Julio De la Vega Hazas – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Wed, 09 Jul 2014 17:00:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Julio De la Vega Hazas – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 Por que batizar o bebê e não esperar que ele(a) escolha quando for maior? https://soucatequista.com.br/por-que-batizar-o-bebe-e-nao-esperar-que-elea-escolha-quando-for-maior/ https://soucatequista.com.br/por-que-batizar-o-bebe-e-nao-esperar-que-elea-escolha-quando-for-maior/#respond Wed, 09 Jul 2014 17:00:54 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=43370 topic (1)Por que é melhor para batizar uma criança ainda bebê? Não é melhor que ela mesma “escolha” quando crescer? (Pergunta via FB)

A questão é importante, porque se trata de uma crítica que é bastante difundida. A resposta aborda dois aspectos, um antropológico, ou seja, sobre quem e como é o ser humano; e outro especificamente cristão.

Sobre o primeiro, hoje em dia é comum encontrar uma visão fortemente individualista do homem, cujo ideal é o homem autônomo, que faz e decide tudo sozinho. Isso tem consequências na educação, pois se busca não incutir uma moral, e nem mesmo o sentido das coisas. O construtivismo, como é chamada essa tendência na educação, pretende limitar-se a fornecer informações para que a criança dê um sentido próprio ao que vê, e vá selecionando as suas próprias convicções, inclusive éticas. Cada um faria o seu próprio sistema de valores. Pode parecer uma teoria atraente, mas na realidade é insustentável. Os seres humanos precisam aprender, e não apenas uma informação “bruta”, mas o sentido que as coisas têm. E precisam aprender a se comportar, não apenas na teoria. Portanto, precisam ser educados. Pela própria natureza, os primeiros e principais responsáveis pela educação são os pais. E nenhum pai vai até a criança e lhe diz para parar de responder “obrigado” quando lhe dão algo, argumentando que a gratidão é um valor ético que ela deverá escolher para si quando for mais velha.

Não se espera que se torne adulto para incutir essas virtudes, simplesmente porque não se pode esperar. Seguindo o exemplo anterior, se você esperar, quando essa criança for mais velha, verá que ela já se tornou uma ingrata difícil de mudar. O exemplo foi colocado de propósito, porque é isso que muitas vezes experimentam os pais que, por qualquer razão, abdicaram de educar os seus filhos: o filho não mostra a menor gratidão a seus pais por terem lhe dado a vida nem por e todos os esforços e sacrifícios que fizeram por ele. Não há, neste caso, possível neutralidade, também não há no que se aprende: ou Hitler foi um fenômeno que não desejamos, ou as suas ideias são só mais uma opção possível.

A fé católica tem algo importante para contribuir nessas considerações. A verdade é que todos nós sabemos que fazer o bem requer esforço, enquanto que para fazer o mal basta se deixar levar. O homem não é nem anjo, nem demônio, isso está claro. Mas, em sua humanidade, tem uma certa deterioração, sem for impedido de fazer o bem, muitas vezes se inclina para o mal. Isso é fácil de ver, mas não de explicar. A explicação dada pela fé é chamada de pecado original. Não é um pecado no sentido usual da palavra, mas as consequências negativas da rejeição hereditária que o homem fez a Deus no início de sua existência (usando termos modernos, esse pecado consistiu em querer total autonomia de Deus).

A primeira razão para batizar uma criança é que o Batismo suprime o pecado original. É verdade que não acaba com todas as suas consequências, pois essa tendência para o mal persiste, mas o Batismo as amortece e, abrindo a porta para a graça divina, faz com que seja possível ter alguns meios eficazes para superá-lo.

Quando se fala de adiar o Batismo até uma idade em que a criança possa escolher, estamos implicitamente incluindo a recusa de educar na fé, que é algo que se exige dos pais como requisito indispensável. E já se mencionou aqui que a neutralidade é utópica. Se os pais abrem mão de transmitir aos filhos as suas convicções, acabam descobrindo que outros com menos escrupulosos fizeram isso no seu lugar. Ninguém está em uma posição neutra, livre de influências, e também as crianças precisam de modelos humanos para seguir. Se elas não encontrarem em casa, vão olhar para fora. Com essa atitude, o que os pais têm feito é deixar a criança vulnerável a qualquer grupo ou ideologia religiosa, alguns dos quais não são nada recomendados, por sinal.

Qualquer pai e mãe não desnaturados buscam o melhor para seus filhos. O Batismo faz da pessoa que o recebe um filho de Deus e dá a graça – exceto perante a rejeição voluntária –, que leva para o céu. Para alguém com uma fé genuína, você não pode encontrar algo melhor para dar à criança. Quando isso não for feito, os pais teriam que ver se sua fé é realmente uma convicção, ou apenas uma mera opinião, com pouco impacto em sua vida. Eles também devem ver se sabem o que significa o Batismo, que é algo que vai muito além de uma cerimônia de iniciação na Igreja.

