Jesus Cristo – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Thu, 31 Oct 2024 17:47:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Jesus Cristo – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 Catequista: Guiando na Fé e Inspirando Caminhos em Cristo https://soucatequista.com.br/catequista-guiando-na-fe-e-inspirando-caminhos-em-cristo/ https://soucatequista.com.br/catequista-guiando-na-fe-e-inspirando-caminhos-em-cristo/#respond Sat, 26 Oct 2024 14:55:43 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=1000013812 O catequista é, antes de tudo, um discípulo e missionário, chamado a testemunhar e guiar outros na experiência de Cristo. A catequese não se limita ao ensino de doutrinas ou à formação para os sacramentos; é uma jornada de fé que acompanha o indivíduo ao longo da vida, nutrindo e aprofundando a relação com Deus. Os Bispos do Brasil definem essa ação como “um processo de educação da fé em comunidade, é dinâmica, é sistemática e permanente” (Documento de Puebla, 1979). Com essas características, a catequese se adapta às diversas fases e contextos da vida cristã, oferecendo uma formação que transforma e inspira.

No coração da catequese está o desejo de suscitar uma experiência viva de fé, onde cada pessoa encontra o Evangelho e se sente chamada a viver em comunhão com a Igreja. O Papa João Paulo II sublinha esse papel essencial, explicando que “a catequese é uma educação da fé das crianças, dos jovens e dos adultos, a qual compreende especialmente um ensino da doutrina cristã, dado em geral de maneira orgânica e sistemática, com fim de iniciá-los na plenitude da vida cristã” (*Catechesi Tradendae*, 1979). Assim, o catequista conduz os catequizandos a uma vivência plena, guiando-os a uma compreensão integral da fé que inclui conhecimento, prática e espiritualidade.

O conceito de catequese, originado do termo grego *kat-ekhéo* — que significa “fazer ecoar” — resume bem sua missão: permitir que a Palavra de Deus repercuta e crie raízes no coração humano. A catequese realiza essa missão ao “levar à comunhão com Jesus Cristo: só Ele pode conduzir ao amor do Pai no Espírito e fazer-nos participar da vida da Santíssima Trindade” (*NCIC*, 426-427). Esse processo de ecoar a Palavra envolve um compromisso profundo com o outro, reconhecendo que cada catequizando é uma alma em busca de sentido, fé e comunidade. A catequese, portanto, é um campo fértil onde a Palavra é semeada com paciência, sensibilidade e dedicação.

Ser catequista é abraçar uma vocação de acolhimento, onde o catequizando não apenas aprende, mas encontra apoio, amor e inspiração para a vida cristã. É uma missão silenciosa e muitas vezes desafiadora, mas profundamente recompensadora, pois cada encontro é uma oportunidade de nutrir uma semente de fé que florescerá e dará frutos. Como ensina o *Novo Catecismo da Igreja Católica* (1992), “no centro da catequese encontramos essencialmente uma Pessoa, a de Jesus Cristo de Nazaré, Filho único do Pai” (*NCIC*, 426-427). É para essa Pessoa que o catequista aponta continuamente, ajudando os catequizandos a encontrá-Lo e a reconhecê-Lo em suas vidas.

O papel do catequista é, assim, de profunda responsabilidade, pois ele se torna um elo entre Deus e aqueles que acolhem a Palavra. Cada gesto, cada palavra e cada orientação são expressões do amor de Cristo e da presença viva da Igreja. A catequese forma, fortalece e ilumina o caminho de quem deseja seguir Jesus, gerando uma fé sólida que transforma e anima. Em cada encontro, o catequista não apenas ensina, mas oferece uma experiência concreta da luz de Cristo, criando raízes que sustentam uma vida cristã autêntica e comprometida com o Evangelho.

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Sexta-Feira Santa: Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo https://soucatequista.com.br/sexta-feira-santa-paixao-e-morte-de-nosso-senhor-jesus-cristo/ https://soucatequista.com.br/sexta-feira-santa-paixao-e-morte-de-nosso-senhor-jesus-cristo/#respond Sat, 11 Apr 2020 00:54:10 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=8794 Um rito de entrada diferente dos outros dias do ano litúrgico: em paramentos na cor vermelha, lembrando o sangue, ministros adentram o templo e se prostram diante do altar, simbolizando a humanidade contrita e penitente. Não se ouve o canto de entrada; em vez disso, toda a assembleia, que em unidade acompanhava pelas redes sociais, mergulha num silêncio solene, que dura alguns minutos, até que o presidente da celebração se reerga e recite a oração do dia. Como em toda a Igreja, no ocidente, assim também, às 15h (horário de Brasília), desta Sexta-Feira Santa, 10 de abril, teve início a liturgia da Paixão e Morte de Jesus Cristo, na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro (RJ).

Presidida pelo Prior Provincial da Província Carmelitana de Santo Elias, Frei Adailson dos Santos, O.Carm., o memorial da Paixão e Morte do Senhor foi concelebrado pelo Diretor da Associação Beneficente São Martinho, Frei Renê Augusto Vilela, O.Carm., em torno dos quais se reuniram dezenas de fiéis pela internet, que contemplaram, no Evangelho do discípulo que Jesus amava, o mistério do Crucificado que amou até o fim. A celebração contou, ainda, com a presença do Ecônomo Provincial, Frei Eduardo Ferreira, O.Carm.

O rito deste dia compõe-se de quatro momentos: Liturgia da Palavra e a Oração Universal, Adoração da Cruz e Comunhão Eucarística. Como em todos os anos, a Liturgia da Palavra, desde a Primeira Leitura, procura aproximar os fiéis da alma sofredora do Cristo, prefigurada na profecia de Isaías (Is 52,13-53,12), escrita há cerca de 8 séculos a.C e considerada de um realismo tal, que o texto é chamado por muitos “o 5º evangelho”.

