Santa Teresa – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Thu, 10 Mar 2022 11:03:55 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Santa Teresa – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 Santa Teresa nos ensina a meditar durante a Quaresma https://soucatequista.com.br/santa-teresa-nos-ensina-a-meditar-durante-a-quaresma/ https://soucatequista.com.br/santa-teresa-nos-ensina-a-meditar-durante-a-quaresma/#respond Thu, 10 Mar 2022 11:03:55 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=10547 A meditação tem se tornado uma prática em todos os níveis, até mesmo feita por pessoas que não são cristãs. Santa Teresa de Jesus, contudo, nos diz que meditar, para os cristãos, é questão de vida ou morte. Sua proximidade com Jesus, nos ajuda a adentrar o mistério da vida e da morte.

Na Quaresma de 1554, com 39 anos, Santa Teresa de Jesus chega ao ápice da luta contra as próprias debilidades. A descoberta da imagem de “um Cristo muito chagado” marca profundamente a sua vida (cf. Vida 9). A santa, que nesse período encontra profunda consonância com o santo Agostinho das Confissões, assim descreve o dia decisivo da sua experiência mística: “Acontece… que de repente tive a sensação da presença de Deus, que de nenhum modo eu podia duvidar que estava dentro de mim, e que eu estava totalmente absorvida nele” (Vida 10, 1).

A santa realça como a oração é essencial; orar, diz, “significa frequentar com amizade, porque frequentamos face a face Aquele que sabemos que nos ama” (Vida 8, 5). A ideia de santa Teresa coincide com a definição que s. Tomás de Aquino dá da caridade teologal, como “amicitia quaedam hominis ad Deum”, um tipo de amizade do homem com Deus, que foi o primeiro a oferecer a sua amizade ao homem; a iniciativa vem de Deus (cf. Summa Theologiae II-II, 23, 1). A oração é vida e desenvolve-se gradualmente com o crescimento da vida cristã: começa com a prece vocal, passa pela interiorização mediante a meditação e o recolhimento, até chegar à união de amor com Cristo e a Santíssima Trindade. Obviamente, não se trata de um desenvolvimento em que subir os degraus mais altos quer dizer deixar o precedente tipo de oração, mas é antes um aprofundar-se gradual da relação com Deus que envolve toda a vida. Mais do que uma pedagogia da oração, a de Teresa é uma verdadeira “mistagogia”: ao leitor das suas obras ensina a rezar, orando ela mesma com ele; com efeito, frequentemente interrompe a narração ou a exposição para irromper em oração.

Papa Bento XVI, em audiência geral, 2 de Fevereiro de 2011

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36ª Festa dos Povos da Paróquia Santa Teresa (SP) https://soucatequista.com.br/36a-festa-dos-povos-da-paroquia-santa-teresa-sp/ https://soucatequista.com.br/36a-festa-dos-povos-da-paroquia-santa-teresa-sp/#respond Wed, 24 Oct 2018 17:24:40 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=5336  

Aconteceu no último final de semana, dias 20 e 21 de outubro, a 36ª edição da Festa dos Povos da Paróquia de Santa Teresa, no Itaim Bibi, na cidade de São Paulo (SP). O evento é uma extensão da Festa da Padroeira e contou barracas de comida típica de diversos países, shows e brincadeiras.

“Toda essa Festa dos Povos é em benefício das diversas obras da Paróquia. Temos muitos projetos que precisam dessa verba. As duas creches, a farmácia comunitária, o sopão para os pobres, todas as demais obras sociais e a manutenção do templo são beneficiadados com os recursos que arrecadamos com a festa”, disse Frei Rothamans Campos, OCarmo.

Após a Santa Missa de abertura dos festejos, os paroquianos e Frei Rothamans levaram em procissão a imagem de Santa Teresa, que percorreu toda a área da festa. Na ocasião todas as barracas foram abençoadas pelo Frei, que agradeceu a cada voluntário por sua dedicação e serviço.

