Gênesis – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Tue, 19 Apr 2016 11:54:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Gênesis – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 O mundo poderia existir sem o mal? https://soucatequista.com.br/o-mundo-poderia-existir-sem-o-mal/ https://soucatequista.com.br/o-mundo-poderia-existir-sem-o-mal/#respond Tue, 19 Apr 2016 11:54:54 +0000 http://www.soucatequista.com.br/?p=75046 André Botelho
Canção Nova

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Tudo o que Deus criou era muito bom e não existia o mal

Para entender essa questão, em primeiro lugar, é preciso entender o que é o mal. “Deus é inacessível ao mal” (Tg 1,13). Portanto, o mal não é um lado de Deus, tampouco um outro deus, uma outra força divina, porque o Senhor se revelou como único Deus a Israel em inúmeras situações. Então, o que seria o mal? Na verdade, ser mau não é um ser, uma coisa ou força, mas uma carência do bem, assim como as trevas é a ausência de luz. Por isso, disse Bento XVI: “ O mal só existe onde Deus é insuficiente”.

O mundo foi criado bom por Deus. É notável e maravilhoso que, no relato da criação, em Gêneses 1,1-31, ao fim da criação de cada coisa é dito: “E Deus viu que isso era bom”. Ao fim de todo relato, no versículo 31, o autor bíblico diz: “ Deus viu tudo o que tinha feito era muito bom”. Portanto, tudo o que Deus criou é “muito bom” e não existia o mal em nada.

Como o mal entrou no mundo?

O capítulo terceiro do livro de Gênesis conta como o mal entrou no mundo. Em uma linguagem figurada, vemos a imagem da serpente que alicia Eva e, por meio dela, Adão. O significado desse texto é que o homem, que até então vivia em intimidade e perfeita harmonia com Deus, rebelou-se contra Ele, seduzido por um ser enganador. Sem Deus, o homem e o mundo estão sujeitos ao mal moral (carência da finalidade a que o homem deve tender, especialmente felicidade e amor) e físico (carência de algo no plano material como a fome e a dor).

Quem é esse ser enganador? Um deus do mal? Inúmeros textos bíblicos fazem referência a anjos decaídos, ou seja, seres criados por Deus que são puro espírito, que deveriam servir a Deus, mas “rejeitaram radical e irrevogavelmente a Deus e Seu Reino” (CIC 392). Alguns textos do Antigo Testamento são interpretados pela tradição cristã como um relato da queda de um anjo chefe, satanás, que se volta contra Deus (cf. Is 14,13-14; Ez 28,17). Especialmente Ap 12,7-10 fala da batalha do dragão e seus anjos contra Miguel e os anjos dele. O dragão e os anjos passam a ser os tentadores, ou sejam, aqueles seres que não são deuses, mas que, identificados como o mal, tentam levar o homem a escolher o mal. Então, dessa forma, o mal entra na existência simplesmente como aquilo que rejeita “Deus, que é amor” (I Jo 4,8).

O mundo poderia existir sem o mal

Fica claro, então, que o mundo não só poderia existir sem o mal, como ele já existiu sem o mal. Mais ainda, o mundo voltará a existir sem o mal: “Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. 

Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição. Então, o que está assentado no trono disse: ‘Eis que eu renovo todas as coisas’. Disse ainda: ‘Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras’. Novamente me disse: ‘Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho’” (Ap 21,1-7).

