Mãe de Deus – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Thu, 02 Jan 2020 00:43:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Mãe de Deus – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 “No seio de uma mulher, Deus e a humanidade se uniram e nunca mais se deixaram” https://soucatequista.com.br/8256-2/ https://soucatequista.com.br/8256-2/#respond Thu, 02 Jan 2020 00:43:25 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=8256 “Não compreenderemos a Igreja, se olharmos para ela a partir das estruturas, programas e tendências: entenderemos qualquer coisa dela, mas não o coração. Porque a Igreja tem um coração de mãe. E nós, filhos, invocamos hoje a Mãe de Deus, que nos reúne como povo crente. Ó Mãe, gerai em nós a esperança, trazei-nos a unidade. Mulher da salvação, confiamo-Vos este ano, guardai-o no vosso coração. Nós Vos aclamamos: Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus!” – Papa Francisco

O Santo Padre começou este novo ano de 2020 presidindo, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, dia 1º de janeiro, a celebração Eucarística pela Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.

O Papa começou a sua homilia com a citação bíblica: “Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher”. E explicou:

“Nasceu de uma mulher: assim veio Jesus! Não veio ao mundo como adulto, mas, como diz o Evangelho, “concebido no seio materno”. Assim, ele assumiu a nossa humanidade. No seio de uma mulher, Deus e a humanidade se uniram e nunca mais se deixaram. Agora, no Céu, Jesus vive na carne que recebeu no seio de sua Mãe”.

Desta forma, acrescentou Francisco, no primeiro dia do ano novo, celebramos a união entre Deus e o homem, que se deu no seio de uma mulher. A nossa humanidade estará para sempre em Deus e Maria será para sempre a Mãe de Deus: mulher e mãe”. E falando sobre Maria, o Papa disse:

“Por meio desta mulher, surgiu a salvação. Logo, não há salvação sem ela. Através de Maria, mulher e mãe, Deus se uniu a nós, homens e mulheres. Por isso, começamos o ano sob o signo de Nossa Senhora, mulher que teceu a humanidade de Deus. Se também nós quisermos dar humanidade aos nossos dias, devemos recomeçar da mulher”.

Logo, disse Francisco, “o renascimento da humanidade começou de uma mulher. As mulheres são fontes de vida! Não obstante, são continuamente espezinhadas, espancadas, violentadas, obrigadas à prostituição e a privar a vida que trazem no seio. E acrescentou:

“Toda a violência infligida à mulher é uma profanação de Deus, nascido de mulher. A salvação da humanidade veio do corpo de uma mulher. O nível da nossa humanidade mede-se pelo modo com que tratamos o corpo de uma mulher”.

E Francisco refletiu: “Quantas vezes o corpo da mulher é sacrificado pelas propagandas profanas, pelo lucro, pela pornografia. As mulheres devem ser libertadas do consumismo, devem ser respeitadas e honradas. A sua carne é a mais nobre do mundo, pois uma mulher deu à luz o Amor, que nos salvou! E o Papa disse:

“Ainda hoje, a maternidade é humilhada, porque o único crescimento que interessa é o econômico. Quantas mães, na busca desesperada de dar um futuro melhor ao fruto do seu seio, arriscam suas vidas em viagens impossíveis e acabam julgadas por um grande número de pessoas fartas, mas de coração sem amor”.

Segundo a narração bíblica, no ápice da criação destaca-se a mulher, quase como compêndio de toda a obra criada por Deus. Ela encerra em si a finalidade da criação: a geração e a conservação da vida, a comunhão e a solicitude. É o que fez Nossa Senhora, que conservou tudo em seu coração”, como recordou o Papa:

“Ela conservava tudo: a alegria pelo nascimento de Jesus; a tristeza pela hospitalidade negada em Belém; o amor de José e a admiração dos pastores; as promessas e as incertezas sobre o futuro do seu filho. Mas, em seu coração, encarava e aceitava tudo, inclusive as adversidades, com amor e confiança em Deus”.