Após a Proclamação da Paixão, Frei Adailson recordou que a Sexta-Feira Santa deve ser também um dia de penitência, jejum e abstinência. O Prior Provincial afirmou que celebrar a Paixão e Morte do Senhor significa olhar fixamente para Deus, que se encarnou e se entregou na sua totalidade.

“Jesus ia ao encontro de todas as pessoas, procurando de forma singela e doce, apresentar o amor do Pai e testemunhar esse amor para cada um desses irmãos, mas não somente para eles, mas para todos aqueles que estavam abertos a acolher essa mensagem, que o Filho traz do coração do Pai para a humanidade. Não existem palavras para mensurar o tamanho desse amor gratuito e de doação do próprio Cristo por cada um de nós e por toda a humanidade”, ressaltou o frade.

Frei Adailson ponderou também que, ainda hoje, ao olharmos para a nossa sociedade, encontraremos muitos corações fechados a esse mesmo amor de Cristo, que continua, do alto, a ser derramado, anunciado e proclamado. Para o religioso, muitos ainda se fecham e optam por não serem alcançados pelo amor de Jesus Cristo que, mesmo assim, não deixa de amar nenhum de seus filhos.

“Hoje é dia de fazermos memória da vida de um Deus que passou fazendo o bem para a humanidade. E essa mesma humanidade não o acolheu, o desprezou, o chicoteou, o levou ao alto de um madeiro na Cruz, mas, mesmo assim, o Senhor olha para essa humanidade e entrega-se por amor. O amor de Cristo e sua presença jamais poderão ser arrancados e tirados da humanidade, pois se materializam através dos sacramentos. A morte de Jesus não foi em vão, não foi o fracasso do projeto de Deus, não é o fim do seu amor pela humanidade, muito pelo contrário, é a confirmação do quanto Ele ama cada um de nós. Precisamos, apenas, abrir o nosso coração e sermos acolhidos por esse amor que se entrega e se doa. O Cristo é o dom total de si mesmo e do amor do Pai para com toda a humanidade”, garantiu.

O Prior Provincial finalizou sua mensagem exortando todos os fiéis que, mesmo diante da pandemia do novo coronavírus (COVID-19), em que todos estão em isolamento social vivenciando uma verdadeira experiência do que é a ‘Igreja Doméstica’, é importante continuar renovando o amor por Cristo, buscando uma profunda mudança pessoal, pautada por esse amor de Jesus pela humanidade.

Terminada a homilia, o carmelita conduziu a Oração Universal, em que a Igreja, repetindo o gesto de Jesus, intercede por toda a humanidade, para que a redenção operada por Cristo alcance todas as pessoas, em todas as circunstâncias e em todos os tempos. Na sequência, Frei Adailson iniciou o rito de Apresentação e Adoração da Cruz. Neste dia em que não há apresentação nem consagração das oferendas ao Pai, os frades presentes comungaram do Corpo e do Sangue de Jesus nas hóstias que foram consagradas na noite da Quinta-Feira Santa, durante a Missa da Ceia do Senhor.

Com a conclusão da oração para depois da Comunhão, Frei Adailson pronunciou a Oração sobre o Povo, em que se pede ao Pai a bênção que comunica o perdão, o consolo, a fé verdadeira, para seja confirmada, sobre o povo, a redenção pelo Mistério Pascal de Cristo.

Foto: Frei Adailson dos Santos

 

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Você sabe o que é a Ascensão do Senhor? https://soucatequista.com.br/voce-sabe-o-que-e-a-ascensao-do-senhor/ https://soucatequista.com.br/voce-sabe-o-que-e-a-ascensao-do-senhor/#respond Fri, 31 May 2019 13:42:36 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=86277 Ascensão de Jesus aos céus marca o “término” da presença histórica de Cristo neste mundo e o início de um novo contexto para os primórdios da história da Igreja. Solenidade litúrgica presente em todas as Igrejas cristãs, ela é celebrada 40 dias depois da Ressurreição, embora grande parte das Igrejas locais a estabeleçam no primeiro domingo após esses 40 dias, para que mais fiéis possam participar da respectiva missa. É o caso do Brasil.

O que diz a Bíblia

“Depois de dizer isto, Jesus foi elevado, à vista deles, e uma nuvem o retirou aos seus olhos. Continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apresentaram-se a eles então dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: ‘Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que, do meio de vós, foi elevado ao céu, virá assim, do mesmo modo como o vistes partir para o céu’” (At 1, 9-11).

Sentido

Na Ascensão, que se emoldura dentro do Tempo Pascal, Jesus se despede apóstolos, mas apenas no sentido visível: embora eles agora estejam prontos para levar a Igreja adiante, o Senhor continua, invisível, a agir na Igreja. Além disso, esta “separação” é temporária, porque Jesus voltará.

Ao retornar ao Pai, Jesus encerra o ciclo da Sua existência humana, mas, ao mesmo tempo, supera a dicotomia entre os céus e a terra: Ele parte, mas, mais precisamente, nos precede no Paraíso, reiterando que o céu é o nosso destino a ser buscado. A natureza humana, encarnada pelo Verbo em toda a sua pobreza, é elevada aos céus por Ele e, assim, glorificada.

Fontes históricas

Os Evangelhos falam pouco da Ascensão: Mateus e João terminam suas narrações com a aparição de Jesus depois da Ressurreição; Marcos dedica-lhe a última frase do texto, enquanto que Lucas descreve muito mais, principalmente nos Atos dos Apóstolos. Nos Atos, Lucas detalha que 40 dias depois da Páscoa – um número muito simbólico em toda a Bíblia – Jesus conduz os apóstolos para Betânia e, ao chegar no Monte das Oliveiras, chamado por isso de Monte da Ascensão, os abençoa e lhes fala antes de subir ao céu. Neste discurso, Jesus confirma a promessa da vinda do Espírito, que não os deixará sós, e prefigura a Sua própria segunda vinda, no final dos tempos.