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O pecado original – segunda parte https://soucatequista.com.br/o-pecado-original-segunda-parte/ https://soucatequista.com.br/o-pecado-original-segunda-parte/#respond Sun, 29 Jun 2014 12:00:28 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=42900 expulso_paraisoDeus, no paraíso, amaldiçoou a serpente (o demônio), mas não o homem. Adão e Eva Ele castigou. Prosseguindo a narrativa, Deus disse à mulher: “Multiplicarei os teus sofrimentos, principalmente os do parto; darás à luz em meio à dor e estarás sob o poder do marido e ele te dominará”. E disse ao homem: “… maldita seja a terra por causa de ti; à custa de trabalho penoso é que dela tirarás o teu alimento, até que voltes à terra de que foste tomado, porque tu és pó e em pó te hás de tornar”.
Assim como a serpente recebeu a maldição no lugar de Eva, a terra recebeu-a em lugar de Adão, sendo que a do demônio foi mantida e a da terra foi retirada, conforme se vê na própria Bíblia, quando, mais tarde, Deus dirigiu-se a Noé.
Analisemos a parte referente à mulher. Já houve quem observasse que Adão foi tentado pro uma criatura semelhante a ele, ao passo que Eva o foi por um ser superior a ela, o que atenua sua culpa. No entanto, Moisés, o autor do Gênesis, pertencia a uma cultura em que a mulher era considerada inferior ao homem, o que, naturalmente, influênciou sua narrativa.
Foi precisamente o Cristianismo o porta-voz da Boa Nova, o realizador das promessas e símbolos do Antigo Testamento, que primeiro realçou a dignidade da mulher. Pois se é verdade que o homem cedeu ao pecado mediante as palavras tentadoras de sua mulher, também é verdade que obteve o caminho da salvação por intermédio da palavra de outra mulher. Ao não de Eva (pois ela negou-se a obedecer) opõe-se o Sim de Maria (na submissão à vontade divina).
Ainda, a propósito, é bom frisar o seguinte: para que Eva caísse foi necessária a ação do demônio, mas, para a queda do homem, bastou a má influência da mulher. Isso tem sentido. Todos sabemos como é forte a persuasão feminina. Quando a mulher se corrompe, corrompe-se a família, a sociedade, a pátria, o mundo. Os que pretendem solapar os valores morais degradam e servem-se da mulher para atingir os seus objetivos. Diabolicamente, eles sabem o que fazem – embora a mulher neste caso, em sua mãos, não passe de um joguete.
Para a sua perfeita realização, e para a do homem e da sociedade, a mulher deve renunciar a Eva e aproximar-se de Maria.
Quanto ao castigo do homem, não seria preciso recorrer à Bíblia para verificar que o pecado (nosso e alheio), dificulta a luta pela vida. Comendo um fruto proibido, o homem pecou – agora, precisa de esforço para colher os bons frutos que lhe são oferecidos. Mas a palavra de ordem “dominai a terra” não foi retirada, assim como não lhe foram retirados os dons naturais.
Com inteligência e vontade, à custa de sacrifícios, o homem tem progredido. As conquistas da técnica, facilitando o trabalho humano, são boas. Como são bons os conhecimentos no campo da ciência. O importante é que o homem considere essa vitórias como meios que o levem a Deus e não como fins em si ou meios de destruição e pecado (afastamento de Deus).
Ainda segundo a Bíblia, após o pecado (original), “O Senhor Deus fez para Adão e sua mulher túnicas de pele, com as quais os revestiu”. Portanto, para que o homem cobrisse sua nudez (despojamento da graça) houve derramamento de sangue, algum animal foi sacrificado. Mais tarde, no Novo Testamento, S. João Batista apresentaria Jesus ao povo judaico, como sendo “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, e tem profundo sentido e perfeita relação como o pecado original a frase de S. Paulo diria tantos anos mais tarde: “Revesti-vos de Cristo”.
Por fim, diz a Sagrada Escritura que, após o pecado, Deus expulsou Adão e diante do Paraíso pôs um anjo brandindo uma espada de fogo. Maria, a antítese de Eva, é, também, poeticamente, chamada de “Jardim fechado”. De fato, em seu seio, por obra do Espírito Santo, germinou a semente divina. E o anúncio desse milagre, de sua maternidade virginal, foi-lhe dado por um anjo. Agora, é um anjo (talvez, o mesmo) que, como mensageiro do Altíssimo, se curva diante da mulher bendita entre todas, da predestinada a ser mãe do Salvador. Abre-se o mais belo dos “jardins fechados” e um Novo Paraíso desponta para a humanidade.
Antigo Testamento
Imagem do Novo
Eva dialoga com o demônio
Maria dialoga com o anjo
Há falsa amizade entre Eva e o demônio
Há verdadeira amizade entre Deus e Maria
O Homem peca pelo orgulho
Jesus, o Salvador dos homens, é o “manso e humilde de coração”
Adão desobedece – e o homem se perde
Jesus faz-se “obediente até a morte”- e o homem se salva
Comendo o fruto proibido, o homem peca
Agora, com sacrifício, come os frutos lícitos
Desobedecendo, Adão prova o doce fruto
Obedecendo até a morte, Cristo prova fel e vinagre
Adão estende seus braços para a árvore – e isto é perdição
Cristo estende seus braços para a cruz (da madeira, da árvore) – e isto é salvação.
Na “hora das trevas”, o homem se despe da graça
Na hora das trevas, Jesus é despido – para revestir o homem de graça
A tarde, “na hora das trevas” (porque havia trevas em seu coração), o homem peca.
Para remir o homem, à tarde, Jesus é crucificado
Naquela hora (das trevas), no Paraíso, dando as costas a Deus, Adão e Eva começaram a crucificar Jesus
Á tarde, é crucificado Aquele que disse: “O que me segue não anda em trevas”
Num jardim (o Paraíso), o homem peca.
Num jardim (das Oliveiras) Jesus o salva.
Um anjo fecha o Paraíso
Um anjo abre outro (o seio de Maria)
Para vestir Adão e Eva, um animal é morto
Para revestir o homem da graça, Jesus, “o Cordeiro de Deus”, é crucificado
Segundo uma lenda, o crânio de Adão foi sepultado no monte Gólgota
No monte Gólgota, o sangue da cabeça de Cristo o lavou.
Eva é a primeira mãe dos homens
Numa Segunda ordem – restaurada – Maria é a primeira Mãe

