Frei Fernando Millán Romeral – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Fri, 13 Sep 2019 17:00:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Frei Fernando Millán Romeral – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 Relatório do Prior Geral apresenta conquistas e desafios da Ordem https://soucatequista.com.br/relatorio-do-prior-geral-apresenta-conquistas-e-desafios-da-ordem/ https://soucatequista.com.br/relatorio-do-prior-geral-apresenta-conquistas-e-desafios-da-ordem/#respond Fri, 13 Sep 2019 17:00:25 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=7723  

No dia 10 de setembro, conforme o que determina as Constituições nos números 272-273, o Prior Geral, Frei Fernando Millán Romeral, O.Carm., apresentou um relatório sobre o estado espiritual e temporal da Ordem, aos freis reunidos no Capítulo Geral, no Carmelo de Sassone, Roma.

“A Ordem cresceu muito nos últimos 25 anos (Ásia, África, etc.). Estamos dando uma formação sólida que combina tradição e nossa identidade carmelita com os processos lógicos de inculturação? Não é um problema, mas um desafio.” Este tema, o Prior Geral indicou ser não apenas um desafio para as “zonas missionárias”, mas também para as comunidades carmelitanas da Europa, América do Norte, Austrália. Como passar o testemunho ao Próxima geração? Tópicos como fidelidade criativa, autenticidade, carisma, inculturação, adaptação etc. entram em cena nessa reflexão.

Trazemos alguns aspectos do relatório de Frei Fermando Millán, que podem ser divulgados publicamente. Por razões de proteção de dados, obviamente, nem todas as informações podem ser divulgadas e compartilhadas. Os pontos a seguir são apenas para fins informativos.

Fonte: https://www.carmelitas.es

1.- Treinamento e vida cultural

Foram realizados cursos e programas durante o período de seis anos para apoiar o treinamento inicial e contínuo. Estes não complementam a formação das respectivas áreas geográficas da Ordem. Eles seguiram nesses cursos uma metodologia e uma dinâmica de mistérios que permitiram entrar no mistério que estava sendo comemorado ou refletido. O treinamento – ele insistiu – é uma prioridade, apesar das dificuldades que algumas províncias têm para que isso aconteça. É importante libertar pessoas para que possam cumprir esta missão. O treinamento não pretende ser entendido como algo formal e acadêmico, mas como uma formação integral (humana, psicológica, emocional, espiritual, etc.). A formação permanente é um desafio não apenas da nossa Ordem, mas de toda a Igreja. Além disso, disse Frei Fernando Millán, ele é o “calcanhar de Aquiles” da vida consagrada. Os principais obstáculos que podem surgir às vezes são: treinamento ideológico e seletivo; que a mesma pessoa sempre frequenta todos os cursos; que a formação carmelita se limite apenas ao noviciado. Há também pontos positivos: centros internacionais que oferecem um ótimo serviço ao treinamento; a missão da CISA; o trabalho que o Regens studiorum.

Vida cultural: o bibliotecário organizou todo o sistema de catálogos; passou do atual arquivo da Cúria para o histórico da CISA (1935-65); os documentos da Postulação também passaram para o arquivo histórico da CAAS; foi criada uma bolsa de estudos chamada PE Boaga para pesquisa em “re Carmelite”; edição e publicação das Constituições; centenários; trabalhos publicados em Edizioni carmelitane (Analecta. Carmel no mundo. Carmelus); Curso de herança carmelita; Comissões: JP, Liturgia e Missão e Evangelização.