Origens da solenidade

A celebração da Ascensão já é testemunhada por Eusébio de Cesareia e pela peregrina Egéria nos primeiros tempos da Igreja. No início, era comemorada junto com a festa de Pentecostes, mas, entre os séculos V e VI, sabemos que ambas as celebrações já estavam separadas, pois existem homilias de São João Crisóstomo e de Santo Agostinho dedicadas especificamente à Ascensão.

“À direita do Pai”

Nos Evangelhos, há passagens em que Jesus prefigura o que acontecerá na Ascensão. Durante a Última Ceia, por exemplo, Ele anuncia: “Voltarei ao Pai”.

A expressão “à direita do Pai” indica o lugar de honra do Filho de Deus que, junto d’Ele, tem a glória eterna. Se Jesus não retornasse ao Pai, não haveria redenção para o homem: é voltando ao Pai que Ele completa a Sua Ressurreição e, em seguida, envia ao mundo o Espírito Santo Consolador.

Via Aleteia

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Jesus Cristo, luz dos povos! Vinde, adoremos! https://soucatequista.com.br/jesus-cristo-luz-dos-povos/ https://soucatequista.com.br/jesus-cristo-luz-dos-povos/#respond Sun, 06 Jan 2019 00:38:57 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=5955 Vivemos hoje a Solenidade da Epifania do Senhor que nos recorda que as pessoas e os povos descobrem em Jesus Cristo a luz.

Como discípulos de Cristo, somos chamados a ser luz para todos os que encontrarmos ao longo de nossa vida, através do nosso bom testemunho. Na Solenidade da Epifania do Senhor, trazemos o registro dos belíssimos momentos vividos nas comunidades carmelitanas durante a celebração do Natal.

Vivemos momentos de profunda experiência com o mistério da encarnação nas comunidades carmelitanas e é muito importante registrá-las. A experiência dos Magos, que hoje a liturgia nos apresenta, ensina-nos que em toda a cultura, em todo o homem, há esperanças profundas que necessitam de ser saciadas. Daqui a responsabilidade de ler os sinais de Deus presentes na história dos homens e em nossas comunidades.

Confira as fotos da celebração do Natal nas diversas comunidades carmelitanas:

 

 

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Jesus Cristo, Rei do Universo: um rei servidor https://soucatequista.com.br/jesus-cristo-rei-do-universo-um-rei-servidor/ https://soucatequista.com.br/jesus-cristo-rei-do-universo-um-rei-servidor/#respond Sun, 25 Nov 2018 09:29:03 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=5582 Jesus, nosso rei, rei diferente dos reis deste mundo: não rei dominador, mas rei servidor, que se faz o menor de todos.

“Sim, eu sou rei. Mas o meu reino não é deste mundo” (Jo19,36.37).

“Sim, eu sou rei!” (Jo 18,37).  Foi o que Jesus respondeu a Pilatos e esclareceu: “mas não como os reis deste mundo” (Jo 18,36). Jesus é rei, não rei dominador, mas rei servidor, que se faz o menor de todos: “O maior entre vocês seja como o mais novo; e quem governa, seja como aquele que serve” (Lc 22,26; Mt 23,11).

Jesus, o rei, iniciou sua pregação com estas palavras: “Esgotou-se o prazo. O Reino de Deus chegou! Mudem de vida! Acreditem nesta boa notícia!” (Mc 1,15). Anunciou a chegada do Reino. Através da sua maneira de viver e de ensinar, ele revelava o Reino presente na vida: “O Reino de Deus está no meio de vocês” (Lc 17,21).

Por meio das parábolas tirava o véu e apontava o sinais do Reino de Deus nas coisas mais comuns da vida: sal, semente, luz, caminho, festa trabalho, estrelas, sol lua, chuva. Jesus deixou o Reino entrar dentro dele mesmo. Deixou Deus reinar e tomar conta de tudo. “Eu só faço aquilo que o Pai me mostra que é para fazer” (cf. Jo 5,36; 8,28). Jesus era uma amostra do Reino.

Esta maneira tão simples de anunciar o Reino de Deus incomodou os grandes. Por isso, Jesus foi perseguido e condenado. O rei foi desautorizado pelos seus súditos como alguém que não vem de Deus (Jo 9,16), como um samaritano (Jo 8,48), que engana o povo (jo 11,12), como amigo dos pecadores (Lc 7,34), como louco (Mc 3,21; 8,48), como pecador (Jo 9,24), como possesso pelo demônio (Jo 7,20; 10,20), comilão e beberrão (Mt 11,19), que viola o sábado (Jo 5,18; 9,16).

Jesus recebeu o castigo dos criminosos e bandidos. E na cruz colocaram como título INRI: Jesus Nazarenos Rei dos Judeus. E assim morreu: ridicularizado pelos sacerdotes, pelo povo e pelo próprio ladrão ao lado dele. Cristo, nosso Rei. Graças a Deus!

Autor: Frei Carlos Mesters, O.Carm.

*Do Livro: Gente como nós – Os Santos e as santas da Bíblia para cada dia do ano.

De Frei Carlos Mesters e Francisco Orofino

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Jesus Cristo na vida e pensamento de Santa Teresa https://soucatequista.com.br/jesus-cristo-na-vida-e-pensamento-de-santa-teresa/ https://soucatequista.com.br/jesus-cristo-na-vida-e-pensamento-de-santa-teresa/#respond Mon, 22 Jan 2018 10:00:39 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=2459  

Teresa de Jesus (1515-1582) foi educada na fé da Igreja Católica. Muito depressa deu mostras de uma rara sensibilidade religiosa (Vida 1,5). Para ela, a princípio, a religião concentrava-se na figura de Deus, sem especificar muito (Vida 2,7). Depois surge a pessoa de Jesus como expressão do divino (Vida 3,1). Mais tarde Jesus a introduz no mistério trinitário (Contas de Consciência 14), e desde ali redescobre a Deus (Contas de Consciência 15), mas com mais profundidade, sem que nunca falte no horizonte da sua existência Jesus Cristo homem e Deus (Contas de Consciência 66,3), como centro de compreensão e de vivência de toda a realidade divina e humana.