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A criação do mundo https://soucatequista.com.br/a-criacao-do-mundo-2/ https://soucatequista.com.br/a-criacao-do-mundo-2/#respond Tue, 24 Jun 2014 12:00:26 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=42848 maxresdefaultPor um simples ato de sua vontade, Deus fez o mundo – a partir do nada, pois, no princípio, só Ele – Eterno – existia.

Conta a Bíblia, no Gênesis, que Deus criou o mundo em seis dias e no sétimo descansou. Estes “seis dias” correspondem a épocas que podem ter durado milhões de anos. Como já foi dito, a intenção do autor sagrado não era fazer obra científica. Sua finalidade era levar aos homens o conhecimento de Deus. Por isso Moisés usou a linguagem de seus contemporâneos, aludindo a fenômenos da natureza, empregando imagens alegóricas.

PRIMEIRO DIA

“No Princípio, Deus criou o céu e a terra”, isto é, o mundo espiritual e o mundo corporal. Ai o céu é o mundo espiritual, o mundo de nosso destino definitivo, após vivermos no mundo passageiro. O mundo material começou em estado de caos (sem forma, nem luz).

A matéria primitiva, que foi chamada por Moisés de terra, por efeitos das leis naturais (estabelecidas por Deus), modificou-se. Esta evolução é devida não à essência da matéria, mas à vontade de Deus, expressa por Sua palavra criadora “Faça-se”

Segundo cientistas, esta matéria primitiva seria gasosa e ocupava o universo. Ora, isso não contraria a narrativa bíblica, pois todos os metais e todos os minerais elevados a uma temperatura suficiente se tornam gasosos, ocupando um espaço bem maior (todo o universo). Além disso, a análise espectral demonstra que o sol, os planetas e as estrelas fixas são compostos dos mesmos elementos que a terra, o que permite a conclusão de uma origem comum.

De acordo com a Bíblia, ainda, no “primeiro dia”, Deus disse: “Faça-se a luz”. A força de atração (Gravidade) e o choque dos átomos produziram a luz e o fogo.

“E a luz existiu”. Imaginemos o clarão de uma imensa bola de fogo explodindo no espaço. (Calcula-se que essa explosão radioativa se deu há cerca de 18 bilhões de anos)

SEGUNDO DIA

No “segundo dia”, Deus fez o firmamento e separou umas águas das outras. Houve a separação, ordenação e solidificação das massas criadas.

