo 7

 

Os antepassados da minha Ordem religiosa, nos legaram uma Regra de Vida maravilhosa. Ela é conhecida como “A Regra de Vida dos Carmelitas.” Esta trás capítulos que fundamentam a vida dos frades carmelitas. Ou seja: o carisma. Dom de Deus dado a essa família religiosa.

Um dos capítulos da Regra de Vida que me chama atenção, é o Capítulo 7, citado acima. Ele nos mostra o valor da CELA (quarto) para o religioso carmelita. Essa experiência de “estar na cela”,  nos leva mais do que uma experiência geográfica, e sim, uma experiência que vai firmando no carmelita um grande espírito de “estabilidade”. Estabilidade ou permanência.

Olhando para a natureza, podemos perceber esse processo de permanência/estabilidade nas plantas. Toda e qualquer planta necessita enraizar-se para poder crescer. Sem esse processo de enraizamento, a planta não desenvolve todo o seu potencial e não suporta os “transplantes” que a vida há de oferecer-lhe de forma obrigatória ou espontânea. A permanência/enraizamento é que dá condições ao ser vivo, de  enfrentar o transitório da vida. A experiência do “permanecer na cela” nos leva a descobrir a beleza da própria vida, numa postura de simplesmente perceber, sentir a presença de Deus. E a experiência do eterno nos leva ao grande conhecimento de nós mesmos. E o estar diante da face de Deus que mostra para o discípulo o seu original. Como realmente somos ou seremos em Deus.

Tenho percebido,  muitas vezes,  situações desconfortáveis da vida, que nos raptam, porque não conservamos uma estabilidade interior diante do transitório que é inevitável. Pessoas que se perdem numa ladainha de palavrões, simplesmente porque o trânsito está daquele jeito que é tão comum em São Paulo. Se esbravejar palavrões melhorassem a vida da maioria das pessoas, creio que estaríamos no paraíso. E falando em paraíso, ali se vê um grande elemento que devemos levar para a nossa “cela interior”. A AMIZADE com DEUS. Essa é de suma importância para nós. Depois que os primeiros homens macularam a transparência do relacionamento para com Deus, a desordem entrou no mundo. A amizade com “a serpente enganadora” só nos leva ao caos interior e exterior. Um bom amigo está sempre ao nosso lado. O verdadeiro amigo só deseja o nosso bem. Isso porque o amigo nos importa para dentro dele. E o que importamos para o nosso interior é precioso. Imagine se no silêncio mais profundo do nosso ser, alimentarmos a nossa amizade com Deus. Pode ter certeza que, quando silenciamos em estado de presença dentro de nós, ELE nos fala. É o momento do toque de Deus na alma do discípulo. Quando percebemos o seu toque, nós não mendigaremos ninharias para o mundo, mas ofertaremos coisas boas que vem do manancial que jorra de dentro de nós, por causa desta amizade com Deus que não tem fim.

Procure no interior da sua “cela” aquele que já por primeiro te espera. Assim como a música boa precisa de “pausas” para encontrar harmonia, também corpo e alma para estar conectados com Deus, necessita de pausas. Essas se dão no “ permanecer e estar com Ele”.

Com mãos postas peço que Jesus o abençoe.

Texto de: Frei Rothmans Campos, O.Carm.

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Jesus Cristo na vida e pensamento de Santa Teresa https://soucatequista.com.br/jesus-cristo-na-vida-e-pensamento-de-santa-teresa/ https://soucatequista.com.br/jesus-cristo-na-vida-e-pensamento-de-santa-teresa/#respond Mon, 22 Jan 2018 10:00:39 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=2459  

Teresa de Jesus (1515-1582) foi educada na fé da Igreja Católica. Muito depressa deu mostras de uma rara sensibilidade religiosa (Vida 1,5). Para ela, a princípio, a religião concentrava-se na figura de Deus, sem especificar muito (Vida 2,7). Depois surge a pessoa de Jesus como expressão do divino (Vida 3,1). Mais tarde Jesus a introduz no mistério trinitário (Contas de Consciência 14), e desde ali redescobre a Deus (Contas de Consciência 15), mas com mais profundidade, sem que nunca falte no horizonte da sua existência Jesus Cristo homem e Deus (Contas de Consciência 66,3), como centro de compreensão e de vivência de toda a realidade divina e humana.

O primeiro encontro com Jesus Cristo

A descoberta de Jesus, como Deus que saiu ao nosso encontro, coincide com o despertar da sua puberdade (Vida 3,6) e supõe para ela o começo de uma religiosidade adulta. Começa a entender toda a sua existência como relação – oração, assim o diz ela (Vida 4,7).