O primeiro encontro com Jesus Cristo

A descoberta de Jesus, como Deus que saiu ao nosso encontro, coincide com o despertar da sua puberdade (Vida 3,6) e supõe para ela o começo de uma religiosidade adulta. Começa a entender toda a sua existência como relação – oração, assim o diz ela (Vida 4,7).

Teresa vê os seus primeiros anos como se fossem uma nova criação de Deus, onde tudo era bom (Vida 1), mas logo a seguir também ela foi apanhada pela tentação (Vida 2), e é então quando Jesus a começa a chamar (Vida 3,6).

Interrogando-se acerca do sentido da sua vida e contemplando a de Jesus, pensa que a melhor resposta ao seu amor é consagrar-se inteiramente a Ele, ainda que para isso tenha que usar de grande violência. Acerca disto escreve: “Recordo-me, e a meu parecer com toda a verdade, que quando saí de casa de meu pai [para fazer-se religiosa], foi tal a aflição, que não creio que será maior quando eu morrer” (Vida 4,1). E assim a sua primeira séria decisão é por Cristo, fazendo-se carmelita.

O Carmelo é uma Ordem contemplativa, e Teresa começa a viver a sua religiosidade como encontro com Jesus. Diz ela: “Procurava o mais que podia trazer a Jesus Cristo, nosso Bem e Senhor, presente dentro de mim, e esta era a minha maneira de oração: se pensava em algum passo [do evangelho], representava-o no interior” (Vida 4,7).

Para Teresa meditar é pensar em Jesus, amá-l’O e trazê-l’O consigo como se O tivesse dentro de si ou em frente. Pouco a pouco começa a estabelecer-se tal relação entre ambos, que Teresa entende como uma amizade muito profunda (Vida 8,5). A comunicação dá-se já não só na oração, estende-se à vida inteira. Orar para ela é algo muito precioso: “Tratar de amizade estando muitas vezes tratando a sós” (Vida 8,5). Ali se dá conta de que necessita do amigo, e Ele também dela. Desta forma tão simples os tesouros da fé fazem-se presentes na sua alma.

Vicissitudes no encontro com Cristo

E assim passou algum tempo, até que, por sentir-se imperfeita, começou a deixar esta particular amizade, julgando equivocadamente que era mais humildade (Vida7,1). Parecia-lhe que não era digna desse encontro tão belo. A relação arrefeceu um pouco e Teresa caiu nalgumas imperfeições. Intentou reconstruir a amizade, mas ao não conseguir despojar-se desses obstáculos, os encontros com o amigo resultavam um tormento. Sentia-se como mulher infiel ao esposo, ainda que as suas “ingratidões” fossem bem pequenas. Intentava ser fiel, fazia grandes esforços até que um dia se deu conta de que neste processo de reabilitação confiava demasiado em si mesma e não se punha totalmente nas mãos do seu Senhor (Vida 8,11-12).

E um dia, diante de uma imagem de Cristo, marcado pelas chagas dos açoites da paixão (Vida 9), deposita totalmente a sua confiança n’Ele, e sente que o Senhor a reabilita por dentro. A leitura das Confissões de Santo Agostinho foi marcante. E desde então começa a ser toda d’Ele. Cada vez que se põe a fazer oração, representando-se a Cristo, sente-se cheia de Deus. Esta percepção será o primeiro efeito da vinda de Jesus a ela (Vida 10,1). Ao refletir sobre isto, julgava que até este momento era ela quem buscava a Cristo, agora é Ele quem busca a Teresa (Vida 23,1ss).

Cristo conduz à conversão plena

Esta conversão – assim a chamam alguns – abre-a para um processo novo de fidelidade. Entretanto, sente a proteção do amigo Cristo, e como Ele suavemente a vai introduzindo na Sua Pessoa (Vida 24,1ss). Teresa vê que a presença de Deus a envolve como uma nuvem da qual não pode sair. Até que um dia rezando o “Veni, Creator”, percebe que uma força interior a arrebata por dentro e remove as seguranças do seu eu. Escuta estas palavras: “Já não quero que tenhas conversações com homens, senão com anjos” (Vida 24,5). É o Amado que a quer para Si. Entra nas profundidades da mística (Sextas Moradas). A partir daqui, já não se vai recriminar de nenhuma falta consciente.

Teresa e Cristo ressuscitado

Seguidamente começa a perceber que Alguém lhe fala (Vida 25,1). São palavras que ela chama interiores, porque não se ouvem com os ouvidos corporais, tocam na alma. Palavras cheias de força, de claridade, de afeto e de consolação. Ao principio não identificava a sua origem, mas depressa compreende que quem lhe fala é Cristo (Sextas Moradas 8,2). Antes era ela quem dirigia a Ele a sua palavra de súplica ou de afeto, agora é Ele, quem desde o mais íntimo dela, a chama pelo seu nome, e sai assim ao seu encontro. Teresa vai-se deixando modelar por esta palavra que coincide em tudo com as que nos transmitem os Evangelhos.

Depois destas percepções, quando levava nelas como uns dois anos, Jesus Cristo deixa-Se ver (Vida 27-29). Teresa contempla-O, mas também como antes, não é uma visão ocular, percebe-o com mais claridade desta maneira. Trata-se de visões também interiores. Sempre O vê ressuscitado, ainda que se mostre em alguns dos momentos da vida terrena (Vida 29,4). Estes fenômenos transfiguram o ser de Teresa; fazem-na perceber o sentido de Cristo; dá-se conta de que Ele é o centro e a origem da vida humana. Sem Ele nada tem sentido nem beleza, sem Ele tudo empalidece. Nestes encontros entende o mistério da fé cristã e descobre a verdade. As visões muitas vezes juntam-se com as palavras, e quem lhe fala é esse Cristo a quem agora também vê. Teresa sente-se mudada, está transformar-se noutra. Desde esta vertente, aqueles primeiros encontros, a que chamava oração, agora adquiriam o seu verdadeiro sentido. Mais ainda, as visões e as locuções crescem em intensidade. Sente-se transbordada (Vida 38,17-18).

