Santa Teresinha do Menino Jesus – Sou Catequista https://soucatequista.com.br Milhares de Artigos dos mais variados temas da Igreja Católica para a sua Catequese, Cursos, Downloads e muito mais! Sat, 01 Oct 2022 10:00:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://soucatequista.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-ico-1-32x32.png Santa Teresinha do Menino Jesus – Sou Catequista https://soucatequista.com.br 32 32 Frases de Santa Teresinha sobre a Pequena Via https://soucatequista.com.br/frases-de-santa-teresinha-sobre-a-pequena-via/ https://soucatequista.com.br/frases-de-santa-teresinha-sobre-a-pequena-via/#respond Sat, 01 Oct 2022 10:00:26 +0000 https://carmelitas.org.br/?p=12858 “Não penseis que nado em consolações, oh não! meu consolo é não ter consolações na terra. Sem mostrar-se, sem se fazer ouvir, Jesus ensina- me em segredo, não é por meio dos livros, pois não entendo o que leio, às vezes, porém, uma palavra como esta que destaquei no final da oração (após ter ficado no silêncio e na aridez) vem consolar-me: “Eis o mestre que te dou, ensinar-te-á o que deves fazer. Quero levar-te a ler no livro da vida onde está a ciência do amor”. A ciência do Amor, oh sim! esta palavra soa doce ao ouvido da minha alma, só desejo essa ciência. Tendo dado por ela todas as minhas riquezas, calculo, como a esposa dos cânticos sagrados, nada ter dado… Entendo tão bem que só o amor possa nos tornar agradáveis a Deus, que fiz dele o único objeto dos meus desejos. Jesus sente prazer em mostrar-me o único caminho que leva para essa fornalha divina, e esse caminho é a entrega da criancinha que adormece sem receio no colo do pai… “Quem for criança, venha cá”, disse o Espírito pela boca de Salomão, e esse mesmo Espírito de Amor disse também que “A misericórdia é dada aos pequenos” Ms B”.

“Minha irmã querida, pedistes para eu vos descrever meu sonho e “minha pequena doutrina”, como a chamastes… Foi o que fiz nas páginas a seguir, mas tão mal que me parece impossível que compreendais. Achareis, talvez, minhas expressões exagera as… Ah! perdoai-me, isso deve ser atribuído a meu estilo pouco agradável. Asseguro-vos não haver exagero nenhum na minha alminha, que está tudo calmo e descansado… (Ao escrever, é a Jesus que falo, assim me é mais fácil expressar meus pensamentos… O que, ai! não impede que estejam mal expressos!)”.

“Ser tua esposa, ó Jesus; ser carmelita; ser, pela minha união a Ti, a mãe das almas, deveria ser-me suficiente… mas não é… Sem dúvida, esses três privilégios formam minha vocação: carmelita. esposa e mãe. Todavia, sinto em mim outras vocações, a de Guerreiro, a de Sacerdote, a de Apóstolo. a de Doutor, a de Mártir, enfim, sinto a necessidade, o desejo de realizar, para Ti, Jesus, as mais heróicas obras… Sinto na minha alma a coragem de um cruzado, _de um zuavo pontifício. Queria morrer num campo de batalha pela defesa da Igreja…”.

“Ó meu Jesus! o que vais responder a todas essas loucuras?… Há alma menor, mais impotente que a minha?… Porém, por causa da minha fraqueza, achaste prazer, Senhor, em atender aos meus pequenos desejos infantis e queres, hoje, realizar outros desejos, maiores que o universo… Como meus desejos me faziam sofrer um verdadeiro martírio na oração, abri as epístolas de são Paulo a fim de procurar alguma resposta. Meus olhos caíram sobre os capítulos 12 e 13 da primeira epístola aos Coríntios… No primeiro, li que nem todos podem ser apóstolos, profetas, doutores etc… que a igreja é composta de diferentes membros e que o olho não poderia ser, ao mesmo tempo, a mão”.