Por isso, no início deste Ano Novo, Francisco, convidou os fiéis a pedirem a graça de acolher e cuidar dos outros, se quisermos um mundo melhor, que seja casa de paz e não palco de guerra, que respeite a dignidade de cada mulher. Da mulher, nasceu o Príncipe da Paz. Uma conquista em prol da mulher é uma conquista em prol de toda a humanidade.

Neste sentido, o Papa disse que também a Igreja, como Maria, é mulher e mãe e se sente chamada a anunciar o nascimento do Senhor e a gerá-lo em nossas vidas. E concluiu:

“Aproximando-se de Maria, a Igreja reencontra o seu centro e a sua unidade. Ao contrário, o inimigo da natureza humana, o demônio, busca dividi-la, dando ênfase às diferenças, ideologias, pensamentos unilaterais e partidos. Jamais poderemos compreender a Igreja, se a olharmos só a partir das estruturas, programas e tendências e não do coração. A Igreja tem coração de mãe”.

O Santo Padre concluiu a sua homilia, na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, pedindo-lhe a unidade e a esperança. Sob seu manto materno confiou este ano novo de 2020, que está iniciando!

Fonte: Vatican News – Manoel Tavares – Cidade do Vaticano

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Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores https://soucatequista.com.br/santa-maria-mae-de-deus-rogai-por-nos-pecadores/ https://soucatequista.com.br/santa-maria-mae-de-deus-rogai-por-nos-pecadores/#respond Tue, 02 May 2017 17:00:04 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=78333 A belíssima tradição que consagra a Nossa Senhora o mês de maio ilumina a devoção popular e põe em nosso coração e em nossa boca a oração: “Ave, Maria, cheia de graça!” Alegra-te, cheia de graça! (Cf. Lc 1, 28). A alegria desceu do Céu e entrou em tua casa, tu que és causa de nossa alegria! Nós te saudamos, Virgem Maria, porque és o vaso precioso escolhido por Deus, para que a graça manifestasse toda a sua força, quando o Filho Eterno do Pai se encarnou em teu seio puríssimo. Obrigado porque teu exemplo provoca em nós o abandono de todo o rastro deixado pelo pecado em nossas intenções e desejos. Cheia de graça, intercede junto de Deus por nós, para que exista em nosso coração o horror ao pecado e à maldade. Faze-nos apaixonados pelo bem e pela virtude!

salve-maria

O Senhor está contigo

Ressoe em teu coração, para que digas “e com teu espírito”, a saudação do Anjo. A força de Deus, Gabriel, manifestou-se a ti, no silêncio potente da Casa de Nazaré. De fato, Deus não é rumoroso, age na serenidade e na calma. De fato, “na serenidade está a salvação, na calma e na confiança, está a nossa força” (Cf. Is 30, 15). No meio do reboliço de nossa vida tão agitada, queremos estar contigo. Acolhe-nos, Mãe querida, em teu regaço de amor, que recebe a Palavra Eterna do Pai, que quer fazer-se carne em teu ventre, para a salvação do mundo.

Bendita és tu entre as mulheres

Nosso mundo clama por mulheres benditas! Benditas na escolha que Deus fez delas, para serem sinal da ternura, tão esquecida em nosso tempo. Bendita, Maria, porque trazes em ti e contigo todas as grandes figuras do Antigo Testamento e estás na frente de uma imensa multidão, mulheres santas, mártires, viúvas, virgens, mulheres preservadas da maldade e outras muitas convertidas admiravelmente. Bendita és tu por seres feminina sem ser partidária de qualquer grupo ideológico! Tu és simplesmente Maria! Maria bendita, bem-aventurada, feliz! Com todas as gerações de cristãos, também nós te proclamamos bendita!

Bendito é o fruto do teu ventre!