Chegará a perceber que Cristo ressuscitado está como esculpido no seu próprio ser. A amizade com Ele envolve-a de tal maneira que não só o sente como relação – um Tu que a ama entranhadamente – mas também como quem por dentro a enche de vida, nela vive e a sustenta, é Alguém que enche todo o seu ser. É o que os místicos chamam transformação em Cristo, profundíssima amizade de dois que sentem o mesmo e se querem com tal intensidade que cada um vive mais no outro do que em si mesmo. Mas esta relação não é só psicológica, invade todo o seu ser. Ela escreve sobre isso: “De imediato se recolheu a minha alma, e pareceu-me ser toda ela como um claro espelho; não havia costas, nem lados, nem alto, nem baixo, que não fosse tudo claridade; e no centro dela se me representou Cristo Nosso Senhor, como O costumo ver. Parecia-me que em todas as partes da minha alma O via tão claramente como num espelho, e esse espelho, (não sei dizer como) também se esculpia todo no mesmo Senhor, por uma comunicação muito amorosa que eu não saberei explicar” (Vida 40,5).

Cristo conduz ao mistério trinitário

Jesus Cristo que é o Filho de Deus e seu Enviado, Palavra do Pai, feito homem em Maria pelo Espírito Santo, o Mediador do nosso encontro com o Pai, conduz Teresa ao mistério Trinitário. Com a luz do Ressuscitado entenderá o mistério e sentirá que as Pessoas Divinas habitam dentro da alma do ser humano que está em graça (Contas de Consciência 15; 36; 60). A experiência trinitária é muito intensa na vida de Teresa. Terá experiências de cada Pessoa, e perceberá também a sua unidade. A sua alegria é transbordante porque Jesus Cristo, o Amado, é amigo da alma, condu-la ao mais profundo da fé da Igreja (Contas de Consciência 55,3).

A nova vida

Tudo isto repercute na vida moral de Teresa, que se mostra cheia de Evangelho. As Bem-aventuranças (Caminho de Perfeição 2) e o Pai Nosso (Caminho de Perfeição 27-42) refletem-se com toda a claridade na sua pessoa. Ela gostava de dizer que as experiências religiosas se conhecem pelos seus efeitos (Sétimas Moradas3,1). Os de Teresa são as virtudes teologais, a confiança ilimitada no Pai, a humildade e a fortaleza, entre muitas outras. Sente também como o humano ressuscita numa personalidade nova, livre, gozosa, cheia de energia e de doçura, de luz e de paz. No livro de Moradas principal­mente pode comprovar-se o acabamos de dizer. Agora compreende de verdade o que significa ser cristã.

Sempre Jesus Cristo

Em tempos de Teresa havia certa polêmica acerca do sentido da Humanidade de Jesus no processo da oração (Vida 22,1; Sextas Moradas 7,5). Uma corrente espiritual pensava que na primeira parte deste processo, no chamado plano ascético, devia meditar-se sobre a vida e os mistérios do Senhor; mas na segunda, na mística, teria que deixar para trás o humano do Senhor e caminhar pela Sua Divindade. Teresa descobre que isto é inaceitável. A realidade inteira do Senhor deve acompanhar o cristão em todo este processo de subida. Em defesa da Humanidade de Cristo escreve dois capítulos memoráveis (Vida 22; 6Moradas 7), em que, com argumentos teológicos, bíblicos e desde o humanismo cristão, demonstra que desviar-se dessa consideração do Senhor vai em detrimento do mais profundo e belo da revelação cristã.

O tempo posterior deu razão a Santa Teresa que, com a sua vivência pessoal e com os seus ensinamentos acerca de Cristo, brindou à Igreja uma das espiritualidades mais nitidamente cristãs, onde o Cristo humano-divino preenche tudo. A sua mística não é algo acrescentado ao cristianismo, nem um balcão ou porta que se lhe brinda; é a sua essência, pois ela vincula a sua vivência à realidade de Cristo histórico-ressuscitado e vivido na comunidade. As suas experiências místicas aconteceram em momentos altos da liturgia (Contas de Consciência 25). Contribuiu de forma singular na Igreja para uma compreensão plena de Jesus, que termina em mística, mas que se enraíza nos Evangelhos e na comunidade que vive e celebra os mistérios.

Secundino Castro Sánchez

Fonte: site da Ordem do Carmo em Portugal

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Uma autêntica alegria e a dignidade dos lares… https://soucatequista.com.br/uma-autentica-alegria-e-a-dignidade-dos-lares-2/ https://soucatequista.com.br/uma-autentica-alegria-e-a-dignidade-dos-lares-2/#respond Sat, 30 Dec 2017 11:00:21 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=82008 As celebrações natalinas marcam profundamente a vida dos indivíduos e da sociedade, em grande parte do mundo em que vivemos. Fundamentalmente de caráter religioso, com frequência assumem características alheias aos valores cristãos. No paganismo decadente, na antiguidade, era a festa do deus sol: “Natalis (Solis) Invicti”. Em torno de 336, em Roma, os cristãos já celebravam o nascimento do outro Sol, o verdadeiro, Jesus Cristo.