Confira as fotos:

 

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Jesus Cristo na vida e pensamento de Santa Teresa https://soucatequista.com.br/jesus-cristo-na-vida-e-pensamento-de-santa-teresa/ https://soucatequista.com.br/jesus-cristo-na-vida-e-pensamento-de-santa-teresa/#respond Mon, 22 Jan 2018 10:00:39 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=2459  

Teresa de Jesus (1515-1582) foi educada na fé da Igreja Católica. Muito depressa deu mostras de uma rara sensibilidade religiosa (Vida 1,5). Para ela, a princípio, a religião concentrava-se na figura de Deus, sem especificar muito (Vida 2,7). Depois surge a pessoa de Jesus como expressão do divino (Vida 3,1). Mais tarde Jesus a introduz no mistério trinitário (Contas de Consciência 14), e desde ali redescobre a Deus (Contas de Consciência 15), mas com mais profundidade, sem que nunca falte no horizonte da sua existência Jesus Cristo homem e Deus (Contas de Consciência 66,3), como centro de compreensão e de vivência de toda a realidade divina e humana.

O primeiro encontro com Jesus Cristo

A descoberta de Jesus, como Deus que saiu ao nosso encontro, coincide com o despertar da sua puberdade (Vida 3,6) e supõe para ela o começo de uma religiosidade adulta. Começa a entender toda a sua existência como relação – oração, assim o diz ela (Vida 4,7).

Teresa vê os seus primeiros anos como se fossem uma nova criação de Deus, onde tudo era bom (Vida 1), mas logo a seguir também ela foi apanhada pela tentação (Vida 2), e é então quando Jesus a começa a chamar (Vida 3,6).

Interrogando-se acerca do sentido da sua vida e contemplando a de Jesus, pensa que a melhor resposta ao seu amor é consagrar-se inteiramente a Ele, ainda que para isso tenha que usar de grande violência. Acerca disto escreve: “Recordo-me, e a meu parecer com toda a verdade, que quando saí de casa de meu pai [para fazer-se religiosa], foi tal a aflição, que não creio que será maior quando eu morrer” (Vida 4,1). E assim a sua primeira séria decisão é por Cristo, fazendo-se carmelita.

O Carmelo é uma Ordem contemplativa, e Teresa começa a viver a sua religiosidade como encontro com Jesus. Diz ela: “Procurava o mais que podia trazer a Jesus Cristo, nosso Bem e Senhor, presente dentro de mim, e esta era a minha maneira de oração: se pensava em algum passo [do evangelho], representava-o no interior” (Vida 4,7).

Para Teresa meditar é pensar em Jesus, amá-l’O e trazê-l’O consigo como se O tivesse dentro de si ou em frente. Pouco a pouco começa a estabelecer-se tal relação entre ambos, que Teresa entende como uma amizade muito profunda (Vida 8,5). A comunicação dá-se já não só na oração, estende-se à vida inteira. Orar para ela é algo muito precioso: “Tratar de amizade estando muitas vezes tratando a sós” (Vida 8,5). Ali se dá conta de que necessita do amigo, e Ele também dela. Desta forma tão simples os tesouros da fé fazem-se presentes na sua alma.

Vicissitudes no encontro com Cristo

E assim passou algum tempo, até que, por sentir-se imperfeita, começou a deixar esta particular amizade, julgando equivocadamente que era mais humildade (Vida7,1). Parecia-lhe que não era digna desse encontro tão belo. A relação arrefeceu um pouco e Teresa caiu nalgumas imperfeições. Intentou reconstruir a amizade, mas ao não conseguir despojar-se desses obstáculos, os encontros com o amigo resultavam um tormento. Sentia-se como mulher infiel ao esposo, ainda que as suas “ingratidões” fossem bem pequenas. Intentava ser fiel, fazia grandes esforços até que um dia se deu conta de que neste processo de reabilitação confiava demasiado em si mesma e não se punha totalmente nas mãos do seu Senhor (Vida 8,11-12).

