pão – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Thu, 23 Aug 2018 12:00:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png pão – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 O desafio de “ser pão” para os outros https://soucatequista.com.br/o-desafio-de-ser-pao-para-os-outros/ https://soucatequista.com.br/o-desafio-de-ser-pao-para-os-outros/#respond Thu, 23 Aug 2018 12:00:39 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=84448 Continuamos no cap. 6 do Evangelho de João. Aumenta a tensão entre os judeus e Jesus. À medida que Jesus vai aprofundando no seu ensinamento, vai aparecendo a enorme diferença existente entre o que eles aprenderam da tradição e o que Jesus lhes quer transmitir. E vão aparecendo as doentias murmurações. “E começaram a murmurar contra Jesus”. Murmuravam porque Jesus havia dito: “eu sou o pão vivo descido do céu”. É o mesmo verbo para falar das murmurações dos israelitas no deserto contra Moisés, por não lhes dar alimento, como eles tinham no Egito. Jesus lhes recorda que o povo esteve contra Moisés nos momentos difíceis e agora também não confiam nas palavras do próprio Jesus.

Sabemos que a murmuração se expressa de inúmeras maneiras, sutis ou não, formando uma montanha de ressentimentos, queixas, críticas ácidas… Murmurar é contraproducente e nocivo. Alguém que murmura é uma pessoa difícil de conviver e poucas pessoas sabem como responder às queixas feitas por outras que expelem sua fuligem interior. O trágico é que, uma vez expressa, a murmuração leva ao que mais se queria evitar: um afastamento maior. Essa murmuração íntima é sombria e pesada: condenação dos outros, condenação de si mesmo, justificativas… entrando numa espiral de amargura e fechamento. À medida que a pessoa se deixa arrastar ao interior do vasto labirinto das suas murmurações, fica mais e mais perdida, até que, no fim, acaba achando-se a pessoa mais incompreendida, rejeitada, negligenciada e desprezada do mundo.

Em um coração carregado de murmurações e queixas, o Espírito não tem liberdade de atuar; elas são a fonte poluidora de onde brotam as doentias divisões internas, que atrofiam as forças criativas, petrificam o coração, resistem ao novo e levam ao distanciamento de tudo e de todos. Com isso, a pessoa se blinda, tornando-se rígida, fechada em suas posições, crenças, valores… e não se deixa impactar pelo encontro com o diferente. Como quebrar os ferrolhos das murmurações e estender as mãos para acolher o surpreendentemente novo? Como passar do coração de pedra para a morada da fonte de água viva?

Nesse contexto “carregado”, Jesus vai abrindo um caminho de existência compartilhada, que se expressa na comunicação do pão e que culmina na comunicação de vida. Ele não se deixa afetar pelas murmurações que levam à morte. Jesus, o “Pão da Vida”, tocou as “vidas feridas” com delicadeza e ternura e as transformou. Seus gestos terapêuticos foram o prolongamento da ação criativa de Deus; com palavras e ações Ele inaugurou no meio de nós o Reino de Vida do Pai. Não só optou pela vida e se comprometeu com a vida, mas fez de sua Vida uma entrega radical a favor da vida. Em Jesus acontece algo totalmente novo; Ele traz uma nova maneira de viver e de comunicar vida que não cabe nos nossos esquemas. Quem entra em comunhão de vida com Ele, conhece uma vida diferente, de qualidade nova, expansiva…

A comunhão com Jesus é fonte de vida e vida em crescente amplitude. Quando nos dispomos a caminhar com Ele, sob a ação do seu Espírito, realiza-se em nós um processo de abertura e de superação, de crescimento e de reconstrução de nós mesmos…; tomamos consciência de uma dimensão profunda de nosso interior, que nos permite experimentar uma outra vida, que supera tudo o que vivemos até então.

A “vida eterna”, então, não é um prolongamento ao infinito de nossa vida biológica. É a dimensão inesgotável e decisiva de nossa existência. Ela torna-se “eterna” desde já. Para o evangelista João, a “vida” é uma totalidade, ou seja, a vida presente, a vida atual, é uma vida que tem tal plenitude que, com toda razão, podemos chamá-la de “vida eterna”, uma vida com tal força e tão sem limites, que nem a morte mesma terá poder sobre ela.