“A resposta estava clara, mas não satisfazia aos meus desejos, não me propiciava paz… Como Madalena se inclinando sempre junto ao túmulo vazio acabou por encontrar o que desejava, também me abaixei até as profundezas do meu nada e elevei-me tão alto que consegui atingir minha meta… Sem desanimar, prossegui com minha leitura e esta frase aliviou-me: “Aspirai, também, aos carismas mais elevados. Mas vou mostrar-vos ainda uma via sobre todas sublime”. E o apóstolo explica como todos os mais perfeitos dons não valem nada sem o Amor… Que a caridade é a via excelente para levar seguramente a Deus. Enfim, tinha encontrado repouso… Considerando o corpo místico da Igreja, não me reconheci em nenhum dos membros descritos por são Paulo, melhor, queria reconhecer-me em todos… A Caridade deu-me a chave da minha vocação. Compreendi que se a Igreja tem um corpo, composto de diversos membros, o mais necessário, o mais nobre de todos não lhe falta. Compreendi que a Igreja tem um coração e que esse coração arde de amor. Compreendi que só o Amor leva os membros da Igreja a agir, que se o Amor viesse a extinguir-se os apóstolos não anunciariam mais o Evangelho, os mártires negar-se-iam a derramar o sangue…”.

“Eis, meu Bem-Amado, como se consumará minha vida… Não tenho outros meios para te provar meu amor, a não ser lançar flores, isto é, não deixar escapar nenhum pequeno sacrifício, nenhum olhar, nenhuma palavra, aproveitar as menores coisas e fazê-las por amor… Quero sofrer e mesmo gozar por amor, dessa forma lançarei flores diante do teu trono, não encontrarei uma só sem desfolhá-la para Ti… e, ao jogar minhas flores, cantarei”.

“Como pode uma alma tão imperfeita como a minha aspirar à plenitude do Amor?… Ó Jesus! meu primeiro, meu único Amigo, Tu que amo UNICAMENTE, dize-me que mistério é esse. Por que não reservas essas imensas aspirações para as grandes almas, para as águias que planam nas alturas?… Considero-me apenas um mero passarinho coberto de leve penugem, não sou uma águia, só tenho dela os olhos e o coração, pois apesar da minha extrema pequenez ouso fixar o Sol Divino, o Sol do Amor, e meu coração sente em si todas as aspirações da águia… O passarinho quer voar para esse Sol brilhante que encanta seus olhos, quer imitar as águias, suas irmãs, que vê chegar ao lar divino da Trindade Santíssima… ai! o que pode fazer é bater as asinhas, voar, porém, não está em seu pequeno alcance! O que será dele? Morrer de tristeza por se ver tão impotente?… Oh não! o passarinho nem vai ficar aflito. Com total abandono, quer ficar olhando seu divino Sol; nada poderá assustá-lo, nem o vento nem a chuva, e se nuvens escuras vierem esconder o Astro de Amor o passarinho não trocará de lugar”.

“Jesus sou pequena demais para fazer grandes coisas… e minha loucura pessoal é esperar que teu amor me aceite como vítima… Minha loucura consiste em suplicar às Águias, minhas irmãs, que consigam para mim o favor de voar para o Sol do Amor com as próprias asas da Águia divina… Enquanto quiseres, ó meu Bem-amado, teu passarinho ficará sem forças e sem asas, com os olhos sempre fixos em Ti. Quer ser fascinado pelo teu olhar divino, quer tornar-se a presa do teu Amor… Um dia, espero, Águia adorada, virás buscar teu passarinho e, subindo com ele ao Lar do Amor, mergulharás para sempre no ardente Abismo desse Amor a quem se ofereceu como vítima…”.

“Ó Jesus! como posso dizer a todas as almas pequeninas o quanto é inefável a tua condescendência… sinto que, embora seja impossível, se tu encontrasses uma alma mais fraca, menor que a minha, terias prazer em cumulá-la de favores ainda maiores, caso ela se abandonasse com inteira confiança à tua misericórdia infinita. Mas por que desejar comunicar teus segredos de amor, ó Jesus. Não foste tu quem os ensinaste a mim e não podes revelá-los aos outros?… Sim, sei, e te suplico para fazê-lo, te suplico que abaixes teu olhar divino sobre um grande número de almas pequeninas… Suplico-te escolher uma legião de pequenas vítimas dignas do teu AMOR!”.