“E Deus chamou o firmamento de céu” (não se trata, ai porém, do céu dos espíritos, mas sim da atmosfera terrestre). Uma parte daquela massa cósmica, solidificada, passou a constituir a terra propriamente dita.

TERCEIRO DIA

A partir do “terceiro dia”, deixando os outros astros, que continuaram a se formar, Moisés ocupa-se exclusivamente com a terra. Neste período (calculado por estudiosos em alguns milhares de anos depois de formada), a terra, em fusão, pelo contínuo resfriamento, passou do estado gasoso para o líquido. Continuando a perda de calor, formou-se a crosta sólida.

“As águas que estão debaixo do céu juntem-se num só lugar e apareça o elemento árido. E Deus chamou ao elemento árido, terra e ao conjunto das águas, mares”. Com o solo úmido e sob a influência do calor e da luz, formou-se o ambiente para o surgimento da vida. E nasceram as plantas.

QUARTO DIA

No “quarto dia”. Deus disse: “Sejam feitos, luzeiros no firmamento do céu e separem o dia da noite, sirvam para sinais e para distinguir os tempos, os dias e os anos”.

Pelo contínuo resfriamento da terra, com as águas exalando menos vapor, os outros astros tornaram-se visíveis e, ao mesmo tempo, a influência do sol se manifesta na distinção dos dias e das noites e nas estações do ano.

QUINTO DIA

No “quinto dia” surgem os peixes e as aves. Pela primeira vez aparece a palavra VIDA. Aqui o autor volta ao verbo criar (omitido nos outros “dias”), querendo, talvez, significar que a vida, como a matéria bruta, só se poderia originar por especial intervenção divina.

SEXTO DIA

No “sexto dia”, Deus fez os outros animais e, por fim, o HOMEM – o homem, como síntese, como acabamento, tendo em si todas as formas de vida (vegetativa, animal e racional).

SÉTIMO DIA

No “sétimo dia”, “Deus descansou”. “E abençoou o sétimo dia e o santificou”. Santificar, significa “reservar para Deus”. “Descansando”, “abençoando” e “santificando” o “sétimo dia”, Deus nos adverte que “o homem, elevando consigo as demais criaturas, deve voltar-se para Deus, onde tudo encontra repouso e consumação”

COMPLEMENTAÇÃO

Nenhuma das sentenças propostas para explicar a origem do universo procede além de uma massa de matéria primitiva, donde todos os corpos derivam. Esta massa é simplesmente pressuposta e os cientistas só traçam a gênese do mundo a partir dela. Isto é legítimo, pois a observação não lhes permite ir além. A sã razão, e muito mais a fé, compete completar o explicação da ciência.

A matéria não pode ser eterna, pois ela tem uma história ou evolução – e o que muda não tem, por si mesmo, plenitude de ser, perenidade ou eternidade. Ora, quem daria início à matéria primitiva, senão alguém eterno e imutável, tendo em si mesmo a perfeição do ser, conhecendo a razão de ser das coisas que mudam, que ora são, ora não são (pois passam por estágios diferentes), que hoje se apresentam de um modo, amanhã de outro?

Por um ato de soberana potência, somente Deus poderia fazê-lo. Esta é mais uma conclusão da reta inteligência, e uma das afirmações básicas da fé.

Sócrates, Platão, Aristóteles, gênios da humanidade, proclamaram em sua Filosofia a existência de um Deus, criador do universo. E os gregos em geral, além e acima de deuses de sua fantástica mitologia, admitiam um “Deus desconhecido”. A idéia de uma divindade criadora está presente em todos os povos de todos os tempos.

Relativamente ao descanso de Deus, o homem deve trabalhar com ordem e harmonia – e fazer uma pausa para contemplar sua obra, analisá-la, meditar e, como criatura, louvar o Criador.

Depois da criação, “Deus viu todas as coisas que tinha feito e viu que eram boas”.

Felizes seremos imitando o Divino Artífice.