Precisamos adquirir uma consciência mais profunda da vida do espírito, perceber as pulsações desta vida eterna que está em nós, do mesmo modo que, prestando atenção, percebemos as batidas de nosso coração. A vida, desde o mais íntimo da pessoa humana, deseja ser despertada e vivenciada em plenitude. Vida plena prometida por Jesus: “Quem crê, tem a vida eterna”

Jesus faz-se alimento que gerar vida nova no mundo; alimentar-nos d’Ele, desperta nossa vida interior, fazendo-nos redescobrir nossa verdadeira riqueza; ao mesmo tempo, fazendo-se “pão partilhado”, Jesus nos ensina a gerar vida, ou seja, Ele nos move a fazer com que nossa própria vida seja “alimento substancioso”, para que outros também tenham vida. A comunhão de vida com Cristo nos faz ter um “caso de amor com a vida”.

Nem sempre sabemos viver: conformamo-nos com uma vida estreita, estéril, fechada ao novo, carregada de “murmurações”. Quando nos saciamos com o Pão, que proporciona vigor inesgotável, nossa vida se destrava e torna-se potencial de inovação criadora, expressão permanente de liberdade, consciência, amor, arte, alegria, compaixão…. É vida em movimento, gesto de ir além de nós mesmos; vida fecunda, potencial humano. Vida com fome e sede de significado, que busca o sentido… Vida que é encontro, interação, comunhão, solidariedade. Vida que é seduzida pelo amor, pela ternura. Vida que desperta o olhar para o vasto mundo. Vida que é voz, é canto, é dança, é festa, é convocação…

Ao afirmar: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu”, Jesus nos revela que a vida é sempre uma novidade que rompe velhos barris; ela é um fenômeno que emerge de forma misteriosa; ela se impõe, simplesmente. Tal realidade desperta fascinação, provoca admiração e veneração… porque a vida é sempre sagrada. Diante dela ficamos extasiados, boquiabertos, escancarados os olhos e afiados os ouvidos. Ela nos atrai por sua força interna. A vida é sempre emergência do novo e do surpreendente. Portador de uma vida inesgotável, somos muito mais que o simples resultado de nossos esforços e lutas. Vivemos para mergulhar em algo diferente, novo e melhor.

Nossa vida não é um problema a resolver, mas uma experiência a acolher, uma aventura a amar e um mistério a celebrar. Afinal, somos discípulos(as) permanentes na escola do Mestre da vida! Nesse sentido, a experiência do Seguimento de Jesus é uma verdadeira “escola de vida”, cuja aprendizagem nos leva ao âmago do nosso ser, para enraizar nossa vida no coração cheio de nutrientes, dele haurir a força da vida divina e deixar-nos plenificar pela graça transbordante de Deus. Nada mais contrário ao espírito do Evangelho que a vida instalada e uma existência estabilizada de uma vez para sempre, tendo pontos de referência fixos, definitivos, tranqüilizadores…

Texto bíblico: Jo 6,41-51

Na oração: Para viver a partir do ser mais profundo, é preciso dedicar, cada dia, algum tempo de atenção ao próprio coração e aprender a regozijar-se da maravilhosa vida de Deus em cada um. Basta um repouso e o estar presente para fazer acalmar a agitação interior e aproximar-se da fonte da vida.

– Temos nas mãos e no coração a opção de viver “em chave de murmurações” (queixas, ressentimentos e desencantos) ou “em chave de benção”, descobrindo na vida a presença d’Aquele que nos faz estremecer de alegria, desafiando-nos a ser “pão para os outros”.

– Sua vida cotidiana: “pão amargo de murmurações” ou “pão substancioso de bênçãos”?

Por Pe. Adroaldo Palaoro sj (via Catequese Hoje)

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A Eucaristia é realmente algo além de pão e vinho? https://soucatequista.com.br/a-eucaristia-e-realmente-algo-alem-de-pao-e-vinho/ https://soucatequista.com.br/a-eucaristia-e-realmente-algo-alem-de-pao-e-vinho/#respond Fri, 20 Jun 2014 14:06:38 +0000 https://soucatequista.com.br/?p=42933 topicNa Eucaristia, Jesus está presente com seu corpo, sangue, alma e divindade. Depois da consagração do sacerdote, ainda que o pão e o vinho mantenham a mesma aparência, sua substância muda. O fiel que se alimenta do “Pão da Vida” é profundamente transformado por Deus.

A Eucaristia é o próprio Cristo. Seu corpo, sangue, alma e divindade se encontram plenamente no pão e no vinho consagrados.