Antes do final do século, há notícias, em muitos recantos da Terra, então conhecida, da alegria pelo nascimento de Jesus, afastando assim os cristãos dos festejos do paganismo. A verdade da fé em Deus que se fez homem assumindo nossa natureza humana, para nos salvar, teve, em São Leão Magno, um grande propulsor. Mais que a data histórica exata, louvavam a verdade de Jesus ter vindo ao mundo para salvá-lo, que consiste no verdadeiro fundamento dos festejos natalinos: a celebração do mistério da encarnação e suas circunstâncias narradas nos Livros Santos e Tradição.
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As celebrações litúrgicas do batismo de Jesus, da maternidade divina de Maria, do martírio dos Santos inocentes, e da Sagrada Família são decorrentes do fato histórico da vinda de Jesus, iniciando a promessa da redenção do gênero humano e realizado na crucificação e subseqüente Ressurreição.

Há, portanto, um duplo alicerce nas solenidades litúrgicas do nascimento de Jesus: o histórico e o teológico: a encarnação do Filho de Deus, o início da redenção, a Salvação dos homens anunciada pelos profetas, séculos antes e a descrição feita pelos evangelhos. São Leão Magno assim se refere a essa data: “a presente festividade, renova para nós, o sagrado nascimento de Jesus“, e em consequência, “nos afervora e nos ensina que o Natal do Senhor, quando o Verbo se fez carne não é apenas uma recordação do passado mas algo palpitante, vivo, no presente“.

O ambiente de alegria e as manifestações de júbilo são um válido e justo contentamento, que brota do fato em si mesmo. Começa realmente a salvação, a recuperação do gênero humano, pela encarnação do Filho de Deus que vem para nos salvar. As manifestações de alegria são absolutamente válidas e têm suas raízes na fé cristã. Ela não deve se confundir com os exageros e deturpações que empanam o que nasce da fé cristã e a esta se opõem.

Os homens que não vivem sua crença, assumem feições ridículas no aproveitamento dessa data sagrada para a exacerbação da vaidade, do egoísmo e do esbanjamento de recursos financeiros, como ofensa aos que passam necessidade. Dão demonstrações opostas ao que nasce da autêntica fé cristã. Refiro-me à transformação comercial da celebração religiosa, em contraste violento com a pobreza da gruta de Belém. Diz São Lucas (2,7): “envolveram-no com faixas reclinaram-no numa manjedoura porque não havia um lugar para ele na sala“. As primeiras testemunhas são simples pastores: “quando os anjos os deixaram, os pastores disseram entre si: “vamos já a Belém e vejamos o que aconteceu, o que o Senhor nos deu a conhecer”. Foram, então, às pressas e encontraram Maria, José e o Recém-nascido, deitado na manjedoura” (Lc 2,15-16).

Por outro lado, condiz, com o espírito do Natal do Senhor manifestar, dentro das possibilidades, a própria alegria pela data e fazê-la ser compartilhada por outros, oferecendo presentes e promovendo festividades. Essa celebração alegre é um valioso instrumento que nos faz crescer na verdadeira prática da fé cristã. Na mesma proporção, a profanação, pelo pecado, dessa data tão significativa, ofende a santidade que deve reinar nas comemorações pelo nascimento do nosso Salvador.

O Natal de Jesus nos faz também refletir sobre a importância da família, fator e sustentáculo da prática religiosa que brota do exemplo do Natal. Dificilmente encontraremos uma instituição que tenha se deteriorado tanto em nossos dias como a família. E, certamente, não há outra mais valiosa que ela, como construtora do bem-estar material e espiritual da sociedade. Nos últimos meses tem vindo a público uma série de fatos que colocam em perigo sua estabilidade. Ela é insubstituível e a ruína de tantos lares passa pela falência de valores morais que lhes servem de alicerce. As causas são conhecidas e têm uma raiz comum: o enfraquecimento da prática religiosa de seus integrantes. Trata-se da célula originária da vida social.

Pelo seu valor o Concílio Vaticano II (“Gaudium et Spes”,52) ensina que o poder civil considere como grave dever “reconhecer e proteger a verdadeira natureza do casamento e da família, defender a moralidade pública e favorecer a prosperidade dos lares“. Entretanto o que se observa nos últimos tempos é exatamente o oposto. Quem semeia ventos colhe tempestade, diz o refrão. O apoio à campanha contra a santidade dos lares vem da própria sociedade e de muitos dos seus integrantes.

A festividade natalina nos apresenta Jesus, Maria e José, a Sagrada Família. Esta é uma oportunidade para uma revisão de vida. Diante do presépio, meditemos sobre seu exemplo. Assim podemos haurir forças para fortalecer a instituição familiar. Isso supõe o restabelecimento dos valores morais, uma verdadeira preparação do matrimônio e firme reação à propaganda destruidora na mídia, que promove os aspectos negativos colocando, acima do bem-estar dos filhos, o egoísmo dos cônjuges.

Celebremos o nascimento de Jesus. Promovamos uma autêntica alegria e exaltemos a dignidade dos lares. Graças a Deus ainda há muitas famílias bem constituídas. Infelizmente, uma sociedade corrompida consegue silenciar a voz do bom exemplo daquelas que, mesmo com sacrifício, seguem os ensinamentos de Cristo. Sem dúvida, poderosa é a força que nasce da manjedoura, dos pais em torno do Filho, Jesus Cristo, que veio para nos salvar.

Por Dom Eugenio de Araújo Sales

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Ei, você está pronto para a volta de Jesus? https://soucatequista.com.br/ei-voce-esta-pronto-para-a-volta-de-jesus/ https://soucatequista.com.br/ei-voce-esta-pronto-para-a-volta-de-jesus/#respond Thu, 21 Dec 2017 15:00:15 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=81996 Se ele voltasse hoje o que você prestaria de contas a ele?