2.- Estrutura e administração da Ordem

Na Europa e na América fala-se frequentemente de reestruturação. Este termo não apenas indica a dinâmica de “fechar casas e ingressar nas Províncias sem mais”, é muito mais amplo. Agora, naquelas realidades em que se acrescenta o envelhecimento dos frades e a falta de vocações, é preciso tomar decisões inevitáveis. Algumas entidades podem ser bloqueadas quando os processos de discernimento são muito lentos, porque é assustador tomar essas decisões e, quando são tomadas, já é tarde demais. É verdade que são medidas impopulares, mas inescapáveis. Ser a favor ou contra a união das Províncias não significa ser melhor ou pior Carmelita. Esses processos testam nossa capacidade de mudar, de nos abrir para novos desafios, flexibilidade e maturidade. Além disso, se por razões raciais, culturais, econômicas, linguísticas, preconceituosas etc., dois carmelitas não pudessem viver juntos, algo não funcionaria bem. Agora, esse processo de reestruturação é apenas para uma parte de nossa Ordem. A realidade em outras áreas geográficas é muito diversa. Não podemos administrar apenas com critérios eurocêntricos. Nosso discurso não pode ser monocórdio, mas polifônico. Foi uma grande alegria que o Comissariado Geral de Santa Teresa do Menino Jesus e Santo Alberto na Índia (rito latino) tenha sido estabelecido recentemente e a colaboração de algumas entidades carmelitas na África tenha sido consolidadas.

É significativo que, em 2015, tenha sido aprovado um protocolo para a realização de visitas canônicas, um protocolo para vincular entidades carmelitas à Cúria Geral e tenha sido criada uma Comissão para revisar a gestão da própria Cúria, bem como as realidades associadas a mesma.

3.- Família Carmelita

Nas últimas décadas houve um diálogo constante sobre o conceito de família carmelita. Em 1971, é quando esse conceito surge, no nº 16 em nossas Constituições. Na revisão das Constituições atuais, esse conceito foi enriquecido teologicamente. Não se trata de limitar o número de membros da família carmelita, mas sim, oferecer certas orientações. Somos uma família, sem separação, mas sem confusão (frades, freiras e leigos). Querendo preservar a igualdade, um novo clericalismo pode ser desenvolvido e os leigos podem se tornar um mini frade ou uma freira.

  • Foram publicados dois documentos da Santa Sé que orientam a vida claustral contemplativa das mulheres: Vultum Dei quaerere e Cor orans. O Delegado das Freiras iniciou o processo de revisão de suas Constituições. Novas fundações que foram fundadas este ano: Mutare (Zimbábue), Azua (República Dominicana), Barinas (Venezuela), Brasil, Filipinas, Vietnã, Moçambique, Quênia. Outros mosteiros foram fechados na Espanha, Itália e Portugal. Um novo documento também foi publicado para regulamentar como criar uma fundação, bem como uma campanha no nível da Ordem para “adotar um mosteiro”.
  • 14 congregações femininas afiliadas à Ordem que compartilham o carisma carmelita.
  • Fonte de Elías: comunidade intercongregacional no Brasil.
  • Donum Dei
  • A Congregação do Vaticano indicou que você não pode ter eremitas sob a jurisdição do General ou do Provincial. Se houver um eremita com espírito carmelita, ele deve fazer um caminho diferente sob a jurisdição do bispo. Nas províncias, pode haver uma comunidade de estilo eremita ou semi-semita, mas eles não são “eremitas” em sentido estrito e canônico, são religiosos sob a obediência e autoridade do provincial. Dentro dos estatutos provinciais, uma Província pode ter algum número que proteja esse estilo e canonicamente os proteja. É isso que nossas Constituições afirmam. Atualmente, temos duas comunidades de eremita nos EUA.
  • OTC e os leigos carmelitas. Há uma revitalização da OTC.
  • Bispos carmelitas. Existem atualmente 13.

Capítulo Geral dos Irmãos da Bem Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo – 2019, acontece de 9 a 27 de setembro, no Carmelo de Sassone, Roma.

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Nos dias 23 e 24 de fevereiro, o Prior Geral, Frei Fernando Millán Romeral, O.Carm., orientou o retiro espiritual dos jovens frades do “Studentato San Pier Tommaso” (Roma). O retiro aconteceu no Centro de Espiritualidade dos Carmelitas Descalços, em Monte Compatri, Região Metropolitana de Roma, e teve como tema de meditação a figura do Beato Tito Brandsma.