Teresa vê os seus primeiros anos como se fossem uma nova criação de Deus, onde tudo era bom (Vida 1), mas logo a seguir também ela foi apanhada pela tentação (Vida 2), e é então quando Jesus a começa a chamar (Vida 3,6).

Interrogando-se acerca do sentido da sua vida e contemplando a de Jesus, pensa que a melhor resposta ao seu amor é consagrar-se inteiramente a Ele, ainda que para isso tenha que usar de grande violência. Acerca disto escreve: “Recordo-me, e a meu parecer com toda a verdade, que quando saí de casa de meu pai [para fazer-se religiosa], foi tal a aflição, que não creio que será maior quando eu morrer” (Vida 4,1). E assim a sua primeira séria decisão é por Cristo, fazendo-se carmelita.

O Carmelo é uma Ordem contemplativa, e Teresa começa a viver a sua religiosidade como encontro com Jesus. Diz ela: “Procurava o mais que podia trazer a Jesus Cristo, nosso Bem e Senhor, presente dentro de mim, e esta era a minha maneira de oração: se pensava em algum passo [do evangelho], representava-o no interior” (Vida 4,7).

Para Teresa meditar é pensar em Jesus, amá-l’O e trazê-l’O consigo como se O tivesse dentro de si ou em frente. Pouco a pouco começa a estabelecer-se tal relação entre ambos, que Teresa entende como uma amizade muito profunda (Vida 8,5). A comunicação dá-se já não só na oração, estende-se à vida inteira. Orar para ela é algo muito precioso: “Tratar de amizade estando muitas vezes tratando a sós” (Vida 8,5). Ali se dá conta de que necessita do amigo, e Ele também dela. Desta forma tão simples os tesouros da fé fazem-se presentes na sua alma.

Vicissitudes no encontro com Cristo

E assim passou algum tempo, até que, por sentir-se imperfeita, começou a deixar esta particular amizade, julgando equivocadamente que era mais humildade (Vida7,1). Parecia-lhe que não era digna desse encontro tão belo. A relação arrefeceu um pouco e Teresa caiu nalgumas imperfeições. Intentou reconstruir a amizade, mas ao não conseguir despojar-se desses obstáculos, os encontros com o amigo resultavam um tormento. Sentia-se como mulher infiel ao esposo, ainda que as suas “ingratidões” fossem bem pequenas. Intentava ser fiel, fazia grandes esforços até que um dia se deu conta de que neste processo de reabilitação confiava demasiado em si mesma e não se punha totalmente nas mãos do seu Senhor (Vida 8,11-12).

E um dia, diante de uma imagem de Cristo, marcado pelas chagas dos açoites da paixão (Vida 9), deposita totalmente a sua confiança n’Ele, e sente que o Senhor a reabilita por dentro. A leitura das Confissões de Santo Agostinho foi marcante. E desde então começa a ser toda d’Ele. Cada vez que se põe a fazer oração, representando-se a Cristo, sente-se cheia de Deus. Esta percepção será o primeiro efeito da vinda de Jesus a ela (Vida 10,1). Ao refletir sobre isto, julgava que até este momento era ela quem buscava a Cristo, agora é Ele quem busca a Teresa (Vida 23,1ss).

Cristo conduz à conversão plena

Esta conversão – assim a chamam alguns – abre-a para um processo novo de fidelidade. Entretanto, sente a proteção do amigo Cristo, e como Ele suavemente a vai introduzindo na Sua Pessoa (Vida 24,1ss). Teresa vê que a presença de Deus a envolve como uma nuvem da qual não pode sair. Até que um dia rezando o “Veni, Creator”, percebe que uma força interior a arrebata por dentro e remove as seguranças do seu eu. Escuta estas palavras: “Já não quero que tenhas conversações com homens, senão com anjos” (Vida 24,5). É o Amado que a quer para Si. Entra nas profundidades da mística (Sextas Moradas). A partir daqui, já não se vai recriminar de nenhuma falta consciente.

Teresa e Cristo ressuscitado

Seguidamente começa a perceber que Alguém lhe fala (Vida 25,1). São palavras que ela chama interiores, porque não se ouvem com os ouvidos corporais, tocam na alma. Palavras cheias de força, de claridade, de afeto e de consolação. Ao principio não identificava a sua origem, mas depressa compreende que quem lhe fala é Cristo (Sextas Moradas 8,2). Antes era ela quem dirigia a Ele a sua palavra de súplica ou de afeto, agora é Ele, quem desde o mais íntimo dela, a chama pelo seu nome, e sai assim ao seu encontro. Teresa vai-se deixando modelar por esta palavra que coincide em tudo com as que nos transmitem os Evangelhos.