Os acontecimentos da vida, o nosso dia a dia e atitudes que nos leva sutilmente a nos desviar do caminho do céu são coisas que devemos estar vigilantes em nossa vida terrena, que é breve e fugaz, porém, suficiente proveitosa se bem vivida. Cuidar do corpo e mente que são templo do Espírito Santo, agirmos de acordo com sua vontade e estando atentos ao que Ele nos fala sutilmente. Sermos justos e corretos em nossa vida, sem vacilar, cuidar de nossa família que é o bem mais valioso (se família não fosse bom, Jesus não teria uma), e das pessoas que querem o nosso bem.

Essas são algumas coisas que devemos estar atentos, pois, assim como na parábola do ladrão, onde Jesus explica que o homem deve vigiar sua casa para que o ladrão não venha roubar, dessa maneira será a vinda do Filho do Homem.

Portanto irmãos, “orai e vigiai”. Temos que estar preparados para tudo a qualquer momento e usufruirmos da vida da melhor maneira possível, pois não sabemos a hora em que as intempéries da vida chegarão e não estando prontos sucumbiremos como um castelo de areia, ao menor vacilo, seremos golpeados de forma que será difícil a retomada.

E você irmão? Como está a sua vida? Como andam suas relações com seu próximo, com seus familiares, com Deus? Sua rotina tem te permitido estar na intimidade com o Espírito Santo? Suas atitudes são condizentes com o que Deus espera de você? Você tem protegido a sua casa para que o “ladrão” não entre?

Essa é uma reflexão que vale a pena ser feita e deve ser feita diariamente, pois nunca sabemos o que acontecerá no dia de amanhã. Não se sabe quanto tempo você terá com as pessoas que você admira e ama. Podemos perder muitas coisas de valor se deixarmos o “ladrão” entrar, e valor não são só os bens materiais (que não levaremos nada daqui), mas nossas conquistas como pessoa. Algumas perdas podem ser por fatores externos que fogem ao nosso controle, mas pode ser porque não vigiamos o suficiente. E isso se estende a relações familiares, a fazer o bem ao próximo, a sua vida profissional, a amizades, namoros, noivados, casamentos.

Muitos podem te aconselhar, falar sobre o que você deve fazer, mas só Deus pode dizer o que é melhor para você.

Retire-se por um instante, peça a Deus que te oriente, escute o que ele dirá, só Ele pode dizer o que você deve fazer e como fazer.

Não percamos a oportunidade de estarmos prontos para a vinda de Jesus!

Por Guilherme Abrahim

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A vinda do Senhor https://soucatequista.com.br/a-vinda-do-senhor/ https://soucatequista.com.br/a-vinda-do-senhor/#respond Wed, 29 Nov 2017 07:55:34 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=81712 Conforme a Palavra de Deus, a vinda de Jesus deve ser compreendida em duas dimensões, mas que fundamenta nossos conceitos de fé. A primeira, já prevista pelo Antigo Testamento, principalmente nas palavras do profeta Isaías, “de uma virgem nascerá o Emanuel” (cf. Is 7,14), acontece no dia do Natal. É a realização da encarnação do Verbo, Deus que se torna homem.

A segunda vinda do Senhor é anunciada como tempo de julgamento, quando os maus serão separados dos bons e serão destinados para a eternidade. Aí acontecerá a justiça divina, o “acerto de contas” com as pessoas, tendo como fonte os atos praticados na vida terrena. Para quem foi capaz de valorizar o processo do perdão e da reconciliação, certamente terá a misericórdia de Deus.

Em tempo de Advento, a meta é despertar nas pessoas atitudes de vigilância. A vida de fé é comprometedora, que exige ações concretas praticadas em benefício da coletividade. Nisso está o julgamento de Deus, como uma balança que mede o peso do que é feito, seja de bem ou de mal. Por isso, a vigilância é o equilíbrio de hoje no caminho para a hora da colheita, do julgamento final.

Advento é tempo forte de espera e de compromisso com a construção do Reino. Ele propõe superação das dificuldades e transformação dos corações endurecidos para acolher, na suavidade, Aquele que dá sentido para a vida. O nascimento de Jesus é a manifestação da bondade de Deus para com seu povo, oportunizando espaço de libertação e vida para quem Nele professa sua fé.

A vinda do Senhor teve como finalidade revelar a graça de Deus e de construir a paz entre as pessoas. Graça e paz são termos ricos de conteúdo, porque tocam de perto nos objetivos do Reino. Deus nos dá tudo de graça, mas quer que construamos a paz, para que reine o amor e a fraternidade. Não há paz verdadeira onde a graça de Deus não é percebida e nem valorizada.

Ser seguidor de Jesus Cristo é comprometer-se com Ele, com a vigilância e com o seu projeto de vida, confirmado pela dignidade e pela graça. É um enfrentamento com responsabilidade, sem pompa e sem glórias em relação ao mundo, mas desimpedido para receber a recompensa prometida pelo Senhor. É um processo de conversão, próprio para quem se prepara para o Natal.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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Você sabe qual é a importância da Liturgia? https://soucatequista.com.br/voce-sabe-qual-e-a-importancia-da-liturgia/ https://soucatequista.com.br/voce-sabe-qual-e-a-importancia-da-liturgia/#respond Fri, 22 Sep 2017 12:00:00 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=81038 Parece-me que, nem sempre, as celebrações da Igreja recebem a atenção que merecem. Isso se dá pelo fato de estabelecermos uma compreensão equivocada sobre seu lugar no edifício da vida cristã. Por essa razão, veio-me a pergunta – já feita e respondida pelo Concílio Vaticano II – sobre a finalidade da Liturgia. Muitas vezes tenho a impressão que a Liturgia é assumida como um “anexo” à vida do fiel – e não raro de seus pastores mais próximos: nós, os presbíteros. Mais que isso, uma espécie de “acréscimo” ao próprio Mistério Pascal. Essa percepção me é confirmada quando percebo, por exemplo, o descuido com o Ano Litúrgico no percurso pedagógico da vida cristã. Também quando se verifica um desequilíbrio enorme entre os tipos de celebração que uma comunidade possui em relação à riqueza de possibilidades ofertada pela Igreja: em muitos lugares, só se tem missa e mais missas. Outras expressões da fé e da vida cristã permanecem intocadas, uma vez que as formas rituais para as abraçar não são levadas em consideração. Também – antes que me esqueça – ao verificar uma comunidade cristã sem uma equipe que se reúna para rezar, preparar-se e preparar suas celebrações periodicamente – sobretudo a liturgia dominical – fica mais patente ainda o desdém.