Tu que és mãe abençoada nos conduzes ao teu Filho Jesus. Bendita a maternidade do corpo e a maternidade espiritual, com a qual te enriqueceste e nos envolves a todos, para experimentarmos a alegria de sermos também teus filhos, como teu Filho Amado assim desejou, do alto do trono da Cruz. Tu nos recebeste com amor: “Mulher, eis o teu filho!” Depois…: “Eis a tua mãe!” (Cf. Jo 19, 27). A partir daquela hora, todos os discípulos de teu Filho te acolhemos naquilo que é nosso, e nos alegramos porque disseste corajosamente teu segundo sim, aos pés da Cruz, quando as dores do Crucificado partejaram a Igreja, da qual te fizeste mãe e mestra. Desde a Anunciação, tu nos fazes encontrar Jesus. Por isso este nome bendito se torna a palavra mais forte que pronunciamos, levados pelo Anjo e por Isabel, a dizer “Jesus”, pois fora dele não há salvação!

Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar?

Infinito abismo e infinita proximidade! O Filho eterno chegou à casa de Isabel e Zacarias. na mais bela de todas as procissões, iniciada em Nazaré para chegar às alturas das montanhas de Judá! Queremos estar perto de ti e te agradecemos! Mais do Isabel, sabemos ser indignos de receber a Mãe do nosso Senhor e aquele que ela traz em seu ventre. No entanto, sabemos ser altamente consolador estar aqui em tua presença, ó Mãe do Senhor “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores”! Fazemos pública a nossa confissão, Mãe admirável e amável. A ti suspiramos, gemendo e chorando, pois muitas vezes são mesmo de lágrimas os vales da vida que percorremos. Queremos trazer ao teu colo de amor todas as necessidades de nosso tempo. Cuida das mães, seja qual for a situação em que se encontrem, Pede ao Senhor por elas, para que se alegrem na geração e da educação de seus filhos. Confia-lhes, Mãe da Igreja, muitas responsabilidades na Igreja doméstica que é o lar. Que por tua intercessão e oração fervorosa, elas sejam mulheres alegres e não abatidas, mães felizes com os filhos, “quais rebentos de oliveira” (Cf. Sl 127)

Agora e na hora de nossa morte

Maria, Mãe de Deus, a oração da Igreja, que ecoa as palavras da Escritura tomadas na primeira parte da oração, falam de tua missão. Sabemos que estarás sempre perto, que não te escandalizas por sermos pecadores. Antes, sabemos que tuas mãos de Mãe da Misericórdia nos acompanham hoje e nos conduzirão, temos certeza, à casa do Pai. Não precisamos de mais nada, pois isso nos basta para percorrermos juntos as casas de nossos irmãos e irmãs, tantas vezes machucados na alma pelas enfermidades e fraquezas! Conduze-nos todos a teu Filho Jesus!

E vai à Sagrada Família, Jesus, Maria e José, a súplica a ser rezada em família neste domingo dedicado às mães: “Jesus, Maria e José, em vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor, confiantes, a Vós nos consagramos. Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, autênticas escolas do Evangelho e pequenas igrejas domésticas. Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais haja nas famílias episódios de violência, de fechamento e divisão; e quem tiver sido ferido ou escandalizado seja rapidamente consolado e curado. Sagrada Família de Nazaré, fazei que todos nos tornemos conscientes do caráter sagrado e inviolável da família, da sua beleza no projeto de Deus. Jesus, Maria e José, ouvi-nos e acolhei a nossa súplica. Amém”. (Papa Francisco, Exortação Apostólica Amoris Laetitia)

Por Canção Nova

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Solenidade da Anunciação do Senhor – 25 de março https://soucatequista.com.br/solenidade-da-anunciacao-do-senhor-25-de-marco/ https://soucatequista.com.br/solenidade-da-anunciacao-do-senhor-25-de-marco/#respond Sat, 25 Mar 2017 13:00:46 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=78475 Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo”… (Lc 1,31)
Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a Vossa vontade.” (Lc 1, 38)

A Solenidade da Anunciação do Senhor é uma das mais belas festividades Marianas. Com o anúncio da Encarnação do Filho de Deus à Virgem Maria, Deus entra em nosso mundo fazendo-se humano como nós. Assim, a entrada do Verbo Divino (Nosso Senhor Jesus Cristo) em nosso meio eleva a natureza humana a um grau de santidade jamais imaginado por alguém. Pelo “sim” de Maria manifesta-se a maior expressão do amor de DEUS por toda a humanidade.