Os momentos de oração, silêncio e fraternidade foram iluminados por quatro reflexões onde o Padre Geral indicou aspectos do caminho espiritual do Beato Tito que servem de exemplo aos estudantes e aos que desejam viver o carisma carmelitano na concretude do dia a dia. O texto que segue apresenta de modo muito sintetizado alguns pontos das meditações:

  1. Beato Tito Brandsma, religioso carmelita

Os depoimentos do processo de beatificação do Beato Tito Brandsma revelam que sua vida pode ser lida e interpretada de diversos ângulos. Muitos são os testemunhos sobre o jornalista, o professor universitário, o pioneiro no ecumenismo, mas, existe um aspecto que perpassa todas as suas outras atividades, o ser frade, a sua Consagração na Ordem do Carmo. “O Beato Tito – disse o Padre Geral – não era um professor que celebrava Missa”. Em tudo aquilo que fez, ele deixou a marca da sua vocação carmelitana como homem de oração, de profecia e de fraternidade. Nascido na Frísia, região norte da Holanda com menos de 10% de católicos, o Beato Tito soube dirigir ao seu tempo e à sua gente um olhar contemplativo. O seu entusiasmo e alegria profunda encontraram na vida carmelita um lugar perfeito para realizar a sua vocação, o próprio Beato disse: “o espírito do Carmelo me fascinou”.

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  1. Beato Tito Brandsma, homem de profundidade

Em uma era de tanta superficialidade, a vida do Beato Tito Bransdma pode ser um sinal de uma vida religiosa profunda e enraizada em terra fértil. Essas raízes, porém, não o imobilizaram e isso pode ser observado na maneira como pensou além do seu tempo, dando passos importantes de abertura e inclusão sem deixar a sua identidade. Uma serenidade teológica que é própria de quem coloca em Deus toda a confiança. Isso explica o caráter ecumênico do Beato Tito que trabalhou para que cristãos de diversas confissões se unissem diante do sofrimento e da dor principalmente no campo de concentração. Assim atesta um depoimento do processo de beatificação por um pastor protestante: “posso testemunhar que Tito Brandsma era um filho de Deus pela graça de Jesus Cristo. Espero voltar a vê-lo no céu…”.

  1. Beato Tito Brandsma e a família

Anno Sjoerd Brandsma (Tito) nasceu um uma família católica, seu pai era membro muito ativo na paróquia e muitos outros parentes foram missionários e até bispos em diversas regiões. Dos seis irmãos Brandsma, cinco se tornaram religiosos, o que o assemelha a Santa Teresa de Lisieux, recorda o Padre Geral. A vida religiosa no Carmelo reforçou ainda mais o sentido de família incentivado pelo Oikos da Regra, na instrução sobre o governo, o lugar escolhido, o cuidado com o ambiente comum e a acolhida. O Padre Geral insistiu sobre a importância da vida fraterna em nossos conventos, lugar onde podemos mostrar nossas alegrias, tristezas e medos, discernindo juntos como comunidade.

  1. Beato Tito Brandsma, homem de benção

No meio de tanto ódio e sofrimento somente uma alma totalmente entregue à graça de Deus pode emanar bênção e perdão. Foi assim com o Beato Tito no calvário vivido nos campos de concentração por onde passou. Certamente não foi um super-herói e nem viveu essa experiência de forma romantizada, mas, seus gestos de amor eram reconhecidos pelos seus companheiros de prisão. Um dos depoimentos mais importantes nesse sentido é o da enfermeira que aplicou a injeção letal que matou o nosso carmelita. “Tizia”, que preferiu manter a identidade em segredo, relatou que recebeu como presente um terço do próprio frade e que esse a olhou com compaixão.

A Providência Divina se ocupou em concluir o retiro espiritual com as palavras do próprio Jesus aos discípulos por meio do texto proposto pela liturgia da Igreja para o 7º Domingo do Tempo Comum:

“A vós que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam, e rezai por aqueles que vos caluniam”. (Lc 6, 27-28).

Que a vida do Beato Tito Brandsma seja para nós Carmelitas um exemplo de como podemos viver nosso carisma no mundo independente das circunstâncias.

Frei Juliano Luiz da Silva, O.Carm.

Roma, 25 de fevereiro de 2019.

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