Depois destas percepções, quando levava nelas como uns dois anos, Jesus Cristo deixa-Se ver (Vida 27-29). Teresa contempla-O, mas também como antes, não é uma visão ocular, percebe-o com mais claridade desta maneira. Trata-se de visões também interiores. Sempre O vê ressuscitado, ainda que se mostre em alguns dos momentos da vida terrena (Vida 29,4). Estes fenômenos transfiguram o ser de Teresa; fazem-na perceber o sentido de Cristo; dá-se conta de que Ele é o centro e a origem da vida humana. Sem Ele nada tem sentido nem beleza, sem Ele tudo empalidece. Nestes encontros entende o mistério da fé cristã e descobre a verdade. As visões muitas vezes juntam-se com as palavras, e quem lhe fala é esse Cristo a quem agora também vê. Teresa sente-se mudada, está transformar-se noutra. Desde esta vertente, aqueles primeiros encontros, a que chamava oração, agora adquiriam o seu verdadeiro sentido. Mais ainda, as visões e as locuções crescem em intensidade. Sente-se transbordada (Vida 38,17-18).

Chegará a perceber que Cristo ressuscitado está como esculpido no seu próprio ser. A amizade com Ele envolve-a de tal maneira que não só o sente como relação – um Tu que a ama entranhadamente – mas também como quem por dentro a enche de vida, nela vive e a sustenta, é Alguém que enche todo o seu ser. É o que os místicos chamam transformação em Cristo, profundíssima amizade de dois que sentem o mesmo e se querem com tal intensidade que cada um vive mais no outro do que em si mesmo. Mas esta relação não é só psicológica, invade todo o seu ser. Ela escreve sobre isso: “De imediato se recolheu a minha alma, e pareceu-me ser toda ela como um claro espelho; não havia costas, nem lados, nem alto, nem baixo, que não fosse tudo claridade; e no centro dela se me representou Cristo Nosso Senhor, como O costumo ver. Parecia-me que em todas as partes da minha alma O via tão claramente como num espelho, e esse espelho, (não sei dizer como) também se esculpia todo no mesmo Senhor, por uma comunicação muito amorosa que eu não saberei explicar” (Vida 40,5).

Cristo conduz ao mistério trinitário

Jesus Cristo que é o Filho de Deus e seu Enviado, Palavra do Pai, feito homem em Maria pelo Espírito Santo, o Mediador do nosso encontro com o Pai, conduz Teresa ao mistério Trinitário. Com a luz do Ressuscitado entenderá o mistério e sentirá que as Pessoas Divinas habitam dentro da alma do ser humano que está em graça (Contas de Consciência 15; 36; 60). A experiência trinitária é muito intensa na vida de Teresa. Terá experiências de cada Pessoa, e perceberá também a sua unidade. A sua alegria é transbordante porque Jesus Cristo, o Amado, é amigo da alma, condu-la ao mais profundo da fé da Igreja (Contas de Consciência 55,3).

A nova vida

Tudo isto repercute na vida moral de Teresa, que se mostra cheia de Evangelho. As Bem-aventuranças (Caminho de Perfeição 2) e o Pai Nosso (Caminho de Perfeição 27-42) refletem-se com toda a claridade na sua pessoa. Ela gostava de dizer que as experiências religiosas se conhecem pelos seus efeitos (Sétimas Moradas3,1). Os de Teresa são as virtudes teologais, a confiança ilimitada no Pai, a humildade e a fortaleza, entre muitas outras. Sente também como o humano ressuscita numa personalidade nova, livre, gozosa, cheia de energia e de doçura, de luz e de paz. No livro de Moradas principal­mente pode comprovar-se o acabamos de dizer. Agora compreende de verdade o que significa ser cristã.

Sempre Jesus Cristo

Em tempos de Teresa havia certa polêmica acerca do sentido da Humanidade de Jesus no processo da oração (Vida 22,1; Sextas Moradas 7,5). Uma corrente espiritual pensava que na primeira parte deste processo, no chamado plano ascético, devia meditar-se sobre a vida e os mistérios do Senhor; mas na segunda, na mística, teria que deixar para trás o humano do Senhor e caminhar pela Sua Divindade. Teresa descobre que isto é inaceitável. A realidade inteira do Senhor deve acompanhar o cristão em todo este processo de subida. Em defesa da Humanidade de Cristo escreve dois capítulos memoráveis (Vida 22; 6Moradas 7), em que, com argumentos teológicos, bíblicos e desde o humanismo cristão, demonstra que desviar-se dessa consideração do Senhor vai em detrimento do mais profundo e belo da revelação cristã.