E um dia, diante de uma imagem de Cristo, marcado pelas chagas dos açoites da paixão (Vida 9), deposita totalmente a sua confiança n’Ele, e sente que o Senhor a reabilita por dentro. A leitura das Confissões de Santo Agostinho foi marcante. E desde então começa a ser toda d’Ele. Cada vez que se põe a fazer oração, representando-se a Cristo, sente-se cheia de Deus. Esta percepção será o primeiro efeito da vinda de Jesus a ela (Vida 10,1). Ao refletir sobre isto, julgava que até este momento era ela quem buscava a Cristo, agora é Ele quem busca a Teresa (Vida 23,1ss).

Cristo conduz à conversão plena

Esta conversão – assim a chamam alguns – abre-a para um processo novo de fidelidade. Entretanto, sente a proteção do amigo Cristo, e como Ele suavemente a vai introduzindo na Sua Pessoa (Vida 24,1ss). Teresa vê que a presença de Deus a envolve como uma nuvem da qual não pode sair. Até que um dia rezando o “Veni, Creator”, percebe que uma força interior a arrebata por dentro e remove as seguranças do seu eu. Escuta estas palavras: “Já não quero que tenhas conversações com homens, senão com anjos” (Vida 24,5). É o Amado que a quer para Si. Entra nas profundidades da mística (Sextas Moradas). A partir daqui, já não se vai recriminar de nenhuma falta consciente.

Teresa e Cristo ressuscitado

Seguidamente começa a perceber que Alguém lhe fala (Vida 25,1). São palavras que ela chama interiores, porque não se ouvem com os ouvidos corporais, tocam na alma. Palavras cheias de força, de claridade, de afeto e de consolação. Ao principio não identificava a sua origem, mas depressa compreende que quem lhe fala é Cristo (Sextas Moradas 8,2). Antes era ela quem dirigia a Ele a sua palavra de súplica ou de afeto, agora é Ele, quem desde o mais íntimo dela, a chama pelo seu nome, e sai assim ao seu encontro. Teresa vai-se deixando modelar por esta palavra que coincide em tudo com as que nos transmitem os Evangelhos.

Depois destas percepções, quando levava nelas como uns dois anos, Jesus Cristo deixa-Se ver (Vida 27-29). Teresa contempla-O, mas também como antes, não é uma visão ocular, percebe-o com mais claridade desta maneira. Trata-se de visões também interiores. Sempre O vê ressuscitado, ainda que se mostre em alguns dos momentos da vida terrena (Vida 29,4). Estes fenômenos transfiguram o ser de Teresa; fazem-na perceber o sentido de Cristo; dá-se conta de que Ele é o centro e a origem da vida humana. Sem Ele nada tem sentido nem beleza, sem Ele tudo empalidece. Nestes encontros entende o mistério da fé cristã e descobre a verdade. As visões muitas vezes juntam-se com as palavras, e quem lhe fala é esse Cristo a quem agora também vê. Teresa sente-se mudada, está transformar-se noutra. Desde esta vertente, aqueles primeiros encontros, a que chamava oração, agora adquiriam o seu verdadeiro sentido. Mais ainda, as visões e as locuções crescem em intensidade. Sente-se transbordada (Vida 38,17-18).

Chegará a perceber que Cristo ressuscitado está como esculpido no seu próprio ser. A amizade com Ele envolve-a de tal maneira que não só o sente como relação – um Tu que a ama entranhadamente – mas também como quem por dentro a enche de vida, nela vive e a sustenta, é Alguém que enche todo o seu ser. É o que os místicos chamam transformação em Cristo, profundíssima amizade de dois que sentem o mesmo e se querem com tal intensidade que cada um vive mais no outro do que em si mesmo. Mas esta relação não é só psicológica, invade todo o seu ser. Ela escreve sobre isso: “De imediato se recolheu a minha alma, e pareceu-me ser toda ela como um claro espelho; não havia costas, nem lados, nem alto, nem baixo, que não fosse tudo claridade; e no centro dela se me representou Cristo Nosso Senhor, como O costumo ver. Parecia-me que em todas as partes da minha alma O via tão claramente como num espelho, e esse espelho, (não sei dizer como) também se esculpia todo no mesmo Senhor, por uma comunicação muito amorosa que eu não saberei explicar” (Vida 40,5).