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Como é uma tentação? Como identificá-la e vencê-la? https://soucatequista.com.br/como-e-uma-tentacao-como-identifica-la-e-vence-la/ https://soucatequista.com.br/como-e-uma-tentacao-como-identifica-la-e-vence-la/#respond Mon, 02 Jun 2014 16:39:30 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=42386 topic (2)Pensemos em Jesus diante das tentações no deserto. Ele se livrou rapidamente do demônio. Não entrou em diálogo com o inimigo, mas lhe respondeu com convicção e de maneira decidida.

Pensemos agora em Eva. Analisemos as palavras do Gênesis sobre a tentação original:

O demônio se aproxima e propõe um tema de conversa:

– É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?

E a mulher, em vez descartar seu interlocutor, começa um diálogo:

– Podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais.

Com este diálogo, a mulher se expôs a um grande perigo. A alma que sabe o que Deus proibiu não perde tempo com esta questão, não abre espaço para dúvidas, pensamentos inúteis, desejos ou atitudes que levam ao pecado.

Voltemos a Eva: o demônio, astuto como é e, além disso, pai da mentira, poderia fazê-la sucumbir, pois o anjo – anjo caído, mas que não deixa de ser anjo, com poderes angélicos muito superiores às qualidades humanas.

De fato, sabemos o que aconteceu: já iniciado o diálogo, já enfraquecido o entendimento da mulher, o demônio passou a fazer uma proposição direta ao pecado, uma mentira, pintando-lhe um panorama maravilhoso: ser como Deus.

– Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.

O demônio também pode oferecer uma felicidade oculta por trás do pecado, insinuando, além disso, que nada de ruim nos acontecerá; que podemos nos arrepender e que Deus é misericordioso. A essa altura da tentação, a alma ainda está em capacidade de parar, pois a vontade ainda não consentiu. Mas, se não corta imediatamente, as forças vão se enfraquecendo e a tentação vai tomando mais força.

Depois vem o momento do vacilo:

– A mulher viu que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência.

Vencer a tentação neste ponto é muito difícil, mas não impossível. No entanto, a alma já está muito enfraquecida diante do panorama tão atraente que lhe foi apresentado.

“Tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente.” E o que é pior: fez outro cair. Cometeu um pecado duplo: o seu e o de escândalo, fazendo que outro pecasse.

Depois vem o momento da desilusão: onde está o maravilhoso panorama sugerido pelo inimigo? “Então os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si.” A alma percebe que ficou nua diante de Deus e que perdeu a graça santificante: Deus já não habita nela.

Depois da desilusão, vem o remordimento. Diante deste apelo da consciência, a pessoa pode tentar se esconder, rejeitando a voz de Deus, ou arrepender-se e pedir perdão ao Senhor no sacramento da confissão.

“E eis que ouviram o barulho (dos passos) do Senhor Deus que passeava no jardim, à hora da brisa da tarde. O homem e sua mulher esconderam-se da face do Senhor Deus, no meio das árvores do jardim. Mas o Senhor Deus chamou o homem, e disse-lhe: ‘Onde estás?’”

Como lutar contra as tentações?

A oração é o principal meio na luta contra as tentações e a melhor forma de vigiar. “Vigiar e orai para não cair em tentação” (Mt 26, 41). “Quem ora se salva, quem não ora se condena”, ensinava Santo Afonso Maria de Ligório.

O que fazer diante da tentação? Acabar com ela imediatamente. Como? Também orando, pedindo ao Senhor a força para não cair. O Catecismo nos diz que este combate e esta vitória só são possível com a oração (n. 2849).

“Não nos deixeis cair em tentação”, ensinou Jesus no Pai-Nosso. A oração impede que o demônio tome mais força e acaba mandando o demônio embora. Sabemos que temos todas as graças para ganhar a batalha, porque, “se Deus está conosco, quem estará contra nós?” (cf. Rom 8, 31).

E depois da tentação, o que fazer?

Se vencemos, precisamos atribuir o triunfo a quem ele pertence: Deus, que não nos deixa cair na tentação; agradecer-lhe e pedir seu auxílio para futuras tentações. Se caímos, saber que Deus nos perdoa quantas vezes tivermos pecado e, arrependidos e com desejo de não voltar a pecar, voltarmos a ele por meio do sacramento da Confissão.