O tempo posterior deu razão a Santa Teresa que, com a sua vivência pessoal e com os seus ensinamentos acerca de Cristo, brindou à Igreja uma das espiritualidades mais nitidamente cristãs, onde o Cristo humano-divino preenche tudo. A sua mística não é algo acrescentado ao cristianismo, nem um balcão ou porta que se lhe brinda; é a sua essência, pois ela vincula a sua vivência à realidade de Cristo histórico-ressuscitado e vivido na comunidade. As suas experiências místicas aconteceram em momentos altos da liturgia (Contas de Consciência 25). Contribuiu de forma singular na Igreja para uma compreensão plena de Jesus, que termina em mística, mas que se enraíza nos Evangelhos e na comunidade que vive e celebra os mistérios.

Secundino Castro Sánchez

Fonte: site da Ordem do Carmo em Portugal

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Sinais de santidade, segundo Santa Teresa de Jesus https://soucatequista.com.br/sinais-de-santidade-segundo-santa-teresa-de-jesus/ https://soucatequista.com.br/sinais-de-santidade-segundo-santa-teresa-de-jesus/#respond Sun, 21 Jan 2018 09:00:42 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=2464 Houve tempos em que se considerava que os místicos, como Santa Teresa, percorriam um caminho diferente ao dos cristãos comuns. Como consequência, os escritos dos místicos pareciam representar uma espiritualidade da elite, espiritualidade que não se podia aplicar a todos.

Hoje entendemos que estes santos somos nós mesmos. Eles nos mostram o potencial de nossa humanidade. Estão no topo da coluna e nos transmitem o impacto do amor de deus em suas vidas. O que escrevem não é algo especial para uns poucos, mas para servir de guia e encorajamento a todos. O caminho que descrevem é mais normativo que excepcional.

Uma das contribuições de Santa Teresa de Jesus é de ter indicado certos sinais na vida de uma pessoa que denotam o crescimento na santidade. Independentemente de que uma pessoa tenha ou não experiências religiosas extraordinárias – como as vozes e visões de Teresa –, estes sinais indicam que o caminho espiritual está alicerçado sobre uma base firme. São indícios da transformação, da crescente abertura da pessoa à ação do Espírito. Podemos citar entre estes sinais de santidade: 1- profunda humanidade, 2- ampla liberdade, 3- grande generosidade. Veremos abaixo essas três dimensões.

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Profunda humanidade
Fazer a passagem do desempenhar um papel para o encontro de si mesmo, de sua verdade interior

Somos um mistério para nós mesmos, e só deus conhece quem somos realmente. Teresa defendeu que nossa verdadeira identidade é descoberta na relação com o senhor. Ela disse: “não posso conhecer-te, senhor, se não me conheço a mim mesma, porém não posso conhecer-me a mim mesma se não conheço a ti”. Em outras palavras, quanto com maior clareza podemos dizer quem é Deus, com maior clareza podemos proclamar em nossas vidas nossa própria identidade e expressarmos nossa humanidade. Uma pessoa de oração, aberta ao chamado de Deus, deveria encontrar-se mais à vontade em sua humanidade. Quanto mais pudesse dizer “Deus” em sua vida, mas poderia dizer “Teresa” (o nome de cada um).

Às vezes, na história da espiritualidade, o mandado bíblico de renunciar a si mesmo foi interpretado no sentido de desprezar a si mesmo, para reconhecer com relutância a própria humanidade e tê-la em muito pouca consideração. Mais que uma promessa isso foi um problema. Esta interpretação deu lugar, com frequência, a uma humanidade abatida (acompanhada de um rosto pesaroso). O Papa Francisco denunciou a cara de funeral. Os sintomas são observados em pessoas que se encontram sempre “carrancudas e hostis”, dando testemunho de uma “severidade teatral”; têm um “estéril pessimismo”. Ele nos disse que estes são sinais de medo e insegurança.

Apesar disso, o mandado evangélico de negar-se a si mesmo estava, na realidade, desafiando a nossa inclinação ao egoísmo, a vivermos demasiado voltados a nós mesmos, e sem perceber as necessidades de nossos irmãos. Um ego sadio pode facilmente chegar a ser doentio, egocêntrico. Este “eu” que inclina todas as coisas às suas próprias necessidades e desejos não é um eu maduro.

Teresa insistiu na humanidade de Jesus Cristo. Sua humanidade ajudará às irmãs a valorizar e a pôr os pés na terra, em sua própria humanidade. Deixar de um lado o Jesus humano é um erro. A oração nunca nos eleva tanto, disse ela, que não necessitemos dos evangelhos e da liturgia da Igreja. Somos humanos e vamos para Deus de uma maneira humana. Sua viva e atrativa personalidade era expressão de uma humanidade que foi se aprofundando na medida em que amadurecia sua união com o senhor.