Cristo conduz ao mistério trinitário

Jesus Cristo que é o Filho de Deus e seu Enviado, Palavra do Pai, feito homem em Maria pelo Espírito Santo, o Mediador do nosso encontro com o Pai, conduz Teresa ao mistério Trinitário. Com a luz do Ressuscitado entenderá o mistério e sentirá que as Pessoas Divinas habitam dentro da alma do ser humano que está em graça (Contas de Consciência 15; 36; 60). A experiência trinitária é muito intensa na vida de Teresa. Terá experiências de cada Pessoa, e perceberá também a sua unidade. A sua alegria é transbordante porque Jesus Cristo, o Amado, é amigo da alma, condu-la ao mais profundo da fé da Igreja (Contas de Consciência 55,3).

A nova vida

Tudo isto repercute na vida moral de Teresa, que se mostra cheia de Evangelho. As Bem-aventuranças (Caminho de Perfeição 2) e o Pai Nosso (Caminho de Perfeição 27-42) refletem-se com toda a claridade na sua pessoa. Ela gostava de dizer que as experiências religiosas se conhecem pelos seus efeitos (Sétimas Moradas3,1). Os de Teresa são as virtudes teologais, a confiança ilimitada no Pai, a humildade e a fortaleza, entre muitas outras. Sente também como o humano ressuscita numa personalidade nova, livre, gozosa, cheia de energia e de doçura, de luz e de paz. No livro de Moradas principal­mente pode comprovar-se o acabamos de dizer. Agora compreende de verdade o que significa ser cristã.

Sempre Jesus Cristo

Em tempos de Teresa havia certa polêmica acerca do sentido da Humanidade de Jesus no processo da oração (Vida 22,1; Sextas Moradas 7,5). Uma corrente espiritual pensava que na primeira parte deste processo, no chamado plano ascético, devia meditar-se sobre a vida e os mistérios do Senhor; mas na segunda, na mística, teria que deixar para trás o humano do Senhor e caminhar pela Sua Divindade. Teresa descobre que isto é inaceitável. A realidade inteira do Senhor deve acompanhar o cristão em todo este processo de subida. Em defesa da Humanidade de Cristo escreve dois capítulos memoráveis (Vida 22; 6Moradas 7), em que, com argumentos teológicos, bíblicos e desde o humanismo cristão, demonstra que desviar-se dessa consideração do Senhor vai em detrimento do mais profundo e belo da revelação cristã.

O tempo posterior deu razão a Santa Teresa que, com a sua vivência pessoal e com os seus ensinamentos acerca de Cristo, brindou à Igreja uma das espiritualidades mais nitidamente cristãs, onde o Cristo humano-divino preenche tudo. A sua mística não é algo acrescentado ao cristianismo, nem um balcão ou porta que se lhe brinda; é a sua essência, pois ela vincula a sua vivência à realidade de Cristo histórico-ressuscitado e vivido na comunidade. As suas experiências místicas aconteceram em momentos altos da liturgia (Contas de Consciência 25). Contribuiu de forma singular na Igreja para uma compreensão plena de Jesus, que termina em mística, mas que se enraíza nos Evangelhos e na comunidade que vive e celebra os mistérios.

Secundino Castro Sánchez

Fonte: site da Ordem do Carmo em Portugal

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Sinais de santidade, segundo Santa Teresa de Jesus https://soucatequista.com.br/sinais-de-santidade-segundo-santa-teresa-de-jesus/ https://soucatequista.com.br/sinais-de-santidade-segundo-santa-teresa-de-jesus/#respond Sun, 21 Jan 2018 09:00:42 +0000 http://carmelitas.org.br/?p=2464 Houve tempos em que se considerava que os místicos, como Santa Teresa, percorriam um caminho diferente ao dos cristãos comuns. Como consequência, os escritos dos místicos pareciam representar uma espiritualidade da elite, espiritualidade que não se podia aplicar a todos.