A Eucaristia é o próprio Cristo. Quando o sacerdote invoca o Espírito Santo e repete as palavras de Jesus na Última Ceia: “Este é o meu corpo que será entregue por vós” (e o mesmo com o cálice), nesse preciso momento, o pão se converte no corpo de Cristo e o vinho, em seu sangue, mas sem modificar a figura, a cor, o cheiro ou o sabor nem do pão, nem do vinho. A substância do pão se converte na substância do corpo de Cristo; a do vinho, na do sangue de Cristo.

Mas é somente a substância que muda (a realidade mais profunda), não a aparência: a Eucaristia continua mostrando as características do pão e do vinho, e não as do corpo humano. Por isso, mais uma vez, a presença de Deus está velada e não é conhecida pelos sentidos, mas somente pela fé, segundo destaca o Catecismo da Igreja Católica, citando São Tomás de Aquino.

Esta discreta, mas poderosa presença inspirou grandes obras de arte, surpreendendo milhões de pessoas nos últimos dois mil anos, da Última Ceia de Jesus com seus discípulos, antes da sua morte e ressurreição. O ex-ministro protestante americano Scott Hahn, convertido ao catolicismo, expressa assim a sua descoberta: “Enquanto eu via o sacerdote levantar a hóstia branca, senti que surgia do meu coração uma oração, como um sussurro: ‘Meu Senhor e meu Deus. Realmente és Tu!’”.

Jesus Cristo vivo e glorioso está presente hoje no mundo de diversas maneiras: em sua Palavra, na oração da sua Igreja, “onde dois ou mais estiverem reunidos no meu nome” (Mt 18, 20), nos pobres, nos doentes, nos presos, nos sacramentos, na Missa, no sacerdote. Mas sobretudo, substancialmente, está presente sob as formas físicas do pão de trigo e do vinho da videira, consagrados.

A presença de Cristo é real, não aparente. O próprio Jesus disse isso e a Igreja Católica o confirmou sempre, consciente da importância crucial desta verdade de fé.

Parece escandaloso reconhecer que Deus está em um pedaço de pão e que nós nos alimentemos dele. De fato, quando Jesus anunciou isso, muitos o abandonaram. E ao longo da história do cristianismo, o questionamento da presença real de Cristo na Eucaristia suscitou numerosas heresias e divisões. Apesar de tudo, Jesus e a Igreja Católica a mantiveram como elemento central. “Minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida”, reafirma Jesus no capítulo 6 do Evangelho de São João; Cristo está na Eucaristia “de maneira verdadeira, real e substancial”, declara o Concílio de Trento no século XVI, rejeitando a ideia de que o sacramento seria somente um símbolo ou um sinal de um corpo ausente.

O corpo de Jesus presente nos altares, custódias e sacrários é adorado por milhões de pessoas como “verdadeiro” (verum corpus), com belíssimos hinos de grandes poetas e compositores, para diferenciá-lo de um corpo só “aparente” e também do corpo “místico”, que é a Igreja.

Por meio da sua presença real, única e misteriosa sob a aparência do pão, Jesus cumpre, de modo supremo, a sua promessa de estar conosco sempre, como afirma no final do Evangelho de Mateus.

No pão consagrado, Cristo se entrega à pessoa humana como alimento que transforma a existência e antecipa a vida em Deus e com Deus.

Assim como o grão de trigo é enterrado e se desfaz para que depois cresça uma nova espiga, com a qual se fará o pão, Jesus se entrega totalmente para que a nova vida, eterna, chegue a cada pessoa. Ele o fez em Jerusalém por volta do ano 30 e o renova em cada consagração do pão. É um dom total de amor, um sacrifício para inaugurar a passagem da morte à vida.

Graças a isso, a Eucaristia é, em palavras de Bento XVI, “o grande e permanente encontro de Deus com os homens, no qual o Senhor se entrega como ‘carne’, para que nele, e na participação em seu caminho, nós nos convertamos em espírito”. Da mesma maneira que Ele, por meio da cruz, se transformou em uma nova forma de corporeidade e humanidade que se compenetra com a natureza de Deus, esse alimento deve ser para nós uma abertura da existência, um passo através da cruz e uma antecipação da nova existência, da vida em Deus e com Deus.

Salvos de suas quedas cotidianas e unidos em comunhão, os que se alimentam do único “pão da vida” são eternamente o próprio Corpo de Cristo. Assim, a presença real de Cristo na Eucaristia antecipa a presença divina definitiva, da qual desfrutarão após a morte física, ao passar ao Pai.

Por Aleteia

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