Ampla liberdade
Fazer a passagem do serviço obsessivo aos ídolos à resposta livre a Deus

Na vida de uma pessoa se dá uma sutil mudança quando vai crescendo sua confiança na presença e no amor de Deus. As ações compulsivas e preocupações obsessivas vão diminuindo. Em lugar de depender de fontes externas de autoafirmação, tais como títulos e posses, a pessoa que vai amadurecendo na espiritualidade aprende e vive a partir de dentro, desde o santo mistério que ocupa o centro da vida. Quando Santo Agostinho disse ao senhor: “tu estavas dentro de mim, e eu estava fora… tu estavas comigo e eu não estava contigo”, nos mostrou o desafio que se nos apresenta quando queremos crescer na santidade. É necessário levar uma vida interior consciente e orante. Ao ir Deus ocupando o centro da própria vida, os ídolos da periferia vão perdendo poder.

Santa Teresa identifica tempos nos quais experimentou um crescimento da liberdade de espírito. Quando começou sua reforma do carmelo, no início Teresa se sentiu profundamente ferida pelas críticas. Também se sentia afetada pelos louvores. Depois chegou a considerar tudo isto com certa indiferença. Suas reações mudaram: se era criticada, considerava como sendo o que ela merecia, e se era louvada, considerava que nisto era louvado o senhor, e também o aceitava. Desse modo, alcançou a liberdade de não responder emocionalmente e de não ser molestada pelos comentários dos demais.

Teresa também nos conta que, uma vez, na sua profunda união com Cristo, o pensamento da morte parecia ser um nobre desejo. A morte seria o aperfeiçoamento de sua peregrinação e o cume de sua união com o senhor. Porém, foi refletindo sobre isso, chegando finalmente a descobrir um problema neste aparente nobre desejo de morrer e estar com o senhor. Teresa deu-se conta de que queria morrer, quando a pergunta verdadeira tinha quer ser esta outra: “o senhor quer isto?” Ela ensinava com frequência que a finalidade da oração é “a conformidade com a vontade de Deus”. Ao questionar-se, “Deus quer isto?”, a atitude ou intenção de Teresa mudou. Desejava permanecer neste mundo, servindo, tanto tempo quanto quisesse Deus, e também estava pronta para ir para casa e estar com o senhor quando ele o dispusesse. Era livre para estar disponível ao que Deus quisesse.

Grande generosidade
Fazer a passagem do egoísmo ao amor desinteressado

Com frequência Teresa fala de um objetivo da caminhada espiritual: uma crescente sensibilidade às necessidades dos demais. O caminho não pode desembocar numa espiritualidade encerrada em si mesmo, numa comunidade ensimesmada. A caminhada deve levar a uma expressão externa de serviço. A pessoa espiritual é consciente de que tem a responsabilidade de usar os dons recebidos de Deus para o bem do povo de Deus. Não vamos sós a Deus; não é uma peregrinação individual. Teresa, sem sombra de dúvida, afirma o mandado evangélico de amar a Deus e ao próximo. Este serviço a nossos irmãos é a prova de fogo do cristianismo.

Nas etapas da viagem, como Teresa descreve em sua obra clássica sobre a oração, o Castelo Interior, se dá uma maior intimidade com Deus. Ela descreve várias etapas ou moradas nessa relação. O leitor espera que a última etapa, a sétima morada, seja uma situação de intensa interioridade e quase de inacessível experiência espiritual. Apesar disso, é uma revelação e um alívio ler sua declaração de que a finalidade desta união profunda com Deus são as boas obras, as boas obras!

Teresa exortou suas irmãs a manter uma espiritualidade com os pés na terra, que busca o benefício dos demais. Quando as irmãs se queixaram de que o ambiente em que viviam sua vida de clausura dava pouca saída para o serviço amplo à Igreja, Teresa as desafiou. Disse-lhes que não é bom sonhar grandes projetos quando se lhes apresentava diante de si a oportunidade de umas servirem às outras. Recordou-lhes que Deus não julga a grandeza do que fazemos senão o amor com que fazemos o que é possível. Teresa lhes disse, e nos diz hoje: não construam castelos no ar! Deixemos que nosso cristianismo encontre expressões práticas e eficazes do que disse Teresa.

Frei John Welch, O.Carm.
Fonte: Citoc Magazine, nº 2.2015
Tradução: Província Carmelitana Pernambucana

 

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