Maria, o primeiro sacrário vivo da Eucaristia, recebeu dos cristãos o título de Nossa Senhora da Anunciação. Virgem Maria foi contemplada no Mistério da Encarnação como a escolhida para ser a Mãe de Deus. Diante do anúncio do anjo Gabriel, Ela se submete num ato de fé e de humildade. Aceitando a sua parte na missão salvífica, Maria Santíssima demonstra sua confiança no Senhor Deus fazendo-se Instrumento Divino nos acontecimentos que hão de vir. Pelo seu consentimento, Maria aceitou a dignidade e a honra da Maternidade Divina, mas também, os sofrimentos e os sacrifícios que a ela estavam ligados.

Cabe ressaltar, na Anunciação, duas características da Virgem Maria que foram determinantes para a Encarnação do Verbo e para a Salvação da humanidade: sua fé e sua disponibilidade.

Por causa de sua fé, Maria, mesmo sem saber como acontecerão os fatos a partir daquele instante, aceita fazer a vontade de DEUS, incondicionalmente. Como serva não tem mais direitos, por essa razão, se coloca numa atitude de total disponibilidade ao Seu Senhor.

Maria Santíssima compreendia a grandeza de Deus e o nosso “nada”. Devido à sua humildade, assustou-se ao ouvir os louvores do Anjo: “Ave, cheia de graça.

São Tomás de Vilanova (1488-1555) exclama: “Ó poderosa, ó eficaz, ó augustíssima palavra! Com um “Fiat” (faça-se) Deus criou a luz, o céu, a terra, mas com este “Fiat” de Maria um Deus se tornou homem como nós”.

Pela ação do Espírito Santo, formou-se, no seio da Virgem Imaculada, o corpo do Filho de DEUS. Essa foi a maior de todas as maravilhas: na Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo (verdadeiro Deus e verdadeiro Homem), se unem as naturezas divina e humana.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica:
484. A Anunciação a Maria inaugura a «plenitude dos tempos» (Gl 4, 4), isto é, o cumprimento das promessas e dos preparativos. Maria é convidada a conceber Aquele em quem habitará «corporalmente toda a plenitude da Divindade» (Cl 2, 9). A resposta divina ao seu «como será isto, se Eu não conheço homem?» (Lc 1, 34) é dada pelo poder do Espírito: «O Espírito Santo virá sobre ti» (Lc 1, 35).

508. Na descendência de Eva, Deus escolheu a Virgem Maria para ser a Mãe do seu Filho. «Cheia de graça», ela é «o mais excelso fruto da Redenção» (182). Desde o primeiro instante da sua conceição, ela foi totalmente preservada imune da mancha do pecado original, e permaneceu pura de todo o pecado pessoal ao longo da vida.

509. Maria é verdadeiramente «Mãe de Deus», pois é a Mãe do Filho eterno de Deus feito homem que, Ele próprio, é Deus.

De acordo com os Santos:
São João Paulo II: “No momento da Anunciação, respondendo com o seu «fiat», Maria concebeu um homem que era Filho de Deus, consubstancial ao Pai. Portanto, é verdadeiramente a Mãe de Deus, uma vez que a maternidade diz respeito à pessoa inteira, e não apenas ao corpo, nem tampouco apenas à ‘natureza’ humana. Deste modo o nome ‘Theotókos’ — Mãe de Deus — tornou-se o nome próprio da união com Deus, concedido à Virgem Maria.”

