MÚSICA E VOCAÇÃO – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Sun, 31 Dec 2023 20:44:01 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png MÚSICA E VOCAÇÃO – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 AMÓS, O JUSTO https://soucatequista.com.br/amos-o-justo/ https://soucatequista.com.br/amos-o-justo/#respond Sun, 31 Dec 2023 20:44:01 +0000 https://revistaavemaria.com.br/?p=73116 Sobre as origens do profeta Amós, temos poucos dados. Ele representa o mais antigo profetismo escriturístico. Nasceu em Tegoa (cidade localizada a dezessete quilômetros ao sul de Jerusalém) e apresentou-se no reino do norte (Samaria) em 760 a.C. como profeta do juízo. Em seu livro ele aparece como sendo homem do campo, lavrador. Diz-se que era pastor, mas, isso não pode ser entendido como sua profissão e sim no sentido de salvação e libertação do seu povo, ao estilo de Moisés e Davi, pois sua participação profética se dá a partir do chamado a obedecer a Deus (cf. Am 7,14-15).

Nessa época, o reino de Israel encontrava-se economicamente em ascendência, contudo, a hipocrisia religiosa, o luxo e a perversão sexual tomaram conta da sociedade, destruindo moralmente as consciências. Embora o povo se sentisse religioso e fizesse peregrinações aos santuários, os excessos de promiscuidade eram evidentes. Amós anuncia a ruína desse estilo de vida desmascarando a segurança dos israelitas e a queda do reino do norte (cf. Am 7,7-8).

No entanto, nesse horizonte ameaçador aparece uma pequena luz consoladora. Acontecerá uma mudança drástica, mas o Senhor não os abandonará e manterá a aliança feita com os antepassados. A esperança está numa mudança sincera de vida por meio da penitência. A glória de Israel virá com o Messias prometido da descendência de Davi.

A mensagem de Amós é bem clara: de esperança e perdão para que se restabeleçam os princípios morais de Javé. Os sinais que acompanham esse desejo de mudança estão na natureza e nos acontecimentos históricos, isto é, o Senhor dá sinais para retomarem o caminho correto.

Amós representa um novo jeito de ser profeta, centrado na justiça social baseada na solidariedade com os oprimidos e pisados pelo sistema dominante vigente. Dentro de um povo dominado pela violência, manipulado pela idolatria, tendo a vida assaltada pelo sofrimento, resta ao profeta levantar sua voz contra tudo aquilo que fere a dignidade humana. Foi ameaçado, perseguido, insultado e perseverou na luta por Deus.

Com ele aprendemos a ser perseverantes e nunca nos vender aos sistemas que exploram e nos afastam da graça de Deus. A verdade deve reinar em nossas condutas para que a beleza da Palavra de Deus resplandeça com fervor sobre aqueles que ainda vivem na cegueira da ganância e do egoísmo. Essa é a vocação do profeta: sacudir a consciência dos que se acomodaram e compactuam com a cultura da conformidade e da indiferença. Os profetas não vieram para agradar e falar coisas bonitas, mas, para nos ensinar a viver com fidelidade à missão que Deus nos reservou.

“A verdadeira profecia nasce de Deus, da amizade com Ele, da escuta diligente da sua Palavra nas diversas circunstâncias da história. O profeta sente arder no coração a paixão pela santidade de Deus e, depois de ter acolhido a Palavra no diálogo da oração, proclama-a com a vida, com os lábios e com os gestos, fazendo-se porta-voz de Deus contra o mal e o pecado.” (São João Paulo II)

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MUSICALIDADE SAUDÁVEL https://soucatequista.com.br/musicalidade-saudavel/ https://soucatequista.com.br/musicalidade-saudavel/#respond Tue, 01 Aug 2023 13:51:46 +0000 https://revistaavemaria.com.br/?p=72086 A música acompanha as expressões de crenças e de fé. É formadora e expressão da cultura. É transformadora ativa no tocante ao interior da alma humana e a única arte que pode penetrar mais fundo o âmago do homem. Estudos em Neurologia, Psiquiatria, Psicanálise, Antropologia, História, Arqueologia, entre tantas outras matérias, são unânimes sobre o poder da música. Dessa forma, não temos desculpa alguma em não desenvolvermos a musicalidade nas igrejas, pois a música está na gênese do ser humano, assim como a busca de Deus. O Catecismo da Igreja Católica inicia dizendo quem realmente somos “O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar” (27). São tantos os que trilharam o caminho da música e da santidade que somos ricos herdeiros da fé e da arte musical.