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Como aprofundar o tema da “Pequena Via” de Santa Teresa do Menino Jesus https://soucatequista.com.br/como-aprofundar-o-tema-da-pequena-via-de-santa-teresa-do-menino-jesus/ https://soucatequista.com.br/como-aprofundar-o-tema-da-pequena-via-de-santa-teresa-do-menino-jesus/#respond Fri, 01 Oct 2021 10:01:41 +0000 https://carmelitas.org.br/?p=12855 Quando falamos de “pequena via de Santa Teresinha” estamos falando do seu caminho espiritual, da sua Doutrina e a primeira coisa que precisamos esclarecer, recordar ou ensinar é que a “Pequena Via” não pode ser relacionada a uma vida espiritual fácil, simples, direcionada à pessoas mais fracas e menos capazes.

Nós chamamos o caminho espiritual proposto por Teresa de “Pequena Via” porque ela mesma o chama assim repetindo uma expressão da Irmã Maria do Sagrado Coração. Mas, é preciso ter muita atenção para não cair no erro de explicar e transmitir uma coisa que não pertence à Teresa. Essa era já uma preocupação de Teresa, como podemos ver nesse fragmento do Testemunho da Irmã Maria da Trindade e da Santa Face, a noviça preferida de Teresa, durante o Processo de Canonização (13-15 de março de 1911):

“Um dia eu lhe disse que explicaria a sua “pequena via de amor” a todos os meus parentes e amigos e que faria com que eles fizessem o seu “Ato de Oferta” para que fossem diretamente ao céu. ‘Oh – me disse – sendo assim, faça muita atenção! A nossa pequena via explicada mal ou compreendida mal, pode ser interpretada como quietismo ou iluminismo’… ‘Não pense que seguir a nossa pequena via seja seguir uma via de repouso, feita somente de consolações. Ah! pelo contrário! Oferecer-se como vítima ao amor, significa oferecer-se ao sofrimento, porque o amor não vem se não que do sacrifício e quando nos ofertamos totalmente ao amor, devemos esperar de ser sacrificados sem reservas’. Jamais me lamentarei o bastante [disse a Ir. Maria da Trindade] por não ter anotado tudo sobre essas luzes que ela recebia na oração e que me comunicava na direção para o bem da minha alma”.

A “Pequena Via” se explicada de modo errado pode dar uma ideia de “quietismo”, uma doutrina teológica com origem no séc. XVII que defendia uma espiritualidade totalmente abandonada ao agir de Deus, onde não seria necessário nenhum esforço do ser humano. O teólogo Hans Urs von Balthasar[1], nos recorda que o caminho de Teresa se trata de uma “via”, ou seja, um caminho que intencionalmente exige um movimento, não se trata de um lugar de repouso, mas, nos obriga ao seguimento de Jesus Cristo.

A ideia de uma via pequena está em contraposição cm aquilo que na época de Teresa era considerado o caminho espiritual de acordo com as correntes teológicas que marcavam a vida dos fiéis. Para chegar até era preciso percorrer um longo caminho de penitências, sacrifícios, e ações extraordinárias. A própria Teresa faz referimento a essa realidade quando comparava o caminho espiritual de suas irmãs, chamando-as de águias que voavam longe em direção ao Sol do Amor.

Teresa reconhece que esse caminho não é acessível a todos e que ela ajudaria muitas almas a chegar até Deus propondo um caminho diverso, mais curto e ao alcance de todos. “Não sou águia, delas tenho somente os olhos e o coração[2]” escreve Teresa no Manuscrito B, apresentando-se como um passarinho, pequeno e frágil, mas, que carrega no coração o desejo de contemplar “o astro do amor”. Como passarinho, Teresa não desistiu de estar na presença de Deus apesar das tempestades, das noites escuras da fé, das nuvens que cobriam o céu. Todas essas expressões podem ser encontradas na Obra de Teresa de Lisieux quando ela explica a sua “pequena doutrina”.