Quase tudo discutido aqui pode ser encontrado resumido no número 1.250 do Catecismo da Igreja Católica, que se expressa nos seguintes termos: “nascidas com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, as crianças também têm necessidade do novo nascimento no Batismo para serem libertas do poder das trevas e transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus, a que todos os homens são chamados. A pura gratuidade da graça da salvação é particularmente manifesta no Batismo das crianças. Por isso, a Igreja e os pais privariam, a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o Batismo pouco depois do seu nascimento”.

Mas a fé não deve ser acolhida livremente? Sim, claro, mas um simples olhar para a realidade indica que o Batismo não impede isso: a pessoa continua sendo livre para aceitar ou rejeitar a fé. O Catecismo menciona a liberdade dos filhos de Deus, o que a este propósito significa que o Batismo proporciona uma ajuda sobrenatural para que as decisões estejam menos influenciadas pelas consequências do pecado original – essa tendência a nos deixarmos levar pelo que não é bom – com a qual todos viemos ao mundo.

Por Julio De La Vega Hazas via Aleteia

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Os cristãos acreditam em vida extraterrestre? https://soucatequista.com.br/os-cristaos-acreditam-em-vida-extraterrestre/ https://soucatequista.com.br/os-cristaos-acreditam-em-vida-extraterrestre/#respond Wed, 14 May 2014 12:35:53 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=41897 topicEm uma das suas homilias desta semana, o Papa Francisco perguntou o que aconteceria se os extraterrestres viessem ao nosso planeta, se seria preciso evangelizá-los também.

“Se amanhã chegasse uma expedição de marcianos, por exemplo, e alguns deles viessem a nós… Marcianos! Verdes, com nariz grande e orelhas pontudas, como as crianças os imaginam… E se um deles dissesse: ‘Quero me batizar’. O que aconteceria?”, perguntou.

Aproveitando o bom humor e a linguagem simples do Papa Francisco, podemos refletir: será que a Igreja já se pronunciou sobre a possível existência da vida extraterrestre?

Antes de abordar o núcleo da questão, é preciso fazer duas observações. A primeira é que esta questão pode ser tratada pela teologia (levando em consideração os conhecimentos da ciência), mas não pelo Magistério da Igreja. Se alguém procurar algum pronunciamento da Igreja sobre o tema, verá que não há nada.

A segunda observação é que a verdadeira questão não diz respeito à possível vida extraterrestre em geral, mas somente à possível vida inteligente. A existência de vida extraterrestre não inteligente, seja elementar ou complexa (uma bactéria, uma planta ou um animal) não tem relevância teológica alguma. É um assunto que compete exclusivamente à ciência, sem que apresente problema doutrinal algum.

Diferente é o caso de seres inteligentes alienígenas. De fato, alguns acham que sua descoberta acabaria com os fundamentos da fé cristã – baseando-se em uma interpretação literal dos primeiros capítulos do Gênesis, própria dos evangélicos protestantes, não dos católicos. Mas há certas dificuldades.

Do ponto de vista do que poderíamos chamar de “teologia da criação”, não há inconvenientes em ceder espaço a outros seres inteligentes. O universo é muito grande e Deus pode criá-los. O fato de que o homem apareça como rei da criação não tem maior alcance que seu próprio âmbito, até onde ele pode chegar. A Bíblia fala deste mundo, e não diz nada sobre outros possíveis mundos habitáveis ou habitados.

As dificuldades vêm da chamada “teologia da redenção”. Nela, vemos o que parece ser uma relação, já não privilegiada, mas exclusiva de Deus com o homem. A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade se encarnou, fez-se Homem, e este Homem está à direita do Pai, como juiz e rei universal.

Jesus pode ter feito o mesmo com outra espécie de seres inteligentes? Estritamente impossível não é, mas parece bastante improvável. No entanto, também é verdade que Ele pode ter escolhido outro caminho de salvação para eles.

Contudo, neste contexto, o aparecimento de outros tipos de seres inteligentes não parece encaixar bem, razão pela qual o mais razoável, sem descartar a possibilidade contrária, parece ser um pouco céticos sobre sua existência.

Poderíamos pensar que esta postura vai contra a ciência, mas não é verdade. Em nome da ciência, surgem muitas expectativas, de forma que parece estar cada vez mais próxima a descoberta de alienígenas, mas o fato é que até hoje não se descobriu nenhum indício de sua existência.

Além disso, o que a ciência mostra é que, conforme se conhece melhor a realidade extraterrestre, cada vez é preciso buscar mais longe. Há poucos anos, as expectativas se focavam em Marte (ainda hoje falamos de “marcianos” para nos referirmos aos extraterrestres), mas hoje já se descarta o sistema solar como habitat de alienígenas.

Conforme o conhecimento científico vai avançando, dentro de pouco parece que descartaremos uma distância menor que 10 anos-luz. E isso é muito longe (o Sol está a uns 7 minutos-luz). Por isso, o que a ciência realmente está fazendo parece ser acabar com as expectativas, ao invés de gerá-las.

Por Julio De la Vega Hazas via Aleteia

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