Mestres em santidade e mestres em música. Então, por que não usamos os conhecimentos que temos? Por que insistimos em tantos erros? Talvez seja por causa de um processo neurótico. Anselm Grün nos dá uma aula com extrema capacidade de síntese no brilhante livro A saúde como tarefa espiritual: “O neurótico confunde ideal perfeito com ausência de erros: em vez de amar um ideal que está fora de si, acima do eu, que unifica a personalidade, que confere à pessoa a sensibilidade para a sua falibilidade e, ao mesmo tempo, age como estimulante e encorajador, o neurótico ama apenas o eu idealizado e acredita amar o próprio ideal, contudo ele não encontra nem a paz, nem o equilíbrio.”

Muitas vezes, tenho a impressão de que muitos não fazem música em e por Cristo na Eucaristia e sim para si mesmos, não mergulhados no Batismo, mas mergulhados em seus próprios eus idealizados. O resultado não é musicalidade de paz, fé e amor em Cristo.

A musicalidade do católico cria saúde física e mental. Desenvolve possibilidades de expansão da alma por meio do Espírito Santo. Isso não pode ser simples conceito, é uma experiência de vida verdadeira dentro do coração humano. Nossas igrejas necessitam de testemunho do encontro do católico com Deus. No Evangelho, Jesus já diz que conhecemos uma árvore pelos frutos que ela dá, então, necessitamos produzir frutos de musicalidade orante, aquela que nos leva ao centro da liturgia, a Eucaristia. É sentir o Salmo reverberando no peito: “A minha alma será saciada, como em grande banquete de festa; cantará a alegria em meus lábios, ao cantar para vós meu louvor!” (62[63]). É a musicalidade da eternidade. É a arte de permitir a fusão do próprio eu com o Espírito Santo. É deixar a voz de Deus ressoar no coração humilde.

Coragem! Não tenha medo da humildade! Permita que o eu mergulhe com alegria na sabedoria do Espírito Santo. “A minh’alma engrandece o Senhor e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador, pois Ele viu a pequenez de sua serva; desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita.” (Lc 1,46-48) 

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NEEMIAS, O CONFORTO DE DEUS https://soucatequista.com.br/70781-2/ https://soucatequista.com.br/70781-2/#respond Wed, 01 Feb 2023 13:24:32 +0000 https://revistaavemaria.com.br/?p=70781 Neemias, que significa “Javé conforta”, era filho de Hacalias, que trabalhava como copeiro do rei Artaxerxes, governador de Judá. Foi um dos líderes judaicos que regressou a Jerusalém. Por estar em contato com o rei, em uma ocasião manifestou sua tristeza pela situação em que se encontrava Jerusalém e colocou-se à disposição para reconstruí-la. Com as cartas de recomendação, Neemias foi enviado como governador e, mesmo encontrando oposição por parte de grupos, examinou as condições da cidade e propôs que se fizessem fortificações, com muros para protegê-la. Além disso, fez um pacto com as lideranças locais, colocando objeções nos casamentos com estrangeiros, mais observância dos preceitos sabáticos, pois esses haviam sido violados por comerciantes, apoio ao culto no templo, pagamento do dízimo e observância externa da lei de Moisés.

O Livro de Neemias, que possui treze capítulos, enfatiza a missão desse personagem no âmbito teológico, muito mais do que político. Trata-se da restauração moral e espiritual do povo de Israel, visando a resgatar a espiritualidade após a volta do cativeiro e dos sucessivos conflitos tribais com a perda do sentido de Deus e da distância com a fé mosaica. Suas maiores virtudes eram a humildade, a motivação, a confiança em Deus, fé, obediência, justiça, senso de organização e responsabilidade. Foram essas qualidades que no seu ministério ajudaram o povo a assumir o controle de suas vidas e de suas terras.

Neemias era um homem preocupado com a causa de Deus; era cauteloso, corajoso e seu único compromisso foi com Deus, não com os estrangeiros. Tinha claro seu papel como escolhido e enviado a transformar aquela comunidade sofrida. Sua vida de oração lhe deu sustento para seguir a vontade de Deus e não se iludir pelas ofertas de mundo e poder que o rodeavam. A própria etimologia de seu nome como consolador é prova de que sua árdua missão foi trazer o coração do povo de volta a Deus.