Santo Agostinho: “Maria é Mãe de Deus, feita pela mão de Deus”.

São Jerônimo: “Maria é verdadeiramente Mãe de Deus”.

São Tiago: “Maria é Santíssima, a Imaculada, a gloriosíssima Mãe de Deus.”

A Virgem Maria, a mais humilde e gloriosa de todas as criaturas de Deus, por meio do seu “sim” tornou-se Co-Redentora da humanidade.

Por meio da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, no sei da Virgem Maria, a proclamamos Mãe de Deus. Então, afirmamos que o Reino de Deus já está no meio de nós, pois o dogma da maternidade divina assevera que o próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo, entrou na história humana.

Peçamos a Nossa Senhora, Mãe de DEUS e nossa Mãe, a graça da fé e da disponibilidade para as coisas de DEUS.

Rita de Sá Freire
Associada da Academia Maria de Aparecida
www.nospassosdemaria.com.br

Fontes Consultadas:
Biblia Católica Ave Maria – Edição PastoralCarta encíclica Redemptoris Mater – do Sumo Pontífice João Paulo II sobre a bem-aventurada Virgem Maria na vida da igreja que está a caminhoConstituição Dogmática Lumen Gentium, 66 – IV. O CULTO DA BEM AVENTURADA VIRGEM NA IGREJA.Compêndio CatecismoGlórias de Maria Santíssima – Santo Afonso Maria de Ligório

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A Mãe de Deus e a falsa mãe do mundo https://soucatequista.com.br/a-mae-de-deus-e-a-falsa-mae-do-mundo/ https://soucatequista.com.br/a-mae-de-deus-e-a-falsa-mae-do-mundo/#respond Mon, 04 Jan 2016 13:04:01 +0000 http://www.soucatequista.com.br/?p=71651 Equipe Christo Nihil Praeponere

Virgem_Maria

Ante o crescimento de um culto materialista a entidades maternas pagãs, é preciso lembrar que a verdadeira mãe da humanidade é aquela cujo fruto nos alimenta para a eternidade.

No primeiro dia de janeiro, a Igreja celebra a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. Não é sem propósito que a liturgia coloca a celebração desse importante dogma de nossa fé, cuja proclamação foi motivo de grande júbilo para os cristãos primitivos, no início do novo ano. Nestes tempos em que a sociedade costuma dirigir seus pensamentos para as coisas mundanas, temos de recordar a maravilhosa notícia da maternidade de Maria.

O dogma da maternidade divina de Maria está ligado a um artigo inegociável do credo cristão: a encarnação do Verbo. Por volta do século V, graves crises cristológicas surgiram, causando grande perturbação no seio da Igreja. Dizia-se, entre outros absurdos, que Jesus não possuía duas naturezas — a humana e a divina —, mas somente esta última. Nestório, um importante bispo da época, defendia outra tese: Jesus seria um simples homem elevado à divindade por pura graça de Deus. Com essa afirmação, ele intentava pôr fim ao piedoso título de Theotókos (Mãe de Deus),atribuído pela comunidade a Maria, porque o considerava um grande escândalo (não muito diferente do que postulam certas seitas atuais).

Ocorre que a afirmação de Nestório, como a das demais heresias cristológicas, provocava uma séria dificuldade para a doutrina da remissão dos pecados. Segundo ensinam os Santos Padres, o que não foi assumido não foi redimido. Isto significa que só há verdadeira salvação se Jesus for o Verbo de Deus verdadeiramente encarnado. Se o que morreu na cruz era apenas um homem, esse sacrifício não teve valor algum. Foi o que notou São Cirilo de Alexandria na sua contundente defesa do título Theotókos. Ora, Maria é Mãe de Deus porque em Jesus há apenas uma pessoa (a divina) e duas naturezas (a divina e a humana). E a maternidade diz respeito a uma pessoa, não a uma natureza.