Hoje entendemos que estes santos somos nós mesmos. Eles nos mostram o potencial de nossa humanidade. Estão no topo da coluna e nos transmitem o impacto do amor de deus em suas vidas. O que escrevem não é algo especial para uns poucos, mas para servir de guia e encorajamento a todos. O caminho que descrevem é mais normativo que excepcional.

Uma das contribuições de Santa Teresa de Jesus é de ter indicado certos sinais na vida de uma pessoa que denotam o crescimento na santidade. Independentemente de que uma pessoa tenha ou não experiências religiosas extraordinárias – como as vozes e visões de Teresa –, estes sinais indicam que o caminho espiritual está alicerçado sobre uma base firme. São indícios da transformação, da crescente abertura da pessoa à ação do Espírito. Podemos citar entre estes sinais de santidade: 1- profunda humanidade, 2- ampla liberdade, 3- grande generosidade. Veremos abaixo essas três dimensões.

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Profunda humanidade
Fazer a passagem do desempenhar um papel para o encontro de si mesmo, de sua verdade interior

Somos um mistério para nós mesmos, e só deus conhece quem somos realmente. Teresa defendeu que nossa verdadeira identidade é descoberta na relação com o senhor. Ela disse: “não posso conhecer-te, senhor, se não me conheço a mim mesma, porém não posso conhecer-me a mim mesma se não conheço a ti”. Em outras palavras, quanto com maior clareza podemos dizer quem é Deus, com maior clareza podemos proclamar em nossas vidas nossa própria identidade e expressarmos nossa humanidade. Uma pessoa de oração, aberta ao chamado de Deus, deveria encontrar-se mais à vontade em sua humanidade. Quanto mais pudesse dizer “Deus” em sua vida, mas poderia dizer “Teresa” (o nome de cada um).

Às vezes, na história da espiritualidade, o mandado bíblico de renunciar a si mesmo foi interpretado no sentido de desprezar a si mesmo, para reconhecer com relutância a própria humanidade e tê-la em muito pouca consideração. Mais que uma promessa isso foi um problema. Esta interpretação deu lugar, com frequência, a uma humanidade abatida (acompanhada de um rosto pesaroso). O Papa Francisco denunciou a cara de funeral. Os sintomas são observados em pessoas que se encontram sempre “carrancudas e hostis”, dando testemunho de uma “severidade teatral”; têm um “estéril pessimismo”. Ele nos disse que estes são sinais de medo e insegurança.

Apesar disso, o mandado evangélico de negar-se a si mesmo estava, na realidade, desafiando a nossa inclinação ao egoísmo, a vivermos demasiado voltados a nós mesmos, e sem perceber as necessidades de nossos irmãos. Um ego sadio pode facilmente chegar a ser doentio, egocêntrico. Este “eu” que inclina todas as coisas às suas próprias necessidades e desejos não é um eu maduro.

Teresa insistiu na humanidade de Jesus Cristo. Sua humanidade ajudará às irmãs a valorizar e a pôr os pés na terra, em sua própria humanidade. Deixar de um lado o Jesus humano é um erro. A oração nunca nos eleva tanto, disse ela, que não necessitemos dos evangelhos e da liturgia da Igreja. Somos humanos e vamos para Deus de uma maneira humana. Sua viva e atrativa personalidade era expressão de uma humanidade que foi se aprofundando na medida em que amadurecia sua união com o senhor.