A história desse homem se mescla com os demais personagens bíblicos que sentem em seu caminho o grande desafio de conduzir com generosidade e mansidão o povo a Deus. Sempre estão imersos nas problemáticas mundanas e sentem o chamado divino para mudar o tempo e o espaço. Neemias, diante de sua inquietação, lançou-se na fé reconhecendo Deus como o protagonista de sua missão. Simplesmente seguia a vontade do Altíssimo com o propósito de levar mais alegria ao sofrimento do povo. É um testemunho que nos edifica, pois, se estivermos atentos aos movimentos de Deus, saberemos dar luz aos nossos projetos e faremos a diferença como construtores de paz e amor.

A certeza de que tudo colabora para a graça de Deus é jamais desistir do que Ele iniciou. Que esse olhar atento e esperançoso nos leva a professar como Neemias: “Ah, Senhor, Deus do Céu, Deus grande e temível, vós que permaneceis fiel à vossa aliança e exerceis a misericórdia para com aqueles que vos amam e observam os vossos mandamentos, que vossos ouvidos estejam atentos e vossos olhos se abram para ouvirdes a prece que eu, vosso servo, estou fazendo na vossa presença, de noite e de dia. Ah, Senhor, prestai ouvidos à oração deste vosso servo e à oração dos vossos servos que veneram o vosso nome” (Ne 1,5-6.11).

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SANTA CECÍLIA E O MÚSICO CATÓLICO HOJE https://soucatequista.com.br/santa-cecilia-e-o-musico-catolico-hoje/ https://soucatequista.com.br/santa-cecilia-e-o-musico-catolico-hoje/#respond Mon, 31 Oct 2022 19:11:14 +0000 https://revistaavemaria.com.br/?p=69862 Vivemos num mundo repleto de informações que pipocam a todo momento em nossas redes sociais, nos meios de comunicação. Em meio a tudo isso há também muita música, fundos musicais, trilhas sonoras… Estamos sempre envolvidos por muitas imagens, informações e sons. E entre as angústias que permeiam nosso dia a dia, entre o suor e as lágrimas que escorrem, buscamos um ponto de refúgio, o apoio que precisamos para seguir.

Em cada santa Missa, em cada Eucaristia, em cada momento fraterno vivido na igreja esperamos encontrar esse refúgio. O mundo cansado está carente de paz. O ambiente do templo, o ambiente de nossas comunidades e paróquias precisa ser um oásis em meio ao deserto do mundo. Um oásis de beleza, de profundidade, um lugar de encontro com aquele que pode ressignificar a nossa luta diária. 

A música de nossas comunidades pode e deve ser um canal para que todos possam tocar um pouco do Céu já aqui. Como é boa a sensação de participar de uma Missa com uma música bem executada, em bom volume, harmônica, afinada! Como é bom! Isso nos ajuda muito a vivenciar bem a celebração.

Como é difícil a concentração e a oração dentro da igreja quando a música vai mal! Por muitas vezes, acaba ficando perceptível ao povo a falta de ensaio e de preparação dos ministros de música: tudo corrido, falta de compromisso, gente chegando em cima da hora, o olhar inseguro, o Salmo mal interpretado, muitos cochichos entre os membros da equipe litúrgica ao longo da celebração… É claro que a Missa continuará tendo o seu valor, continuará tendo Jesus eucarístico, com ou sem música, com música bem ou mal executada, porém, se a música for bem escolhida, bem preparada e os ministros de música forem talentosos e estiverem seguros do que fazer será muito mais agradável participar dessa celebração. Uma música bonita é capaz de elevar nossas almas.

Se os ministros de música, assim como Santa Cecília, padroeira dos músicos, cultivarem uma amizade íntima com Deus no seu cotidiano, essa amizade muito naturalmente transbordará no seu servir. É como quando convivemos muito com alguém: de tanto conviver, chega uma hora em que estamos parecidos, ou falando ou agindo como a pessoa. Sempre digo e repito: quanto mais convivermos com Jesus, mais ficaremos parecidos com Ele. Como Santa Cecília fez, precisamos decidir por uma vida em Deus, mesmo que isso nos custe muito.

É preciso uma decisão radical por Ele! Se vivermos de tal forma, traremos ao povo muito, muito mais do que música: traremos Deus, transbordaremos em nossa arte naturalmente a experiência que fazemos com esse Deus vivo e apaixonado. Isso, meus irmãos, é importantíssimo: aliar nosso compromisso ministerial com o estudo de voz e/ou instrumento e mais o cultivo da amizade com o Senhor. Dessa forma, aqueles que vêm às nossas comunidades, paróquias e eventos da igreja terão mais possibilidade de encontrar um oásis em meio ao deserto do mundo mediante uma música cantada e tocada belamente, amorosamente e impregnada de muita verdade e busca de Deus.

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