De fato, este dogma mariano é mais bíblico do que se imagina. Inspirada pelo próprio Espírito Santo, Isabel proclamou: Donde me vem esta honra de vir a mim a Mãe de meu Senhor? (Lc 1, 43). Nestas palavras acertadas, exprime-se toda a alegria com que os católicos costumam dirigir-se a Nossa Senhora, aquela que vem às pressas socorrer as necessidades de seus filhos (cf. Lc 1, 39). Maria está inseparavelmente ligada à redenção porque “foi dela que o Verbo assumiu, como próprio, aquele corpo que havia de oferecer por nós”. Não se tratava de um corpo extrínseco nela introduzido, recorda Santo Atanásio; o anjo disse-lhe: de ti (cf. Lc 1, 35), “para se acreditar que o fruto desta concepção procedia realmente de Maria”.

 

A falsa mãe do mundo


Na hora derradeira, Jesus entregou Sua mãe para toda a humanidade, na pessoa do apóstolo amado (cf. Jo 19, 25-26). Desde o princípio, os cristãos acolheram Maria em suas casas, como fez São João, para dedicar-lhe a merecida reverência. E o fizeram na certeza de que quem acolhe a mãe, acolhe também o filho. Ao contrário, aqueles que negaram pousada para a mãe, em Belém, negaram a própria salvação que batia às suas portas, em busca de um lugar para reclinar a cabeça (cf. Mt 8, 20). Jesus nunca pregou em Belém, durante Seu ministério público, porque não havia lugar para Ele naquela região (cf. Lc 2, 7).

Maria é, pois, a mãe que nos dá o verdadeiro alimento que salva: o pão vivo descido do céu. Infelizmente, assistimos a uma nova onda de paganismo, a qual tem minimizado a importância da fé cristã em nossa sociedade, para ressaltar os novos deuses dos tempos modernos. A maternidade de Maria é posta de lado — por vezes, até ridicularizada —, ao passo que a nova mãe do mundo, a Gaia, como dizem alguns, ganha o espaço que antes era da Mãe de Deus.Isso explica o porquê de as igrejas estarem vazias, na virada do ano, e as praias estarem cheias: as luzes efêmeras dos fogos de artifício têm mais valor que a Luz perene irradiada por Cristo.

Uma sociedade materialista moldará deuses materialistas, os quais assegurem as suas “cebolas do Egito”. Por isso, prefere-se cultuar a mãe que dá o alimento que passa do que a Mãe que introduz na vida eterna. Mas esse culto à Mãe da Terra, longe de trazer libertação, prende o ser humano nos vícios da carne, nas paixões mundanas e no próprio egoísmo. O homem esquece-se de sua finalidade, que é o Céu, para concentrar esforços numa jornada sem propósito: este mundo mesmo “onde a ferrugem e as traças corroem” ( Mt 6, 19).

 

Mãe de Deus e da Igreja para sempre


O Concílio Vaticano II ensina que a “maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção”. Isso significa que, mesmo após assunta aos Céus, Maria “não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna”. Quantos têm desperdiçado este auxílio precioso por culpa ora de más teologias, ora do paganismo que se propaga nos grandes meios de comunicação.

Caminhamos para o centenário das aparições da Mãe de Deus em Fátima, Portugal. É uma ótima oportunidade para redescobrirmos o valor da espiritualidade mariana, lembrando-nos dos pedidos que a Senhora fez à humanidade: oração e mortificação pela paz no mundo e pela salvação dos povos. Enquanto alguns fazem troça desses pedidos, os católicos têm o dever de ecoar pelos quatro cantos da Terra a mensagem daquela cujo coração triunfará no último dia. Como salientou Bento XVI durante visita a Portugal, “iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída”. Não somos deste mundo, não somos filhos desta terra. Nossa verdadeira Mãe leva-nos a escolher os bens que não passam. Confiemos a ela este novo tempo que se inicia para que tenhamos verdadeiramente um “feliz ano novo”.

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