No tempo de Teresa, o caminho espiritual era marcado pela justiça divina, muitas religiosas faziam a oferta da própria vida à justiça de Deus. Por essa razão Teresa faz o oferecimento ao Amor Misericordioso, abrindo-se a outro tipo de reflexão teológica que redescobriu nos anos sucessivos o rosto misericordioso de Deus. Von Bathasar escrevendo sobre Teresa dedicou todo um capitulo para o tema da pequena via e diz: “Dessa demolição da “grande via” compreendida como a via da justiça, descobre-se que a “Pequena Via” é, sem duvida, a verdadeira, porque é a via da graça e da nova aliança, mas, não por isso é necessariamente mais fácil[3]”.

Teresa é doutora da Igreja e devemos ser conscientes da grandiosidade da sua mensagem. Mesmo considerando a sua humildade e o seu desejo de que seu caminho fosse sempre pequeno. Também Santa Teresa de Jesus falava com humildade das suas tantas experiências místicas, mas, nós sabemos que se tratava de grandes dons que o Senhor a concedia. Um “Doutor da Igreja” tem uma Doutrina aprovada e proposta pela Igreja como caminho seguro que nos leva até Jesus. Muitas pessoas, incluindo padres e bispos, contestaram a possibilidade que Teresa fosse reconhecida como Doutora da Igreja, simplesmente porque o seu caminho foi mal interpretado ou, de certa forma, “apresentado de modo errado”. Até mesmo alguns Papas, apesar de reconhecer a santidade de Teresa, demoraram a aderir à ideia de colocá-la entre os Doutores da Igreja. Por isso, precisamos ter muito cuidado ao falar da “pequena via” de Teresa de Lisieux para não reduzir a grandiosidade e a profundidade de sua mensagem e da força teológica da sua doutrina com definições superficiais e mesquinhas. Como devotos de Teresa e seus amigos, temos a responsabilidade de redescobrir a proposta da sua doutrina espiritual.

Como aprofundar o tema da “Pequena Via”?

Na minha opinião o caminho espiritual de Teresa deve ser considerado antes de tudo a partir do Manuscrito B. Certamente sabemos o que é manuscrito B, mas, vamos recordar!

A obra “História de uma alma”, autobiografia de Teresa foi escrita para atender um pedido da superiora. O manuscrito A endereçado à Madre Inês de Jesus, o Manuscrito C à Madre Maria de Gonzaga e uma outra parte que a principio foi publicada ao final, mas, que depois retomou ao seu lugar cronologicamente original que e o manuscrito B, dedicado à Irmã Maria do Sagrado Coração. Aqui temos uma coisa importante, o Manuscrito B não segue o mesmo estilo dos outros dois manuscritos porque não se trata das memórias de sua vida, mas, da sua experiência espiritual. Também, é importante notar que a Irmã Maria do Sagrado Coração, Maria, irmã biológica de Teresa, madrinha de batismo e “terceira mãe” foi de algum modo responsável pela autobiografia de Teresa. Hoje sabemos que além d manuscrito B, diretamente dedicado à ela, Maria propôs, de modo indireto, a redação também dos outros manuscritos (não sendo a Superiora não tinha o direito de pedir diretamente para que Teresa escrevesse as suas memórias).

Não temos muito tempo para nos determos nos escritos de Teresa, então passemos ao que mais nos interessa no momento: O manuscrito B, onde Teresa escreve, a pedido de Maria, o seu caminho espiritual. Claramente os outros escritos de Teresa também revelam a sua doutrina, como, por exemplo, as páginas do Manuscrito C, onde Teresa nos dá tantos exemplos de como praticar a caridade que é a base da “pequena via”.

Antes de buscar qualquer informação sobre o caminho espiritual de Teresa do Menino Jesus nos diversos livros que escreveram sobre ela, é preciso conhecer o que ela mesma escreveu sobre o assunto. O Manuscrito B, portanto, e essencial para conhecer a doutrina de Teresa, que nessas páginas é apresentada de maneira muito clara.

Clique aqui e confira alguns trechos do Manuscrito B

Escrito por Frei Juliano Luiz da Silva, O.Carm.

[1] Hans Urs von Batlthasar, Sorelle nello Spirito, Teresa de Lisieux ed Elisabetta di Digione, p. 209.

[2] Ms B 4Vº.

[3] Von Bathasar, 206.

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