Ampla liberdade
Fazer a passagem do serviço obsessivo aos ídolos à resposta livre a Deus

Na vida de uma pessoa se dá uma sutil mudança quando vai crescendo sua confiança na presença e no amor de Deus. As ações compulsivas e preocupações obsessivas vão diminuindo. Em lugar de depender de fontes externas de autoafirmação, tais como títulos e posses, a pessoa que vai amadurecendo na espiritualidade aprende e vive a partir de dentro, desde o santo mistério que ocupa o centro da vida. Quando Santo Agostinho disse ao senhor: “tu estavas dentro de mim, e eu estava fora… tu estavas comigo e eu não estava contigo”, nos mostrou o desafio que se nos apresenta quando queremos crescer na santidade. É necessário levar uma vida interior consciente e orante. Ao ir Deus ocupando o centro da própria vida, os ídolos da periferia vão perdendo poder.

Santa Teresa identifica tempos nos quais experimentou um crescimento da liberdade de espírito. Quando começou sua reforma do carmelo, no início Teresa se sentiu profundamente ferida pelas críticas. Também se sentia afetada pelos louvores. Depois chegou a considerar tudo isto com certa indiferença. Suas reações mudaram: se era criticada, considerava como sendo o que ela merecia, e se era louvada, considerava que nisto era louvado o senhor, e também o aceitava. Desse modo, alcançou a liberdade de não responder emocionalmente e de não ser molestada pelos comentários dos demais.

Teresa também nos conta que, uma vez, na sua profunda união com Cristo, o pensamento da morte parecia ser um nobre desejo. A morte seria o aperfeiçoamento de sua peregrinação e o cume de sua união com o senhor. Porém, foi refletindo sobre isso, chegando finalmente a descobrir um problema neste aparente nobre desejo de morrer e estar com o senhor. Teresa deu-se conta de que queria morrer, quando a pergunta verdadeira tinha quer ser esta outra: “o senhor quer isto?” Ela ensinava com frequência que a finalidade da oração é “a conformidade com a vontade de Deus”. Ao questionar-se, “Deus quer isto?”, a atitude ou intenção de Teresa mudou. Desejava permanecer neste mundo, servindo, tanto tempo quanto quisesse Deus, e também estava pronta para ir para casa e estar com o senhor quando ele o dispusesse. Era livre para estar disponível ao que Deus quisesse.

Grande generosidade
Fazer a passagem do egoísmo ao amor desinteressado

Com frequência Teresa fala de um objetivo da caminhada espiritual: uma crescente sensibilidade às necessidades dos demais. O caminho não pode desembocar numa espiritualidade encerrada em si mesmo, numa comunidade ensimesmada. A caminhada deve levar a uma expressão externa de serviço. A pessoa espiritual é consciente de que tem a responsabilidade de usar os dons recebidos de Deus para o bem do povo de Deus. Não vamos sós a Deus; não é uma peregrinação individual. Teresa, sem sombra de dúvida, afirma o mandado evangélico de amar a Deus e ao próximo. Este serviço a nossos irmãos é a prova de fogo do cristianismo.

Nas etapas da viagem, como Teresa descreve em sua obra clássica sobre a oração, o Castelo Interior, se dá uma maior intimidade com Deus. Ela descreve várias etapas ou moradas nessa relação. O leitor espera que a última etapa, a sétima morada, seja uma situação de intensa interioridade e quase de inacessível experiência espiritual. Apesar disso, é uma revelação e um alívio ler sua declaração de que a finalidade desta união profunda com Deus são as boas obras, as boas obras!

Teresa exortou suas irmãs a manter uma espiritualidade com os pés na terra, que busca o benefício dos demais. Quando as irmãs se queixaram de que o ambiente em que viviam sua vida de clausura dava pouca saída para o serviço amplo à Igreja, Teresa as desafiou. Disse-lhes que não é bom sonhar grandes projetos quando se lhes apresentava diante de si a oportunidade de umas servirem às outras. Recordou-lhes que Deus não julga a grandeza do que fazemos senão o amor com que fazemos o que é possível. Teresa lhes disse, e nos diz hoje: não construam castelos no ar! Deixemos que nosso cristianismo encontre expressões práticas e eficazes do que disse Teresa.

Frei John Welch, O.Carm.
Fonte: Citoc Magazine, nº 2.2015
Tradução: Província Carmelitana Pernambucana

 

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