Por catoliscopio.com via Aleteia

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Os cristãos acreditam em vida extraterrestre? https://soucatequista.com.br/os-cristaos-acreditam-em-vida-extraterrestre/ https://soucatequista.com.br/os-cristaos-acreditam-em-vida-extraterrestre/#respond Wed, 14 May 2014 12:35:53 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=41897 topicEm uma das suas homilias desta semana, o Papa Francisco perguntou o que aconteceria se os extraterrestres viessem ao nosso planeta, se seria preciso evangelizá-los também.

“Se amanhã chegasse uma expedição de marcianos, por exemplo, e alguns deles viessem a nós… Marcianos! Verdes, com nariz grande e orelhas pontudas, como as crianças os imaginam… E se um deles dissesse: ‘Quero me batizar’. O que aconteceria?”, perguntou.

Aproveitando o bom humor e a linguagem simples do Papa Francisco, podemos refletir: será que a Igreja já se pronunciou sobre a possível existência da vida extraterrestre?

Antes de abordar o núcleo da questão, é preciso fazer duas observações. A primeira é que esta questão pode ser tratada pela teologia (levando em consideração os conhecimentos da ciência), mas não pelo Magistério da Igreja. Se alguém procurar algum pronunciamento da Igreja sobre o tema, verá que não há nada.

A segunda observação é que a verdadeira questão não diz respeito à possível vida extraterrestre em geral, mas somente à possível vida inteligente. A existência de vida extraterrestre não inteligente, seja elementar ou complexa (uma bactéria, uma planta ou um animal) não tem relevância teológica alguma. É um assunto que compete exclusivamente à ciência, sem que apresente problema doutrinal algum.

Diferente é o caso de seres inteligentes alienígenas. De fato, alguns acham que sua descoberta acabaria com os fundamentos da fé cristã – baseando-se em uma interpretação literal dos primeiros capítulos do Gênesis, própria dos evangélicos protestantes, não dos católicos. Mas há certas dificuldades.

Do ponto de vista do que poderíamos chamar de “teologia da criação”, não há inconvenientes em ceder espaço a outros seres inteligentes. O universo é muito grande e Deus pode criá-los. O fato de que o homem apareça como rei da criação não tem maior alcance que seu próprio âmbito, até onde ele pode chegar. A Bíblia fala deste mundo, e não diz nada sobre outros possíveis mundos habitáveis ou habitados.

As dificuldades vêm da chamada “teologia da redenção”. Nela, vemos o que parece ser uma relação, já não privilegiada, mas exclusiva de Deus com o homem. A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade se encarnou, fez-se Homem, e este Homem está à direita do Pai, como juiz e rei universal.

Jesus pode ter feito o mesmo com outra espécie de seres inteligentes? Estritamente impossível não é, mas parece bastante improvável. No entanto, também é verdade que Ele pode ter escolhido outro caminho de salvação para eles.

Contudo, neste contexto, o aparecimento de outros tipos de seres inteligentes não parece encaixar bem, razão pela qual o mais razoável, sem descartar a possibilidade contrária, parece ser um pouco céticos sobre sua existência.

Poderíamos pensar que esta postura vai contra a ciência, mas não é verdade. Em nome da ciência, surgem muitas expectativas, de forma que parece estar cada vez mais próxima a descoberta de alienígenas, mas o fato é que até hoje não se descobriu nenhum indício de sua existência.

Além disso, o que a ciência mostra é que, conforme se conhece melhor a realidade extraterrestre, cada vez é preciso buscar mais longe. Há poucos anos, as expectativas se focavam em Marte (ainda hoje falamos de “marcianos” para nos referirmos aos extraterrestres), mas hoje já se descarta o sistema solar como habitat de alienígenas.

Conforme o conhecimento científico vai avançando, dentro de pouco parece que descartaremos uma distância menor que 10 anos-luz. E isso é muito longe (o Sol está a uns 7 minutos-luz). Por isso, o que a ciência realmente está fazendo parece ser acabar com as expectativas, ao invés de gerá-las.

Por Julio De la Vega Hazas via Aleteia

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