Chego à conclusão que este contexto tem a ver com a falta de clareza daquilo que concerne à Liturgia da Igreja. Com o intuito de oferecer uma reflexão que responda ao menos satisfatoriamente à indagação sobre a finalidade da Liturgia, proponho começar com uma afirmação tirada da ortodoxia católica. O Catecismo da Igreja Católica, ao apresentar de modo sistemático a doutrina da fé, aborda “A celebração do Mistério cristão” na segunda parte. A primeira questão com a qual nos deparamos é “Por que a Liturgia”. A resposta oferecida pelo magistério toma por referência o texto da Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium. Dela, cita os números dois e cinco para dizer que, ao celebrar, a Igreja experimenta e exprime a obra de Cristo. Um pouco mais à frente, fornece um breve estudo etimológico da palavra liturgia, afirmando que “na tradição cristã, ela quer significar que o Povo de Deus toma parte na “obra de Deus”. O número seguinte deixa evidente que esta obra não diz respeito apenas à celebração do culto divino, mas também ao anúncio do Evangelho e os atos de caridade. Sobre esta acepção cita respectivamente, dentre outros textos sugeridos, Fl 2, 17 – “serviço da fé” (leitourgía tês písteuos) – e 2Cor 9,12 – “serviço desta coleta” (diakonia tês leitourgías). O primeiro texto se refere ao anúncio da obra de Cristo como narração existencial do evangelho pois “é Deus quem opera” quando sua vontade é conhecida, acolhida e respeitada. O trecho da segunda Carta aos Coríntios trata da generosidade dos fieis chamados a contribuir para o sustento da comunidade. Nos dois casos, a palavra “liturgia” (leitourgía) é empregada em referência às obras da comunidade cristã (evangelização e caridade) como desdobramento ou prolongamento da obra de Cristo.

Partindo destas memórias dos textos escriturísticos, passemos à era patrística. A Liturgia, na antiguidade cristã, era concebida sobretudo como culto espiritual. Em linhas gerais significa “sentir-se chamados a ser eles mesmos (os cristãos) proclamação de louvor do amor de Deus, que desde a eternidade os escolhera para a santidade em Cristo.” Sem negar a importância da prática ritual e sua exterioridade, o acento está na dimensão interior da celebração do Mistério Pascal de Cristo. A Epístola de Barnabé se pronuncia claramente a este respeito: “Deus revogo os antigos sacrifícios, para que a nova lei de nosso Senhor Jesus Cristo, que não está submetida ao jugo da fatalidade, tivesse uma oblação que não é feita pela mãos dos homens. Por isso lhe diz noutro lugar: ‘Porventura ordenei Eu aos vossos pais, quando saíram da terra do Egito, que Me oferecessem holocaustos e sacrifícios?’ Esta foi a ordem que lhe dei: ‘Nenhum de vós guarde rancor em seu coração contra o seu próximo; e não ameis o falso juramento.’”

Como se pode ver, as celebrações litúrgicas são compreendidas a partir de sua dinâmica teologal, como Opus Dei acontecendo mediante os ritos da Igreja. E a obra máxima de Deus é seu amor derramado em nossos corações pelo Espírito de Cristo. Em seu “O mistério do culto no cristianismo”, Odo Casel afirma categoricamente: “Por sua divina paixão, o Cristo tornou-se Pneuma, isto é, sua própria humanidade foi transfigurada por sua divindade. Ele tornou-se o Senhor, o Kyrios glorificado e celeste, o Soberano Sacerdote, o dispensador do Espírito e, assim, a Cabeça de sua Igreja (…). Este itinerário de Salvação nós também devemos seguir, mas em Cristo. (…) Devemos tomar parte na obra redentora de Cristo de maneira viva e ativa, parte que será passiva naquilo que o Senhor age em nós, mas também realmente ativa quando a ela nos associamos por uma ação.” Estas ações, nas quais tomamos parte e que são, simbolicamente, itinerário para participarmos da obra de Deus são os ritos litúrgicos.

Piero Marini escreve que “só se pode fazer experiência do Mistério mediante o rito”. Essa chave de interpretação oferecida por Marini não é exclusiva, pois a experiência do Deus de Jesus se faz também e sobretudo na existência cristã. Mas a vida cristã é prolongamento e desdobramento do culto. O rito, assumido não apenas como estrutura antropológica, mas como linguagem do Mistério, ancorado no evento da encarnação, é responsável por qualificar a experiência religiosa transfigurando-a em participação no Reinado de Deus, em um fato de comunhão. Dom Marmion dizia que “a comunhão nos dá em substância todo os estados da vida de Jesus, com suas propriedades, seu espírito peculiar, seus méritos, suas virtudes. Por detrás desta diversidade de estados e de mistérios, se perpetua a pessoa mesma que os viveu e atualmente vive para sempre no céu.” São Leão Magno, no século V, falava algo parecido: o que antes era encontrado em nosso Salvador, o experimentamos agora ao celebrarmos (em seus mistérios). Assim, a ritualidade oferece à vida uma espécie de qualidade sacramental e mistérica, pela qual a existência cristã se torna símbolo da vida de Cristo e ao mesmo tempo oportunidade permanente de introdução no Reino de Deus mediante a essa mesma presença do Cristo em nós.

Por Pe. Márcio Pimentel é especialista em Liturgia pela PUC-SP e mestrando em Teologia na Faculdade Jesuíta de Teologia e Filosofia (Faje / Capes)

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